Contos de Amores Frustrados
1 Tédio Derivativo de Amor
Notas iniciais
Espero que goste.
Já se perguntaram o quanto é ruim ficar entediado e o do porque ficamos entediados?? Pois bem. Vou lhes dizer o quanto é ruim e porque ficamos...
Estava eu certo dia deitado em baixo de uma árvore vendo as nuvens que seguiam seu percurso naquele imenso céu azul. Era umas 15:00hrs e eu estava esperando pelo chá da tarde que era só as 16:00hrs. Estava eu me perguntando como que as nuvens haviam chegado ali em cima e como elas conseguiam se mover junto ao vento. Claro que hoje sei como elas faziam tudo isso. Pois bem. Até aquele momento nenhuma gota de tédio havia pingado em meu rosto, nada de pensamentos confusos flutuavam em minha mente e eu não me preocupava com nada. Eis que apareceu uma jovem e perguntou o que eu estava fazendo ali deitado sozinho. Eu fiquei espantado por ela estar ao meu lado. Ninguém falava comigo porque me achavam o "esquisitão" da escola. Principalmente uma menina tão bonita quanto aquela que havia chegado ao lado e puxado assunto com um completo esquisito e desconhecido. Ela era tão linda, cabelos ruivos e lisos, olhos azuis feito aquele lindo céu ensolarado que estava acima de nós, sua pele branca recebia um reflexo perfeito do sol, estava usando um vestido preto com coutornos desamarrados. Acredito que ela seja mais "esquisitona" do que eu, mas estava tão linda.
Levantei-me rápido quando me assustei com aquele "anjo caído" ao meu lado. Ela pediu desculpas por ter me assustado e eu lhe respondi que tudo bem.
— o que você está fazendo? — disse ela mais uma vez. — estou olhando para o céu e pensando nas nuvens. — respondi.
— o que você está pensando? -
— em como elas chegaram lá em cima e o que acontecerá com elas flutuando por ai. -
Ela me olhou com um olhar que transpareceu o que ela devia estar pensando: "Mas que porra esse doido está pensando." eu ri comigo mesmo e não disse nada sobre o olhar dela para mim.
—Mas e você, o que está fazendo aqui? — perguntei.
— Eu estou passeando um pouco, descobri que meu namorado, na verdade ex namorado, estava me traindo com a vadia da Michelle Williams. -
Fiquei calado com aquela resposta e então ela perguntou. — Você têm namorada? — Respondi que não. — Você já namorou alguma vez? -
— Eu já dei um selinho na minha prima, isso conta? -
— Claro que não. Nem se você tivesse fodido com ela isso não contaria. -
Ela puxou um masso de cigarro do coutorno e colocou um na boca. Puxou um isqueiro de dentro do masso e ascendeu o cigarro que estava em sua boca. — Você quer um? — me ofereceu.
— Não, obrigado. Eu não fumo. — respondi educadamente.
— Você não sabe o que esta perdendo. — deu mais uma tragada no cigarro, dessa vez mais profunda, e alguns segundos depois soltou uma grande quantidade de fumaça. Parecia que não ia parar de sair fumaça de seu Pulmão. — Eu sou uma Locomotiva. — disse ela rindo e se preparando para dar mais um trago.
— Mas enfim, porque você veio aqui comigo? — peguntei — acho que você deveria estar conversando com seu namorado ou sei la, chorando com uma amiga. -
— Minhas amigas são um bando de vadias. — ela respondeu — Sem contar que não gostam que eu fume. Argh. -
— Deve ser porque faz mal a saúde. -
— Você já fumou alguma vez? — Balancei a cabeça negativamente e ela começou a sorrir.
— Faça o seguinte, puxe o ar pela sua boca, segure por alguns segundos e depois solte pela boca. -
Fiquei encarando ela tentando entender o do porque ela estar me pedindo aquilo, mas fiz o que ela pediu. Puxei umas três vezes até ela dizer; — Agora tente com isso. — me estendeu o cigarro que ela estava fumando. — Eu já disse que não fumo. — lhe disse um pouco ríspido de mais.
