Contos De Uma Vilã

9 Tudo que é bom acaba logo(Por isso eu sou imortal)


Notas iniciais
HEEEEYY
I'm back bitcheeessss!!
Desculpa a demora, mas sabem como é... provas/trabalhos/escola em geral
Espero que gostem do capítulo!!
E para todas as novas leitoras: Sejam bem-vindas!
Beijooos

Minha cabeça estava pesada e latejava quando abri os olhos, mas isso não me impediu de mexê-la, vagarosamente a virei para o lado e logo percebi que eu estava no centro de recuperação da Academia. Uma fila de camas ficava encostada em cada parede, mas as únicas ocupadas eram a minha e, é claro, a de April.

Apoiei-me no cotovelo e olhei para April. Seus cabelos ruivos estavam, a face esquerda estava esmagada contra o travesseiro e sua boca levemente aberta. Eu sorri, ela parecia tão mais pacífica desta maneira, os olhos azuis como gelo fechados, o rosto menos hostil, nem parecia que há algum tempo atrás ela estava tentando me esquartejar ou me jogar de um navio.

De qualquer maneira, decidi que era melhor deixá-la dormindo. Levantei, mesmo com todo meu corpo gritando de dor, e saí silenciosamente do quarto, fechando a porta atrás de mim.

A Academia estava silenciosa e escura, mas eu já conhecia o lugar de cor e salteado, então não foi difícil me guiar pelos corredores, mesmo no escuro. Eu estava passando por uma câmara de simulação quando ouvi um estrondo. A primeira coisa que eu fiz foi me esconder em alguma saliência na parede. Espiei pelo vidro da câmara e vi Damien lá dentro, ele lutava contra marginais em um cenário urbano.

Entrei silenciosamente na câmara e me sentei no chão, vendo-o lutar. Em pouco tempo, ele exterminou todos os hologramas que o cercavam. Ele ofegou e se virou quando bati palmas.

–Achei que você estivesse no centro de recuperação. – Ele desabou no chão, respirando com um pouco de dificuldade.

–Não estou mais. – O cortei, revirando os olhos. – Tente usar mais seu punho esquerdo, você coloca mais força nele do que no direito.

Ele se sentou e olhou para a mão esquerda, abrindo e fechando os dedos.

–Certo. Obrigado pela dica. – Ele respondeu, a ponta de uma faixa, parecida com uma gaze, saía da gola de sua camisa, me aproximei para poder ver melhor.

–O que é isso? – Perguntei, franzindo as sobrancelhas e segurando a ponta da faixa entre o polegar e o indicador. Damien olhou para a ponta da gaze.

–Enquanto você se divertia na cadeia, eu passava as noites nas câmaras de simulação, treinando. Um das simulações foi um furacão, ele me jogou contra a parede e eu desloquei o ombro. Nada demais. – Ele disse. Claro, nada demais, eu faço isso o tempo todo, imagina. Pensei com ironia.

–Você não precisa pegar tão pesado consigo mesmo. – Soltei a faixa e revirei os olhos.

Damien sorriu aquele sorriso sarcástico que eu sempre vejo ao me olhar no espelho.

–Quem é você para dizer isso?

Fiz uma cara de falsa indignação ao olhá-lo.

–Eu sou Louise D’Evil, o maior pesadelo de toda pessoa viva... ou morta. – Acrescentei um pouco duvidosa. Damien riu e balançou a cabeça, murmurando algo como “Ah, Louise...”. Me levantei, limpando as mãos na calça, Damien parou de rir abruptamente e olhou para mim.

–Aonde você vai? – Ele perguntou.

–Vou acordar Jane para avisar que ainda estou viva. – Respondi, me encaminhando para a saída. – E depois acordar todo mundo para celebrar minha vitória.

–E você acha que vai fazer isso sem mim?

Ele sorriu novamente e se levantou também, correndo para me alcançar, quando ele me ultrapassou, comecei a correr também e pulei em suas costas, envolvendo seu pescoço com meus braços. Assim, fomos correndo e gritando como loucos pelos dormitórios da Academia, fazendo com que todos acordassem.

***

Apesar de terem sido acordados de seus sonhos no meio da noite (por mim) todos pareciam estar com um ótimo humor. Até mesmo os vilões que não moravam na Academia estavam presentes, todos arrumados com belas roupas de gala, porque mesmo nós, vilões, temos estilo.

April também tinha sido tirada de seu sonho e sorria como se ela fosse uma criança em uma festa de aniversário. Orgulho e alegria alheia, nunca irei saber o que é isso.

