Contos De Terror

1 Você vai sofrer o mesmo


Eu estava na escola quando soube da notícia, os pais de Sara haviam sido assassinados. Não senti pena, achei que era merecido, nunca suportei aquela garota.

Encontrei ela no corredor, guardando seus livros no armário da escola.

“Olha só! A nova órfã do colégio! Estava mais do que na hora de seus pais morrerem não é?! Pagarem pela filha que criaram tão mal! rárárárárá!”

Ela nunca demostrava que estava realmente ofendia, mas eu sabia que ela ouvia cada palavra.

Mais tarde no intervalo, eu a vi sentada sozinha na mesa, resolvi brincar um pouco.

“A morte de seus pais deixou todos tão felizes que saíram de perto de você pra comemorar?! Onde é a festa?!”

Sara simplesmente se levantou e saiu. Me ignorando. Como eu detestava essa garota! Ignorante!

Na saída vi ela novamente, cabeça baixa e os olhos voltados para um livro, os cabelos caindo a sua volta.

“Ei quando é que você vai se mudar para o orfanato? Você deve estar muito feliz de ir fazer novos amigos não é mesmo?! hahahahahahaha”

Não sei o que deu naquela garota, mas teve a ousadia de se virar para mim e dizer: “Aproveite enquanto pode, ria! Um dia seus pais também vão morrer, um dia você também ficará sozinha, um dia você vai sofrer o mesmo que eu! E pode ter certeza que esse dia não está longe!” E saiu correndo.

Não faço ideia do porque ela disse aquilo, mas não liguei. No outro dia, no meio da aula de Química, o diretor Sr. Rodrigues me chamou a sua sala, disse que era importante, então eu fui.

Ele foi muito breve, direto e insensível.

“Seus pais foram mortos.”

Voltei para casa no mesmo instante, policiais em toda a rua, estava atordoada, ainda não tinha caído a ficha, não pude acreditar que aquilo estava acontecendo comigo, tinha que vê-los e faze-los dizer que era tudo uma brincadeira.

Quando entrei em casa havia sangue no carpete da sala, vi o braço de minha mãe no chão. Começei a chorar. Fui para meu quarto.

Passei uma semana sem ir para a escola, não me lembro de nada do que fiz depois disso.

No dia em que fui, todos estavam me ignorando, minhas amigas Jaque e Bruninha, não estavam falando comigo. Não entendia o porque. Foi quando eu a vi. No começo do corredor, Sara olhando pra mim. Engoli o meu orgulho e fui falar com ela.

“O que está acontecendo?! Porque todos estão me ignorando desse jeito?!” (Silêncio) “Responda!!! Foi você não foi?! Você matou meus pais!”

“Eles tiveram o que mereceram. Quiseram brincar de morte, o verdadeiro anjo da morte quis se vingar. Eles mataram meus pais.”

“Mas porque?! Eles não tinham motivos para mata-los!”

“Eles tiveram o que mereciam.” Respondeu ela calmamente.

“Porque todos estão me ignorando?!”

Ela olhou pra mim com cara de desentendida e perguntou: “Já olhou seus pulços?”

Levei um susto, estavam com um corte muito profundo, mas não escorria sangue. Olhei para Sara, pedindo ajuda.

“Eu não fiz e não posso fazer nada. Você não aguentou a morte de seus pais, te acharam no banheiro de casa, a três dias atrás.”

Morta, eu estava morta, não pode ser.

“NÃO! ISSO NÃO PODE SER VERDADE!”

“Você está morta.”

Senti como se caísse. Minha visão foi escurecendo. E cai num escuro profundo.

Agora sou obrigada a vagar pela escuridão. Procurando outras almas perdidas como eu. Sem audição, visão ou fala. Fico sozinha, sofrendo, mergulhando no breu e hoje sofro por todos os dias da eternidade a mesma dor que Sara sofreu.