Contos De Uma Vilã
32 Testando a lei de Murphy e infelizmente comprovando-a
Notas iniciais
P.O.V Sean
Segundo dia de viagem.
Não foi muito diferente do primeiro dia, na verdade. Isac, que tinha dirigido durante a noite, passou a maior parte do tempo dormindo. Nós fizemos joguinhos e charadas de viagem, contamos histórias, Lizzie cantou algumas músicas (ela tinha uma bela voz, por falar nisso), comemos comida industrializada e que não faz muito bem à saúde, etc.
Não tinha dado nem meio-dia direito quando Damien começou a reclamar de fome e tivemos que parar em algum lugar para almoçar. Ter Emily junto de nós foi bem útil, pois ela podia “prever” quais daquelas lanchonetes de beira de estrada eram ruins ou boas para que pudéssemos parar e almoçar.
Depois de comer, voltamos para o carro e a rotina se repetiu, apesar de que, desta vez, eu acabei dormindo. Acordei algum tempo depois com um bigode e uma barba de pasta de dente, que eu nem precisei pensar duas vezes para saber que era April que tinha feito. Como vingança, tirei parte da pasta de dente do meu rosto com a mão e passei no cabelo dela, que gritou comigo e ficou meia hora reclamando do trabalho que daria para tirar aquilo e que estragaria seu cabelo todo. Eu apenas ri, junto com os outros. April logo se esqueceu daquilo quando começamos a jogar Detetive.
Em um dado momento começou a chover, mas não demos muita importância àquilo. No entanto, quando April se ofereceu para dirigir, sua resposta foi um coro de ‘nãos’. Não me entenda mal, eu não tenho nada contra mulheres dirigindo carros. Mas a loucura de April, somada à chuva, era um risco que eu preferia não correr.
–Eu posso dirigir, então? – Lizzie perguntou em seguida, fazendo todos olharmos para ela em dúvida. – Não olhem assim para mim, eu não sou a April.
–Ei! – April protestou, do último banco.
–E vocês estão caindo de cansaço. – Emendou Lizzie. Depois de uma pequena discussão e de estabelecermos condições para a Lizzie (como não andar acima de 100 km/h e não ultrapassar carros a menos que necessário) deixamos ela assumir o volante. April foi a seu lado, embora eu não achasse isso uma boa ideia.
Lizzie dirigia bem. Não como Louise, que era tão louca quanto April, e adorava testar a capacidade do motor e da aceleração. Graças a Deus Elizabeth não tinha puxado esse aspecto da irmã. Suspirei, irritado, porque novamente meus pensamentos estavam me levando à Louise, e aquilo estava ficando muito pouco saudável para a minha mente.
Sentei-me no primeiro banco e me inclinei no espaço que havia ao lado do banco do motorista, onde Lizzie estava.
–Você não dirige nada mal, Elizabeth. – Comentei, tentando puxar assunto.
–Eu quero muito acreditar que isso não é um comentário machista, Sean, porque se for você estará perdendo uns cinquenta pontos comigo. – Pude ver que ela sorria, apesar de seus olhos estarem atentos à estrada.
–Eu juro que não é nem um pouco machista. – Logo me defendi. – É só que eu estou mal acostumado a estar em carros com garotas loucas que dirigem loucamente.
Lizzie riu, e April, que eu tinha esquecido que estava no banco do carona, protestou baixinho, como se quisesse contestar, mas soubesse que era verdade.
–Acho que eu devia te dar um tapa agora, pela Louise. – Lizzie respondeu.
–Nem pense em tirar essas mãos do volante, mocinha. – A voz de Isac, alguns bancos atrás, se fez ouvir.
Em resposta, Lizzie mostrou um sorriso atrevido, me alertando para o que viria em seguida.
Ela tirou as duas mãos do volante ao mesmo tempo, fazendo com que o carro deslizasse abruptamente para os lados, escorregando na estrada molhada da chuva que ainda caía.
