Contos Aveludados de Barafunda
2 Copos de Cólera em Gorazde
Notas iniciais
Pânico
Putrefatos
corpos adubando
metros de asfalto (quando existem)
O sangue de esperança
faziam sopa cor de rosa
com leite recém comprado e água.
Cemitérios improvisados
Cabiam dois corpos de puberdade
No meio dos refugiado
Fazer oração é ato de solidariedade.
A humanidade derreteu-se no rosto quente de uma criança.
Que com livros nas mãos deixava de ser carcaça
Quando não morriam pelo frio, morriam afogados em sangue
Quando chovia, a terra se afundava por vontade própria, para enterrar os corpos de desconhecidos.
Uma estaca chavada no ouvido de uma criança recém-nascida, antes mesmo de ser arremessado no rio, que tantos corpos fazia flutuar ficando rubicundo.
Depois de matá-lo, arremessou a mãe junto.
Matou um velho e tocou acordeão.
Quem atravessa o rio se vê num mar de corpos.
Fogem da guerra, mas a guerra não foge deles
Melhor ter natimorto que ver seu filho com a barriga aberta, todos os órgãos para fora, te confortando pela guerra que o ferira.
Morreu.
Uma pai carrega uma criança amolecida, crendo que apenas um desmaio a empalidecera. Tarde demais.
Restos secos, um cheiro nauseabundo, uma cólera que corrói, mas te faz viver com a dor de enxergar, de saber e não de ter membros amputados, nem peitos cortados. Dói mais os quem tem olhos, a dor de ver é pior. É mais incisiva. Amarga o peite e corroí a alma. Sabe que tem de fazer algo, mas não tem força. O desânimo do descrédito faz covarde.
O vento espalha restos mortais ainda podres, nenhum inseto os querem.
Nem a chuva os deseja, nem a seca os planeja, nem a fome os apedreja com a força brutal da morte.
Pois a morte seria mais vida, a chuva mais bruma, e a seca bem-vinda.
Vem neve, pois do branco puro e gelado, sorvete de sangue se faz.
É tudo tão destruído que não se sabe o que é obra de arte Dadá ou ludismo. Não se sabe beber um copo de cóleras amargas das guerras civis.
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