Contos, Crônicas E Blá, Blá, Blá
2 Uma Última vez (2)
Hinata Pov's On :
Minhas mãos estavam suando. Minha cabeça gritava comigo, me dizendo para ir embora, mas meu coração derretido me deixava sem forças para levantar. Olhei ao redor e não vi ninguém. Bebi quase todo vinho com apenas um gole, eu precisava de ajuda para aquele encontro. Olhei para o outro lado da rua e nada. Pedi ao garçom mais uma taça.
O que eu estava pensando? Por que estava fazendo aquilo? Senti meu coração bater mais forte e meu estômago embrulhou, levantei a mão.
- Me desculpa, não precisa trazer, não – disse, entregando o dinheiro para ele e me levantando apressada. Eu tinha que sair dali o mais rápido possível. Andei quase correndo e antes de dobrar a esquina, olhei para trás para ter a certeza que ele não estava chegando.
- Aonde você está indo? – Pulei com o susto. “Droga”, pensei e virei-me para a pessoa em quem tinha esbarrado. – Você não estava indo embora, estava? – Ele sorriu docemente e eu sem graça sorri de volta. – Hinata ?
- Desculpa, Naruto! Eu não sei nem porque te liguei.
Eu tinha feito besteira, isso eu sabia. Por que eu tinha que ligar para ele? Meu casamento estava marcado! Precisava disso uma semana antes?
- Porque você queria me ver. – Ele falou esperançoso.
- É, eu queria, verdade. Passado! – Parte de mim queria olhá-lo nos olhos e conversar horas a fio, mas a outra parte estava mandando eu correr, sair de perto.
- Hinata , não me venha com essa. Você que me procurou. Tudo bem que nosso encontro ontem mexeu muito comigo, mas foi você quem ligou!
- Você me fez ficar confusa. – Choraminguei.
- Confusa? – Percebi um sorriso na fala dele, mas ainda não conseguia olhá-lo. – O que aconteceu, Hinata? – Ele se aproximou e segurou as minhas mãos.
- Naruto! Fique longe! – Fui um pouco grossa e me afastei.
- Só quero te entender!
- Mas eu não quero me entender, Naruto ! Eu não sei porque estou aqui. Eu amo o Kiba! Amo mesmo! Somos muito felizes. Por que você voltou? Por que, Naruto? – Me alterei um pouco. Estava extremamente nervosa.
- Pelo mesmo motivo que você. – Ele gritou comigo.
Pronto, ele disse tudo. “Pelo mesmo motivo que eu.” Aquele árvore não só trazia as minhas memórias da infância com minhas irmãs e família, como trazia as minha memórias com ele. Nossa primeira conversa, nossa primeira confissão, nosso primeiro beijo. Aquela árvore era o símbolo do nosso relacionamento. E o fato de eu ter ido visitá-la era que eu não tinha esquecido Naruto por completo. Mas eu não ia admitir isso, nem ceder a ele.
- Bom, Naruto. Do mesmo jeito que aquela árvore será cortada, nós também precisamos cortar a nossa relação.
- Mas ela foi cortada há séculos, Hinata. A gente não se vê há anos.
- Você entendeu o que eu quis dizer. Não só a relação, mas todos esses sentimentos tem que ir embora! – Falei nervosa, virando-me de costas. E me arrependi. Às vezes falo demais e não devia ter falado isso, não com essas palavras.
- Então você ainda tem sentimentos por mim?! – Novamente percebi o sorriso na voz dele e eu não tinha como mentir, não para ele.
- Naruto , não é para você ficar feliz! Estou noiva! NOIVA! – Mostrei-lhe a aliança.
- O que adianta ficar noiva com outro cara na cabeça?
- Não estou com ninguém na cabeça. Isso é fantasia! Não sei mais quem você é! E mesmo assim, tenho saudade de um Naruto que não existe mais! Eu só preciso não te encontrar mais.
- Eu sou o mesmo, Hinata! – Ele falou triste.
- Naruto! Não insista! – Dessa vez olhei-o nos olhos e ele baixou o olhar. – Desculpa, eu não quis ser grossa. Desculpa por ter te chamado aqui. É só que… eu sinto tanta falta daquela época.
- Tudo bem!
- Essa é a última vez, de verdade! – Falei. – Obrigada por tudo.
- Por tudo o que?
- Por tudo que fez pra mim nessa vida. Sou o que sou porque tem parte de você em mim.
- Você podia falar menos, né Hina?! – Eu ri.
- Desculpa! – Aproximei-me dele e o abracei. Foi a primeira vez que senti a nossa conexão de antes. Ele era, realmente, o mesmo Naruto de sempre. Não precisava de mais nada para saber. Senti um frio na barriga, que não sentia fazia tempo. E milhões de imagens da adolescência vieram voando em minha mente. – Desculpa por ter te chamado aqui. – Falei me afastando. – Desculpa, mesmo. – Ele colocou a mão em meu rosto, como fazia sempre que reprovava alguma coisa que eu dizia.
- Bom casamento! – Ele disse e eu sorri sem graça.
- Boa vida! – Ele riu e me deu um beijo na testa.
- Nada de dúvidas, hein?! – Balancei a cabeça em resposta. – E nada de me ligar novamente!
- Não! Eu prometo! Foi a última vez!
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