Quando retomou o controle do carro, Lizzie foi imediatamente saraivada com uma enxurrada de xingamentos, vindos de Isac (e de Damien, que tinha sido acordado de seu sono profundo). Após resmungar um “Essas D’Evil são todas iguais: você fala pra não fazer e elas vão lá e fazem”, Isac finalmente se calou, acho que mais por causa da bronca que Emily deu nele do que qualquer outra coisa.
Eu gostava muito de Emily, ainda mais quando ela fazia o Isac para de falar asneiras. O que acontecia com certa frequência, devo ressaltar.
–Mas então, Sean... – Lizzie disse depois de um tempo em silêncio. – Sobre o que estávamos falando?
–Sobre você ser uma boa motorista. – Respondi, depois de parar alguns segundos para lembrar.
–Ah, sim. Você também não dirige nada mal. – Ela falou, piscando de maneira zombeteira pelo retrovisor.
–Nada mal? – Me fiz de ofendido – Eu sou um corredor de Fórmula 1, cara Elizabeth.
–Tem certeza? Acho que não, hein. – Ela fez uma careta, provocando, deum pois sorriu. – Você está mais para um cara que lê quadrinhos e assiste filmes de ficção científica.
–Não, esse aí é o Isac.
–Eu estou ouvindo, tá? – Isac protestou do banco de trás.
–Ouvindo o que, Isac? – Lizzie rebateu — As vozes? O que elas estão te dizendo?
Seu tom era irônico, como se ela estivesse falando com uma criancinha.
–Não, Elizabeth, eu posso ouvir vocês falando de mim aí na frente. — Ele acusou.
–Eu não disse nada. – Ela se defendeu. – Foi o Sean.
–Eu estou de olho em vocês dois. – Isac respondeu, com os olhos cerrados. Em resposta, dei de ombros, sorrindo.
–Gente, por que não paramos para comer, o GPS está dizendo que ali na frente tem uma lanchonete. – Emily interrompeu a conversa.
–Que GPS, Emily? – April rebateu, com um sorriso debochado. – A gente não tem nenhum GPS.
Olhei para onde Em estava, ao lado de Isac, e vi que ela ficou vermelha.
–Eu sou o GPS de vocês, pateta. – Ela respondeu, fazendo eu e Elizabeth gargalharmos. – Lizzie, a lanchonete está na próxima entrada.
–Pode deixar, GPS. – Lizzie respondeu, bem-humorada e eu ouvi Em bufar.
–Nem sei por que me dou ao trabalho de usar minha vidência pra isso. – Emily resmungou alto.
–Porque você ama a gente e sabe que sem você ficaríamos perdidos e nunca encontraríamos a Louise. – April falou, com um sorrisinho divertido no rosto.
Lizzie fez como Em tinha indicado e encontramos a lanchonete. Assim que o carro parou, todos saltamos para fora e corremos para aquele paraíso de comida. Vi April tomar café e quis impedi-la porque ela já era bastante hiperativa sem cafeína nas veias, mas quando me aproximei dela sua xícara já estava vazia.
Eu pedi uma caixa de donuts com cobertura de chocolate e recheio de creme e, quando todos resolveram atacá-los eu tive que pedir outra caixa. Depois de todos comerem, voltamos para a van e foi a minha vez de dirigir.
O problema: a estrada estava molhada e a chuva não parava de cair. Na verdade, a ela só piorava a cada segundo. Dificultava bastante, mas não chegava a ser um problema tão grande, pra ser honesto. Porém era bem irritante, ainda mais porque eu tinha que ficar prestando atenção redobrada na estrada e não podia participar muito das conversas dos outros.
Eu gostava bastante de chuva, sempre gostei. Mas não era tão divertido ter que dirigir na chuva quando você quer chegar logo em um lugar.
E, só porque a lei de Murphy diz que deve ser assim, tudo piorou.
Primeiro havia apenas uma fileira de carros parados. Eu imaginei que fosse um acidente que tivesse acontecido, mas, depois de 20 minutos parado, a impaciência me fez imaginar se não seria outra coisa.
