Contos de Bleach
2 2. Yoruichi de Botas
Notas iniciais
Yoruichi de Botas ~ (O Gato de Botas)
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Era uma vez um velho que, não tinha nada para deixar para seus filhos quando morresse a não ser sua espada e sua gata preta, chamada Yoruichi. A pequena casa que tinham no Rukongai foi logo divida e mesmo aos trancos e barrancos, rendeu aos dois filhos uma pequena quantia em dinheiro. O filho mais velho ficou com a espada e, o mais novo, um jovem chamado Abarai Renji, ficou só com a gata. E ele não ficou nada contente com uma herança tão pequena. Já não bastava ser pobre? A gata ainda tinha que ser preta? Era muito azar ou uma boa mandinga. Sua situação não estava nada boa: sem casa, pouco dinheiro e... Uma gata. Grande merda.
“Meu irmão pode muito bem ganhar a vida com o que recebeu. Pode aprender técnicas de espada e ser um assassino de aluguel, ou quem sabe até um shinigami.” — ele pensou. — “Mas eu, depois de vender a gata para conseguir mais grana, o que é que eu vou fazer?”.
A gata ouviu o que ele dizia e ergue-se cheia de dignidade, dizendo:
– Não se preocupe meu amo. O senhor só precisa me dar uma sacola e mandar fazer um par de botas para que eu possa andar pela floresta e verá que não está tão mal financeiramente como pensa.
– Você fala?! – o rapaz se espantou, arregalando os olhos.
– Não só falo, como tenho certeza de que sou bem mais esperta que você e que vou conseguir nos tirar dessa situação deplorável.
Embora Renji não tivesse muita confiança na promessa de uma gata falante, ele decidiu que tentaria qualquer coisa para deixar de ser pobre. E, afinal, o que ele tinha a perder? A grana que conseguira da herança. Que merda. Era bom que essa gata idiota tivesse um bom plano para tirá-los da pobreza, e rápido.
Quando Yoruichi recebeu o que tinha pedido, calçou as botas. Em seguida colocou um pouco de comida na sacola, atirou-a nas costas e partiu em direção a uma toca na floresta, onde sabia que havia um grande número de coelhos. Ali se estendeu no chão, fingindo-se de morta e esperou que algum coelhinho inocente entrasse na sacola para comer a isca.
Ela mal tinha acabado de se deitar no chão quando seu plano deu resultado. Um coelhinho foi atraído a entrar na sacola e a gata esperta o prendeu, amarrando imediatamente a boca da sacola para fechá-la. Com muito orgulho de sua presa, ela foi até palácio do rei Kuchiki, na região do Seireitei, pedir uma audiência.
– Majestade, eis aqui um coelho selvagem que fui encarregado de lhe entregar em nome do Marquês Abarai. — a gata disse, adicionando um título importante ao nome de seu amo.
– Diga ao seu amo que fiquei muito satisfeito e que lhe agradeço. — respondeu o rei Kuchiki Ginrei.
Alguns dias mais tarde a gata escondeu-se numa moita e preparou a armadilha outra vez. Quando duas perdizes perambulando acabaram dentro da sacola, ela amarrou a sacola, apanhando ambas. Em seguida ela foi falar com o rei, como tinha feito com o coelho selvagem. O rei aceitou as duas perdizes com muito prazer e deu á gata algo para beber.
Ela continuou a agir assim por mais dois ou três meses, visitando o rei de vez em quando para lhe levar alguma caça que se acreditavam terem sido caçadas por seu amo.
Um dia, a gata ouviu que o rei ia dar um passeio ao longo da margem do rio, que dividia o Seireitei e o Rukongai, com seu filho, Kuchiki Byakuya, o príncipe mais rico e mais bonito de todos os reinos, paquerado entre homens e mulheres, viu ali uma chance de ouro. Correu até Renji, arrastando-o até um ponto da margem do rio e disse ao amo:
– Se seguir o meu conselho, a sua fortuna estará feita. O senhor só tem que se banhar no rio, no lugar que eu indicar e deixe o resto por minha conta. – ela deu uma piscadela. – Agora me dê as suas roupas.
– O que? Não.
– Ora, você quer que o plano funcione? Então me dê logo às drogas das roupas! Depois entre no rio e espere pelo meu sinal.
O jovem fez o que a gata lhe pediu, embora não soubesse o que ia ganhar com isso. Enquanto estava banhando-se tranquilamente, o rei passou por ali e então, num surto, a gata começou a gritar com toda a força:
– Socorro! Socorro! O meu amo, Marquês Abarai está se afogando!
