Conto de Fadas

Alice, talvez você me entenda

Na loucura de sua história

Na vida em sua tenda

Na corrida contra as horas

A Cinderela perdeu seu sapato

Que ninguém mais poderia ter usado

Não naquela hora,

Nem naquela história

Talvez a fera fosse mais bonita que a Bela

Arrogante como era

Tentando não parecer

Lá no fundo de seu ser

E o beijo que acordou Adormecida?

Como poderia alguém ter amado

Quem nem conhecia?

Oh, meu jovem Príncipe Encantado

Já tentou olhar para os lados

E cair em si?

As princesas não existem mais

As antigas sofredoras que de nada eram capaz

Só sabiam esperar e esperar...

E sofrer cada vez mais

Por feridas bobas que jamais iriam sarar

Bobas essas princesas...

Filhas de madrastas más

Que elas nunca poderiam amar

Ah, sim, essas arrogantes princesas...

Branca de neve

Boba como era

Ao comer da maçã mais vermelha

E desmaiar por pura nojeira

Apenas para ganhar um beijo

De um homem que nem conhecia...

Oh, talvez a história mais verdadeira

Realmente seja a de Julieta

A princesa sofredora

Tão calada e promissora

Tão boba e apaixonada

Que acabou sendo encantada

Pelos versos de um fanfarrão

E morreu sem perdão

Oh, Julieta

Talvez uma tragédia

Fosse mais adequada hoje em dia

Que as meninas ficam na sarjeta

Pensando que sofrem, que morrem

De um amor impossível

Que jamais será vivido

Alice, será que me entende?

Ou é muito nonsense?

É impossível acreditar

Que os príncipes de hoje em dia

Podem causar coisas piores que as madrastas

Que continuam

Apenas sendo amaldiçoadas?

E as princesas

Iludidas pelos contos de fadas

Esperando alguém que diga ser sua fada madrinha

Para fazer de sua simples vidinha

Uma história bonita para se ler?

Ah, que ironia!

As histórias só se passam num passado

Num tempo inalcançável

Talvez nunca vivido

Por quem tenha escrito

Alice, perdeu tempo?

O coelho já se apressou?

Talvez seja sempre bom ouvir algumas verdades

Independente da sua idade

Oh, Alice, talvez você jamais vá me entender

Por dormir em toda história que sua irmã citava

E sonhar com o mundo que sua mente inventava

Onde nenhuma princesa morava

Apenas uma rainha louca

Que de ver cabeças rolando gostava

E ria alto enquanto você chorava

Já havia imaginado que depois de casada

As princesas viram rainhas

Largando suas vidinhas

Para mandarem cortar cabeças?

Oras, Alice, não precisa temer

Pois você pode dormir

Assim que ouvir

Sua irmã começar a ler...

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Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.