Contos De Uma Vilã

22 A trágica história de como fiquei sem sorvete


Notas iniciais
Er... oi, marshmallows ~desvia de um ovo que alguém atirou~ Ai em souri, oquei? (leia-se: I am sorry, okay?, para os que não entenderam) Oquei. Eu até deixo vocês me odiarem, só não me matem, tá? Senão vocês vão ficar sem o resto da fic... E, como o último capítulo foi, como muitos disseram, "o melhor da fanfic", esse aqui não está grande coisa, porque não dá para ter dois capítulos perfeitos seguidos, isso está além da minha capacidade. T-T Eu consegui fazer esse cap. maiorzinho, no entanto, e acabou que tem 3 mil e poucas palavras... espero que se consolem com isso. Au revoir marshmallows

A primeira fase do Plano Cara-de-fuinha, meu apelido carinhoso para a Gwen, consistia basicamente em construir provas. Essa parte eu deixei com Harvey, já que era ele quem lidava com essas coisas, e Bianca, porque ela é uma stalker, então ela faria coisas de stalker. Mas, só para resumir, Harvey deveria inventar fatos que incriminassem a Gwendolyn, tais como digitais no vidro onde a joia era guardada, vídeos falsos dela andando furtivamente pelo shopping à noite, e outras coisas do tipo. Ah, ele também iria subornar algumas pessoas para que servissem como testemunhas (Ayesha quis participar dessa parte, porque ela é bastante persuasiva).

A segunda fase era menos trabalhosa: Kate só precisava fazer com que Gwen estivesse no local certo e na hora certa para a execução do plano. Ela teria que convencê-la a ir ao Shopping Belmore e, em determinado momento, passar por um dos seguranças. Simples.

A terceira fase era dar um jeito de colocar a joia na bolsa de Gwen, sem que ela percebesse. Sean havia sugerido que Kate 'pegasse emprestado' uma bolsa qualquer da cara-de-fuinha e a usasse para ir ao Shopping. De acordo com ela, Gwen e ela sempre compartilham seus pertences, então ela não iria estranhar que Kate estivesse com sua bolsa. O colar estaria dentro da bolsa que Kate carregaria e, quando fosse a hora, ela pediria para Gwen segurar a bolsa enquanto nós faríamos o resto.

A quarta fase era escolher nosso querido segurança que iria flagrá-la com a joia. Essa fase também requeria um pouco de planejamento, pois era onde decidiríamos as maneiras de fazer Gwendolyn estar próxima o suficiente do segurança, para que ele visse tudo, mas, ao mesmo tempo, longe o suficiente para que não parecesse planejado.

A quinta fase era apenas fazer acontecer, e isso nós teríamos que esperar.

Eu estava revisando mentalmente algumas partes do plano, sentada na grama, enquanto observava a movimentação dos vilões por entre os prédios do Instituto.

–Ei, Devynnia. — A voz irritantemente sexy de Sean interrompeu minha linha de raciocínio.

Me obriguei a levantar meu olhar e encará-lo mortalmente. Em resposta, ele apenas sorriu de lado e se sentou ao meu lado, passando um braço pela minha cintura.

–Você já sabe o que eu digo sobre me chamar de Devynnia. — Resmunguei, emburrada.

–Tudo bem. — Ele cedeu. — Vou te chamar de docinho, então.

Ai, Deus, o que eu fiz para merecer isso?

Não respondi, limitei-me a olhá-lo de olhos cerrados.

–Nossa, Dev, quem te acordou cedo hoje para você estar estressada dessa maneira? — Sean adquiriu uma postura defensiva, mas sem desfazer o sorriso.

Ele me conhecia bem o suficiente para saber que eu normalmente ficava de mau-humor durante o dia inteiro quando me acordavam cedo.

–Miki. — Respondi. — E Isabela. Elas ficaram pulando na minha cama, dizendo que se eu não acordasse eu não poderia comer torrada com nutella no café da manhã.

Sean riu. Eu não sei o que havia de engraçado naquilo. Tipo, elas tinham ameaçado tirar minha amada nutella de mim.

–Eu posso te ajudar a melhorar seu humor. — Ele disse, malicioso como sempre.

Fingi não detectar as segundas intenções implícitas na frase.

