Conto de uma ninfa qualquer
1 e la se foi da rosa negra a cria
Notas iniciais
Dizem que nasci da própria rosa, um botão de rosa negra com pétalas semelhantes a veludo, que ao se abrir, deixou a vista um ser tão branco que até os raios da lua sobre minha pele cintilam, meus cabelos, loiros e ondulados tão perfeitos que eram confundidos com branco naquela noite, os olhos refletiam a cor da própria natureza de onde nasci ou as vezes confundido com o azul do céu em meus dias, as orelhas pontudas como toda ninfa, apenas algo contradizia, em minha pele, traços finos e delicados, pretos, em meu corpo se via , traços que somente me auxiliam, sendo exótico o ar que possuíam, minha boca vermelha parecia convidativa, e na cabeça um arco de rosas pretas como a que eu nascera. Com o tempo os traços não ficavam 24h a vista, apenas quanto o topo do ceu o sol atingia e durante a noite.
Ate meus 15 anos eu andava somente na floresta em que nasci, passando a maior parte do meu tempo perto ao mar, ou a cachoeira ou aos campos de flores que la havia, colhendo frutas brincando de se esconder e fazendo coroa de flores com as outras dríades.
Desde pequena sou bem querida entre todas, possuía como melhor companheira uma náiade chamada Néfera, seus cabelos eram lisos e pretos, seus olhos azuis e sua pele sedosa, com os anos se passando adquirimos um carinho e desejo uma pela outra, passávamos noites nos relacionando, trocando caricias, ela admirava meus traços e eu amava seus cabelos. Como era comum entre as ninfas, também me aventurei com alguns sátiros.
Tudo ia bem, ate que em uma tarde, onde eu estava com outras dríades brincando na cachoeira um barulho na floresta nos assunta, todas as outras correram do local ou se transformaram, eu, curiosa parar saber o que era, me escondi no tronco de uma arvore perto da Cachoeira e vi quando ele surgiu, tão radiante como sol, seus cabelos loiros despenteados estavam encharcados de suor assim como suas roupas, ele se aproximou do agua e lavou seu rosto, logo depois retirou a blusa deixando a mostra seu abdômen perfeitamente definido e entrou na cachoeira refrescando-se, eu fiquei la, apenas a admira-lo, até que ele saiu e em meio a floresta desapareceu.
A imagem daquele jovem não me saia da cabeça. A noite chega com um ar de brincadeira, junta a ela meus traços começavam a aparecer, perto do mar todas as ninfas se reuniram para dançar e como sempre la estava Néfera, me aproximo dela e tampo seus olhos, com surpresa ela diz meu nome então desço as mãos para seus ombros beijando sua bochecha e a saudando, ela se vira para mim e acaricia minha face depois se afastando para um canto isolado, a sigo ate onde haja so nos duas, envolvo-a com os braços e nos entrelaçamos, ela seguia meus traços com a ponta dos dedos em meio ao prazer do momento.
O dia seguinte fora igual a qualquer outro, mas me parecia monótono, aquele garoto não saia de minha mente e para que ninguém reparasse evitei companhia, recolhi frutas e plantas medicinais, treinei atirar facas e flechas, mas nada me distraída. Como a noite vem depois do dia as estrelas já apareciam no céu, me aproximo da mesmo cachoeira que uma vez o tinha visto e fico sentada em sua beira, olho meu reflexo e logo percebo que meus traços começam a aparecer. Fico ali sentada brincando com a agua, tão distraída que nem reparei no som de alguém se aproximando, e fui pega de surpresa quando avistei outra sobra refletida na agua, olho para o lado e não acredito no que vejo, era ele, ou talvez fosse eu imaginando de novo? Não, dessa vez era ele, e estava do meu lado perguntando “ então era você que estava balançando os galhos daquela arvore?” fico perplexa, sem menor ideia do que fazer, ele sorri, seus dentes eram tão brancos como se podia ser, seus cabelos encaracolados loiros e seus olhos que olhavam os meus eram pretos e profundos que me tiravam as palavras, ele se aproximou do meu rosto e afagou meus cabelos dizendo:
— Você é tão linda!
Ele se aproxima mais de mim, fora algo tão rápido que mal reparei que nossos lábios se tocavam e nos beijávamos intensamente, tão logo ele abraçava minha cintura e eu o envolvia pelo pescoço, ele me deita na margem do rio e o local onde o vira pela primeira vez virara nosso leito de amor, o noite se esvaia e com ela o tão misterioso garoto que me dera a promessa de que voltaria.
Assim se repetira toda vez, ele vinha com a noite e jurava voltar quando se despedia, conforme os encontros descobri que o lindo garoto de olhos negros tinha o nome de William e era filho de Apolo, nascera na Inglaterra mas com a morte dos pais foi morar nos EUA com a tio, logo descobriu ser meio-sangue e foi para o acampamento, também descobri que ele veio a floresta por causa de uma missão que lhe passaram, mas já havia terminado e teria que voltar ao acampamento, so estava ali por mim mas teria que ir.
Quando descobri que William partiria fiquei triste, ele não podia ir para não mais voltar, eu o... será? Será mesmo que o amava? Talvez o amasse muito pois no dia de sua partida ( um dia em que ele se lamentou junto a mim ) eu o segui, me escondendo nas arvores acompanhando-o pela floresta.
No dia anterior já havia avisado a Néfera que partiria, ela ficara tão arrasada, não acreditou em mim, depois ameaçou me seguir mas aceitou no final, aquele foi o último dia, nosso último beijo e para que se lembrasse de mim, a dei uma rosa negra da coroa que em minha cabeça estava ao nascer.
E la estava eu, tentando acompanha-lo ate que um barulho forte de asas ressoa e aterrissa, bem atrás dele e do lado da arvore que o tronco me servia de esconderijo, uma horrenda Quimera, William logo se virou para ela e tenta apunhala-la com a espada, mas a terrível criatura se desviou e em um salto ficou encima dele, desesperada pego uma de minhas facas e atiro na criatura acertando sua pata, a quimera gritou e erguendo a pata machucada deu o espeço suficiente para que o garoto rolasse e escapasse correndo por entre as arvores, camuflada a um galho da arvore observava a sena da quimera voando na direção de meu amado e ele preparando uma flecha no arco quando de repente a corda do arco de arrebenta, tão surpreso quanto eu William procura sua espada mas a vê longe de mais, vendo-se sem armas ele tenta correr para longe mas tropeça, a Horrenda criatura já bem próxima dele, procuro desesperadamente meu arco e puxando uma flecha a posiciono e atiro na criatura, a quimera geme de dor e se afasta de William procurando-me, mas antes consiga me farejar atiro outra flecha em suas costas de leão, e outra quase em seguida, com a quarta flecha acertando quase no mesmo local que as outras a criatura cambaleia, atiro mais uma flecha e sem aguentar a quimera cai no chão ainda viva, me aproximo dela e perto o suficiente atiro uma última flecha em seu coração matando a criatura.
Perplexa caio de joelhos no chão arrumando meu arco nas costas e olhando para a criatura morta a minha frente, surpreso William vai ate mim e me pega nos braços dizendo:
— Você veio!! Como pode se botar em risco por mim ?? Está doida?? Você foi incrível!!
O olho e acaricio o seu rosto esquecendo a criatura e dizendo:
— Como poderia deixar alguma coisa machucar quem amo?
Ele sorri e me beija devagar.
O resto da viagem foi calma, além do que, faltavam poucos quilômetros para o acampamento e não demorou muito ate chegarmos, a pior parte foi mesmo ter que me acostumar ao novo meio em que cheguei.
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