Contos
2 Nostalgia
Nunca vou esquecer o dia em que visitei minha avó. Depois de muito relutar, finalmente separei um dia para dormir em sua casa. Como sempre, a recepção foi extremamente calorosa, nos abraçamos, ela imediatamente me ofereceu tudo o que havia de comida em sua casa e aceitei comer seu pão caseiro com manteiga e uma xícara de café com leite.
Sentamos e conversamos durante alguns minutos até que me distraí com a televisão e ela foi para a cozinha preparar a janta e a comida dos cachorros – que agora velhos só comiam carne cozida porque a ração era dura demais. Peguei o livro que havia trazido para estudar e subi ao quarto.
Devo ter pegado no sono depois de algumas horas, porque acordei com o interfone e a notícia de que a janta estava pronta. Ao descer percebi quantas lembranças havia naquela casa. A escada, agora de mármore, era a mesma em que eu havia me esborrachado quando pequeno. As máscaras japonesas na parede remetiam aos ancestrais de minha avó e a sala era a mesma em que eu brincava com os gatos, correndo de um lado para o outro com um cordão na mão enquanto tentava não levar nenhum arranhão.
A janta estava deliciosa. Comi tudo com gosto enquanto comentávamos as notícias que passavam no jornal. Levantei e fui lavar a louça enquanto ela subiu. Assim que terminei, ela ainda não havia voltado, então sentei no sofá da sala e fiquei vendo mensagens no celular, quando ela desceu segurando uma pequena caixa e sorrindo.
— Você não vai acreditar no que eu achei – disse.
Assim que ela sentou do meu lado, abriu a caixa e tirou de dentro dela álbuns de fotos desde a época em que todos haviam se mudado para a casa. Começamos a ver as fotos antigas, rindo e comentando sobre cada uma – olha aqui sua mãe quando tinha a sua idade, sempre fazendo pose; olha seu avô nessa aqui, que cara de mau. Passei a noite toda ouvindo histórias da mesma casa que guardava minhas memórias de infância, mas nestas eu ainda não tinha nem nascido. Depois de algum tempo peguei o celular para ver se tinha alguma mensagem e vi que já eram três da manhã! Levantei e falei boa noite enquanto minha avó guardava os álbuns de volta na caixa e fui para o quarto.
No dia seguinte, acordei quase na hora do almoço e quando desci a casa já cheirava a comida, que estava mais uma vez excelente. Quando eu me levantei e disse que estava indo, ela também se levantou, me levou até a porta e me deu um abraço longo e apertado.
— Vê se não some!
— Pode deixar! – Eu volto.
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