Como estava chovendo, ninguém se atrevia a sair dos carros, então não tinha como eu perguntar. Até que a corajosa April bufou, irritada, e saiu do carro reclamando que não se faziam mais homens como antigamente. Eu a vi desaparecer alguns carros a frente, abraçando a si mesma para se proteger contra o frio. Quando comecei a ficar preocupado a ponto de quase sair do carro também, uma April ensopada apareceu correndo e entrou no carro, contando o que havia acontecido.
Tinha uma árvore no meio da estrada. No meio da estrada tinha uma árvore. Não, não apenas uma, mas três árvores, grandes árvores, caídas no meio do caminho, bloqueando as duas vias da estrada. Nenhum carro podia ir nem vir, porque elas formavam uma grande barreira natural.
–E agora? – Lizzie perguntou, porque sempre alguém tinha que perguntar isso.
Agarrada a uma toalha que eu sequer imaginava de onde fora tirada, April suspirou e respondeu:
–Agora a gente arranja um lugar para passar a noite que não seja essa van.
–Ou a gente pode esperar até o socorro vir tirar essa árvore. – Sugeriu Damien. Eu iria sugerir a mesma coisa, mas April balançou a cabeça, negando.
–Os reforços só vão vir amanhã de manhã. – Ela disse, secando os cabelos.
Cerrei os punhos, frustrado. Aquele era o tipo de coisa que eu não podia controlar, e coisas fora do meu controle eram as coisas que mais me frustravam.
No entanto, não seria muito inteligente descontar a raiva que me corroía por dentro naquele momento. Além disso, eu precisaria dela depois, portanto respirei fundo.
–Qual é o melhor hotel mais próximo daqui? – Perguntei a Emily, que fechou os olhos por um instante antes de dar as coordenadas para o local. Dei meia-volta e fui para onde ela indicou.
O “hotel” não era grande coisa, mas felizmente não era também uma espelunca imunda prestes a desabar. Era quase isso.
Os quartos foram divididos entre garotos e garotas, portanto eu e Damien ficamos em um, Lizzie e April em outro, e Emily e Isac ficaram juntos em um outro quarto, com ordens expressas de “não se excederem” – palavras de April.
Aproveitando que estávamos em um lugar espaçoso e que não se movia, convoquei todos para o meu quarto para revisarmos o plano que Damien chamava de “Sequestrando a sequestrada”, e acabamos pedindo comida no quarto e jantando por ali mesmo. Já era começo da madrugada quando todos foram dormir.
Assim iniciou-se o terceiro dia.
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P.O.V Ayesha
Desde que Louise havia ido embora forçadamente, nada de muito interessante acontecera. Era meu dia sem experimentos e minhas opções de coisas para fazer eram nada ou nada.
E eu estava me saindo muito bem na árdua tarefa de fazer nada. Acho que poderia até ganhar um prêmio por isso. Mas, para minha sorte, a calma foi perturbada. Ouvi uma agitação no corredor do lado de fora da cela e imediatamente me levantei e fui ver o que estava acontecendo. (entenda este “imediatamente” como algo não tão imediato, já que eu, na minha afobação, acabei tropeçando em meus próprios pés)
Observei através da grade alguns homens passarem correndo pelo corredor discutindo entre si, quase aos berros. Não consegui entender uma palavra, mas eles pareciam estar preocupados.
Voltei para o interior da cela, uma vez que o barulho e a correria tinham cessado. Eu imaginava que aquela teria sido a parte mais empolgante do meu dia, mas alguns minutos depois outro grupo passou e, desta vez, eu pude distinguir duas palavras: tinta azul. A não ser que eles estivessem pintando as paredes (o que eu apoiava, porque aquelas paredes brancas davam dor de cabeça) eu não conseguia imaginar muitos usos para uma tinta azul. Claro, existia a possibilidade de eles estarem participando de uma partida de paintball, o que parecia mais provável do que pintar as paredes, pelo menos.
