Notas iniciais
Após literalmente anos sem escrever, eu volto a este site sob uma nova alcunha. Eu escrevi esse conto em menos de duas horas só para forçar-me a produzzir, agora vou compartilha-lo pois busco respaldo, críticas e elogios igualmente. Me encontro em um ponto da vida em que preciso fazer algo para iniciar uma mudança geral, mas o covid me empede de arranjar um emprego ou continuar a faculdade. Então cá estou eu, após anos torno a postar, agora em busca de inpiração para publicar. Então é de todo coração que lhes apresento a este conto de um mundo fantástico que me surgiu em meio a branquidão do word. Espeto que gostem

— Último dia, última batalha.

Apesar da falta de vontade, Dan doloridamente sentou-se na cama e encarou o mundo pela janela. O céu era rubro , esverdeando-se para o horizonte, nuvens esparsas cruzavam vagarosamente o céu matinal quebrando a vermelhidão com seus tons arroxeado. Em frente a estalagem quatro kerázes pastavam despreocupados com as asas que os espreitavam de longe, o ruíz mantinha-se alto e contra o primeiro sol, mas a esverdeada luz do segundo permitia breves relances do predador que buscava em vão uma entrada para a bolha da antiga cidade imperial. Um fio de fumaça chegava a bolha vindo das ruínas do palácio imperial.

— Três dias e essa merda ainda fumando — saindo do banheiro Ajjá — O que merdas tanto queima num castelo todo feito de pedra? As tapeçarias foram saqueadas na luta

— É, você pegou pelo menos duas.

— Foram só três, e todas são artefatos históricos do meu povo.

— Que povo? Sua tribo morreu há mais de cem anos!

— Eu sei que você ainda está frustrado por ter sido ela a matá-lo, mas você tem que admitir que não havia outro jeito.

— Devia ter sido eu.

— Bem, você não estava exatamente disponível quando a última barreira caiu. em frente a estalagem você há de entender que Maz fez o que pode.

— Devia ter sido eu, ela deveria estar aqui e eu lá.

O estalo do tapa ressoou sozinho no ar por alguns segundos.

— Nunca diga isso — Ajjá ainda tinha sua mão levantada — Todos temos nossos pecados, todos fomos monstros, incluindo sua amada Maz, a Imperatriz feiticeira da quinta era, cuja busca por poder levou o mundo ao segundo colapso e criou raças da segunda encarnação. Se não fosse ela você nunca teria tido o mundo que conheceu, nunca teria feito suas guerras e seu filho nunca se tornaria a entidade pustulenta que foi. Ela deu-se ao mundo de bom grado em troca de tudo que já tirara, não desonre-a dessa forma.

— Meu filho, minha responsabilidade.

— Ora, pelo amor! Você morreu há mais de mil anos, seu filho foi o fruto de todos os nossos erros combinados. Maz causou o colapso, você criou o império e eu criei o inimigo. Forjamos as ferramentas que tornaram milhões de vidas buscando poder absoluto sobre tudo que há. Todos. Somos. Culpados.

— Mas ela mudou, essa vida transformou a Imperatriz em gente novamente, com dores, amores e perdas. Ela abandonou quem foi em prol…

— Em prol de si mesma! Assim como eu, assim como você! Todos sentimos a mesma coisa que não sentimos em nossas outras vidas: empatia. Me fala, desde que você voltou, quantas pessoas matou?

— Sete.

— Agora me diz, quantas pessoas você matou na original?

—...não me lembro.

— Nem eu! É porque não nos importávamos, é porque algo aqui — apontou para a própria cabeça — não funcionava direito. Eu matei uma pessoa.

— O guarda.

— Sim, e por mais filho da puta que ele tenha sido, eu ainda penso na mãe dele, nas pessoas próximas, e eu sinto por eles. Você entende o quão alienígena esse sentimento me é. — Dan acenou lentamente com a cabeça — Então! A Maz também.

