Contos da Saga Imortal

6 Capitulo extra Imortal 4 por Allany Call


— É serio eu me curo. — Murmurei enquanto Camille estava agarrada ao meu pulso tentando me puxar para cima.

Eu tinha agarrado a escada com a mão livre.

— Mas sempre é bom dar uma olhada. — Ela falou. — Não custa nada.

— Sabe que voce tem bastante força para uma humana. — Comentei e ela sorriu.

— Emmett brincou bastante comigo na infancia. — Ela riu divertida. — Vamos lá.

Para não quebrar a escada ou machucar Camille deixei que ela me levasse ate o ultimo quarto do corredor. A porta estava fechada quando ela a abriu. Meu coração disparou loucamente e senti meu rosto ficar vermelho.

Calleb estava sentado em um sofa preto lendo um livro. O quarto era simples somente o sofa sobre um tapete prata, cds e livros pelas paredes, uma tv e um microsystem.

Nada mais que isso.

Ele nos encarou por cima do livro e eu consegui ficar mais vermelha ainda. Estava somente com a camiseta dele.

— Você esta bem? — Ele perguntou.

— Eu disse que não foi nada, mas...

— Da uma olhada nisso! — Camille apontou para a minha coxa.

Ok. De vermelha eu passei para roxa de vergonha.

Calleb desceu seus olhos para a minha coxa cortada. Ele levantou e veio calmamente, meu coração parecia que saltaria para fora. Meu corpo esquentou. Ele se abaixou e segurou a minha coxa.

— Foi curto, mas fundo. — Ele comentou. — Eu posso dar alguns pontos...

— Não precisa. — Falei rapidamente e ele me encarou.

Seus olhos negros pareciam ver a minha alma. Prendi a respiração e ele se afastou. Com certeza achava que fosse o cheiro. Mas não. Ele não cheirava mal. Ele tinha um cheiro bom. Um cheiro que me deixava louca de desejo.

— Precisa sim. — Camille falou. — Vou pegar as coisas na sala do papai. — Ela saiu rapidamente e fechou a porta.

Olhei para o chão.

— Foi muito legal o que você fez antes. — O encarei surpresa. — Na verdade é legal que esteja fazendo isso. Não deve ter sido facil.

— Não é facil. Mas sei que é o certo. Escolhi o certo. E sobre Leah... Ela merecia. Atormenta demais a vida de todos. — Ele assentiu. — Olha não precisa fazer nada. Eu vou aproveitar para descer. Vou deixar a camiseta perto da floresta.

— Camille vai ir atras de você. — Ele revirou os olhos. — Ela não desisti nunca. E... — Ele me observou. — Pode ficar com ela. Fica melhor em você.

Fiquei sem reação. O silencio foi quebrado por Camille que apareceu trazendo uma maleta. Calleb a pegou e começou a procurar as coisas.

Mordei o labio e Camille empurrou meu corpo para sentar no sofa.

Claro que eu fiquei sem jeito. Tudo estava limpo e impecavel. E eu estava podre de sujeira. Iria sujar tudo. Calleb se ajoelhou do meu lado e pegou a minha perna.

— Eu odeio agulhas. — Murmurei olhando a agulha e ele sorriu.

— Você tem uma tatuagem. — Ele comentou.

Eu tinha uma tatuagem de coração no dedo anelar.

— Mas doeu tambem. — Murmurei e ele riu baixinho começando a dar os pontos. — Sabe que isso é desnecessario.

— Vai curar melhor. — Ele comentou segurando a minha coxa.

Prendi a respiração e corei quando ele me encarou.

Atras dele Camille deu uma risadinha debochada e recuou para a porta.

Eu pensei em pedir para ela ficar. Mas eu não queria que eu ela ficasse. Queria ficar sozinha com ele.

— Achei que se transformar doesse.

— E doi. O ossos se quebram e se esticam. É horrivel.

— Se transformar em vampiro tambem doi. É como queimar em uma fogueira por 3 dias. Doi sempre? — Ele perguntou me encarando.

— Me transformar? — Ele assentiu.

— Não é so a primeira vez. Agora é mais facil. So é desconfortavel. E eu não posso deixar o cabelo crescer. — Resmunguei.

— Você fica bonita assim. — Ele comentou.

— Achei que vampiros nos achassem despreziveis.

— Digo o mesmo da sua especie, mas pelo que sinto você não acha isso de mim.

— Sinto? Você tem dons?

— Meu dom é refletir de volta qualquer ataque mental. Eu ouço o seu coração. — Ele tocou meu coração abaixo do seio esquerdo e me encarou. — Não quero uma loba no meu quarto. Não na forma de lobo pelo menos.

— Eu não vou me transformar. Isso vem da raiva. Eu estou bem. — Murmurei.

Ele terminou de dar os pontos em minha coxa, mas não tirou a mão dali.

Frio e quente. Seu polegar fez uma caricia e seus olhos negros vieram para os meus.

— Eu preciso ir.

— Por que nao sinto repulsa por você? — Calleb perguntou e eu mordi o labio.

— O que você sente? — Perguntei e ele ficou em silencio.

— Você nem ao menos tem o odor dos lobos. Mas você tinha antes.

— Isso é desejo. — Menti.

— Desejo? — Ele perguntou.

Na verdade não era bem uma mentira. Me estiquei e toquei o volume em sua calça jeans.

— Desejo. — Falei dando uma caricia.

Senti seus labios nos meus e seu corpo me pressionando para deitar no sofa, cruzei as pernas em sua cintura e agarrei seus braços com força.

Gemi sentindo seus labios em meu pescoço enquanto suas mãos frias subiam pelas minhas coxas em direção a minha intimidade deixando um rastro de fogo. Foi então que eu lembrei o que estava acontecendo.

O empurrei e ele me encarou.

— Eu preciso ir. — Falei fazendo força para sair debaixo dele. — Tenho que ir.

Consegui sair da prisão dos seus braços e corri para a porta.

Desci as escadas correndo e corri para a rua. Assim que cheguei a floresta controlei meus pensamentos.

Tirei a camiseta e me transformei em loba.

Os pensamentos preocupados de Seth me atingiram. Assim como os pensamentos repulsivos de Leah.

"Pelos menos é reciproco!" Pensei para Leah que rosnou e Seth ficou entre nós duas.

Espiei a mansão entre as arvores e suspirei.

Teriamos que resolver outro dia isso.