Contos de Anthöria
2 O nascer da magia
Notas iniciais
Não se sabe ao certo a Origem dos Magos e da Magia. Dizem às lendas que a magia surgiu como um presente de um deus, Machial, conhecido como o deus da magia e dos encantamentos. Presente esse dado a seu filho mais velho, o primeiro dominante, Eliatan. Dizem que o pai de Machial, Aruphan, deus maior da sabedoria e conhecimento, fora quem descobrira essa força invisível correndo no mundo desde a criação e dela, junto a sua irmã Ilain, deusa da vida, que deram vida aos primeiros seres vivos do mundo, colocando dentro de cada um uma parcela desta força. Mas fora Machial que aprendera a manipulá-la, controla-la e desdobra-la, mudando sua forma e força a seu bel prazer. E a esta força fora chamada de “Manch Gihan”, que em Deldico significa presente de Machial.
Crê-se que a magia teve origem em meio aos primeiros Deldos. Este é um fato pouco discutido uma vez que os Deldos são dos dominantes os mais longânimes em sua vida e um dos mais hábeis com a magia. Reza a lenda que os primeiros dominantes viventes foram os humanos, criação do deus Aror, pai de todos e criador de tudo, em revolta contra seus filhos que viviam uma eterna disputa de poder. Os Deldos nasceram do enlace de Machial, o deus da magia com uma humana, por isso a longevidade e tamanha destreza dos Deldos. Diz-se que ele descia em meio aos seus, mas apenas Eliantar ia ter com ele, pois era seu filho mais velho. Em uma de suas visitas, Eliantar pediu a ele que intercedesse mais por eles, que apesar de serem mais hábeis e mais resistentes que os humanos, ainda assim, sucumbiam a ataques e predação de muitas criaturas, como os dragões. Maiores, mais fortes e capazes de soprar o folego de Bagash, o deus maior do Fogo e da Fúria. Apesar de longânimos como o deus pai, Machial, estavam morrendo aos poucos. Machial com pena de seus descendentes resolveu dar a Eliantar um presente. Este estendeu a mão e na palma dela uma fagulha de luz, crepitante porem serena surgiu, era algo inexplicável aos olhos de Eliantar. Esta fora dada nas mãos de Eliantar que ao sentir sua força, descobriu naquela hora do que se tratava.
— Veja essa centelha meu filho, ela está contida em tudo que existe e vive. Na terra, no ar, nas águas, na luz, nas sombras, nos seres viventes. Essa força é à força da vida e da natureza, a força dos deuses contida na criação. Veja e sinta-a, agora poderá vê-la e senti-la em tudo a sua volta e poderá aprender a usá-la se assim for merecedor.
E a partir de então, Eliantar se tornara capaz de sentir e manipular a força da vida e da natureza. Assim surgiu o primeiro conjurador. Esta porem, não é a magia que se conhece nos dias atuais, mas uma forma primitiva de manipulação das forças da natureza e da magia. Atrair a chuva que estava próxima, acalmar a fúria da natureza, das feras. Intensificar as forças naturais assim como repeli-las, acelerar processos naturais como o amadurecer de frutas. Mas Eliantar sozinho não era capaz de Proteger a todos os seus filhos e irmãos, que aos poucos cresciam e tinham seus filhos e estes seus filhos. Assim ele reuniu seus três irmãos, Emud, Ealinsh e a primeira Delda, Eladain. E a estes ensinou e mostrou o presente que o pai lhe dera e como senti-lo e usá-lo. E cada qual passou para suas gerações a sabedoria dada por Machial e logo, todos os Deldos podiam sentir e manipular as forças naturais se assim quisessem.
Mas um dia, algo aconteceu. Euliem, filha de Eliantar e aprendiza mais brilhante da manipulação das forças naturais e da vida fora em uma missão de paz e confraternização no reino dos homens e esta encantou Augor, filho de um dos sete reis dos homens e ela também se encantou por ele. Ambos sabiam da proibição que existia da união de dois dominantes de raças diferentes, mas a atração que ambos sentiam era mais forte e Euliem abdicou de sua família e sua raça para ficar com Augor.
