Contos de Bru
1 O Elfo Encantado
Notas iniciais
Se você for a floresta hoje vai ter uma surpresa. Vá disfarçado para que o que haja lá não o reconheça.
Era uma vez um elfo encantado. E sim. Ele morava num pé de caqui.
A sombra da floresta era mutável. De dia se torava um abrigo tranquilo e refrescante para aqueles que atravessavam a floresta pela trilha de pedras douradas. De noite se tornava sombria e assustadora sobre o vento junto ao assobio ameaçador das corujas que se abrigavam nos topos das árvores. Eledil era minúsculo, olhava para as árvores com assombro, mas as tinha como suas únicas amigas, afinal ele mesmo morava dentro de uma delas. Mais precisamente de um caquizeiro. Todos os dias para o pequeno elfo de olheiras pontudas era iguais. Ele saía pouco antes do sol nascer, passava pelo caminho de pedras, e chegava ao antigo lago, e por ali ficava. A margem deste havia amoras silvestre tão doces quanto o mel das abelhas, colhia também alguns morangos e nozes, guardava o excesso para leva-lo até o caquizeiro para estoca-lo no inverno.
Em um dos seus dias quando chegava do lago, na antiga trilha de pedras amarelas ele ouviu vozes, estas melodiavam uma canção. Ficava mais alta e forte. E então na estrada surgiu uma companhia de duendes, estes vinha das antigas minas para lá das montanhas, todos tinha picareta e mochilas, e atravessavam cantando homenageando o lar que eles tanto ansiava. Eledil se escondeu entre os arbustos, ouvindo a cação e observando o que para ele era um novo tipo de gigante. Eledil adorava música e som do vento balançando as árvore do riacho inquietando as águas cristalinas era a única melodia ouvida pelo elfo. Ficou encantado com as palavras que saiam da boca dos duendes. Mas algo quebrou todo aquele encantamento, uma das vozes se desviou da melodia e entoou num grito desesperador:
– Olhem irmãos! Caqui! Árvore de doce fruto. Isto foi o suficiente para que toda a música terminasse e os olhos antes fixos no fim da estrada olhassem ferozmente para árvore. Os duendes saíram então da estrada e correram ao pé da árvore que estava agora carregava de belos frutos que tendiam do amarelo-alaranjado para vermelho. Devoraram sem cerimonia cada um dos frutos que estavam ao seu alcance.
Eledil assustado lamentava pela sua casa. Decidiu que não iria até ela, que esperaria até que os duendes fossem embora. O dia se foi, assim como a tarde e à noite chegou. Um brilho flamejante se ascendeu na copa do caquizeiro. Os duendes se esquentava no calor das chamas da fogueira e Eledil adormeceu no relento dos arbustos.
Quando enfim a manhã chegou Eledil esperou que os devoradores fossem enfim embora. Foi ao lago como de costume teve sua refeição de frutas como sempre, mas quando voltava para casa um dor o derrubou, seu peido doía a cada batida do seu coração, e a imagem do caquizeiro veio a sua pequena mente. Ele correu então para sua casa e viu lamina do machado machucar a árvore. – Nãooo! — gritava o pobre elfo mas ninguém o escutava. As lagrimas rolavam pelo seu rosto. Criatura medíocres, devoraram os frutos de minha árvore, que de bom grado deu-lhes todos, agora a machucam com suas armas de ferro. Eledil se levantou correu para longe estrada, para longe do caquizeiro. Suas pernas o haviam levado a gruta da enorme montanha que cercava toda a floresta, ali morava uma bruxa, ela era um pouco maior que os duendes e sua pela era como a crosta grossa das árvores, havia folhas ao invés de cabelos e ela usava um graveto retorcido ordenado com sincelos como varinha mágica.
– bruxa da floresta criaturas gigantes devoram minha arvore e a cortam com instrumentos de ferro afiado faça alguma coisa, cumpra com o seu favor.
–Eledil é você? A bruxa saiu da escuridão. Seus olhos com pigmentação rosa brilhavam. Meu querido elfo, o que aconteceu que história é esse de gigantes?
– gigante vindo para lá da estrada de pedra vieram a floresta cantando uma doce cação, logo que avistaram o meu caqui correram para sua copa e arrancaram todos os seu frutos e agora (o elfo começou a chora) minha Denauá eles o machucam com instrumentos de ferro. Salve-o por favor. Salve-o.
– Não chore Eledil, eu o ajudarei, mas terá que fazer tudo por conta própria, o caquizeiro está sobre sua responsabilidade e ninguém a não ser você mesmo poderá defende-lo.
–Certo. Consentiu o elfo.
A varinha da bruxa brilhou pequena estrelas surgiram ali e aqui e tudo ficou claro. O elfo cresceu ficou mais alto que duende, tanto que a cabeça deles batiam no ombro do elfo, ele agora estava bem perto da estrada levantou-se acostumou-se com sua nova estatura e foi ao encontro dos duendes. Os viu sentado na copa das árvores descansando, sentiu a raiva consumir seu corpo, era tarde demais o troco do caquizeiro jazia ao de um duende bigodudo. O vento soprou mais forte a manhã escureceu e raios caiam no chão da floresta, os duendes acordaram viram a criatura de olhos brilhante, de nariz e orelhas pontudas se levantar do chão o vento soprava ao seu favor e os caiam ao seu comando, os duendes correram, mas o elfo os impediu confundindo-os em qual direção tomar, o chão tremeu e uma enorme rachadura se abriu engolindo quatro dos oitos que estavam ali, as árvores próximas lançaram seus cipós e agarram dois e os consumiu para dentro de seus troncos, o duende bigodudo lançou em direção ao elfo o seu machado mas este laçou um feitiço que tudo se perdeu numa luz branca os dois últimos duendes se desintegraram e o elfo agora permanecia sobre chão, retornando sua estatura, tudo voltara como era antes, não havia mais duendes, o céu brilhava azul como as águas cristalinas e o vento soprava lentamente sobre o topo das árvores.
Eledil nunca mais foi o mesmo as sombras o cobriu pela sua maldade e o caquizeiro para sempre se foi. A floresta continuo a mesma o tempo passou a estrada fora frequentada por outros duendes que foram em busca de seu irmão, mas nunca estes foram vistos, em sua memória árvores foram plantadas e todas estas eram caquizeiros.
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