Contos De Uma Vilã

4 Kill or Be Killed on Survival Games


Notas iniciais
Heeeyyy guys

Desculpa mesmo pela demora, eu achei que com o fim das aulas daria para postar mais, só que eu passo o tempo todo viajando...

Para mim, esse é o melhor capítulo até agora, espero que gostem

E deixem seus reviews.

Beijos Birdy

Saí do refeitório e fui direto para o andar da câmara principal, alguns a chamavam de arena de simulação, um nome bem apropriado, eu acho. A arena de simulação ocupava quase um andar inteiro e era ligada a várias pequenas salas onde os competidores se arrumavam para jogar. Tipo, vamos nos arrumar para morrer, yeah!

Deixe-me explicar uma coisa: você não morre nos Survival Games. Quer dizer, você morre, mas não morre realmente e... Enfim, acontece que é um jogo de simulação, ou seja, não acontece realmente. As armas utilizadas são holográficas e a pessoa atingida fica em um estado de inconsciência. O triste é que o sangue também é holográfico, que pena.

Cheguei à sala designada ao Setor 3 e encontrei a roupa em um dos cabides. Não era uma sala enorme, mas grande o suficiente para que colocassem dois carros nela. A roupa que usaríamos era uma blusa de mangas curtas de um verde escuro, uma calça de diversos tons de verde e bege que vai até o tornozelo, uma bota marrom que é um pouco acima do tornozelo e um cinto para as armas (roupa). Prendi meu cabelo liso em um rabo. E fui para a seção de armamentos.

Cada competidor podia utilizar no máximo duas armas. Passei a mão pelas estantes, selecionando uma arma. Peguei uma adaga simples com cabo de couro e embainhei uma espada no cinto. Por mais que sejam holográficas, as armas pareciam reais em sua mão, elas pesavam e dava pra sentir as texturas delas.

–Competidores, apresentem-se na arena. – uma voz veio pelos altos falantes.

Muitas pessoas associam os Survival Games com os Jogos Vorazes e, tenho que admitir, são bem parecidos mesmo. Mas nos Survival Games não podemos fazer alianças com outros jogadores, é cada um por si. E nós podemos nos inscrever para participar, quem não quiser, não precisa necessariamente jogar. Sem contar que a nossa arena pode sofrer constantes mudanças e que nada que acontece nela é real.

Saí da sala e segui para um dos portões de entrada da arena, depois que os Jogos começavam elas eram fechadas.

A voz começou a chamar os nomes dos jogadores, um por vez foi entrando na arena.

–Louise, setor 3. – Ela disse e eu entrei com uma postura ereta e confiante.

Analisei o local, eles ainda não tinham transformado o cenário da arena, portanto consegui ver os outros competidores. Fui reconhecendo os rostos: April estava do outro lado da arena, à minha frente, alguns metros ao lado vi Eaton, Caitlyn, Charlie, Derek, Ellie e Noah. Todos separados por grandes distâncias. E vestindo o mesmo que eu.

–Bem-vindos aos Survival Games! – a voz disse.

A arena começou a mudar, algumas partes se ergueram e outras afundaram, ela estava formando uma floresta cercada de relevos montanhosos. Eu estava na parte plana da floresta e ao meu lado havia algumas depressões que eu teria que evitar.

A voz (que, na minha opinião, é muito sexy) começou a contagem regressiva. Um choque percorreu meu corpo, era alguma ligação entre as botas e a arena que fazia com que eu não pudesse correr ou sair do lugar durante a contagem.

–10, 9, 8, 7, 6, 5...

Verifiquei a espada no cinto e segurei firme a adaga. Câmeras espalhadas por toda a arena iriam filmar cada passo dado, cada luta travada e mandariam para o monitor para as pessoas no refeitório assistirem.

4... 3...

2 ...

1...

