Mas uma noite no Japão, onde Itachi estava apenas tomando um drink após a faculdade apenas como parte de seu ritual de como iniciar seu fim de semana. Dar em cima de uma garota desconhecida em seguida, as vezes levando um fora, as vezes tinha sorte de leva-la para casa. Reflexo de nossa juventude despreoucupada.

Sem qualquer demonstração de simpatia, o garçom colocou o copo sobre a mesa. Itachi não gostou nada desta atitude, pois sempre deu a ele boas gorjetas. "Deve estar com algum problema", pensou. "De qualquer forma, ele não pode trazer seus assuntos pessoais para dentro do pub onde trabalha".

–A conta, por favor!

O garçom não trouxe. Quem veio à mesa foi o gerente. "Deve ter vindo se desculpar pelo funcionário", concluiu Itachi. Mas o gerente também não estava com uma cara de muitos amigos.

–O senhor por favor retire-se, e nunca mais volte aqui.

–Como é? O que é isso? Alguma piada?

O gerente apertava tanto os punhos que lhe fazia saltar as veias dos braços.

–Nunca mais volte, senhor, ou chamarei a polícia.

Naruto ia argumentar, mas os outros clientes já estavam interessados na cena, e ele achou melhor não chamar mais atenção.

–Você deve estar me confundindo, meu camarada. Eu sempre venho aqui às sextas, depois do trabalho. Há exatamente uma semana eu vim, sentei neste mesmo lugar, conversei com você. Por que estão me tratando assim?

–Fique longe do meu estabelecimento!

Extremamente ofendido, Itachi deixou uma nota sobre a mesa e achou conveniente sair, sem dizer mais nada.

A noite estava fria lá fora, e ele teve que abotoar o casaco. Na esquina, um cego pedia esmolas.

–Por favor, uma ajudinha! — disse o pobre, estendendo a mão.

Itachi começou a procurar trocados nos bolsos da calça.

–Muito bem, deixe-me ver quanto tenho aqui. Achei! Passe bem, amigo.

O cego recebeu as moedas, mas não agradeceu. Ficou pálido, ofegante, com os olhos brancos se movendo de um lado para o outro.

–Essa voz... é você, seu desgraçado?

E furiosamente atirou as moedas na direção de Itachi, que precisou proteger-se.

–O que é isso? Eu quis te ajudar e é assim que me agradece?

Ele distanciou-se a largos passos daquela rua, continuando a ouvir de longe os xingamentos do cego.

"Estão todos loucos!", pensou. Tinha que achar logo um táxi para sair daquela região.

A rua estava deserta, a não ser por uma prostituta que, encostada em um poste, aguardava o próximo cliente.

–Que tal um programa hoje, moço?

–Não, obrigado — disse Naruto ao passar, sem encará-la.

Mas ela o reconheceu.

–Uchiha Itachi? Você por aqui? Quem diria!

Ele estalou os olhos. Nunca havia visto aquela mulher em toda a sua vida.

–Como sabe meu nome? Quem é você?

–Ah, qual é? Olha só, teu filme tá queimado, Itachi. Se eu fosse você, sumia por uns tempos.

–O que você está dizendo, garota?

Uma terceira pessoa saiu do meio das sombras e aproximou-se. Era o cafetão.

–Ei, cara, que conversa mole é essa? Se quiser alguma coisa, vai ter que pagar...

Itachi, envergonhado e irritado, ainda pensou em se desculpar, mas aquele sujeito abominável não merecia tanto, então simplesmente afastou-se e o deixou falando sozinho.

"Por que não tem um táxi por aqui, hein?", era que pensava.

Mas quando ainda estava a vinte passos de distância, ouviu o cafetão gritar às suas costas:

–Ei, seu desgraçado! Vou acabar com você, Uchiha Itachi. É um homem morto!

Itachi correu como um louco quando escutou um tiro em sua direção.

–Eu não sou quem você pensa! — gritou em desespero.

Atravessou correndo a praça, sempre ouvindo as maldições do bandido que não desistia de persegui-lo, até notar uma viatura passar com as luzes piscando.

–Polícia!

Ele gritava com toda a força dos pulmões, até que conseguiu atrair a atenção dos policiais. Eles desceram do carro e o acudiram.

