Contos da Vila Vida
1 Casa das laranjas
Certa vez em um bairro quieto, mudou-se uma família para uma casa que tinha alguns pés de laranjeira, a casa em si era mediana com dois quartos, cozinha e sala de jantar e estar, não era grande coisa não, apesar que o que tornava ela especial, era as laranjas. Nunca na minha vida inteirinha tinha visto laranjas tão brilhosas e saborosas, e sabe como eu sei? Uns meninos da mesma rua pegavam hora ou outras as laranjas e dividia com as crianças do bairro, e ela é docinha e cheirosa.
Mas voltando ao assunto, a casa das laranjas a muito tempo foi colocada á venda, mas só agora alguém quis comprar e mudou para lá. Junto da família veio uma menina, quando chegou na casa, bufou dentro da casa e fez birra parecendo que queria ir embora, bom que vá! menina nojentinha.
No outro dia bem cedo acordei, era dia de escola e é caminho da escola passar na casa das laranjas, tudo está novo lá depois que aquela família mudou, colocaram até balanço em uma das laranjeiras, tadinha deve está sofrendo muito.
A menina das casas das laranjas, agora frequenta nossa escola, era de esperar todos os meninos gostam dela, por causa da pele de branquinha, cabelo louros, lisos e penteados e principalmente o jeito de menininha. E quando pisquei ela era a menina mais popular da sala e do colégio.
Tempo se passou e minha mãe disse:
— Vá a casa de Matilde pegar a panela que eu emprestei a ela.
— Mas agora? Pede para o Tales ele adoraria ir.
— E eu por acaso falei com Tales? vá agora pegar a panela! — olhou nervosa
— Tá eu já vou, mas que coisa em!
— Não quero ouvir múrmuros, se apresse menina!
— Já vou, calma!
Isso mesmo, a dona Matilde é a que mora na casa que tem as laranjas, e parando para pensar, faz tempo que não vejo nenhuma laranja brotar lá, muita coisa mudou depois que eles mudaram naquela casa, até as laranjas que nasciam não nascem mais, estranho de mais.
Mas enfim, quando cheguei na casa de Matilde, ela me convidou para entrar e serviu com pão e café com leite, parecia um pouco preocupada, me fez esperar um pouquinho na mesa da sala de jantar para pegar a panela, porem ela retornou e me fez uma pergunta:
— Você estuda na mesma sala que a Alice né?
Alice é a menina nova que se tornou popular por ser muito bonita.
— Sim senhora, por quê?
— Você sabe me dizer se ela é comportada na sala?
— Bom, ela parece ser bem dedicada.
Na verdade não, ela anda cercada de tanta gente que eu penso: Como ela consegue ouvir os próprios pensamentos?
— Bem é que recebi uma ligação da diretora, dizendo que ela não ia bem, então como vocês são da mesma sala, queria apenas confirmar. Sabe, ela não é muito boa com estudos, ela tem um pouco de dificuldade de aprender, então só esse ano decidimos coloca-la na escola. Estou preocupada quanto a isso. — ela respirou fundo — Bem sua mãe fala tão bem de você, te incomodaria se você ajuda-se a Alice depois das aulas? Eu te remunero se quiser.
— Eu? Tem certeza?
— Claro se não for muito incomodo.
Eu ia dizer não, mas o rosto de preocupação da Matilde fez meu coração amolecer, então ficou combinado de terça e quinta depois das aulas, ajudar a filhinha do coração da dona Matilde.
Bem que chega o dia, quer dizer a quinta, minha motivação para ajudar a Alice não está em seus bons altos, porem eu iria me esforçar. Mais tarde, bati na porta da casa das laranjas que agora é casa de Matilde, já que nenhuma laranja á de brotar naquele pés.
— Entre Luisa, Alice está te esperando lá no quarto! — disse Matilde feliz meio abobada.
A casa das laranjas, era terreá mas tinha bastante corredor, e o quarto da Alice ficava no final do mais longo que tinha, o quarto dela era rosinha bem clarinho, tinha detalhes de estrela no teto, prateiras para todos os lados com ursinhos e livros, a escrivaninha de madeira de carvalho branca que combinava com a da cama, tudo era digno de ser titulado de princesa. E Alice estava sentava de frente a escrivaninha rodeadas de livros, história, português, literaturas e afins.
— Ei menina, posso entrar?
— Pode, sinta-se a vontade! Bem... Seu nome é Luisa né?
Alice parecia bem tímida, diferente da menina birrenta de quando se mudou e de popular na escola.
— Sim, moro no outro quarteirão, somos da mesma classe. Sua mãe me pediu para te ajudar nos estudos.
— É, não estou indo muito bem ultimamente...
Depois daquela breve conversa e de horas se passou, enxerguei outra Alice, uma menina tímida e de poucas palavras, não parecia aquela carrasca que era quando a vi naquele carro.
E assim se passaram terças e quintas feiras, e cada vez mais me tornei amiga da Alice, e ela já não era a menina mais popular da sala, devido ao seu jeito solitária de ser. E por incrível que pareça as laranjas brotaram de novo! Tudo voltou a ser como é, e pude apreciar novamente o sabor das laranjas da casa das laranjas.
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