–Duvido. — O desafiei com um sorriso petulante. Sean ergueu as sobrancelhas e depois deu um sorrisinho. Ah, aquilo iria ficar interessante.

–O que eu ganho se eu conseguir fazer você sorrir de verdade pelo menos 10 vezes até o fim do dia?- Ele disse, diretamente.

Fiz de conta que pensava no caso.

–Talvez minha sobremesa. — Respondi, rindo da cara de desapontamento que ele fez. Eu já imaginava o que ele iria querer se ganhasse. Aquele pervertido. — Se você me fizer sorrir 20 vezes.

–Sério? Só uma sobremesa? Por 20 sorrisos? — ele disse meio incrédulo e fez um muxoxo. Não me deixei convencer.

–Sim. — Eu disse de maneira firme. — Dependendo do meu humor, eu posso até ser generosa e mudar seu prêmio, mas não fique muito esperançoso quanto a isso.

Sean abriu um sorriso malicioso.

–Pode deixar, docinho. — Ele piscou. Eu lancei lhe um olhar fulminante.

–Você pode começar sua tentativa de me animar parando de me chamar de docinho. — Retorqui, abrindo um sorriso presunçoso quando ele fez um biquinho.

–Não é justo. — Ele reclamou, com uma voz de criança emburrada.

–A vida não é justa. — Recitei, dramaticamente, rindo logo depois, enquanto me levantava e voltava para dentro do Instituto.

–Eu vou conseguir, Devie! — Ele exclamou às minhas costas. — E vou ganhar mais do que sua sobremesa!

Fiquei tentada a virar e encarar Sean, que provavelmente estaria com seu sorriso malicioso nos lábios agora, mas continuei andando em direção ao prédio, rindo internamente e balançando a cabeça.

Um ser passou correndo por mim e quase me derrubou no chão. Xinguei alto e percebi que era Isabela quem corria descabelada pelo corredor, gritando para Harvey, que estava correndo atrás dela. Sorri um pouco, aqueles dois ainda iriam se casar, algum dia.

Isabela deu meia-volta quando Harvey estava próximo o suficiente para tocá-la. Ele abriu os braços, numa tentativa falha de contê-la, e ela passou por debaixo dos mesmos, vindo na minha direção.

–Devynn!- Ela berrou, diminuindo a velocidade e indo se esconder atrás de mim. — Me protege desse maluco, por favor! — Ela suplicou, ofegante.

–O que houve? — Perguntei, divertida, assistindo Harvey se aproximar. Isa franziu o cenho.

–Eu não lembro, acho que deixei ele com raiva e agora ele está querendo me fazer cócegas.- Ela disse, ainda às minhas costas.

–Me desculpa, mas essa briga é de vocês. — Eu falei, erguendo os braços e saindo de perto dela. –Afinal, em briga de marido e mulher não se mete a colher. – Completei. Esse ditado nunca fez muito sentido para mim, porque eu acabava imaginando um casal brigando e, do nada, alguém estendia uma colher no espaço entre os dois. Mas acho que não havia nada mais apropriado para dizer no momento.

Isabela ainda me lançou um olhar desesperado antes de voltar a correr.

Um sinal tocou em algum lugar, avisando que as aulas da tarde iriam começar. Suspirei exasperadamente, percorrendo o caminho que me levaria até o laboratório, onde atualmente estávamos aprendendo a fazer explosivos e ácidos.

Cheguei à sala e sorri comigo mesma, percebendo que Sean ainda não tinha chegado para me importunar, porque, aliás, ele era meu “colega de laboratório” (o que não foi escolha minha, certo?).

Mas ele logo surgiu de debaixo da bancada, quando me aproximei da mesma. Ele tinha um sorriso vitorioso.

–Consegui o seu primeiro sorriso. – Ele falou, animado. Fechei a cara ao perceber que ele havia planejado aquilo, sabendo que eu sorriria se pensasse que ele não estava por perto.

–Esse não valeu. – Fiz um muxoxo. Sean ergueu as sobrancelhas.

–Valeu sim. Você não disse nada sobre provocar um sorriso indiretamente. – Sean replicou teimosamente, enquanto eu revirava os olhos.

–Tudo bem, então. Você não vai conseguir os outros 19 sorrisos mesmo. – Disse eu, erguendo o queixo.