–O que aconteceu, senhor? Foi assaltado?

Itachi mal conseguia falar. O coração estava acelerado.

–Um homem. Armado. Tiros! — foi só o que saiu da sua boca.

–Por favor, mostre-nos seus documentos, senhor.

Naruto conseguiu puxar a carteira e a entregou ao oficial, enquanto tentava retomar o fôlego.

–Uchiha? Seu nome é Uchiha Itachi?

Ele confirmou acenando com a cabeça.

–O senhor tem o direito de permanecer calado. Tudo o que disser poderá ser usado contra você no tribunal.

Itachi empurra o policial, estava farto daquilo. Foge, se ia preso ia descobrir o motivo antes, algo tinha acontecido. Iria procurar o seu irmão mais novo. Ele iria em um jogo de futebol da escola no outro dia. Quem sabe ele, que era tão próximo, soubesse o que estava acontecendo

Se escondeu, e aguardou, aguardou o amanhecer.

...

Itachi estava na cela se olhando no espelho. Foi então chamado para depor. Crime e punição. O câncer e cura da civilização. Mas alguns crimes parecem ser impossíveis de punir....

–Ele está la dentro Shikaku, ele é um do tipo estranho.

–Obrigado, vou conversar com ele.

Shikaku senta-se e passa a encarar Naruto que estava com um olhar direto para seu amigo. Itachi usava uma camisa preta e calça jeans, nunca foi muito de se produzir mais que isso. Enquanto olhava Shikaku, inteligente e intrigado, apesar de querer esconder isso.

–Então, você confessa de ter feito? Todos já sabem.

–Ter feito o que exatamente?

–Acha que estamos errados?

–Não. — Itachi começa a sorrir- Na verdade, acho pegaram o cara certo, ou o errado.

–Sabemos que foi você.

Itachi agora parecia sorrir como se tivesse provocando Shikaku.

–É, você esta sempre certo não é Shikaku? Eu admito, foi eu.

–Itachi, só quero te ajudar. Quer dizer, você um cara legal, aparentemente normal, levou seu irmão pequeno para aquele jogo de futebol. Então como quando você estava voltando do jogo, de repente pega um cara e, de acordo com o legista, "ataca a vitima repetidamente na cabeça com a arma de escolha sendo os próprios punhos." Wow. Isso parece meio errado, não?

–...

–Talvez você não seja o tipo que se explica quando faz algo.

–...

–Se você fez isso... Por quê? Quem era aquele cara? Nós não conseguimos identifica-lo. O que alguém como você iria quer com ele?

–Eu não gostei da cara dele talvez?

–Bem você deve ter odiado. Você fez uma bagunça. Quer dizer, realmente não conseguimos identifica-lo, não temos ideia de como ele era. Sem identidade com ele também.

–Isso deve complicar as coisas.

–Mas então olhamos as impressões digitais dele. Temos algo que bate. Suas impressões. — Apontava para Itachi- Idênticas.

Itachi agora levantava o queixo e falava como se desafiasse a inteligência do amigo

–Hun, que tal isso?

–Seu irmão disse que você estava usando uma camisa branca quando o levou para o jogo. Mas a camisa branca esta no cara morto.

–Esta bem vermelha agora — Falava em um tom sombrio

–Você não vai escapar disso!

–Você realmente acha que isso é relevante para mim? Eu tive bastante tempo para falar com meu irmão antes da policia chegar sabe? Ele não para mais de gritar, não estou certo? — Começa a falar em um tom de deboche- Você acha que um dia ele vai ficar bem?

Shikaku cerrava o punho impaciente.

–Eu deixei minha marca nele, acredite.

Shikaku levanta-se empurrando a cadeira para traz pronto para acertar Itachi, puxa uma arma e aponta para ele.

–Seu- seu desgraçado!

–O que? — Começa a rir- Vai atirar em mim? Qual o ponto? — Começou a cochichar em sua direção- Eu vou para a prisão, você me pegou.

–Eu... Eu não entendo nada disso!

–E você nunca vai. Não se preocupe, talvez você me veja de novo, Shikaku. Talvez...No espelho.