Contos Diversos Volume 1.
8 Primeiro Conto - Homem Máquina
Capítulo 8 – Dama de ferro.
No tempo que passei com uma identidade nova na sociedade, a “verdade” estagnou, não conseguiram mais derrubar firewalls do sistema e eles logo atualizaram a segurança, permitindo que os firewalls já derrubados voltassem com tudo, era uma habilidade do sistema, se adaptar sempre e aquilo trouxe dor de cabeça para aquela equipe que estava próximo de destruir o sistema.
Para que ele retornasse a derrubar o sistema, eles precisavam desativar as forças de defesa remotamente, ou seja, invadir novamente a sede da corporação Volta, só que dessa vez não seria tão fácil, atualmente a defesa do local tornou-se maior e era quase que impossível invadir com sucesso.
O único plano que eles pensaram seria utilizar um equipamento com aparência de uma coleira, onde esse dispositivo poderia mudar a aparência da pessoa, um disfarce, e como eles tinham um dos seguranças no perfil de sua rede ficou mais fácil de ativar a coleira.
Aquele sujeito que se voluntariou para invadir o local estava se arrumando, o plano era de alguma forma enganar o sistema e engatinhar um ataque massivo contra a rede, desestabilizando novamente a central e assim as pessoas dessa sala poderia ter acesso aos firewalls com algoritmos mais complicados de derrubar.
Eu monitorei todo aquele projeto, depois de saber a verdade eu decidi juntar as forças com eles, acredito que o Doutor Goldman era o que desejava deste o inicio. Depois de vários testes, a coleira presa naquele homem estava pronta para uso e todos foram para seus locais de trabalho e iniciaram o lance final.
– Você sabe muito bem o que acontecerá se você for pego.
– Relaxa, tenho tudo sobcontrole, eu não serei pego tão facilmente.
– Pois bem, saiba que se eles ti capturarem já era, a corporação Volta atualmente desenvolveu um dispositivo capaz de interpretar os neurônios dos cérebros e assim interceptar informações, um trabalho minucioso que foi se encerrar semana passada.
– Isso quer dizer que ele não precisa torturar as pessoas para obter informação, isso é ótimo.
– E também, eles não precisam das pessoas estar viva para obter a informação.
– Então isso é mal..
– Antes de tudo. – Interrompi a conversa dos dois – Gostaria de saber o seu nome.
– Porque quer saber meu nome, é só um título.
– O nome é importante, pois mostra a individualidade de cada ser humano, isso que separa os humanos das máquinas.
O sujeito esfregou os olhos como se estivesse cansado daquele discurso.
– Meu nome antigo era Davi.
– Pois bem, Davi, contamos com você.
– Pode deixar!
Ele ativou a coleira e sua aparência mudou drasticamente, um sujeito calvo e com óculos utilizando um uniforme de mecânico surgiu em nossa frente, ele começou a pronunciar algumas notas musicais e logo era notável que a tecnologia era capaz de mudar as cordas vocais de acordo com o perfil do sujeito.
– Como me aparento?
– Você está horrível.
– Isso é ótimo, é melhor eu ir, pelo bem da raça humana.
Depois que ele saiu daquela sala eu me perguntei se com aquela tecnologia eu não poderia ir ao lugar dele, mesmo que as pessoas estivessem atrás de mim eu teria um disfarce e também teria acesso à rede central, rede no qual aparentemente eu desenvolvi antes mesmo de apagarem minha memória e recriarem uma falsa vida.
Ele adentrou o local sem muita dificuldade, isso foi motivo para as pessoas comemorarem, logo ele caminhou até as escadas mais próximas (ele evitava os elevadores que necessitava de leitura de retina, uma falha no sistema de disfarces), assim ele alcançou o subsolo e logo se surpreendeu com o resultado.
Uma grande porta, e para ter acesso ele precisava além do cartão do funcionário, da retina dele.
– Mas que merda, calculamos errado.
– Acalme-se Davi. – Mexi na rede central – Utiliza a chave digital no dispositivo de senha.
Davi não entendeu muito bem, ele não sabia que a chave digital estava ligada diretamente no computador central que eu utilizava para decodificar as mensagens, ele ficou algum tempo apontando a chave digital para o dispositivo de senha.
– Quanto tempo eu preciso ficar assim?
– Só mais um minuto... E... Pronto!
Um clique anunciou o sucesso da abertura daquele portão, a porta foi abrindo lentamente, e Davi se surpreendeu mais ainda.
– Você precisa me dizer como que fez isso.
– Depois eu digo, termine a missão.
