Contos De Uma Vilã
34 Sequestrando a Sequestrada
Notas iniciais
NYAH PARA DE ENGOLIR MINHAS NOTAS AFF
Continuação das notas iniciais:
Não me odeiem por favor porque eu amo vocês ♥ ♥ ♥ só pra provar o meu amor: saibam que eu estou aqui, agora, postando, sendo que eu devia estar jantando ou dormindo, porque eu amo muito vocês e queria postar o capítulo pelo menos hoje
enfim, aqui vai o PENÚLTIMO CAPÍTULOOoOoOoOoOw T-T #xoremos
Preparem seus coraçõezinhos para o próximo
P.S.: quem não deixou recomendação ainda, pode aproveitar a deixa kk P.S.2: Espero que gostem, porque eu tava inspirada kkkk pelo menos eu acho que tava '-'
Arrivederci
P.O.V Louise
Eu achava que não conseguiria dormir, por causa da minha ansiedade quanto ao terceiro dia. No entanto, sequer precisei contar carneirinhos quando fechei os olhos. O sono veio e, com ele, sonhos (pesadelos, na verdade).
Não lembro a maioria deles, mas um ficou marcado em minha mente. Nele, Benjamin entrava na minha cela triunfante, carregando uma Ayesha semiconsciente e parecendo muito machucada, e ele a colocava na minha frente e me obrigava a bater nela. Eu não batia, é claro, mas então ele ordenava que um de seus brutamontes o fizesse. Eu tentava me mexer, gritar com Ben ou fazer qualquer coisa para ajudar Ayesha, mas em vez disso o único comando que meu corpo aceitava receber era bater nela, ou ficar parado. Benjamin se divertia com isso e, quando Ayesha já parecia não mais aguentar nem um sopro, ele vinha até mim, segurava meu rosto para que eu o encarasse e dizia, com um tom de escárnio assombroso: “E você pensando que eu a tiraria daqui... É uma pena ter que desiludi-la, meu bem”.
E então acabava.
Perturbador, eu sei. Quando um funcionário chegou para trazer o café da manhã, eu quase o ataquei, de tão transtornada que estava.
Por um instante fiquei com medo de Benjamin. Não pelo que ele poderia fazer comigo, mas com as pessoas com quem eu me importava. Se Sean, Lizzie, Isac e os outros estivessem vindo atrás de mim, o que é com certeza o que fariam, eles poderiam acabar feridos. E eu não queria isso de modo algum.
Mas então percebi que meu medo de Benjamin era meio irracional. Lembrei da discussão que ele teve com o pai, que ele ia contra tudo aquilo, e repeti várias vezes “Esse é o Benjamin verdadeiro, não o do seu sonho”.
Cansada de estar pensando e me preocupando com as mesmas coisas de sempre, me levantei e comecei a fazer alguns exercícios, logo percebendo que eu estava fora de forma.
Quando Ben chegou, eu já estava coberta de suor e jogada no chão, tentando respirar direito.
–Se preparando para algum evento em especial? – Benjamin perguntou, com seu tom divertido. Pude perceber algo implícito nas suas palavras, o que ao mesmo tempo causou um calafrio e despertou uma enorme ansiedade em mim.
–Sim, mas temo que esteja atrasada. – Falei, entrando no jogo dele — Eu devia ter começado minha preparação há três dias atrás.
Sorri divertida quando percebi que ele estava prestes a falar algo impulsivo que provavelmente o denunciaria. Ele fechou a boca antes que as palavras saíssem e apenas lançou-me um olhar duro de “Eu te avisei pra se preparar”. Dei de ombros em resposta, contente porque as imagens do Benjamin louco do meu sonho estavam se dissipando e sendo substituídas pela imagem do Benjamin que agora estava a minha frente.
–O que quer que seja, espero que sua preparação não tenha te esgotado, porque temos uma surpresinha para você. – Benjamin sorriu maliciosamente, de uma maneira que não me agradava nem um pouco. Estremeci, mas fiquei em silêncio esperando ele dizer algo mais. Eu esperava que a “surpresinha” não fosse um experimento, porque se fosse eu iria mata-lo. Lenta. E. Dolorosamente.
Isso devia ter ficado estampado em meu rosto, porque Benjamin recuou. Ele não disse nada, mas fez um sinal para que eu me levantasse e eu o fiz, a contragosto.