Ele não respondeu, apenas me olhou como se eu fosse uma criança inocente que não soubesse de nada. Esse olhar me irritou profundamente, mas (in)felizmente o professor entrou na sala antes que eu pudesse bater naquele rostinho bonito dele.

Não posso dizer que a aula não foi interessante, porque, senão, eu estaria mentindo. O motivo de ter sido interessante foi que alguém acabou misturando os líquidos errados e, como deve imaginar, seu recipiente explodiu. E, para tornar as coisas mais interessantes, o que explodiu era um ácido que respingou na sala toda e em algumas pessoas que acabaram com queimaduras feias na pele.

Os outros alunos foram dispensados do resto da aula, ou seja, eu fiquei com o horário livre, para minha alegria.

Para minha tristeza, Sean já contava com o meu sétimo sorriso, o que significava que faltavam 13 para ele conseguir a minha sobremesa. E eu não queria ficar sem a minha preciosa sobremesa.

Saindo de meus pensamentos, observei Gwendolyn e Ayesha discutindo avidamente no corredor. Ayesha parecia estar ganhando, pois tinha um sorriso presunçoso nos lábios. Então, Gwen se virou irritada e saiu pisando duro em direção aos dormitórios. Ayesha se aproximou de mim, e eu podia jurar que ela iria começar a rir escandalosamente a qualquer momento.

–Ela é ridícula. – Ela me encarou com suas íris vermelhas, apontando com a cabeça para o lugar onde a cara-de-fuinha tinha ido.

–Agora conte-me uma novidade. – Respondi sarcasticamente, abrindo um sorriso maldoso.

–Gwendolyn disse que Louise desapareceu e quer, desesperadamente, encontrá-la. Ela quer que eu a encontre. Te encontre, tanto faz. – Ayesha soltou uma risadinha. – E eu disse que se ela queria encontrar a Louise, que ela mesma fizesse isso.

Sorri por causa de toda a ironia da situação, balançando a cabeça negativamente.

–Se ela soubesse que estou bem debaixo do nariz empinado dela... – Comentei, deixando a frase pairar no ar, enquanto eu pensava no que aconteceria se isso realmente acontecesse.

Nunca foi tão divertido enganar alguém. Ayesha parecia compartilhar do mesmo pensamento, porque ainda persistia um sorriso de canto no seu rosto.

–Sem ofensas, mas eu prefiro muito mais a Louise do que a Devynn. – Disse ela, dando de ombros.

Fiz cara de ofendida, colocando a mão sobre meu coração como se ele tivesse sido machucado profundamente. Ayesha ergueu as mãos em um gesto de “a culpa não é minha” e eu sorri.

–É, eu também prefiro a Louise. – Respondi, me sentindo um pouco amargurada e nostálgica, o que, aliás, era muito estúpido da minha parte.

–Eu também prefiro a Louise, querida Devie. – Disse uma voz atrás de mim. Nem precisei me virar para adivinhar quem era.

–Você não se cansa de criar apelidos para mim, não é, Sean? – Suspirei exasperadamente, ouvindo-o rir e se encostar na parede ao meu lado.

–Não mesmo. – Ele respondeu, divertido. Encostei as costas na parede e lancei lhe um olhar fulminante. – E não faça essa cara, porque você ainda me deve 13 sorrisos.

–Eu não te devo nada. Se você quiser um sorriso, vai ter que conquistá-lo. – Cruzei os braços.

–É muito mais fácil roubá-lo. – Sean falou, com um sorriso de lado maroto. – Pode acreditar, sou um vilão e roubar é uma das minhas especialidades.

Ouvi um pigarro e olhei para Ayesha, que parecia um tanto desconfortável.

–Bem, Devynn, eu já vou. Até mais. – Ela se virou para ir embora, mas pareceu se lembrar de algo e deu meia volta. – Usem camisinha. – Então ela piscou e saiu andando.

Engasguei. Eu devia estar bastante vermelha, porque Sean começou a rir da minha cara.

–Imbecil. – Disse, dando um tapa em seu ombro. – Você fez com que Ayesha fosse embora.

–Eu? – Ele exclamou, incrédulo. – É você que fica provocando e eu sou o culpado?

Revirei os olhos e fui para a sala onde seria a próxima aula. Eu não estava muito ansiosa para ouvir histórias sobre grandes vilões, mas eu precisava me afastar um pouco de Sean ou eu iria explodir.