E, novamente, eu me encontrava fazendo nada no meio da cela. Eu podia ter pedido a eles que me dessem uma daquelas bolinhas de borracha que quicam para todos os lados, para não ficar tão entediada, mas, de qualquer forma, eles provavelmente ignorariam meu pedido.
Resolvi então tentar dormir (mais), apesar de eu ter passado quase metade da minha tarde dormindo. Sono e sonhos nunca eram demais para mim, ainda mais quando eu podia bater repetidas vezes naquele rosto bonito de Benjamin nos meus sonhos.
Contudo, logo que meus olhos se fecharam, a porta da minha cela foi aberta com um estrondo, me assustando. Benjamin e dois homens corpulentos entraram, com armas apontadas para mim, e expressões nem um pouco amigáveis.
–Onde está a Louise? – Benjamin perguntou com sua calma debochada de sempre.
–E eu que sei? – Retruquei de uma maneira pouco convincente com minha voz eternamente rouca. – Por aqui ela não está.
Olhei para um ponto atrás desses homens e fiz gestos pouco sutis, fingindo que estava gesticulando para uma pessoa atrás deles. Imediatamente, eles se viraram e se depararam com um corredor vazio.
Ao olhar de volta para mim, Benjamin parecia estar ainda mais sério que de costume.
–Eu não estou brincando, Ayesha, é melhor você dizer.
Até aquele momento eu estava sorrindo com escárnio, mas quando Benjamin falou aquilo, daquela maneira, eu fechei a cara.
–Eu também não estou mais brincando. Eu não sei onde ela está. Já tentaram procurar na cela dela? – Falei, sem querer deixando transparecer um pouco de sarcasmo.
Os brutamontes avançaram, e por um momento pensei que eles fossem atirar em mim ou me espancar até eu ficar inconsciente, mas Benjamin os impediu, cerrando os olhos para mim.
–Realmente espero que você não esteja envolvida nisso, Ayesha, você sabe quais são as consequências. – Ele respondeu, mandando os seus guardinhas buscarem Louise em outras celas.
–Claro, chefe. – Rebati, fazendo continência sarcasticamente enquanto ele também saia da minha cela.
Amaldiçoei Louise, porque ela estava se divertindo sem mim e eu realmente queria dar o fora dali, porque estava morrendo de tédio enquanto ela aprontava com Benjamin e os guardas.
E então toda a correria no corredor naquela tarde fez sentido, até mesmo a parte da tinta azul. Por que tudo sem sentido sempre faz sentido quando relacionado com a Louise. E, se ela estava envolvida nisso, significava que os guardas estavam em maus lençóis. E também significava que, se ela estava fugindo, ela não iria me deixar para trás. Essa não era uma esperança minha, mas sim uma certeza. Ela não fugiria sem mim. Nunca.
Não muito tempo depois, quando eu decidi andar pela cela para exercitar um pouco as pernas, um papelzinho passou por debaixo da porta. Ouvi passos apressados se afastando e fui em direção ao papel.
Era um papel higiênico e ele estava todo furado com pontinhos pequenos que formavam letras, que por sua vez formavam palavras.
E as palavras ali escritas eram:
3 dias. Esteja pronta.
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P.O.V Louise
Quando eu voltei para minha cela toda pintada de azul eu esperava encontrar os guardas de Benjamin, mas, na verdade, tive que esperar um bom tempo para que eles aparecessem. Tive que esperar tanto tempo que acabei dormindo.
Fui acordada com o som da porta de metal da minha cela se abrindo com um estrondo, e meus olhos mal estavam abertos quando Benjamin entrou, seguido de seus capangas.
Ele observou o quarto todo pintado com as sobrancelhas erguidas, como se estivesse impressionado, e depois dirigiu seu olhar a mim.
–Por onde você andou? – Perguntou, direto.
Sentei-me, e me espreguicei.
–Por todo o quarto. – Sorri, gesticulando amplamente para o espaço ao meu redor.
Benjamin revirou os olhos, mas logo entrou no meu joguinho.