–É melhor que valha a pena. – Rosnei quando me aproximei. Ben pigarreou, incomodado, e me guiou para fora da cela. Pelo jeito, não valeria.
Logo que saímos para o corredor me surpreendi porque não havia nenhum brutamonte nos acompanhando, o que fez um pingo de esperança surgir. Eu me sentia tão ávida para sair daquele lugar, eu queria sentir o sol de verdade na minha pele, já estava cansada daquela iluminação artificial que doía meus olhos.
Olhei para Benjamin de soslaio. Seus ombros me pareceram um pouco tensos, mas eu não saberia dizer qual era o motivo. Também estava cansada de matutar sobre significados subliminares e pessoas misteriosas.
Segui Benjamin entre os corredores intermináveis, percebendo que havia mais gente que o de costume por aí. Geralmente, o máximo que encontrávamos eram alguns guardas que acompanhavam uma ou outra pessoa. Desta vez, no entanto, chegávamos a ter um pouco de dificuldade para nos locomovermos em alguns corredores mais estreitos. Aquela lotação toda me confundia. Na verdade, desde que eu cheguei no DEC tudo me confundia.
–O que está acontecendo? – Perguntei, incapaz de conter minha curiosidade, enquanto passávamos por um cara pouco mais velho que eu, que tentava lutar contra os brutamontes que o acompanhavam.
Ben me olhou por um segundo, ponderando se dizia ou não, e continuou andando.
–Parece que alguém ficou muito próximo de escapar daqui, então estamos mudando algumas coisas para evitar que realmente consigam fugir. – Suas palavras eram preocupadas, mas quando olhei em seus olhos, pude notar um brilho de cumplicidade.
–Ah. – Respondi, sem saber o que dizer. – Quem foi o ser quase bem-sucedido?
Benjamin demorou um pouco para responder.
–Ayesha. – declarou, sem olhar nos meus olhos.
–Que? – Parei de andar imediatamente. – E o que vocês fizeram com ela? Benjamin!
Essa última exclamação se devia ao fato de que Ben não tinha parado de andar e eu tive que dar uma corridinha para voltar a acompanha-lo.
–Benjamin. – Me coloquei à sua frente, porque já estava ficando irritada pela sua falta de colaboração.
Ele parou, suspirando pesadamente.
–Eu não sei o que fizeram com ela. Um dos funcionários foi quem me contou tudo.
Estreitei meus olhos, encarando-o. Eu não conseguia acreditar muito no que ele dizia. Além disso, Ayesha não faria uma estupidez como essa. Não era do feitio dela agir impulsivamente. Balancei a cabeça, demonstrando claramente que achava aquilo um absurdo, mas mesmo assim voltei ao lado de Benjamin e enfim seguimos em frente.
–Espera. – Parei novamente alguns passos depois. – Acham que eu estou envolvida nisso também? – Perguntei, aflita com as repercussões que aquela suposição podia gerar. Eu esperava pelo menos poder ver Ayesha.
–Essa é uma ideia que não pode ser descartada, mas até agora não houve nenhuma acusação direta contra você. – Benjamin falou, parecendo um advogado, o que me fez soltar uma risadinha. Ele continuou: — E as câmeras não revelaram nada demais também.
Ah. Percebi o aviso em suas últimas palavras e imediatamente fiquei alerta. Aparentemente, eu devia ficar atenta às câmeras e ser o mais cuidadosa possível. Acenei com a cabeça discretamente para Benjamin, mostrando que havia entendido. Se ele viu, não demonstrou.
Voltamos a andar.
–Onde a encontraram? – perguntei, em busca de informações.
Ben demorou um pouco para responder.
–No segundo andar. Ela estava usando uma escada pouco utilizada por nós e quase alcançou o primeiro andar, mas... – Ele se interrompeu, deixando me deduzir o resto.
–E quantos andares existem aqui?
–Estamos no quinto andar. – Ele falou, mecanicamente.
–Quais outras saídas Ayesha poderia ter usado? – Tentei não soar tão interessada para que eu pudesse continuar arrancando respostas dele sem que percebesse – Quer dizer, você disse que ela foi pela escada menos usada, então deve ter uma que vocês usam no dia-a-dia, não é?
–É. Tem ainda mais duas escadas, um elevador e as escadas de incêndio, sem contar com... – Ele parou abruptamente, notando que estava falando demais.
Fiquei um pouco irritada porque não tinha tantas respostas quanto eu queria, mas pelo menos tinha alguma coisa. Mais tarde eu tentaria novamente, tentando ser um pouco mais sutil.