Ele seguiu em frente, e quando ele passou pela porta ela se fechou com tudo, perdi o sinal daquela câmera.
– O que houve?
– Será que fomos pegos?
– Eu não sei, deixe me ver no sistema.
Acessei o sistema de segurança e pelo monitoramento tudo corria bem, até que a voz de Davi interrompeu nossa busca.
– Pessoal, temos problemas aqui...
Não tínhamos o vídeo, e não conseguíamos saber que tipo de problema Davi enfrentava.
– Apenas no diga o que houve, perdemos o sinal de vídeo.
– Eu não sei, parece um holograma.
Uma voz forte interrompeu nossa conversa.
– Saudações invasores, eu venho lhe avisar que os dias de baderna de vocês estão contatos.
Todos previram a pior situação possível, eu sem pensar duas vezes gritei.
– Sai daí!
Um grito agudo alcançou os alto falantes e logo em seguida o sistema de áudio caiu, tentei acessar o sistema pelos algoritmos, mas parecia que algo havia invadido nossa rede e interceptado qualquer tipo de avanço de códigos que eu criava.
– Estamos perdendo a rede.
– Tenta a rede principal.
– Acesso negado, o sistema proibiu meu acesso.
– E a improvisada.
– Eu estou tentando.
– Vai logo!
– Eu já disse que estou tentando...
O vídeo ligou e um rosto de prata surgiu na tela, um rosto estático e frio, como uma estátua de ferro.
– Sistema de projeção algoritmo projeto beta, saudações invasores, eu sou a dama de ferro, a primeiro firewall do sistema Genesis, eu venho lhe avisar que seus dias de baderna estão contados a partir de hoje...
O vídeo desligou, e o silêncio tomou a sala, o único som que podia se ouvir era o som da rede fora do ar.
Nós fomos descobertos e era questão de tempo para que os executores encontrasse este lugar...
Sem dizer absolutamente nada, o pessoal arrumava suas coisas, eles precisavam de alguma forma sair daquele lugar antes do sistema mandar executores para nos caçar, eu era o que estava na pior, além de eles saberem onde eu estava eu não poderia simplesmente sair daqui já que as pessoas estão atrás de mim graças à recompensa dada pelo sistema, era como se todo nosso fracasso pudesse ser previsto deste o inicio.
– Não podemos desistir! – Incentivou Agatha. – Isso não é o fim ainda.
Olhei para ela, meu olhar fraquejado denunciava a falta de esperança, ela sorriu e me disse.
– Tudo vai ficar bem...
– Cale a boca! – Gritou um dos sujeitos revoltados. – Nada está bem, não podemos mais derrubar o sistema e para piorar eles sabem onde estamos.
– O jeito é sair do país.
– Mas se não derrubarmos o sistema será questão de tempo que Genesis domine o mundo, e logo não haverá lugar seguro para permanecemos.
– Você tem alguma ideia Agatha?
Agatha sorriu e contagiou todos com sua autoestima.
– Vamos invadir remotamente.
Todos ficaram impressionados com a loucura de Agatha.
– Você enlouqueceu! Você sabe que eles estão atrás da gente e quer que a gente vá ao encontro deles.
– Você mesmo disse que não temos mais onde ficar, mais cedo ou mais tarde seremos pegos pelo sistema, então porque não adiar isso tentando eliminar o sistema de vez?
– Eu concordo com Agatha. – Disse outro sujeito. – Estamos ferrados mesmo, porque não tentar dar o último ataque antes do fim?
– Devemos apostar tudo nesse ataque, é o que sempre digo! – Disse outra mulher que estava no fundo da sala.
Borbulho de conversas surgiam naquela sala, uns discordavam totalmente, outros concordavam que realmente não teria jeito e que era melhor tentar derrubar o sistema do que esperar que o sistema nos derrube.
– Está decidido, vamos derrubar o sistema, mas antes quero propor algo importante e caso nós deixamos de ser humanos, quero que todos vocês digam seus nomes e se lembrem desse momento, pois talvez seja o último momento onde fomos humanos de verdade, meu nome é Demetrio Titor.
Todos disseram o seu nome e pude conhecer um a um, como Agatha, Davi, Douglas, Jéssica, Clarisse, Aválo, Olavo, eram tantos nomes inusitados e difíceis que eu mal pude decorar todos.
Aquele momento eu deixará de usar um codinome como Lima. S, um codinome que deixava claro que éramos engrenagens com assinatura daqueles que nos criou, agora éramos humanos compartilhando nossos verdadeiros nomes e individualidade, aquele momento estava gravado em minha memória.
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