Contos Diversos Volume 1.
20 Segundo Conto – As testemunhas. - Capítulo Final.
Capítulo Final – Hora da Confissão (Ou hora de dar tchau se preferir).
Aí vocês me perguntam como ele chegou até a casa de Clarisse de carro se o policial havia parado após o detetive mostrar inúmeras multas não paga sem querer? Para responder essa pergunta eu tenho que voltar um pouco antes e focar unicamente no ponto de vista deles.
Após certo tempo, reforço havia chegado ao local do crime, então Tomas ainda dentro do carro disse para Douglas.
– Agora é a hora de começar a comentar sobre filmes com aquele policial.
– Está maluco? Não está vendo o quanto estamos encrencados?Isso não vai rolar.
– Por favor, Douglas, eu preciso que você o distraia para eu partir com o carro.
– Você mal conseguiu tirar o carro do lugar, melhor, você fez o favor de jogar uma viatura da policia no penhasco abaixo.
– É sério Douglas, Clarisse está em perigo e seria covardia sua não fazer isso, você sabe que ela é gamada a ti.
Douglas refletiu sobre o assunto.
– Mas que droga. Se eu for em cana você me paga.
– Não se preocupe, a Clarisse estará viva para ti visitar na cadeia.
– Engraçadinho.
Douglas saiu do carro e seguiu em direção ao policial que ele havia discutido sobre filmes e que agora estava conversando com os outros policiais.
– Voltando aquele assunto, você assistiu Avatar.
– E se eu assisti. O 3D foi incrível, aquele dinheiro foi bem gasto. – Comentou o policial.
– É mesmo, e pensar que James Cameron faria um filme daquela qualidade. – Comentou o policial que acabará de chegar.
– É apenas pocahontas alienígena. – Comentou o parceiro do policial que havia chegado ao local do crime.
– Que?
– Pocahontas alienígena, eu estou dizendo que Avatar é uma cópia barata.
– Você está de brincadeira, e os efeitos especiais, e a função 3D.
– Isso não vale nada se não tiver um enredo bom.
– Qual é. O filme é bom, os atores são bons.
– Não estou dizendo que os atores são ruins, é que o roteiro não ajuda.
Tomas aproveitou a chance de que Douglas havia deixado para ligar o carro e novamente o carro foi para trás e acertou o parapeito, novamente, por sorte os policiais estavam entretidos demais conversando sobre filmes.
– Legal, aprende a lição, essa é a ré, então essa é a primeira marcha.
Ele puxou a marcha e o carro morreu.
– Ah seu idiota, sai daí, você não sabe como funciona.
Lucas foi para o banco da frente enquanto Tomas se contorcia para ir ao banco de trás.
– Vou mostrar como se dirigi.
Ele puxou a marcha, mas o carro morreu.
– Não cara, você está fazendo isso errado, tem que puxar o freio de mão.
– Eu sei dirigir tá legal.
– Estamos com pressa.
– Eu sei disso.
– A Clarisse está em perigo.
– Eu sei dirigir.
Lucas acertou a marcha e pisou fundo, o pneu derrapou antes de partir com tudo esfumaçando todo o local.
– Quando chegarmos me deixe no banco da frente, quero mostrar a ela o quão maneiro eu sou.
– Tá legal.
– E faça que nem nos filmes, onde você invade a casa dela com o carro.
– Está bem.
– Você tem algum bordão que posso utilizar quando sair do carro?
– Ah sei lá, que tal, “Parado seus panacas”.
– Não, muito oitentista. – Disse Raul. – Que tal, “Não toquem nela se quiser viver.”.
– É uma boa, eu curti! O que você acha Lucas?
– Não, é muito fraco, não traz imponência, que tal, “Ae seus bunda moles, eu vim chutar a bunda de vocês.”.
– Não, eu queria algo que demonstrasse que eu sou o cara bonzinho sabe, tipo, se impor, mas não deixasse de ser bonzinho.
– Que tal, “Está na hora de quebrar tudo”. – Sugeriu Raul.
– Eu não sei, quero algo mais conservador.
Assim eles passaram toda a viagem discutindo e repetindo bordões famosos, e assim voltamos ao tempo atual.
O carro havia invadido a casa dela e o farol iluminava toda a sala, os dois bandidos forçavam a vista por causa da luz e Clarisse estava abismada pelo ocorrido.
– É, onde fica o banheiro, brincadeirinha. – Tomas só pensou nessa frase.
– Mas que merda você acabou de fazer Tomas?
– Como assim, eu vim ti salvar.
– Mas tinha como não invadir a sala dos meus pais com um carro velho?
– Não pensei em outra entrada mais maneira do que isso.