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–Quinze sorrisos. – Sean sussurrou em meu ouvido. – Se eu não te conhecesse, diria que você está me deixando ganhar a aposta.

Realmente, estava sendo muito fácil para Sean me fazer sorrir. Eu tentei ao máximo fugir dele, me esconder, segurar o riso, mas o infeliz sempre arranjava um jeito de me enganar e eu acabava rindo. E o pior, ele contava cada sorrisinho, desde um pequeno até uma gargalhada. Sean estava se mostrando um belo cumpridor de apostas, o que, é claro, não era nada bom para mim.

Estávamos na parte externa da arena de treino, junto com Bianca, Kate, Gabryella, Miki e Harvey, treinando arco e flecha e eu me esforçava para não atirar em Sean.

–Soube que a sobremesa de hoje é sorvete. – Gabryella disse distraidamente.

Encarei Sean. Eu não podia mesmo deixar ele ganhar. Muito menos agora que eu sabia que ele poderia acabar ganhando meu sorvete. Digamos que eu ame sorvete, apenas (Quem não ama, né?).

Sean se animou ao ouvir o comentário de Gaby.

–Por que hoje a sobremesa não podia ser algo como doce de abóbora? Ninguém gosta de doce de abóbora, é horrível. – Resmunguei comigo mesma, atirando uma flecha.

Harvey acabou ouvindo a minha observação e riu.

–Realmente, doce de abóbora é horrível. – Ele fez uma careta. – E parece que você vai ficar sem sorvete hoje. – Completou, em tom zombeteiro. Dei língua para ele, que mandou um beijo no ar em resposta.

Um som ao longe anunciou o fim das aulas do dia e eu pude, finalmente, correr para um lugar seguro e à prova de Seans: meu quarto.

Pobre iludida eu sou por pensar nisso, porque, nem dez minutos depois que cheguei ao meu forte nem-tão-impenetrável-assim e me atirei em minha cama, Sean entrou, fazendo estardalhaço.

–Minha querida Devie, há quanto tempo! não sabe como sinto sua falta... – Ele sorriu maliciosamente. Afundei meu rosto no meu travesseiro e deixei escapar um lamento.

–Que bom, agora você já pode ir. – Eu disse, apontando para a porta.

–Você está me expulsando, Devyzinha? – Ele me olhou incrédulo. Devyzinha foi o cúmulo. Levantei da cama e peguei o travesseiro, batendo com ele em Sean o mais forte que eu podia.

–Sai. Do. Meu. Quarto. – A cada batida eu proferia uma palavra. – E. Me. Deixa. Em. Paz.

Infelizmente, Sean era muito mais forte que eu, e ele conseguiu pegar o travesseiro de mim. Me surpreendendo, ele se voltou para mim com um brilho malvado nos olhos e eu arregalei os meus, já imaginando o que ele faria a seguir.

–Não! – Foi tudo que consegui dizer antes de ele começar a me bater com o travesseiro. – Para, Sean!

Eu fui obrigada a recuar, até que meu joelho bateu na armação da cama e eu caí sentada em cima da mesma. Coloquei meus braços na frente do meu rosto para me proteger, mas não funcionou. Meu tronco caiu para trás no colchão macio e Sean continuou a me dar travesseiradas (eu sei que essa palavra não existe, okay? Okay). Consegui segurar seus pulsos por um momento. Ele se debateu, tentando me fazer soltar.

Uma pequena pena se desprendeu do travesseiro e Sean acabou aspirando-a pelo nariz. Ele parou de se debater e ficou franzindo o nariz de um lado para o outro, como um coelho. Sua expressão era muito cômica e eu não tive opção senão rir.

–Há! Consegui o décimo sexto sorriso! – Ele falou, entre uma fungada e outra. Eu podia jurar que ele estava prestes a espirrar.

Aproveitei sua distração e peguei o travesseiro, batendo nele e fazendo com que caísse de costas no chão. Sentei sobre sua cintura e revidei as travesseiradas. Sean, ao mesmo tempo em que se defendia, começou a espirrar. E, novamente, a cena era tão engraçada que eu tive que rir.

–Décimo... Sétimo... sorriso. – Ele falou entre os espirros e os golpes de travesseiro.

