Contos Incertos.
2 14 de Agosto de 1883
Notas iniciais
14 de Agosto de 1883
“A chuva caia incansavelmente nas campinas do pequeno vilarejo no sul da Grã-Bretanha, a pequena menina dos cabelos longos e acobreados, observava as gotas da chuva molharem a janela do chalé onde morava, ela suspirava, e procurava em meio a escuridão da noite britânica, por um sinal, um sinal que demorava a chegar. Lá fora, em meio a chuva e lama, um jovem rapaz de olhos hipnotizante-mente azuis corria, ele parecia fugir de algo mas, o cansaço estava tomando conta do seu ser, ele não aguentaria muito mais. A menina dos cabelos de cobre agora andava inquieta pelo quarto, gritos altos vinham do andar de baixo, ela sabia que ela era o motivo daqueles gritos, e que logo seria motivo de muitas lágrimas.Um tiro. Ela parou abruptamente de andar e correu para a janela, os olhos castanhos turvos, cheios de lágrimas. Lá fora, o tiro que fora disparado vinha do cano de uma espingarda, que estava em posse de de um jovem rapaz, com os cabelos da cor do da menina inquieta na janela, ele apontava paro o rapaz de olhos azuis, que tinha os cabelos loiros agora tomados pela lama. Na parte debaixo da casa, a porta se abriu, e a menina acompanhava tudo pela janela embaçada, porta a fora, um senhor grisalho de não mais de 50 anos saiu, ele estava indo em direção aos rapazes, ele gritava algumas palavras que a menina não conseguia ouvir por conta do barulho da chuva, que agora era bem mais forte, o velho senhor parecia tentar acalmar a situação e conseguir tomar dá mão do rapaz dos cabelos de cobre, a arma de fogo. Sem sucesso. Apesar do barulho da chuva forte, as três estouros vindos da campina foram audíveis para a menina na janela, que em um grito de horror jogou-se ao chão e se pôs a chorar desesperadamente — está tudo acabado agora — ela pensava, entre as lágrimas e os gritos de raiva e angústia. Ela se levantou do chão, e correu para porta - Trancada…- se voltou então novamente para a janela. Abriu. Uma brisa gelada inundou o comodo, e os pingos gelados da chuva começaram a molha-la, a ensopando aos poucos. Tomando coragem, ela se pôs de pé na janela, com um pouco de dificuldade devido ao longo vestido negro que usava, tomando impulso, jogou-se janela a fora, parecia ser a sua queda para a morte, devido a altura, porém, em vez do solo, ela entrou em impacto com as serragens que estavam na carroça do pai.Levantou-se rapidamente, antes que a mãe a visse e tentasse impedi-la, ela carregava consigo algo escondido entre as mangás do vestido, algo que logo determinaria seu destino. Correu desesperadamente pela campina, até chegar onde o pai, e o irmão, que estava com a espingarda, estavam sentados a poucos metros, de um corpo caído. Um grito. Um grito sufocado foi a única coisa que ela fora capaz de soltar, caindo de joelhos na lama, ao lado do corpo. Ali jazia seu amado, morto, pelo seu próprio irmão. Os olhos azuis ainda abertos, vazios, o peito manchado de sangue, que agora escorria entre os dedos da menina que o chacoalhava incrédula no que via. Ela pouso a cabeça no peito do loiro, chorando, procurando buscar algum consolo, que nunca chegava. Revelou então o que escondia na manga, um punhal. O pai avistou aquela perigosa arma, e correu para tomar da menina, não ouve tempo. Com um olhar triste ela olhou uma ultima vez para o pai e o irmão, e depois para o amado. Oh ! Feliz punhal.! . Inficou o punhal no próprio peito, e depois retirando-o, lhe auto cortou a garganta. Ela caiu, já sem vida, sobre o peito daquele que amava, finalmente, estavam livres. Está tudo consumado. Se não podiam viver juntos, que venha a morte então.”
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