E estes foram muito felizes por anos, mas os anos castigavam muito mais a Augor, que era humano que a Euliem, que possuía uma vida longa e a jovialidade eterna. Esta, com medo de perder seu grande amor, resolveu ensinar a ele os segredos dos Deldos e a Augor, Euliem ensinou a manipulação da natureza, na esperança que assim, ambos juntos encontrassem um meio de atrasar a vida de Aogor e eles pudessem viver juntos por muito mais tempo. E a principio fora a o que ambos se dedicaram, mas aos poucos, a cada nova descoberta, Augor se maravilhava cada vez mais com as possibilidades que surgiam com o uso da força das naturezas vislumbraram ele e aos poucos o poder adquirido fora o tornando cada vez mais sedento de poder. Euliem percebeu essa sede de poder e tentou controlar Augor de alguma forma, mas nada tirava dele a sede por poder. Então Euliem engravidou de Augor, na esperança de que um filho o fizesse esquecer o poder que lhe subiu a mente e trazer de volta a sua humanidade. E isto de fato aconteceu, Augor esqueceu-se um pouco de sua sede por poder e conhecimento, e passou desejar seu herdeiro mais que tudo. Porem, as coisas não aconteceram como o esperado, no fim da gestação, Euliem não estava bem, não sabia-se o motivo disto, mas no parto, Euliem não resistiu e faleceu. Augor não suportou tamanha perda, porque Euliem era a única coisa que ele amava mais que o poder que adquiria com a magia. Culpou seu filho pela morte de sua amada e aprofundou-se num caminho sem volta.
Augor chegou onde nenhum Deldo jamais chegara nas descobertas do uso da Manch Gihan. E após anos trancado em seus porões de estudo, ele finalmente acreditara que descobrira um meio de trazer sua amada de volta. Ele havia selado seu corpo com encantamentos para que esse não retornasse a origem da vida como pó. Isto gerou uma grande briga entre Eliatam e ele, que queria velar sua filha como era de costume aos Deldos. Esse atrito fora apaziguado devido a existência do filho de Euliem, que não era nem humano, nem Deldo, mas um misto dos dois. Este era quem acalmava a fúria de Eliatan contra Augor. O filho de Augor e Euliem fora o primeiro mestiço desde a separação das raças e este fora chamado Eulior, em homenagem aos pais. Ele era hábil como um Deldo e tinha a humanidade dos homens, pois dizem que a maior qualidade de um humano é sua humanidade, a capacidade de sentir muitas coisas e saber administrá-las, o que os dão a alta capacidade de aprendizado dos humanos. Capazes de fazer em menor escala praticamente qualquer feito de outras raças. Mas com o tempo, algo de errado surgia em Eulior, não se sabe ao certo, mas nele havia uma força natural e maior de Manch Giham e ainda pequeno, fazia feitos sem sequer saber como. Isso assustava a muitos, dizia ser uma maldição como castigo dos deuses por misturar suas proles após os mesmos terem as separado.
Mas Augor repudiava o filho, além dele lembrar muito a mãe, ele o culpava por sua morte e ao perceber suas habilidades naturais para algo que ele dependia extrair da natureza, pois a que possuía em si era insignificante de mais para ser usada, sua raiva só aumentava. Até que Augor descobrira um jeito de trazer sua amada de volta a vida, porem a forma que Augor encontrara era a troca de uma vida e seria a vida que retirou a vida a ser trazida de volta, ele acreditava. Então num ato insano Augor usou seu próprio filho como sacrifício para trazer de volta Euliem. Mas isso não fora certo. Euliem de fato fora reanimada e ao ver que seu filho havia sido sacrificado por seu amado para trazê-la de volta não aguentou de tamanha dor e sofrimento, pois a mesma havia se sacrificado nos últimos instantes, dando a vida em troca da vida de seu filho, dando a ele toda sua energia de vida. Euliem não havia retornado como antes do mundo dos mortos, ela era a sombra do que fora antes e ao perceber o ocorrido, cegou-se de dor e fúria e está mais uma vez sacrificou-se, mas desta vez para acabar de vez com a insanidade de Augor. Dando um fim a ele e ela.
Augor fora chamado de o primeiro Mago, aquele que transformou a Manch Giham original na magia conhecida nos dias de hoje, capaz de manipular os elementos e usá-los como bem intender. Capaz de conjura-los do ar e capaz de feitos jamais imaginados. E desde então, esta história é usada como base para impedir que dominantes de raças diferentes se misturem, acreditando que tudo que ocorrera fora uma maldição dos deuses por terem sido desobedecidos na ordem de separar suas proles para que esta não se misturassem e destruíssem sua obra de criação.
Os próprios Deldos discordam dessa lenda. Segundo os próprios, foram eles quem descobriram o meio de manipular a energia da vida e da natureza e esta fora ensinada a outros povos através de enlaces, que como na história, também eram desaprovadas por eles. De qualquer forma a magia fora difundida, mas outras raças aprenderam com o passar do tempo e cada qual desenvolveu a magia de formas e para fins diferentes, levando o mundo a um nível de desigualdade entre conjuradores e não conjuradores que fora chamado de “Era negra”, mas essa é uma outra história pra um outro momento.
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