Andamos por mais alguns minutos em silêncio, que foi quebrado quando uma garota descabelada e alguns anos mais velha que eu, surgiu do nada e agarrou meu tornozelo, me fazendo cair. Ela berrava e me arrastava enquanto os guardas a puxavam. Um dos brutamontes nos separou, para meu alívio. Mas então ele chutou sua cabeça, que bateu no chão com um ruído desagradável, o que imediatamente transformou o alívio em horror.
O lugar onde antes ela tinha segurado latejava e estava bem vermelho, mas eu apenas ignorei isso e continuei seguindo Benjamin, logo me afastando daquela cena.
–Tudo bem? – Perguntou Ben, com um leve franzir de cenho que me fez perceber que ele estava minimamente preocupado.
Apenas resmunguei de volta, assentindo.
Então voltamos ao silêncio.
À medida que andávamos, percebi que os corredores ficavam mais vazios e mais desconhecidos para mim. Me perguntei onde ele estaria me levando, com uma leve pontada de medo no estômago.
Até que chegamos a um corredor aparentemente sem saída e Benjamin me empurrou em direção a uma parede, que se abriu para dentro, como uma passagem secreta.
Entrei e a primeira coisa que eu identifiquei foi uma Ayesha semiconsciente estirada no chão. Corri até ela, checando se estava machucada, mas a única coisa que vi foi um galo em sua têmpora.
Ouvi a passagem se fechar e olhei em volta, percebendo que aquilo era como um quarto de manutenção, com vários utensílios espalhados por prateleiras nas paredes e por alguns armários pequenos.
–Eu não queria ter machucado ela. – Benjamin falou – Mas ela me atacou.
Demorei para processar suas palavras.
–Você não disse que não sabia para onde a tinham levado? – Questionei, sem conter o tom acusatório na minha voz.
–Eu minto. – Ben sorriu sarcástico. – E, além do mais, dizer que ela estava comigo era arriscado demais, eu podia ser pego pelas câmeras.
–Então quem foi que fugiu, se é que fugiu alguém?
Benjamin deu de ombros.
–Um cara aí.
Suspirei, aliviada por saber que não havia sido Ayesha.
Ouvi um murmúrio e me voltei para ela, que estava tentando se sentar, mas não parecia estar tendo muito sucesso nisso.
Ajudei-a, percebendo que ela parecia um pouco mais acordada. Ao ver Benjamin, sua primeira reação foi tentar ir para cima dele. O que eu impedi, é claro.
–Ayesha, calma! Deixa ele se explicar primeiro, por favor. – Falei, empurrando-a para longe de Ben, esperando que ele dissesse que estava nos ajudando a fugir, e não que nos deixaria trancadas lá para sempre.
Ben pigarreou.
–Eu não concordo com o que o meu tio, que é um dos fundadores e dirige esse lugar, faz. Ele me criou desde que eu era criança, porque meu pai morreu e minha mãe desapareceu, e essa é uma das únicas razões para eu trabalhar aqui, e também por causa das chantagens dele, mas isso não vem ao caso. – Ele inspirou devagar e expirou, continuando. – Enfim, desde que entrei eu tenho arranjado contatos e juntado várias pessoas que trabalham aqui que pensam da mesma forma que eu e nós temos nos organizado para acabar com a empresa. Vocês foram meio que o estopim, e hoje mesmo vamos dar um fim ao DEC.
As palavras de Benjamin me fizeram sorrir, eu estava louca para me livrar de uma vez por todas desse lugar odioso. Ayesha parecia atônita, mas vi que parte da tensão em seus ombros tinha desaparecido.
–Mas espera, então foi você que mandou o bilhete. – Ayesha falou. Não era uma pergunta. – E a Louise já parecia saber de tudo... Vocês estavam conspirando esse tempo todo e nem me disseram nada!
Ela bateu o pé, irritada, e eu dei um sorriso sem graça em reposta, encolhendo os ombros. Ben riu, o que era de se esperar.
–Vamos, então. – Ele sentenciou, abrindo a passagem novamente. – Me sigam como se eu estivesse levando vocês para suas novas celas.
Eu e Ayesha obedecemos, saindo daquele lugar e indo atrás de Ben. Não andamos muito e logo dois guardas se juntaram a nós. Por um momento eu fiquei em estado de alerta, mas Ben acenou com a cabeça para eles e para nós, indicando que estavam do nosso lado.