–Ele ficou bem interessante, por falar nisso. – Respondeu sarcasticamente, se aproximando.
–Obrigada. Eu sou uma artista nata, como pode ver.
Ele assentiu do modo mais irônico possível.
–Claro, mas agora me diga... Além do quarto, em quais lugares você esteve hoje?
–Ah, eu estive em todos os lugares. – Falei, analisando as unhas como se fizesse pouco caso da pergunta. – E você?
–Poderia ser mais específica? – Ele insistiu, sem responder minha pergunta.
–Sei lá, Benjamin. – Suspirei exasperadamente. – Por que você não pergunta isso para suas câmeras de segurança?
–Porque elas não falam, docinho, então elas não vão ser capazes de me responder.
Sorri, porque ele parecia irritado e sua irritação me divertia.
–Sinto muito então, não posso te ajudar. – Torci o canto da boca, dando de ombros. – Afinal, esse não é um argumento válido, meu amigo. – Citei as palavras que ele mesmo tinha dito para seu pai na pequena discussão sobre os experimentos que eu presenciara.
Vi um brilho de reconhecimento no olhar de Benjamin, mas ele continuou fingindo que era o Ben de sempre. Ele suspirou pesadamente, massageando as têmporas de olhos fechados, indicando o quão irritado estava.
–Certo, então nada de comida para você amanhã. – Ele enfim falou, repetindo a ordem para os guardas depois. Eu abri a boca para protestar, mas antes que eu pudesse Benjamin se virou e saiu, e os guardas fecharam a porta e tudo ficou em silêncio.
Fuzilei a porta por alguns minutos, me perguntando se revelar que eu sabia da sua segunda face tinha sido uma boa ideia, mas acabei não chegando a conclusão alguma. Porque o infeliz era um ator digno de Oscar, e eu não conseguia saber se o verdadeiro Benjamin era aquele que eu via quase todo os dias, ou aquele que tinha tido a discussão com o próprio pai sobre os experimentos.
Depois de um tempo quebrando a cabeça sobre esse assunto, eu desisti e resolvi ir dormir, porque já que eu não teria comida amanhã era melhor eu salvar as energias com o sono.
Antes que eu deitasse, porém, uma agitação do lado de fora da cela me chamou atenção e, quando fui lá para ver o que era, um pedaço de papel deslizou por baixo da porta. Aproximei-me devagar e peguei, mantendo-o longe do rosto por precaução – vai que tem um daqueles venenos ou soníferos que te desacordam ao serem inalados?
O papel estava escrito com palavras feitas de furinhos feitos no mesmo. Ele era tão fino que até me surpreendi por não ter rasgado com tantos furos.
De qualquer jeito, a frase dizia:
3 dias. Esteja pronta.
Li a frase e imediatamente pensei que Ayesha tinha me mandado aquilo. Eu estava quase certa disso, mas uma pequena parte do meu cérebro insistia em acreditar que Benjamin havia feito aquilo. Mas minhas incertezas sobre Benjamin falaram mais alto e eu acabei ficando mais confusa do que já estava.
O que aquilo significava afinal? Era pra eu estar pronta em três dias, óbvio, mas pronta pra que? Uma fuga? Um experimento diferente? Eu não fazia ideia.
Frustrada por não saber as respostas – algo que sempre odiei, escondi o papel em minhas roupas e me deitei em meu colchão azul, esperando que o sono viesse logo.
Mas o sono não veio e eu comecei a ser atormentada sobre aquele recado. Ele podia significar qualquer coisa, inclusive minha morte. Eu não tinha medo de morrer, na verdade, mas a ideia de que isso ocorresse me fazia lembrar de Sean, de Lizzie e das outras pessoas que estavam sempre ao meu lado. Principalmente Sean.
E, quanto mais eu pensava em Sean, nas suas piadas e apelidos idiotas, mais minha mente se desligava e, aos poucos, eu fui caindo no sono. Já não me importava com o que iria acontecer em três dias, até lá eu teria muito o que pensar. E eu pensaria em uma maneira de fugir.
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