— Pegue logo. Uma tragada ou duas não vai te matar. Bichinha. -
— Você me conhece desde quando para se achar com o direito para me chamar de "bichinha"? -
— Desde a dez minutos atrás, agora pegue a porra do cigarro antes que eu te faça tragar pelo cu. -
Estendi a mão e peguei o cigarro, pus na boca e puxei a fumaça. Dei umas cinco tossidas seguidas que me faltou ar nos pulmões. A garota doida e esquisita estava rindo horrores enquanto eu sofria de um ataque de tosse. — Você fez errado. — disse ela — faça como eu lhe disse para puxar o ar. -
Repeti o ato e tentei fazer da mesma forma que eu havia puxado o ar sem o cigarro. Comecei a tragar e senti algo estranho passar pela minha boca e percorrer um caminho até meus pulmões. Segurei o ar por alguns segundos e então soltei o ar como a doida havia feito. Fumaça e mais fumaça saia de minha boca, do meu pulmão e minha cabeça começou a ficar leve, comecei a ficar relaxado. Dei mais uma tragada no cigarro e então ela acabou. — Você gostou, né? — disse ela.
— Sim. — Respondi com um tom transparecendo culpa porque eu havia feito algo que minha mãe desaprovava.
— Eu me chamo Rayssa. — disse a menina doida estendendo a mão direita para mim.
— Meu nome é John. — respondi apertando sua mão.
Ela olhou em meus olhos e senti como se uma onda de eletricidade houvesse entrado pelos meus olhos.
— Seus olhos são lindos. — disse a ela.
— Os seus também. — ela respondeu.
— você têm mais um cigarro? — perguntei nervoso.
Rayssa retirou dois cigarros do masso e me deu um e o outro pôs entre os lábios. Ela acendeu seu cigarro e depois acendeu o meu.
— Sabe John. — disse ela meio distraída. — Eu já ti conhecia, das aulas da Professora Mary. — Dei uma tragada meio assustado. Eu não me lembrava de já ter visto aquela menina algum dia ou que tinha aula com ela. Rayssa continuou olhando para o céu e então disse. — Eu tinha inveja de você. Estavas sempre acompanhado de seus amigos nerds e de meninas pedindo ajuda com o dever de Matemática. Enquanto eu andava bolando por ai nos braços de um filho da puta. — Essa ultima parte me doeu um pouco. Percebi que ela estava triste com a vida que estava levando e aquilo me deu um impulso incontrolável de abraça-la. Rayssa se assustou com aquela atitude minha, mas não resistiu, seus olhos já estavam embaçados por conta das lágrimas e aquilo só a deixava mais fraca.
Eu gostaria de saber o que Rayssa estava pensando naquele momento. O que ela queria realmente fazer ali. Mas antes que eu perguntasse ela me beijou, e não foi um beijo rápido e nem selinho. Foi um beijo longo e quase apaixonado. — Eu sempre quis fazer. Sempre senti vontade de te beijar quando você sorria. -
— Mas eu não estava sorrindo. — respondi um pouco assustado.
— Não importa... — disse ela — eu consegui provar o gosto da tua boca temperado com cigarro. -
Eu olhei nos olhos dela e aquilo me deu vontade de lhe devolver o beijo, e então a beijei incontrolavelmente. Quando percebi ela estava sentada de frente para mim encima das minhas pernas, minhas mãos em suas costas e no seu cabelo, as mãos dela bagunçavam meu cabelo e não parávamos de nos beijar. Até que então ela parou rapidamente e me olhou assustada. Levantou-se rápido e me deu um cigarro. — Fume-o pensando em mim. — deixou seu isqueiro para trás e saiu correndo aparentemente sem rumo, mas ela estava com pressa para ir a algum lugar, para longe de mim.
Quando olhei para o céu novamente, fumando um cigarro, já não era mais como antes. Já não era mais como antes do primeiro amor. Pela primeira vez o tédio havia batido em minha porta e pela primeira vez a saudade de uma pessoa havia chegado bem rápido a mim...
Nós ficamos entediados porque ficamos tão distraídos com algo que quando aparece algo mais emocionante para fazermos, quando aparece alguém tão atraente e legal, faz nos tirar a atenção daquela monotonia que estávamos fazendo. Quando nos apaixonamos, ficamos entediados muito rápido, porque só queremos é brincar, curtir, zoar, estar, fumar, ao lado da pessoa que gostamos. E quando estamos longe dessa pessoa, o tédio bate, a "bad" chega e nada faz sentido porque o que nos faz sentido é estar com quem se ama.
E o tédio é ruim porque ele nos lembra que na maioria das vezes a pessoa que gostamos talvez esteja cagando e andando para nós, loucos apaixonados.
Notas finais
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Até o próximo.
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