Contos Perdidos

22 Uma Grande Batalha Pequena.


Notas iniciais
Obrigado a todos que acompanharam até o fim

Ah! Liberdade.
Que sonho doce que és.
Muitos dizem que tu és como o vento,
Açoitando da plantação até a floresta.
Creio que é mentira.
E ainda acrescento.
Não tens nada a ver com o vento.
A verdadeira liberdade é furiosa,
Perigosa
E até mesmo curiosa.
Creio que tu esbelta liberdade,
é como o sol
Castigas alguns e aquece outros.
Não és justa
Muito menos astuta.
Apenas existe como Liberdade
Irmã da Falsidade
Inimiga da Humildade
Esta és tu? Oh Liberdade!

Os exércitos de gelo, por incrível que pareça, eram ágeis em sua mobilização e rapidamente nos aproximamos de Bainge Le Soleil. O lugar estava desolado, os campos que outrora foram vivamente verdes agora estavam devastados pelas cinzas. As árvores queimadas e os rios completamente sujos, mas ainda não se via os muros nem as casas.
– Então... É daqui que você veio? – suspirou Fidelitas desapontado-
–Não... Aqui foi onde me acolheram, vá por mim o lugar de onde venho está bem pior – respondi com o ar sarcástico-
– Acho mais prudente esperarmos a noite e consequentemente a troca da guarda – ele apontou para um vale – Vamos aguarda ali – Ele disse e eu dei de ombros –

Chegamos ao vale e não montamos fogueira até por que não queríamos atrai a atenção desnecessária.
– Fidelitas... Eu vou para a cidade, tenho que falar com um amigo. Se eu não voltar antes do fim da tarde pode atacar sem mim.
– Mas... Está certo.

Joguei uma capa preta por cima dos ombros e seu capuz cobria-me os dos olhos ao queixo, amarrei bem o manto e parti para a cidade. Ao chegar no portão não havia guarda e um grande tumulto se organizava a frente, havia uma espécie de palco e um Minotauro grande e de pelo negro subindo nele... Rikkey! Eu tinha de avisa-lo para fugir o mais rápido possível, então ele se ajoelhou sobre um bloco e a voz enjoativa de Dricofagis soava em caixas de som nos postes:
– Senhoras e Senhores, vocês devem estar se perguntando por que o nosso “amado” líder está de joelhos sobre um bloco... Bem, assistam e aproveitem! – Ele gargalhou fortemente após terminar a frase –

Um homenzinho de vestes listradas subiu ao palco e desenrolou um pergaminho e começou a ler em voz alta:
– Rikkey Aldrakar Eskrar. Você é acusado de traição ao legitimo rei Dricofagis, Ajudar não um, mas dois Likama’rs. E de...
– Eu sou acusado de pegar a sua mãe aquela... – Um dos guardas do palco chutou as costelas de Rikkey e ele estremeceu no chão, então o homenzinho pigarreou e continuou-
– Com isso você é sentenciado a morte por decapitação! – Ouviram-se gritos de aprovação e negação da multidão e antes que eu pudesse tomar qualquer atitude a lâmina negra do machado atravessou o pescoço de Rikkey e seu sangue agora jorrava incontrolável –

Eu fiquei ali, estático, sem saber o que fazer. Eu vi o ser que fora como um pai para mim, ser morto e humilhado. Dei meia volta e engoli as lágrimas, assim que estava longe o suficiente corri para o vale. Quando cheguei lá o exército e Fidelitas já estavam prontos.
– Á Batalha! – Ordenei e o exército se moveu para varias fileira e começou a marchar para cidade -
Quando chegamos lá não houve resistência, porém a voz perturbadora de Dricofagis surgiu de novo: — Viajante... Deixe nossos homens se digladiar... Venha me enfrentar no pátio do Castelo Negro... -

Olhei para Fidelitas e a batalha já havia começado, ele concordou com a cabeça enquanto empalava um dos homens de Dricofagis e então corri para o castelo. Quando lá cheguei um vulto esfumaçado me esperava. Ele gargalhou e se virou para mim segurando uma caixa
– Escolha suas armas! – Dentro da caixa havia O Lampejo, quase cai no chão quando o vi e outra lâmina a qual não reconheci, peguei O Lampejo e dei alguns passos para trás-

Antes que pudesse esperar qualquer coisa ele avançou para cima de mim e atacava freneticamente, eu comecei a revidar até que achei uma brecha e lhe cortei parte do que seria a testa, então ele se enfureceu e sua espada batia no lampejo e voltava. Ficamos ali na nossa dança de lâminas por um bom tempo até que ele deu uma estocada nas minhas costelas e eu fiquei sem ar, olhei pra cima procurando respirar. O céu estava vermelho e cheio de fumaça,
Dricofagis jogou meus braços pra cima e fincou a espada no meu abdômen e então ouvi um grito ás minhas costas:
– Seu filho da... – Gritou Fidelitas –

E em retorno olhei por cima do ombro com o rosto coberto de fuligem e todas as cicatrizes no rosto manchado de suor e sangue e gritei:
– Fidelitas! Seja um bom Rei! —
Eu puxei a lâmina de Dricofagis pelo cabo e a finquei completamente, até ficar empalado. Cuspi sangue o suficiente para desmaiar, então puxei o lampejo e o passei por trás de Dricofagis que estava incrédulo. Preparei o disparo e sentir meu corpo queimar.
– Agora fique morto seu filho da puta! – Gritei e o lampejo disparou –

Senti uma grande dor de cabeça e ouvi vária batida em uma porta, abri os olhos e ordenei que entrasse. Um pequeno servo deixou uma bandeja com pão e café na minha cabeceira e quando me deitei de lado ignorando a comida o servo me chamou:
– Mestre! Mestre!
– Sim? – Perguntei sonolento -
– Não vai voltar a escrever teus poemas, Mestre Zlovaky?

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!