Contos da Era Esquecida

2 Ao redor das chamas.


Poucas horas de caminhada me separavam de meu acampamento. Sem pressa caminhei por entre as arvores da floresta, ás vezes pegava o colar que retirei de meu inimigo e o examinava. As inscrições perderam o brilho que possuía outrora, mas as palavras inscritas nele ainda eram visíveis. Não conseguia entender nem identificar aquela linguagem, por mais familiar que lhe parecessem. Repetia o processo a cada poucos minutos, todas com o mesmo resultado.

A aurora chegava quando adentrei no acampamento na orla da floresta. Este composto por dois sacos de dormir ao redor de uma pequena fogueira que estava apagada. Mesmo não estando a vista sabia que os cavalos estavam próximos, ele mesmo havia os escondido horas antes. Assim que me viu, Paul saiu de sua posição de vigia e aproximou-se. Nas mãos, um arco curto com uma flecha já pronta para ser disparada, ao notar quem era, guardou-os.

Paul era um pouco mais jovem que ele, deveria ter seus 28 anos. Os cabelos negros aparados curtos fundiam-se com sua barba bem-aparada. Vestia-se com simples mantos marrons, e o arco era a única arma que portava. Caminhava como alguém muito mais jovem e leve, e seus olhos denotavam uma eterna euforia.

–Liurf! Finalmente, achei que tivesse partido sem mim. – Disse enquanto abria um pequeno sorriso sob a barba. – Mas sei que algo deve tê-lo mantido ocupado por tanto tempo. Ou você está apenas perdendo o jeito?

–Eu antes perderia o jeito do que nunca ter o tido, como você. Aquele homem provou-se muito mais problemático para o pagamento que iremos receber. – Retirei o colar de meu bolso e o joguei para Paul, que o pegou em meio ao ar. — Reconhece essas inscrições?

Paul examinava o amuleto enquanto aproximava-me da fogueira, sentando-me perto o suficiente para que o calor que produzia aquecesse-me o corpo. Ele sentou-se do outro lado da fogueira, defronte a mim.

–Isso não é nada parecido com nada que já estudei, mais antigo também pode-se ver. Mas acho que Mestre Arat deve saber, aquele velho sabe de tudo.

–Ele apenas finge que sabe, é impossível que alguém soubesse de tudo e continuasse vivo. Mas ele talvez possa ajudar. Depois de dobrar nosso pagamento claro. –Adicionei com um ínfimo sorriso, encarando as chamas.

Paul levantou-se e devolveu-me o colar. Novamente puxou o arco e examinou a floresta a seu redor cuidadosamente. Demorando-se em cada mínimo centímetro que conseguia por os olhos.

–Descanse então, mas apenas um pouco. Não se esqueça quem montou guarda todo o tempo em que estava caçando. — E então afastou-se, indo para o seu posto.

Levantei-me e me dirigi à meu saco de dormir. Coloquei minhas armas ao seu lado e deitei-me. Rapidamente caindo em um sono leve, mas ainda sim tranquilo. Mas poucos minutos se passaram antes que Paul me acorda-se e fosse meu turno. Continuamos assim até que o sol já estivesse alto do céu. Em poucos minutos já havíamos preparado tudo para a viagem a frente. E mais alguns para que eu apagasse qualquer evidencia que alguém esteve ali. Então, partimos.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.