De repente, um som alto e irritante começou a soar pelo lugar, sendo seguido por luzes vermelhas que não paravam de piscar nem por um segundo.
Benjamin parou e franziu o cenho, parecendo confuso.
–Por que esse alarme está tocando? – Ayesha deu voz ao meu pensamento – Isso é parte do plano?
Acho que até ela sabia a resposta, mesmo antes de Ben responder.
–Não. É o alarme de invasores. Isso não faz sentido... – Ele respondeu, murmurando quase que para si mesmo, olhando em volta e seguindo em frente, sem esperar que o acompanhássemos.
Eu e Ayesha tivemos que dar uma corridinha para chegar até ele, que apesar disso continuou andando em um ritmo acelerado.
Meus ouvidos se acostumaram com o som gritante do alarme mais rápido do que eu imaginava, mas as luzes piscantes ainda perturbavam meus olhos.
Chegamos ao que parecia ser o corredor principal, que tinha se tornado palco de um caos inimaginável. Com tanta gente correndo, se batendo e gritando, aquilo parecia uma guerra. O número de brutamontes era quase o triplo do de pessoas, mas mesmo assim eles não conseguiam contê-las. Eu me senti em um hospício.
Abrimos caminho com dificuldade entre as pessoas, sendo empurrados diversas vezes. Ayesha quase caiu na minha frente, mas eu a segurei a tempo.
Atravessamos aquela multidão lentamente, mas enfim chegamos ao final. Esse que era, convenientemente, próximo a uma escada. Um dos guardas que nos acompanhavam foi a frente, descendo os degraus e checando a área antes que o seguíssemos, e o outro foi atrás, para proteger a retaguarda.
Descemos, passando direto pelo quarto andar, sem sequer parar. No entanto, pouco depois ouvimos gente subindo e tivemos que sair para o terceiro andar. Esse estava um pouco menos caótico, porque era onde ficavam a maioria das salas de experimentos, portanto não tinha tanta gente. Porém, as pessoas ali estavam usando os instrumentos que encontravam nas salas como arma, o que era assustador.
Ben falou para não chamarmos atenção e então nos esgueiramos pelo andar, indo até o elevador. Não era a melhor maneira de se fugir de algum lugar, contudo em meio àquele caos não havia muitas opções disponíveis.
Nos entulhamos às pressas dentro do elevador pequeno, que infelizmente parou no segundo andar, fazendo-nos soltar resmungos frustrados. Saímos o mais rápido possível, esbarrando em pessoas confusas que não puderam nem pensar em nos deter.
No segundo andar o caos era o mesmo. Começamos a abrir caminho como havíamos feito antes, mas, antes que déssemos mais que três passos, Benjamin foi derrubado. Uma garota havia pulado nele e os dois se engalfinharam no chão, lutando.
Logo reconheci a garota. Era Lizzie. Fiquei estática, surpresa por ela estar ali. Ela devia ser um dos invasores que ativou o alarme, então.
Voltei à realidade quando percebi que ela estava quase matando Benjamin sufocado, então me pus entre os dois para separá-los. Foi difícil, eles pareciam estar grudados com cola, mas um dos guardas me ajudou e conseguimos tirar Lizzie de cima de Ben, que se sentou arquejando.
Lizzie protestou e xingou, estapeando o guarda que a segurava.
Me aproximei e segurei seu queixo, obrigando-a a olhar para mim. Quando o fez, os olhos de Elizabeth pareceram brilhar ela parou de lutar, se soltando do guarda com afobação e me abraçando em seguida.
–Louise! – Foi a única coisa que ela disse, que foi abafada pelo meu cabelo. Quando nos afastamos, notei que o brilho que eu vira antes nos seus olhos deviam ser lágrimas, porque uma teimosa escorreu pelo seu rosto.
–Senti saudades também – Falei, sorrindo.
O sorriso morreu no meu rosto quando lembrei de Benjamin caído no chão. Procurei-o onde o vira pela última vez, mas na verdade ele já havia se levantado e estava próximo a um dos seus guardas e de Ayesha, e eles observavam.
–Essa é a minha irmã – apresentei, achando aquela cena engraçada no meio daquela confusão toda. – A invasora que acionou o alarme. Elizabeth, esse é o Benjamin, a Ayesha e os guradas, e eles estão comigo. Não os ataque, por favor.