0

Eu corri, pulei sobre troncos caídos e me abaixei quando cipós tentaram me acertar, desviando de galhos e pedras. Meu objetivo era chegar a uma depressão ou a um relevo, se possível. Ouvi um farfalhar no mato e algo quebrar galhos à minha esquerda e tentei me desviar quando Ellie apareceu e pulou sobre mim, mas não consegui me desviar a tempo. Ela me prendeu contra uma árvore, de costas para ela, meu rosto pressionado contra o limo e as cascas da árvore. Dei um chute para trás e Ellie caiu, rolando para o lado antes que eu a atingisse de novo. Peguei minha adaga caída no chão e me aproximei dela. Ela já estava ajoelhada, pegou uma faca de caça em seu cinto e tentou me acertar na perna. Pulei e desferi um golpe em seu ombro, que ela desviou com a faca. Rapidamente, fiz uma série de golpes contra ela e acabei atingindo-a um pouco acima da cintura. Ela caiu, sangue escorria do corte, encharcando sua blusa verde, e ela estava com os olhos vidrados. Suspirei. Menos uma.

Andei silenciosamente pela floresta, consegui ouvir o barulho de armas se chocando a alguns metros e mudei meu caminho. Quase tropecei em uma flecha quebrada, que provavelmente pertencia a April. Um pouco mais a frente vi um corpo caído. Eaton. Fora atingido por uma flecha no meio da testa e outra no ombro.

Ouvi um zunido familiar e fiquei agachada, uma lança passou por cima de minha cabeça e se instalou em uma árvore. Me levantei e observei de onde tinha vindo, encontrei Derek arfando em frente a um coqueiro. Tive uma ideia maluca e joguei a faca na direção de Derek, com toda a força que consegui juntar, ele se desviou e a faca atingiu o coqueiro. Ele olhou para mim com um sorriso provocativo que dizia errou-babaca-tente-novamente. Antes que ele pudesse avançar, dois cocos caíram, um bateu na cabeça dele e ele desabou, o outro caiu um seu estômago, fazendo-o ficar sem ar. Andei até ele sem a menor pressa e arranquei a adaga do coqueiro, me agachei ao lado de Derek, que se contorcia e tentava respirar.

–E então, quer morrer agora ou daqui a cinco segundos? Te dou cinco segundos para pensar. – Eu disse, com um sorriso sarcástico. Só para provocar, contei os segundos em voz alta. E enfiei a adaga em seu estômago.

Deixei-o para trás e continuei explorando a floresta. Encontrei uma clareira, onde estavam Charlie e Caitlyn lutando com suas espadas. Escondi-me atrás de uma das árvores que rodeavam a clareira e esperei. Charlie usava uma espada de duas mãos, que era maior e obviamente mais pesada, porém dava-lhe melhor defesa contra Caitlyn. Caitlyn desferia golpes em Charlie com uma espada de prata não muito grande. Por um segundo, ela baixou a guarda. Erro terrível. Charlie se aproveitou e avançou na direção de Caitlyn, que tentava se defender desesperadamente. Charlie impulsionou a arma com as mãos e fez a espada atravessar a cintura de Caitlyn em um arco mortal. Ela caiu ajoelhada.

Charlie se afastou do corpo caído para recuperar o fôlego, aproveitei seu momento de vulnerabilidade e atirei a adaga na direção de seu pescoço, ele se virou tarde demais e a adaga ficou presa em seu pescoço. Andei até ele e arranquei a adaga, chutando seu corpo inerte para longe. Passei o dedo na adaga para limpá-la do sangue holográfico, que parecia ser tão real quanto as armas. Ouvi algo se aproximando e me virei rapidamente, erguendo o braço com a adaga e apontando na direção de quem estivesse atrás de mim. April. Ela parou de se mexer, a minha adaga estava abaixo do seu queixo e ela alternava o olhar da lâmina até mim.

April é uma adversária digna. Seus olhos azuis faiscavam, seu cabelo ruivo estava cheio de sangue, o que o deixava ainda mais ruivo. Ela sorriu para mim sarcasticamente.

