Eu nunca senti tamanha dor.

Depois de olhá-lo nos olhos, meu corpo se enrijeceu. Foi de imediato, uma dor que eu jamais sentira, cresceu desde minhas pernas até minha cabeça. Eu estava estática, sem palavras para colocar em meus lábios, foi tão real, tão verdadeiro que me arrependi de ver.

Gostaria de poder tê-lo comigo, mas nada era possível, estávamos mais separados que nunca, estando a um metro um do outro. Eu chorei aos berros ao lado dele, mas não podia me ouvir. É tão ruim não ser notada. Permanecia a me debater no ar, sem sentir o vento q começava a acelerar o movimento dos meus cabelos. Uma confusão que me consumia. A vontade de morrer pelo o que via era mais forte q a velocidade com q o ar penetrava em meus pulmões. Eu ofeguei achando que poderia salvá-lo com meu desespero, mas nada mudou, ele não me ouvia.

Sentei-me no chão e aos soluços apertei minhas pernas contra meu peito, mordendo meus joelhos. Sentia meu corpo esfriando a cada vez que meus olhos se fechavam. O chão fervia em meus pés. Nenhuma vontade de olhá-lo, mas não conseguia desviar o olhar.

Pálido ele estava, jogado, sem vida. Sem ar, sem motivos, inerte a qualquer coisa, inclusive ao meu desespero. Sem consciência, sem vontade, sem mim. Sem minha preocupação, sem minha voz, sem palavras, sem nós.

Eu morria mais que ele, pois quem morre deixa para trás. É muito mais fácil morrer a estar vivo sem o que se ama. É tão possível, pois ele não sem preocupa com o que foi deixado para trás, não se preocupa comigo, mas eu choro por sua perda. Eu me martirizo, pois me sinto inútil, queria tanto que ele respirasse o mesmo ar que eu e, não é possível, ar nenhum pode respirar meu pobre amante.

Ele estava morto, mais que morto, estava com outra pessoa que não era eu. Ele me amou e me esqueceu. A morte é tão simples, é só deixar pra trás.

Acordei e o matei.