Quando o rei Kuchiki ouviu este grito, botou a cabeça para fora da janela da carruagem e reconheceu a felina que lhe trouxera caça tantas vezes. Então mandou que seus guardas socorressem o Marques.
Renji, meio sem entender o que acontecia, afundou o corpo na agua por alguns instantes, obedecendo ao olhar insistente da gata. Logo os guardas se aproximaram da margem do rio para ajudar Renji. Enquanto o pobre rapaz estava sendo puxado para fora do rio, a gata foi de encontro ao rei, que já estava fora da carruagem e contou a ele uma história de que uns bandidos haviam roubado as roupas de seu amo. — roupas que, a gata havia escondido debaixo de uma pedra. O rei imediatamente mandou que o seu Mestre guarda-roupa escolhesse um de seus trajes mais bonitos para o Marquês Abarai.
Olhando discretamente da janela da carruagem, Byakuya, o filho do rei, tentava entender o porquê de seu pai ter parado o passeio tão de repente. Via seu pai parado mais a frente, conversando com um... Gato? E perto do rio, os guardas se esforçavam para tirar um jovem da agua. Arregalou os olhos ao se deparar com o rapaz visivelmente sem graça por estar totalmente exposto. Byakuya não podia deixar de notar o quão másculo o jovem parecia, com aquele corpo alto, definido e exuberante. Sentia suas bochechas ardendo e podia imagina o tanto que estava vermelho. Percebendo que o rapaz e os guardas se aproximavam da carruagem, Byakuya saiu, ficando mais afastado da mesma.
Quando Renji estava apresentavelmente vestido, o rei prestou bastante atenção ao jovem, já que as roupas bonitas que tinham sido dadas realçavam a figura elegante e o rosto atraente. Ele era alto, tinha um bom porte e uma farta cabeleira ruiva. Ele se aproximou do príncipe, para aprecia-lo mais de perto.
– Então... Você é o famoso Marquês Abarai? – perguntou o princípe.
– Sou sim... Bom, pelo menos eu acho que sim.
– Me responda uma coisa: Como um homem como você estava se afogando num lugar tão raso?
– Sabe que eu também não sei? – ele deu um sorriso amarelo.
O rei logo se aproximou, convidando o Marquês e a gata a entrar na carruagem para acompanhá-los pelo resto do passeio. Ora, já que ele tinha até se familiarizado com seu filho, porque não?
– Desculpe Vossa Majestade, mas eu não poderei acompanha-los. – a gata disse tristonha. – Vou à frente preparar tudo para recebê-los. Mas o meu amo vai com vocês.
– O que?! Err... Quer dizer, sim, sim, claro. – sorriu o ruivo.
– Percebi que você gostou do princípe, mas tenha modos e se controle. – a gata sussurrou para Renji, lançando um olhar para a região entre as pernas do rapaz. Ele apressou em esconder a ‘animação’ e subir na carruagem, prosseguindo com o passeio.
A gata estava muito satisfeita em ver que seu plano tinha começado a funcionar, mas ainda havia muito que fazer. Ela correu na frente e logo encontrou com alguns lavradores cortando feno no prado.
– Escutem lavradores. – ela disse, ameaçando-os. — Se vocês não disserem ao rei que o campo onde estão trabalhando pertence ao Marquês Abarai, todos vocês vão virar carne para picadinho!
Realmente, quando o rei chegou, ele perguntou aos lavradores de quem eram o campo em que estavam trabalhando.
– Isto pertence ao Marquês Abarai. – responderam todos.
– O senhor tem uma herança considerável aqui. – disse o rei ao Marquês.
– Como pode ver Majestade, é um campo que produz uma colheita abundante todos os anos. – respondeu o ruivo, embora estivesse surpreso com as palavras deles.
A gata esperta continuou a andar na frente, em seguida encontrando alguns ceifeiros e lhes disse:
– Escutem ceifeiros. — ela disse, no mesmo tom ameaçador. — Se vocês não disserem ao rei que o campo onde estão trabalhando pertence ao Marquês Abarai, todos vocês vão virar carne para picadinho!
O rei, que passou por ali momentos mais tarde, perguntou a quem pertencia todo aquele trigo.
– Isto pertence ao Marquês de Abarai. – responderam todos, deixando o rei mais encantado com o rapaz.