–Ah, cale a boca, Sean. – Eu resmunguei, batendo com menos força. – Se você parar de me incomodar eu desisto da aposta e você fica com a sobremesa.

A minha tentativa falha de tirá-lo do meu encalço não funcionou. Comecei a me perguntar por que eu não tinha apostado apenas cinco sorrisos em vez de vinte.

–Nem pensar. – Sean respondeu, conseguindo, enfim, parar de espirrar. – Se for para ganhar essa sua sobremesa, vou ganhá-la por mérito.

Revirei os olhos e parei de bater nele.

–Muito nobre da sua parte, mas eu posso acabar com isso agora, só preciso sorrir três vezes. – Ergui as sobrancelhas em desafio.

–Eu não vou considerar. – Ele deu de ombros. Bufei.

Nesse momento, Kate entrou no quarto, escancarando a porta. Ela levou alguns segundos para entender o que se passava na sua frente: Sean deitado no chão e eu sentada sobre ele, devia parecer uma cena em tanto para uma pessoa com uma mente poluída como a da Kate. Sem que eu tivesse percebido, as mão dele estavam na minha cintura, como que para me equilibrar. Dei um tapa nelas e ele as abaixou.

–Hã... Desculpe interromper, eu... – Ela se virou para sair por onde tinha entrado e percebi um sorrisinho malicioso em seus lábios.

–Você não interrompeu nada, Kate. – Falei, me levantando e lançando a Sean um olhar mortífero. Ele sorriu e se levantou também. – O Sean já estava saindo.

–É, eu percebi como ele estava prestes a ir embora. – Kate disse, sarcasticamente, com as sobrancelhas arqueadas. – Mas pode ficar, Sean.

–Não, não pode. – Eu disse antes que Sean falasse algo. – Ele tem coisas mais importantes pra fazer.

Sean cerrou os olhos quando os dirigiu a mim. Sustentei seu olhar por tempo suficiente para que ele desistisse de encarar. Ele levantou-se e, contrariado, foi até a porta e a abriu.

–Não se esqueça de fechá-la depois que sair, docinho. – Mandei um beijo no ar. Ele apenas bufou e foi embora. Me virei para Kate, suspirando agradecida. – Obrigada, você me salvou.

–Você vai ter que sair desse quarto uma hora ou outra, eu não vou trazer seu jantar aqui. Nem a Isabela. – Kate retrucou parecendo divertida com a situação.

–Vocês estão todos conspirando contra mim hoje? – Me fiz de ofendida. – Retiro meu agradecimento.

Kate riu.

–Você tem que superar isso. Quanto mais rápido você acabar com a aposta, mais rápido ele para de implicar com você. – Ela falou, pegando um livro em seu criado-mudo.

–Eu já tentei isso! – Exclamei, indignada. – Mas o infeliz sabe a diferença de um sorriso forçado para um natural, e ele não conta os forçados.

Kate abriu o livro na página marcada e começou a ler, antes lançando um olhar de pena para mim.

–Bem, aí eu já não posso mais te ajudar, sinto muito. – Ela disse indiferentemente.

Suspirei pesadamente e me levantei, caminhando em direção à porta.

–Tudo bem, vou lá enfrentar o dragão. – Disse dramaticamente.

Ela levantou os olhos do livro e riu.

–Boa sorte.

–Eu não acredito em sorte. – Saí do quarto e fechei a porta atrás de mim.

Andei pelo corredor atenta. Não vi Sean em lugar nenhum e por um momento me permiti ficar aliviada, mas eu sabia que ele podia estar em qualquer lugar.

É incrível como as pessoas hoje em dia tem uma capacidade de surgir do nada.

Decidi ir observar o pôr-do-sol no gramado. Não dava para ver grande coisa, porque o sol já tinha ido embora, mas continuava a ser fascinante ver a mudança de cores no céu. De azul para laranja, amarelo, então mudava para um verde água e voltava ao azul, que ia escurecendo.

–Isso é lindo, não é? – Perguntou Sean, sentando ao meu lado.

Como eu disse, as pessoas brotam do chão, assim, de repente.

–Pois é. – Respondi, deixando escapar um pequeno sorriso que, claro, Sean percebeu. – Mas não tão lindo quanto eu. – Mudei o tom de voz, erguendo o queixo em uma pose convencida.

