Contos Peculiares de Percy e Annabeth
5 Capítulo 5: Revelações
Notas iniciais
– Não, cara! Já disse que Piper e eu não estamos prontos para isso ainda! Não é certo! — Jason estava tão vermelho que senti vontade de rir.
– Sabe, Jason, às vezes você é um pouco cego... — Dei tapinhas em seu ombro e saí em direção à minha cabine.
Ele pareceu atordoado.
– O que quer dizer? — Perguntou, andando rápido para me acompanhar.
– Olha, eu entendo. Antes de Annabeth, eu era um perdido quando o assunto eram garotas. Acho que aprendi bastante.
Jason continuou me encarando.
– Bem, posso perceber que você não está pronto, pelo jeito como ficou vermelho com a minha pergunta. Mas a Piper? Cara, até eu vejo que é isso o que ela quer.
– O quê? Isso não é verdade! — Ele voltou a corar. — Ela teria me falado... Não teria?
– Cara, as mulheres não costumam falar essas coisas. Você tem que perceber os sinais...
– Vamos mudar de assunto. — Decidiu, mais vermelho que um pimentão. Não entendi o porquê de ter dito aquilo, mas depois vi Nico se aproximando.
– Que assunto? — O filho de Hades perguntou.
– Nada. — Jason tentou disfarçar. Nico levantou a sobrancelha, pois o desconforto do Grace era evidente.
– Sexo. — Eu esclareci.
– Ah. — Nico olhou para nós, parecia mais pálido. Depois também corou.
– Ah, qual é. Vocês dois nunca conversaram sobre sexo com ninguém? — Perguntei, incrédulo.
– Com quem esperava que eu conversasse? Leo? — Jason disse de um jeito sarcástico.
– Bem, Leo sabe muito mais sobre o assunto que você. Nós já conversamos sobre isso.
– Sério? Leo? Leo Valdez? Por que ele falaria sobre sexo? Ele nem tem namorada.
Levantei os ombros.
Nico olhava para nós, parecia uma estátua.
– Ok, ok. Vamos mudar de assunto. — Eu falei. Estávamos no meio do corredor, mas era cedo demais para dormir. Decidimos comer alguma coisa.
Jason e eu começamos a falar de carros. Nico só observava... Como sempre, meio sinistro.
De repente, o filho de Zeus me olhou de um jeito estranho e fez uma pergunta inesperada.
– Percy, o que você acha dos homossexuais?
Nico engasgou com seu suco. Franzi as sobrancelhas.
– Sei lá, cara, Não tenho nada contra. Por quê?
– Nada... Bem, vou subir. Fico de vigia primeiro. — Olhou de mim para Nico e saiu rápido.
Virei-me para o filho de Hades, que desviava os olhos. Suas mãos tremiam um pouco. Parecia nervoso.
– O que foi? — Perguntei sem entender.
– Nada — ele sussurrou com raiva.
Ficamos em um silêncio tenso por alguns minutos até terminarmos de comer. Eu não estava entendendo.
– Bem... Acho que é hora de dormir. Boa noite, Nico.
Já estava na porta quando ele respondeu.
– Percy, espera.
Olhei-o, mas ele encarava o chão. Parecia prestes a vomitar.
– Você está bem? — Andei em sua direção.
– Eu... Eu preciso te contar uma coisa... — Sua voz era arrastada. Parecia fazer força para falar.
– O que foi? — Estava ficando preocupado.
– Percy. Você falou sério? Sobre não ter nada contra os...
– Homossexuais? Sim. Por quê?
– Porque eu... Eu acho que... — Ele balançou a cabeça, como se aquilo fosse ridículo. — Tenho certeza de que... Gosto de você.
Parecia tão perturbado.
– Ah. Eu também gosto de você, Nico. Que bom que deixamos aquela história de ódio para trás. — Dei tapinhas em seu braço. Ele prendeu a respiração, como se tivesse levado um choque.
– Não. Você não entendeu. Gosto de você. Mesmo.
– Espera um minuto... Você quer dizer...? — Demorei um eternidade para ligar todos os pontos. De repente, senti-me meio tonto. Joguei-me em uma cadeira enquanto processava a informação.