— Você não entende! Você não teve filhos!

— Sete, e duas filhas. Todos soldados em meu exército.

Incrédulo Dan encarou o companheiro.

— Você nunca disse…

— Quando minhas memórias voltaram já tínhamos passado do ponto de ficar horrorizados com o que fomos, faltavam poucos dias e eu não achei que deveria falar nisso.

— Mas…

— Eu não lembro seus nomes, só suas patentes, era assim que eu os chamava, por suas patentes, porque sangue não importa num exército, apenas seus resultados. O primeiro a morrer não chegou a tornar-se oficial, ele tropeçou e caiu em meio a um avanço, minhas ordens eram para pisotear os fracos que se pusessem em nosso caminho, não importava as cores que usassem. Então, por minhas ordens, meu filho morreu. Eu matei meu filho. Minha primeira filha a morrer atrasara-se para uma reunião de estratégia, eu mesmo a açoitei. Ela morreu diretamente pelas minhas mãos — Ajjá tinha lágrimas escorrendo por seus olhos a esse ponto — Meu terceiro filho a morrer…

— Para — Dan levantou-se da cama e envolveu o companheiro em um abraço

— Eu preciso disso, eu preciso lembrar deles.

— Não precisa. Hoje é o dia em que voltamos, nossa batalha já foi vencida, nossa redenção conquistada, descanse.

— Se eu não os lembrar quem vai? Tudo que resta dos poderosos Yi`í são as malditas tapeçarias. A maioria das pessoas nem sabe que existimos! Como saberão eles que no final eu me arrependi? Que nesse retorno eu vi amor de verdade, eu senti o que eles sentiram por mim, o amor que eu retribuí com violência. Eles merecem ter seus nomes lembrados.

— O amor é. Todos somos por ele e sem ele não somos. O amor é transdimensional, ele transpõe o espaço e o tempo. Tua prole sente no passado o amor que você os dá agora, por isso te amaram mesmo enquanto os matava, porque o que sente aqui e agora é amor.

Aos prantos Ajjá entoa para os céus

— Melinda, Narzus, Keirô, T`weê, K`onn, De`em, Lewwen, Quivel e Hazzam. Seus nomes serão eternos. Perdão, sua eternidade de amor começa agora, cento e trinta e seis anos após suas mortes, só então seu pai tornou-se gente, só então seus nomes ganharam peso. Perdão.

— Para o que fizemos não há perdão…

— Apenas redenção — Um relance de um sorriso passou pelo rosto de Ajjá.

— Nós ganhamos. Nossa redenção é hoje.

— Tudo de mim para todos nós.

— Tudo de mim para tudo que há.

— Viu? Tudo isso, incluindo a Maz, tudo isso foi por amor, a este mundo e a tudo que há nele. Está pronto? — Ajjá estendeu as mão ao amigo.

— Sim — pegando as mão estendidas -Tudo foi por amor. Obrigado Maz. Obrigado Ajjá.

— Obrigado Dan, Obrigado Maz. Pronto?

— Pronto.

Em uníssono entoaram:

— A este mundo vim, a este mundo falhei, a este mundo voltei. Pelo amor que não senti, chorei. Pela destruição que causei, chorei. Graças a esta encarnação, conheci o amor, através do amor a redenção. Por amor então, entrego-me ao que destruí. Que meu poder torne-se luz para guiar o futuro do novo mundo que há de surgir. Para o novo mundo que criamos Agora!

E em luz aquele mundo deixou de ser, toda a dor se foi, toda a terra todo o sangue. Restou apenas amor e luz, de onde um novo mundo surgiria, repleto de magia. Fruto do amor dos três monstros que nunca amaram, um mundo melhor há de surgir.

Notas finais
Obrigado por lerem até o final, espero que tenham gostado. Todo comentário é bem vindo. E que o amor traspasse a vida de vocês como ele fez com esse mundo sem nome.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!