Notas iniciais
Juro por todos os Deuses que não é mentira.

No começo era escuridão, disseram, mas o meu começo não. O meu começo foi maravilhoso, porque teve uma ideia que me iluminou por dias e não me deixou aquietar até que a pusesse em prática. Agora, porém, cá estou eu, pronta pra apagar essa luz. É que é época de economizar energia, e deixar uma coisa assim, brilhando à toa, não vale a pena. A Contos não dá mais pra mim, e eu preciso terminar, por todo o amor que ainda me resta por esse projeto. Eu me lembro, como se fosse ontem, quando eu resolvi abrir o meu mundo pra vocês, e tenho que reconhecer quando é hora de fechá-lo. Mesmo que seja um fechamento para balanço.

É o seguinte, quando pensei em começar a “Contos de Gaveta”, eu tinha tanto entusiasmo, tempo, energia, milhares de textos guardados e milhares de dúvidas sobre o jeito como eu escrevia. Eu não sabia se me cabia algum futuro. Eu precisava ter uma perspectiva, e achei no Nyah exatamente o que precisava. Tinha meia dúzia de leitores fiéis, arrastados lá da “Um Novo Final”, e uma do tamanho do mundo que me fazia arrastar universos pra angariar mais alguns. Por dois anos eu realmente me empenhei aqui. Coloquei o meu melhor em pratos limpos. Eu fui a “Contos de Gaveta”.

Mas eu não sou mais. Eu quero dar um passo à frente. Preciso seguir em frente. Quero me inscrever em concursos, que exigem textos inéditos. Quero escrever coisas que não cabem mais pro público que eu tenho aqui. Quero escrever pra mim, mais do que pra qualquer um, e eu não estou mais tão carente. Sei que não é como se uma coisa excluísse a outra, mas poxa, faz dois meses que eu não posto nada aqui. Se eu escrevo um texto muito bom, quero logo correr pra mostrar, e se eu o colocar aqui, pronto!, está queimado pra qualquer concurso. A tentação é grande demais. (Além disso, sejamos honestos, ninguém mais aqui se importa).

E, querendo terminar isso, por um ponto final mesmo, eu preciso agradecer. Porque é uma decisão difícil, e eu estou, literalmente, chorando. Só porque todo fim tem um bocado de tristeza. Vocês aqui foram, por dois anos, um apoio maravilhoso. Vocês me transformaram de um modo lindo. Eu não posso desejar menos que o melhor pra vocês.

Quando eu terminei minha outra fic, desejei que os meus leitores fossem fênix. Hoje, eu desejo que vocês sejam palavras. Palavras, sim, daquelas mais incríveis. Que vocês sejam “divagação”, que é o primeiro conto daqui, e que é também minha palavra preferida. Que sejam milhares, milhões, variáveis, permissíveis. Que vocês sejam o que me manteve forte por tanto tempo, que me deu tanto apoio, e que me deu um caminho.

Que vocês sejam palavras, mas que sejam também quem as escreve com maestria. Conheçam-se, como o poeta conhece cada rima que escreve. Dominem-se, como o autor domina cada um dos seus pontos finais. Surpreendam-se, como cada leitor se surpreende numa ação inesperada daquele personagem preferido. Se escrevam.

Eu realmente deveria esperar um momento em que estivesse mais “talentosa” – e que não fosse dia da mentira, porque isso não é mentira – já que sei reconhecer que isso não é nem de longe o melhor que eu poderia escrever pra me despedir. Mas eu não sei, não posso enganar vocês com uma continuação de um sonho que já foi concretizado. Não é como se o meu sonho tivesse morrido, não! Ele já aconteceu. É ai que tá. Ele já se realizou. Eu preciso ir atrás de novos sonhos. E não pretendo voltar atrás.

Com o meu coração na mão, esperando que entendam, com todo amor que eu poderia ter, eu realmente estou finalizando a “Contos de Gaveta”. Amo vocês, Marina.

Notas finais
Por via das dúvidas, eu não vou excluir perfil, nem fic, nem nada. Mas acaba aqui. Adeus.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!