Contos Amaldiçoados

3 Capítulo III - A estranha garota de olhos diferentes


Antes de continuar nossa historia, talvez deva situar vocês jovens e curiosos plebeus sobre nosso mundo. Antes de tudo, não os chamei de plebeus com significado pejorativo, mas assim são denominados todos que vivem no que vocês poderiam conhecer como “mundo real”.

O Conselho é um grupo de seres racionais que formulam regras do mundo das fábulas. Eles também cuidam de casos como.... Bom, resumidamente, são o equivalente ao seu mundo a polícia,governo, tribunal, escolas... Em suma, qualquer assunto politico-comercial e várias coisas a mais. Claro que temos coisas menores como mercados pessoais e aulas pagas, mas são fácilmente derrubadas pelo Conselho.

O local onde o Senhor Smith estava era a Central, uma fronteira entre o mundo real e o mundo das fábulas. Qualquer um que tivesse ciência de tal divisão poderia ir lá e reclamar de algum roteiro de história enjoativo ou qualquer Vorgon que quisesse destruir sua casa para construir uma rodovia, justificando que desvios são necessários para o crescimento da sociedade. Sobre o Senhor Smith, era Diretor de distúrbios dimensionais, um cargo onde se passa o dia inteiro lendo arquivos de pessoas que precisam de ajuda em algum vórtice dimensional ou algo assim e escolhe os que poderão no futuro lhe ser úteis e tem a ousadia de achar que seus trabalhos são mais importantes do que aqueles que passam o dia inteiro arriscando suas vidas e sofrendo desmembramentos com portais defeituosos.

Naquele momento estavam indo em diretor geral, Diretor do Conselho. A esse ponto vocês já devem ter deduzido que a sede do conselho era A Central, assim como devem ter deduzido que a poesia Vorgon é horrível e mortal. O Senhor Smith estava indo fazer um barraco com o Diretor. Poucas pessoas sabiam mas ele adorava um barraco, e aquele chute inesperado da Chapeuzinho lhe deu uma grande motivação para um. Por que? Óbvio que se tinha uma fabula perdida ou desnorteada a culpa era do Diretor. Smith aprendera isso da pior forma, como da vez que tinha sido culpado por Trolls por uma brincadeira de seus estagiários. Ah estagiários, como os odiava...

Claro que isso tudo foi explicado a Chapeuzinho por Smith e Angel (só que com menos detalhes). Agora que vós plebeus já tem uma noção básica de nosso mundo, voltemos para a tragédia, digo, acidente do elevador.

...............

Todas as luzes se apagaram. O elevador caiu a uma velocidade incrível. Chapeuzinho mal sentiu seus pés tocando o chão enquanto o elevador caíra pelos infinitos andares. Então um grande baque. Chapeuzinho estava caída no chão, se sentindo desnorteada. Uma luz fraca era formada por um cabo de eletricidade solto no topo do elevador. Um grande buraco havia sido aberto de alguma forma. O elevador estava amassado, e ela conseguiu ver de relance Smith e Angel desmaiados. Com dificuldade conseguiu se levantar. Sua testa sangrava, assim como seus braços.

Subiu no corpo do Senhor Smith e usou como apoio para chegar no buraco acima. Por sorte o elevador amassado deixava o teto mais baixo, de modo que ela conseguiu alcançar. Não sabia se estavam mortos, mas se prometeu que ia voltar por eles. E de certa forma, agradeceu que o Senhor Smith estivesse desacordado. Ele reclamava demais, mas seu corpo proporcionava um bom apoio.

Tomando cuidado para não esbarrar no fio solto que exalava eletricidade. Olhou em volta. Mais acima, conseguiu visualizar uma das portas do elevador aberta. Estava iluminada com uma cor amarelo avermelhada. Chapeuzinho puxou duas vezes um dos cabos do elevador para ter certeza. Aquele cabo não parecia tão firme, mas tinha que servir. A garota olhou para cima. Um frio percorreu sua barriga... Mas ela não podia dar para trás. Agarrou com força o cabo e pôs-se a subir.

Chegou até a porta entreaberta e se agarrou com força ao chão do andar.. Apesar de ter percorrido pouco mais de cinco metros de “corda” estava exausta. Subir em cabos é bem mais difícil do que realmente aparenta.

Ao chegar no andar acima, olhou arfando para o local. Estava em um quarto de hotel de luxo, ou era antes das chamas consumirem quase tudo. A garota tomou impulso e saltou as chamas que estavam na porta.

Chegou a um corredor típico de hotéis de luxo. Tudo estava iluminado com as chamas, que consumiam todo o corredor. Chapeuzinho passou correndo e evitando quantas chamas podia, parando em frente a um lance de escadas. Chapeuzinho tinha pequenas queimaduras no corpo e nas roupas, mas nada que fosse um problema real. Parecia o único local que não fora engolido pelo fogo.

Começou a correr pelas escadas em forma de espiral. Não sabia para onde ia, o único cheiro que pairava no ar era o de enxofre e a única coisa que se ouvia era seus próprios passos e o farfalhar do fogo ao longe. Não podia contar com nada além de seu instinto e suas habilidades que descobria de pouco a pouco.

Então no meio da corrida, esbarrou em algo. Se levantou rapidamente e viu que era uma garota loira. Era uma bela garota loira que parecia ser de sua idade, trajando um grande vestido azul claro que era a mesma cor de um de seu olho direito.O outro olho era verde como uma esmeralda. Sua roupa estava rasgada e manchada de sangue. A garota olhou para Chapeuzinho incrédula, como se não acreditasse que havia alguém na direção do seu destino.

Pegou no bolso de seu vestido um belo relógio dourado de bolso e olhou a hora.

–O que está fazendo plantada ai garota?- A loira fez uma cara desesperada, como se estivesse atrasada para o próprio parto. –É tarde e o tempo é pouco!-Então a loira passou por Chapeuzinho e desceu correndo o lance de escadas.

–Atrasada para? Tudo lá embaixo queimou!

A garota voltou as escadas andando pra trás, como se tivesse voltado no tempo.

–Como assim tudo queimou? Você quer dizer TUDO? Tipo, tudo mesmo?!Você tem certeza que não é tudo um pouco ou um pouco de tudo? Tem certeza que é TUDO?!

–Sim...Eu acabei de vir de lá e...

–Ah, quer saber de uma coisa? Que se dane!-Ela abriu um largo sorriso e Chapeuzinho se surpreendeu com a bipolaridade da loira. –Você quer ser minha melhor amiga?! Eu tinha um melhor amigo coelho ,mas ele sofreu um acidente. Você quer ser minha amiga? Quer? Se for, eu te tiro daqui!

–Ah certo...Eu acho que se você me tirar daqui posso ser sua amiga...

–Ah valeu!-A loira deu um grande sorriso,apertou a mão de chapeuzinho e começou a correr escada acima arrastando-a.- Vamos fazer tudo juntas! A propósito, meu nome é Alice.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.