Eu usava um belo vestido cinza, que ia até os joelhos em uma saia rodada, sem mangas, com um enorme laço azul escuro atrás. Meu cabelo estava preso em uma trança embutida e a maquiagem era azul escura também, para realçar o cinza dos meus olhos. E eu usava uma sapatilha prateada simples, porque não gosto de saltos, eu me sinto desengonçada neles.

Passei os olhos pela multidão e encontrei Collin, que estava usando a parte de cima de um terno juntamente com uma camisa social azul e uma calça jeans, ele também tinha me visto e estava abrindo caminho em minha direção, com um sorriso divertido nos lábios.

Quando finalmente conseguiu se livrar, parou diante de mim e me analisou. Cruzei os braços, mas não pude deixar de conter um sorriso.

–Algum problema? – Perguntei e ele levantou as sobrancelhas, com um sorriso de canto. – Ou é só o meu brilho que está te incomodando?

Em vez de me responder, ele pegou minha mão e me fez dar um giro lentamente em torno de mim mesma.

–Uau. Você está bonita. – Ele disse simplesmente. Franzi as sobrancelhas.

–Eu sempre estou bonita, eu sou bonita. O que você quer dizer com isso?

Collin riu e soltou minha mão.

–Quero dizer que você está bonita de um jeito diferente. Mais delicado, menos eu-vou-te-matar-com-minhas-próprias-mãos.

Inclinei a cabeça para o lado, ponderando se isso era bom ou ruim. Enquanto decidia, ele segurou meu braço e me guiou até uma das mesas, que estava ocupada por April, Emily e Isac que estavam envolvidos em uma conversa animada.

–Oi. – Os três disseram em uníssono quando me sentei e logo retornaram à sua conversa que parecia ser algo sobre comprovar fatos de que o homem realmente fora à Lua.

Troquei um olhar com Collin, que deu de ombros e tentou entrar na conversa também. Damien se aproximou e se sentou à minha direita, com Drake ao seu lado.

–Se o homem realmente tivesse ido à Lua, ele com certeza iria para o lado oculto. – Isac levantou a voz, seu rosto estava avermelhado de raiva.

–Mas lá não pega o rádio, então não dá para eles se comunicarem com a base na Terra. – Argumentou April, beliscando um prato de salgados que o garçom estava oferecendo. – E se algo acontecesse ao astronauta, eles não saberiam. E ele não poderia relatar suas descobertas para a base.

–Isso é só uma desculpa! A tecnologia atualmente pode fazer coisas incríveis. – Falou Isac, abaixando o tom de voz.

–Mas o que você gostaria que eles fizessem? – Drake disse, com tom calmo na voz.

Isac pegou um copo de água que estava à sua frente e tomou, tentando se acalmar. Diante de toda aquela cena eu não pude deixar de sorrir e, como a boa amiga que era, percebi que eu deveria apoiá-lo.

–Isac tem razão. Até porque a Nasa não está mais mandando astronautas para a Lua. Eu acho que é porque eles não têm mais mentiras para inventar. – Eu disse, apoiando o cotovelo na mesa e apoiando meu queixo com as mãos.

Essa questão e muitas outras de astronomia sempre me incomodaram. Eu sou uma pessoa que duvida de tudo e de todos, por assim dizer. Os próprios astrônomos já revelaram que todas aquelas imagens de galáxias, nebulosas, entre outros, foram montagens, feitas a partir de “estudos” feitos.

–Ou talvez eles não mandaram mais ninguém para a Lua porque é muito caro e eles estão concentrando seus estudos em coisas maiores, como achar água em outros planetas. – Rebateu Emily.

–Como você pode ter certeza? Você prevê o futuro, mas não é capaz de controlar todo o cosmos. – Disse Damien.

A esse ponto, Isac já tinha voltado à sua cor normal e prestava atenção silenciosamente à conversa.

–Mas, de certa forma Emily está certa. – Isac a defendeu, fazendo Emi corar.

Damien jogou os braços pro alto em desistência.

–De que lado você está afinal, cara? – Ele bufou e rapidamente pegou uma bebida da bandeja do garçom que passou.

Não sei como, mas a conversa mudou de assunto drasticamente depois disso. Drake começou a falar sobre como as coisas boas acabam rápido.

–E as coisas ruins normalmente duram quase uma vida. Um exemplo são as aulas de matemática. – Acrescentou Collin.

–E é por isso – Falei – que eu sou imortal. – Recebi como resposta muitos olhares confusos, apenas o lerdo do Damien parecia ter entendido, milagrosamente.

Suspirei e expliquei-os.

–Vocês acabaram de dizer que as coisas boas acabam rápido, — disse devagar – e as ruins demoram a acabar. E eu não sou nem um pouco boa, ou seja, eu sou imortal, porque min há vida não vai acabar nunca. – Um sorriso de entendimento percorreu a mesa e, antes que mais alguém pudesse falar mais alguma coisa, Cooper apareceu no palco e nos saudou.