Lizzie resmungou algo incompreensível, depois pulou, dando uma olhada ao redor como se procurasse alguém.
–Eu não sou a única invasora. Tenho que avisar aos outros que achei você. – Ela falou, erguendo um pouco o pescoço para poder ter uma visão melhor.
Os outros? Meu coração parou por um momento. Isso significava que Sean também devia estar lá. Essa possibilidade fez com que eu me animasse.
–Ben, vamos em frente. Lizzie, venha, vamos achar eles. – Eu disse, quase tropeçando em alguém quando voltei a andar. Benjamin logo tomou a dianteira, nos guiando novamente.
Como Elizabeth, comecei a procurar “os outros” ao redor.
Não demorei muito para identificar uma conhecida cabeleira ruiva que pertencia à menina mais louca que conheço.
–April! – Chamei. Ela se virou rapidamente e vi seu sorriso aumentar quando me reconheceu. Ela logo veio a nós, pulando em mim e quase me levando ao chão, como sempre. Mais apresentações foram feitas. Tanto Benjamin quanto Ayesha pareciam divertidos com April e com suas doideiras.
Mais à frente, quase no final da multidão enlouquecida, encontramos Damien, que me envolveu em um abraço de urso também.
Eu estava muito animada por encontrar todos eles, mas não conseguia deixar de ansiar por encontrar Sean.
Meu coração apertou quando chegamos à escada sem encontrá-lo. Com a esperança de que ele estivesse no primeiro andar, descemos.
Ali a situação era pior que em qualquer outro andar, porque, já que era a saída, a segurança estava reforçada. Bem reforçada. Vi o homem que eu achava ser o pai de Benjamin – mas que na verdade era o tio — no canto, gritando para os brutamontes. Eles tinham armas de fogo, mas pareciam hesitar ao empunhá-las. Aparentemente, as pessoas eram bastante preciosas para os experimentos.
Ben logo viu seu tio, e pareceu pensar por um instante antes de sair correndo até ele. Os dois guardas que nos acompanhavam seguiram-no e, quando começamos a fazer o mesmo, Ben olhou para trás e gritou.
–Não, Louise, Ayesha, fujam! Vão embora logo, deixem que eu resolva isso. – Ele bradou, apontando a porta, que naquele momento estava livre. – Desculpa por tudo. Foi bom conhecer vocês. – Ele terminou, acenando em despedida, e se virou, se aproximando do tio por trás.
–Vamos aproveitar que agora estão focados em Ben. – Ayesha falou, gesticulando para que a acompanhássemos e apressando-se para a saída.
Antes de ir, dei uma última olhada em volta, tentando encontrar Sean. Lizzie não tinha dito que ele tinha vindo junto, mas isso era óbvio, não precisava ser dito. Onde ele estaria então?
Suspirei quando não o vi, e me encaminhei junto aos outros para a saída.
No entanto, após alguns passos, uma mão agarrou meu pulso. Eu estava pronta para me virar e bater na cara de quem quer que fosse, mas uma voz no meu ouvido me impediu.
–Indo embora sem mim, Louisiana?
Me virei imediatamente, dando de cara com o sorriso adoravelmente sarcástico e característico de Sean. Meu sorriso se abriu, eu podia jurar que ele ia rasgar minha cara, e eu enfim o abracei. Sean retribuiu, e eu quase fui esmagada de tão forte que ele me apertava.
Sean se afastou um pouco e ergueu meu queixo, aproximando meu rosto do dele. Beijei seus lábios com saudade, e ele retribuiu na mesma intensidade, me fazendo sentir abobalhada e feliz.
Um som de tiro cortou o ar, me tirando da agradável bolha em que Sean e eu estávamos. Ele interrompeu o beijo, pegando minha mão.
–Vamos. Terminamos isso em casa. – Não pude deixar de notar a malícia em sua voz quando ele me puxou e começamos a correr até a saída, até a liberdade.
Quando finalmente atravessamos as portas que me prendiam até então, eu sorri, sentindo o sol de fim de tarde na pele.
Logo em frente à saída havia uma van, com Isac e Emily na frente. Acenei para eles e entrei no banco de trás, junto com Sean e os outros, que já estavam lá.
Minhas pernas doíam e eu estava extremamente cansada. Não demorou muito para que eu caísse no sono, apoiada em Sean.
Antes de apagar, eu sorri satisfeita.
A fuga havia sido um sucesso.
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