Contos
4 Coragem
Ela
Na tarde desta segunda me peguei pensando em como teria sido se tivesse realmente coragem de ficar, mas de que isso importa afinal? Fui covarde, não? Escondendo-me de tudo e de todos, forçando a minha personalidade se ocultar tão bem que nem mesmo minha mãe me reconhece, mas como ela conseguiria me ver se nem mesmo eu consigo me encontrar. E mais uma vez estou em sua frente mentindo para mim e para você sem ao menos me importar, se elas machucariam.
Machucaram e muito e ainda refaço os pontos dos cortes mais profundos, tentando fazer cicatrizarem, mas algo os impede como uma diabete crônica, fazendo o sofrimento contínuo, aumentando a hemorragia que meus olhos não conseguem mais segurar.
Ele
Quando vi você no domingo tive certeza que continuavas machucada assim como estou agora, mas como sempre fomos orgulhosos e grandes mentirosos, tentamos enganar a nós e ao mundo dizendo na frente do espelho que não nos importamos, de que não sentimos falta. Mas a verdade está clara, transparente como água, estampada em seus olhos verdes.
Pergunto-me até quando conseguiremos guardar tudo isso no fundo do baú e viver enfurnados em tempestades internas que nos impede enxergar o Sol aqui fora.
Eu minto você mente e o que adianta?
Nada, o fato de que ambos fomos covardes quando era preciso ligar o FODA-SE todos. Eu covarde por deixar-te partir e você por deixar-me ficar.
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