–... E agora gostaria de chamar as vitoriosas, April e Louise. – Nós duas nos levantamos e subimos ao palco, enquanto a ‘platéia’ aplaudia e assoviava. Uma menina apareceu carregando uma almofada com uma adaga de prata. Cooper pegou delicadamente a adaga e se aproximou do microfone. – Louise, nossa querida vilã, te congratulamos pela sua vigésima oitava vitória.

A platéia explodiu em palmas e gritos quando ele me entregou a adaga, que era o prêmio para a vitória dos Jogos. April recebeu um pingente de caveira, que simbolizava o segundo vitorioso, e ela colocou em seu colar e logo depois me abraçou. Cooper se afastou do microfone para me deixar falar e todos se calaram.

–Olá. – comecei – Vocês sabem que eu sou uma pessoa de poucas palavras. Então eu só gostaria de agradecer a vocês, que são minha família e meus amigos... E também meus cúmplices. – Completei com um sorriso sarcástico, o que fez alguns rirem. – Obrigada.

Quase fiquei surda de tantos gritos, palmas e assovios, mas apenas sorri. De repente, todo e qualquer barulho cessou e percebi que todos estavam olhando para um ponto atrás de mim. Ao em virar, deparei com a cara sardenta de uma das minhas maiores inimigas, que estava projetada no telão.

–Oh, isso tudo é muito comovente, Louisey- Ela disse, errando meu nome, como sempre fazia. – Espero não ter estragado sua festinha.

Revirei os olhos.

–Tarde demais, Gwen, estragar é a única coisa que você consegue fazer direito. – Retruquei. Ela cerrou os olhos verdes.

–Não me chame de Gwen. – sibilou. – E só estou aqui para te avisar uma coisa: estamos de volta e vamos te caçar até a Lua, se for preciso.

–Hm, me desculpe, mas ainda não é temporada de caça à Louise. – Eu disse animadamente enquanto ela suspirava exasperada.

–É melhor ter mais cuidado, porque nós estamos por todas as partes. E nós vamos te alcançar.

A tela voltou a ficar preta e todos começaram a falar ao mesmo tempo, alguns confusos, outros assustados, outros animados. Eu bati no microfone e todos ficaram em silêncio.

–Certo, galera, não se preocupem comigo, eu posso tomar conta da cara-de-fuinha sozinha, mas, por enquanto, continuem a aproveitar a festa.

E, como se não tivesse acontecido nada, todos voltaram a agir normalmente e eu e April voltamos para a mesa.

Um pouco mais tarde, música começou a tocar e Damien chamou April para dançar. Isac parecia estar um pouco nervoso e corado, mas eu o incentivei a chamar Emily. Drake chamou uma outra garota e Collin se levantou, me estendendo a mão.

–Me concede esta dança? –Ele perguntou galantemente, com um sorriso sarcástico.

Revirei os olhos e peguei a mão dele, levando-o para a pista de dança. Coloquei um braço em seu ombro enquanto ele segurava minha cintura e pegava minha outra mão. Fomos dando alguns passos calmos e logo já estávamos dançando.

–Você até que não dança mal. – Elogiei e ele lançou um sorriso de canto.

–Muitos anos de treino com vassouras. – Ele deu de ombros, fazendo-me rir.

Collin me olhava atentamente, com um sorriso de lado. Inclinei a cabeça, perguntando-me se havia algo de errado com meu rosto.

–Algum problema? – Perguntei e ele sacudiu a cabeça levemente, como se saísse de um transe.

–Como eu tinha dito antes, você está linda. – Ele falou e lembrei de quando estávamos conversando no começo da festa. Olhei para ele.

–Okay, o que você quer? – Eu havia aprendido que quando uam pessoa elogia demais é porque ela quer alguma coisa.

Ele sorriu mais uma vez e fingiu pensar.

–Que tal um beijo? – Ele fez um biquinho. Revirei os olhos, mas não pude deixar de sorrir.

Tirei meu braço do seu ombro e segurei com força a gola da camisa dele, ficando na ponta dos pés, dei um leve beijo nele, pouco mais que um roçar de lábios. Collin sorriu vitorioso, eu revirei os olhos e voltamos a dançar.


Notas finais
Então, pessoas, vocês gostam dessa fic? A minha amiga está fazendo um fanfic parecida com essa, só que na visão dos heróis e, é claro, vai ter a presença da nossa querida Louise. Sugiro que leiam *u*
Aqui está o link:
http://fanfiction.com.br/historia/380838/Heroes_Vs_Villains
O que acharam desse capítulo?
Beijooos