A gata, que caminhava muito mais á frente, da carruagem, continuou a dizer as mesmas coisas a todos que encontrava e o rei ficou surpreendido com a riqueza imensa do Marquês Abarai.
Finalmente, a gata astuta chegou a um castelo bonito que pertencia a um ogro temido, chamado Zaraki. Na verdade, toda terra pela qual o rei tinha passado, pertencia à propriedade do castelo de Zaraki. A gata sabia disso e, já tendo um plano em mente, pediu para falar com o ogro. O ogro a recebeu da forma que um ogro tinha de fazê-lo, mas pediu que se sentasse.
– Fui informada, — disse a gata. – que o senhor possui o dom de se transformar em todas as espécies de animais, como por exemplo, em um leão. Digamos que nós tenhamos algo em comum.
– É verdade. – o ogro respondeu. – E o que seria?
– Eu também tenho um poder secreto e queria propor uma sociedade, onde juntos seremos poderosos, mas, primeiro, uma demonstração de nosso poder. – a gata sorriu.
– Você primeiro.
Dentro de alguns segundos, a pequena gata preta deu lugar a uma linda mulher, morena, cabelos roxos, olhos verdes brilhantes e um corpo perfeito. E o melhor: completamente nua. Ora ninguém sabia desta habilidade da gata, nem mesmo seu amo.
– Esta é a minha verdadeira forma. Eu sou limitada apenas á transformação de um gato, mas tenho certeza de que você é bem mais poderoso, não?
– A-ham... – Zaraki respondeu, praticamente babando. — E só para lhe provar, vou me transformar em um leão.
Imediatamente o ogro se transformou em um leão grande e feroz. A mulher levou um susto tão grande ao ver um leão em sua frente, que quase caiu para trás. Assim que o ogro voltou a forma original, ela relaxou, ajeitando-se.
– Eu também fui informada, — a mulher continuou. – que o senhor pode se transformar em animais pequenos, como por exemplo, um rato ou um camundongo. Mas isto é uma coisa que acho impossível!
– Impossível? Espere e verá!
No mesmo instante o ogro se transformou em um pequenino camundongo, correndo pelo chão. Assim que a mulher viu o camundongo, não perdeu a oportunidade: se transformou em gato novamente lançou-se sobre o animal, o matou e o comeu!
Algum tempo depois, o rei Kuchiki chegou ao castelo do ogro e queria ver o dono, ansioso. Renji percebera que Byakuya, apesar de discreto, não tirara os olhos dele durante toda a viagem, sem ao menos prestar atenção no que o pai dizia sobre as paisagens pelas quais eles passaram. Renji que não era bobo nem nada, olhava quando podia e mal podia resistir ficar ali tão perto do príncipe sem poder tocá-lo. Mas tinha que ter modos até o fim daquele longo passeio. Ao ouvir o som da carruagem sobre a ponte levadiça, a gata correu na sua direção e disse:
– Vossa Majestade, seja bem-vinda ao castelo do Marquês de Abarai!
– O que? – perguntou o rei, espantado. – O castelo também lhe pertence?! Eu jamais vi algo mais bonito do que este pátio com todas estas estruturas ao redor. Estou mais do que ansioso para ver o seu interior!
O ruivo o seguiu tendo o príncipe bem ao seu lado, até um aposento enorme onde havia uma refeição magnífica pronta para ser servida. O ogro tinha mandado preparar esta refeição para seus amigos que o visitariam naquele dia, mas ao saberem que o rei estava por ali, decidiram não se aproximar do castelo. O rei e o filho estavam encantados com as distintas qualidades do Marquês Abarai. Byakuya não podia mais negar que o ruivo havia chamado a sua atenção, ou quem sabe até mesmo roubado seu coração. Além disso, após ver toda a riqueza que o Marquês possuía e perceber os olhares entre os jovens o rei não hesitou em lhe dizer:
– Se concordar, não vejo razão que o impediria de que você tivesse algum relacionamento com o meu filho, senhor Marquês.
O Marquês, curvando-se profundamente, aceitou a honra que o rei havia lhe dado e já lascou um beijo apaixonado no moreno, que retribuiu de bom grado. Naquele mesmo dia começou a ‘namorar’ com o príncipe.
No fim, todos haviam se dado bem: Renji conseguira dinheiro, um castelo e o amor do príncipe e a gata esperta recebeu o titulo de Conselheira Real e nunca mais se transformou em humana, exceto para se divertir! Mas isso é outra história!
E viveram felizes para sempre!
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