–Quer acabar com os jogos de uma vez, Lou? – ela só se referia a mim pelo meu apelido, poucas vezes pelo nome. – Achei que você gostasse das finais.

Fiz uma lista mental de todos os que tinham morrido. Faltava um.

–Noah está morto? – perguntei, mas não abaixei a adaga de seu pescoço. Ela assentiu, mas eu não tinha certeza se deveria confiar nela. – Mostre-me. – ordenei.

Ela fez um gesto vago para algum lugar ao lado da clareira, vi o corpo de Noah encostado em uma árvore, com uma flecha no peito e duas outras na panturrilha.

–Certo – abaixei a adaga de seu pescoço, ela sorriu e estendeu a mão para mim.

Eu a apertei e ouvi um canhão estourar. As quartas de final chegaram ao fim. A voz começou a narrar congratulações, April acenou para as câmeras, mesmo sem vê-las.

Agora teríamos que sair da arena para que os corpos dos outros participantes fossem recolhidos e levados para o centro de recuperação – era como um hospital, mas passou a ser chamado assim porque era onde os jogadores do Survival Games se recuperavam após os jogos.

Fui para o dormitório. Eu sei que disse que não morava ali, mas eu precisava guardar minhas coisas e ter um lugar onde me trocar, quando necessário. Eu dividia o quarto com Emily, April e Sarah, uma garota do Setor 2, setor de fugas e esconderijos.

Coloquei um vestido simples, mas elegante, de um ombro só e azul celeste que ia escurecendo, ele tinha um cinto de rendas prateado logo abaixo do seio e ia mais ou menos até o joelho, onde as pontas se enroscavam, causando a impressão de ondas .

Fui para o salão de festas, ficava no mesmo andar que a arena de simulação e era onde as festividades (como a celebração dos jogos) eram realizadas. O salão era imenso, possuía vários lustres pendurados no teto alto e era ladeado de belas colunas, havia mesas redondas dispostas por toda a parte, cercadas por cadeiras acolchoadas. Enfeites de flores brancas estavam colocados por cima das mesas que eram cobertas por mantos vermelhos. Parecia mais que estávamos na festa de um casamento do que na simples celebração das finais dos Survival Games. Em um canto tinha um palco iluminado e um microfone.

Consegui localizar Isac, Damien e Emily em meio a multidão que entrava no salão. Abri caminho para chegar até eles.

–Bela performance lá na arena, Louise. –Disse Isac.

–Obrigada. –Joguei o cabelo para trás – Mas o show está só começando.

–Convencida- murmurou Damien.

Eu estava prestes a respondê-lo com meu típico sarcasmo quando uma mão tocou meu ombro. Eu quase dei um pulo de susto. Me virei e encarei dois amigos meus, os irmãos Ford. Eles parecem gêmeos, mas são apenas irmãos. Eles têm cabelos pretos bagunçados e possuem feições astutas. Se me permite dizer, eles são bonitos.

–Ah, oi, meninos. – eu disse. Fiz um gesto vago, apontando Damien. – Este é Damien, Setor 4. Damien, estes são Collin e Drake Ford. Não se engane, eles não são gêmeos. E sugiro que tenha cuidado com eles, porque são as pessoas menos confiáveis que se tem na Academia. Se é que aqui tem alguém confiável.

Drake estendeu a mão, Damien fez menção de que ia apertá-la, mas eu o impedi.

–É melhor não. – disse-lhe. Os irmãos sorriram maliciosamente.

–Acho que é melhor encontrarmos uma mesa. – disse Drake. – Vamos, Collin.

–Eu vou com vocês. – Emily os olhou com dúvida, provavelmente eles iriam armar alguma pegadinha para quando chegássemos às mesas e ela queria impedi-los. E assim se foram, Drake, Emily e Collin à procura de uma mesa vazia.

–Você consegue distingui-los? – Damien me perguntou.