Sean riu.

–Agora faltam dois. – Nem precisei perguntar para saber a que ele se referia. – E eu acho que você quis dizer que não é tão bonito quanto eu.

–Não. Eu quis dizer o que eu disse, mesmo. – Falei, revirando os olhos. Dobrei meus joelhos e os abracei, mantendo-os junto ao meu corpo.

Sean ergueu uma sobrancelha, com um sorriso divertido nos lábios, mas não disse nada.

–Se você se encolher mais, vai ficar do tamanho exato para caber em uma mala. –Ele falou, enfim, mudando completamente de assunto. E eu achava que era uma expert nisso, mas sempre tem Sean, conseguindo me superar. Ri baixinho.

–Dezenove. – Ele falou com um tom vitorioso. Olhei para ele com o cenho franzido.

–Ah, droga. Me lembre de nunca mais apostar sorrisos. – Resmunguei, apoiando o queixo nos meus joelhos.

–Pode deixar. – Ele sorriu de canto. – Eu encontro outras desculpas para ser implicante, se precisar.

Bufei e, ao mesmo tempo, um sinal tocou ao longe, avisando que chegara a hora do jantar. Sean se levantou e estendeu a mão para me ajudar. Aceitei-a e bati na calça, para tirar algumas graminhas.

Fomos para o refeitório e lá encontramos todos os outros. Eu tinha uma pequena esperança de que ele não conseguiria arrancar meu último sorriso antes da sobremesa. Eu não podia estar mais errada.

Passei a janta inteira me concentrando na comida e não nas pessoas ao meu redor. Mesmo um olhar de Sean agora seria um risco. Várias vezes Miki, Bianca, Isabela e Harvey tentaram me chamar, mas eu os ignorei.

Porém, quando foram distribuídas as sobremesas, peguei a minha, já me sentindo vitoriosa, e meus olhos se voltaram para Sean. Grande erro. Grande, enorme, imenso erro. Ele ergueu as sobrancelhas e eu, por instinto e por ser muito idiota, sorri, comemorando minha vitória antes da hora. Não há imbecil maior.

O sorriso de Sean se alargou tanto que eu jurava que ia rasgar seu rosto de tão grande. Me dei conta tardiamente do que eu tinha acabado de fazer. Sean tinha conseguido meu último sorriso, o vigésimo.

Fechei a cara e, internamente, amaldiçoei e xinguei Sean de todas as maneiras possíveis, em várias línguas diferentes.

Ele se aproximou e pegou o potinho de sorvete à minha frente.

–Obrigado. – Ele disse, sarcasticamente.

–Não há de quê. – Resmunguei, emburrada.

–Não fique assim, Devyzinha, há outras maneiras de experimentar sua querida sobremesa. – Ele comentou, maliciosamente, aproximando o rosto do meu. – E olha que é sorvete de passas ao rum.

Desviei meu rosto antes que ele se aproximasse mais.

–Tentador, caro Sean, mas sinto informar que não gosto de passas. – Retruquei. – E acho que você já recebeu sua recompensa pelos sorrisos então, se não se importa e mesmo que se importe, estou indo embora.

Fui para o quarto e me joguei na cama, suspirando pesadamente. Peguei no sono em poucos segundos, me sentindo aliviada por finalmente ter me livrado de Sr. Implicante. Novamente, eu estava extremamente enganada, porque ele me perseguiu até mesmo nos meus sonhos.

Notas finais
Para as pessoas que esperavam um beijo Devan neste capítulo: sinto muito, mas essa fanfic não tem romance como o foco principal, então não é porque eles se beijaram uma vez que vai ter um monte de beijo adoidado por aí, okay? Okay. Anywaaaay não fiquem muito chateados comigo, por favor. O próximo capítulo é o que eles vão executar o plano cara-de-fuinha e eu prometo me esforçar para que fique legal e para conseguir postar a tempo! Obrigada por serem tão pacientes comigo, meus marshmallows, a titia Birdy ama vocês :3 Se quiserem me xingar, façam isso com estilo, por favor. Obrigada. De nada. Amém. Okay, chega. Eu tô me sentindo meio retardada então vou parar de escrever as notas senão fica muita asneira acumulada e eu não quero contagiar vocês. Adious marshmallows ;P