– Sinto muito. — Nico me tirou do transe. Ele estava prestes a chorar. Saiu andando em direção à saída.
– Nico. — Chamei. Ele se virou sem me encarar. — Eu não fazia ideia.
– Sei que não. Agora você deve me odiar. Sentir nojo de mim, ou algo assim.
– O quê? — Perguntei incrédulo. — Claro que não...
– Vejo isso em seus olhos agora! — Não sei quando ele chegou, mas o ódio estava ali. Nico estava perdendo o controle mais uma vez. — Sou um idiota! Devia ter ficado calado!
–Não, Nico. — Falei, recuperando-me do choque. — Não tenho nojo, ou ódio de você. Só estou surpreso. Nunca imaginei... Pensei que gostasse de Annabeth.
– Eu sei. — Ele murchou. Encostou na parede e deslisou até o chão. Abraçou os joelhos, abaixou a cabeça e começou a chorar, murmurando: "Sou um idiota".
Eu me senti muito mal. Apesar de nosso passado turbulento e dessa nova "revelação", Nico era meu amigo e eu não queria vê-lo daquele jeito. Cheguei perto e me agachei, colocando a mão em seu ombro. Mais uma vez ele pareceu ter levado um choque.
– Ei, tudo bem. — Eu disse.
– Você não entende, Percy! — Ele levantou o rosto, cheio de raiva.
– Na verdade, não sei se entendo. — Admiti. — Mas você é meu amigo, Nico. Isso não vai mudar.
– Vai continuar sendo meu amigo? — Ele riu com escárnio. — Mesmo sabendo que eu gosto de você?
Sentei-me ao seu lado. Estávamos muito próximos. Antes que pudesse ver ou perceber, Nico encostou seus lábios nos meus rapidamente. Ele se afastou perplexo com o que tinha feito. Murmurou algo como "desculpe", e saiu correndo desembestado.
Fiquei tão chocado que não tive reação.
– E então ele te beijou? — Annabeth arregalou os olhos.
– Mais ou menos isso. — Respondi.
Minha namorada estava em minha cabine, eu tinha pedido sua ajuda.
– Deuses. Como eu nunca percebi? — Ela parecia brava consigo mesma.
Apoiei minha cabeça em sua coxa.
– Você não pode contar a ninguém, Annabeth.
– Eu sei. — Ela disse, passando a mão em meu cabelo.
– Em outras circunstâncias, eu teria sentido ciúme.
Sorri. Minha namorada era mesmo muito ciumenta.
– Mas, deuses, pobre Nico! Deve ter sido horrível esconder isso esse tempo todo... — Ela balançou a cabeça. — Você precisa falar com ele, Percy.
– Sim...
– Vai dar tudo certo, Cabeça de Alga. — Ela sorriu e me beijou. Eu amava aquela Sabidinha.
No dia seguinte, Nico me ignorou. Ele estava mais sinistro e amedrontador que nunca. Depois do almoço, finalmente veio falar comigo.
– Você não ouviu nada, entendeu? Aquela conversa nunca existiu. Não sei onde estava com a cabeça... — Disse, de modo sombrio.
– Nico, fingir que não aconteceu não muda em nada... — Respondi.
Ele deu um soco na mesa. Vi alguns esqueletos de frango do almoço começarem a se mexer.
– Olha, eu não estou te julgando por aquele... beijo. Sei que estava nervoso.
Ele olhou para o lado, corando. Não sei se de vergonha, raiva, ou as duas opções.
– Eu gosto de garotas, Nico. Na verdade, de uma garota: Annabeth.
– Eu sei. — Ele respondeu, depois de uma longa pausa.
– Ainda quero ser seu amigo.
Ele sorriu tristemente e disse:
– Não conte a ninguém, está bem?
– Acha mesmo que isso faz algum bem? Acho que as pessoas nesse navio te aceitariam pelo que é. — Sugeri.
– Só... Prometa.
– Tudo bem.
Nós não voltamos a falar sobre o assunto.
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