–Sim, o Collin é mais alto. – dei de ombros. – Gosta de Torta de limão? Eu amo.

–Hã... Gosto, mas o que tem a ver uma coisa com a outra? – Damien disse.

–Sei lá, só fiquei curiosa.- Disse.

–Acostume-se, a Louise adora mudar de assunto sem mais nem menos. – Isac disse.

–Ei! Isso só acontece às vezes – protestei.

–Claro, Louise, claro. – Isac deu tapinhas no meu ombro e foi se juntar à Emily e os Ford.

O fulminei com o olhar. Sei que ele estava de costas, mas, quando se virou, ele viu. E sorriu. Que ousadia a dele! Pela terceira vez, o nome dele está na lista de pessoas que vou matar. E ela é muito grande. Damien olhou para mim e estremeceu.

–Você dá medo. – ele disse e se juntou aos outros.

–Não se preocupe, você não é o único que sente medo de mim. – Eu sorri e fui me sentar.

April apareceu ao meu lado e se sentou. Juro que não sei como ela desaparece e aparece repentinamente, deve ser alguma habilidade de caçadora. Ela usava um vestido tomara-que-caia laranja com manchas verdes. Seu cabelo ruivo estava preso em um rabo meio solto.

–Oi, pessoas. – Ela disse e depois se virou para mim. – Parabéns, Lou. Agora somos nós duas na final, não é?

–Sim. Essa final vai ser... interessante. – Eu disse. – Parabéns para você também, você lutou muito bem.

Eu não devia inflar o ego dela, mas nada melhor do que um elogio sincero. Ela abriu a boca para dizer algo, mas Collin a interrompeu.

–Olá meninas. Posso me sentar aqui? – Ele apontou para uma cadeira vazia ao meu lado.

–Pode, mas saiba que estarei te observando. – April lançou um olhar ameaçador, que dá tanto medo quanto o meu.

–Não se preocupe, não vou fazer nada. – Ele ergueu as duas mãos, mostrando que estava sem armas.

–Antes prevenir do que remediar. – eu disse, cerrando os olhos.

–Claro, claro. Só vim perguntar, novamente, se você não quer que eu seja seu advogado amanhã, Louise.

Ah é, me esqueci de dizer uma coisa, eu iria ser julgada em um pequeno tribunal por ter matado alguns policiais, nada muito importante.

–Qual parte do “Não” você ainda não entendeu? – eu perguntei.

–Você sabe que eu não aceito um “Não”. – ele disse.

–Bom, é melhor aceitar, porque é a única resposta que você vai ter. – Respondi. Se eu deixasse ele ser meu advogado ele acabaria pondo fogo no mini tribunal. Eu preferia meus modos de fazer as coisas, rápido, discreto e simples.

As luzes do palco se acenderam e um Cooper de terno entrou, parando de frente ao microfone.

–Boa noite, vilões. Hoje estamos comemorando as quartas de final. Nossas vencedoras foram April Springer e Louise D’Evil. Elas competirão na final dos Survival Games representando seus setores. – ele disse e todos batemos palmas.

Damien se aproximou.

–É sério que seu sobrenome é D’Evil? Você tem maldade até no sobrenome. – Ele riu.

–Eu sei. Mas esse é meu sobrenome verdadeiro, sério. – Eu não estava mentindo.

Cooper foi embora e as luzes do palco se apagaram. As comidas começaram a ser servidas nas mesas, logo depois um monitor no palco se acendeu e reproduziu os melhores momentos nas quartas de final dessa edição do Survival Games. Após o vídeo, cada um foi para o seu quarto no dormitório, ou foi embora para sua casa. Eu voltei para minha querida casa assombrada e dormi instantâneamente.


Notas finais
Galera, um aviso:

Talvez eu não consiga postar esse mês, pois vou estar no U.S.A *u*

até o dia 30... mas vou ver se meu primo me empresta o notebook dele.

Beijos

Birdy