– Isso não pode estar acontecendo, meus pais vão me matar.
– Finalmente você chegou Tomas. – Disse o ladrão. – Agora posso matá-la na sua frente, assim você irá se arrepender por ter me tratado feito idiota.
– Eu não permitirei, por que. – Tomas pensou duas vezes em dizer aquilo – Porque eu a amo.
– Isso não pode estar acontecendo. – Resmungou Clarisse.
– Como é? – Indagou Tomas confuso.
– Não me leve a mal, você é um cara legal e tudo mais, mas, só penso você como amigo.
– Na real? – Indagou Tomas deprimido.
– Na real, eu sinto muito Tomas aposto que você encontrará uma garota muito legal na sua vida.
– Entendi. – Disse Tomas cabisbaixo. – Aí, pode fazer o que quiser com ela, não to nem aí.
– Espera, espera, espera você não pode invadir minha casa, dizer que vai me salvar se confessar e logo depois ir embora quando levar um fora, isso é muito desumano. – Choramingou Clarisse.
– Você não pode dar um fora em alguém que arriscou a própria vida e está prestes a ser preso após jogar uma viatura no penhasco. – Reclamou Tomas.
– Não é porque você veio me salvar que sou obrigada a ficar com você...
– É isso que você pensa? Não sou tão bom para você?
– Não é isso, eu apenas não sinto nada por você.
Os dois ladrões balançavam a cabeça encarando o casal discutindo naquela situação.
– Com licença. – um dos ladrões tentou chamar atenção.
– Então qual é o lance?
– Eu não sei, só não sinto nada por você, para de ser tão infantil e aceite logo.
– Não estou sendo infantil, é que, eu arrisquei minha vida para ti salvar e você me vem com essa, isso nem sequer contou nada para você?
– Isso realmente não conta.
– Vocês dois sabem em que situação está não é mesmo? Não comecem uma briga de casal quando eu estou fazendo vocês como reféns.
– Cala boca seu idiota, nós não somos um casal.
– A claro, isso quando lhe convém.
De repente uma sirene da policia interrompeu todos eles, quatro policiais bem preparados invadiram o buraco que o carro havia feito e anunciaram para que se rendesse.
– Droga, eles chegaram. – Disse um dos ladrões que pôs a mão na cabeça e se agachou.
Um dos policiais tirou a máscara de um dos ladrões e mostrou algo que Tomas já havia deduzido o professor Rodolfo.
– Como suspeitei você é o assassino.
– Foi uma ótima pegadinha, não acha? Dessa vez eu venci.
– Pegadinha? Pessoas morreram nessa pegadinha. – comentou Clarisse.
– Ah, mas todos caíram direitinho.
– E foi bem sem graça. – Comentou Tomas.
– Mas vocês ficaram assustados.
– Você causou um arrombo na economia da prefeitura graças ao seu terrorismo estúpido. – Disse um dos policiais que algemou ele.
– E quem é o outro idiota? – Indagou Raul.
Um dos policiais ouvindo a pergunta de Raul tirou a máscara dele, o que mostrou ser o zelador discreto.
– Ah, eu não disse, eu quero ver a cara de surpresa de vocês. – Comentou Lucas animado.
A energia da casa de Clarisse havia voltado quando um dos policiais percebeu que o quadro de força faltava um fusível, a ambulância havia chegado a tempo junto com o detetive e Douglas, além de Andrea que ao ver todos àqueles policiais e começou ter uma crise de asma, e logo utilizou sua bombinha.
Tomas cabisbaixo permaneceu apoiado na cerca, enquanto via o seu professor ser levado até a viatura.
– Eu nunca perderia para vocês, sempre um passo á mais. – Comentou Rodolfo triunfante.
– Tá legal, agora vai fazer suas piadinhas no corredor da morte. – Comentou o policial que abaixou a cabeça dele para que não batesse no teto do carro.
Clarisse se sentindo culpada se aproximou de Tomas.
– Obrigada e desculpa pelo fora.
– Sem problema.
– Não me leve a mal, amigos?
– Eu sou um idiota em ter me declarado.
– Não diga isso, você é o cara mais corajoso que eu conheço, e não estou preparada para um relacionamento.
– Então, eu tenho chances?
– Talvez.
– Ei Clarisse, depois que Tomas me falou, quer sair comigo? – Perguntou Douglas.
– Mas é claro.
Tomas ficou boquiaberto, e aquela história de que não estava preparado para um relacionamento.
E esse foi o fim daquela confusão, moral da história, nunca jogue baralho junto com seus amigos em uma cabana onde supostamente um professor psicopata vá esconder um corpo que havia morrido vinte anos atrás.
FIM.
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