Notas iniciais
Espero que gostem

No reino encantado da vida real, as contradições enfadonhas se faziam presente no cotidiano de príncipes, princesas, fadas e bruxas. Enfim a história que contarei a seguir é um pouco absurda, mas saiba que todos os contos tem dois lados e o lado mais convencional é o que acaba por ser aceito no término de tudo, mas isso deixarei que você o nobre leitor julgue como achar melhor e sem mais delongas vou narrar a história não contada da floresta encantada.

Era um dia como outro qualquer, estava ensolarado, a primavera começava a dar indícios de sua presença, flores das mais variadas começavam a desabrochar, arvores elegantes com suas folhas impotentes davam magníficos e saborosos frutos, o riacho milagroso começara a correr ao sentido oposto novamente como acontece em toda a primavera. Sei que você deve estar confuso acerca do riacho, mas isso eu explicarei outrora, o que realmente importa nesse momento é saber o riacho corre ao contrario no verão e na primavera.

Duas crianças colhiam os primeiros frutos da estação e colocavam em uma cesta, e todos sabem que os primeiros frutos são os mais saborosos. A menina sempre atenta observava tudo ao redor para não passar nada despercebido, afinal o sustento da família dependia do sucesso da colheita, o menino sempre sonhador, olhava o riacho esperançoso, ainda ia encontrar uma forma de realizar seus desejos, queria ser servido, ter posses e não ter que ficar colhendo frutos caídos para vender no palácio.

Assim que terminaram partiram os dois para o palácio do rei e lá foram bem recebidos pela rainha, esta era a melhor freguesa, sempre comprava quase todos os frutos.

Rainha: Os frutos estão muito bonitos, espero que estejam saborosos também.

Menina: Com certeza estão saborosos, vossa majestade.

Rainha: Maria, linda e inocente menina, não precisa de tais formalidade, sabes que sou sua amiga, sua e de seu lindo irmãozinho João.

Maria: Agradecida rainha, agora temos que ir, o papai deve estar preocupado.

As crianças saíram e foram para casa enquanto a rainha arrumava os lindos frutos no cesto encima da mesa, logo chegou a hora do almoço, seu marido e sua enteada sentaram-se ao seu lado e juntos tiveram uma bela e tranquila refeição.

Rei: eu posso dizer que sou o homem mais feliz de todo o universo, tenho uma linda esposa compreensiva e amorosa e tenho uma filha linda e deslumbrante.

Rainha: eu só tenho a agradecer por ter uma família tão linda, sou muito feliz desde o dia em que te conheci, amo-te muito meu senhor, meu rei.

Rei: e quanto a você Branca, minha filha tem algo a dizer?

Branca de Neve: Pai eu peço licença para me retirar, pois estou sem fome.

O rei e a rainha entreolharam Branca de neve e sem entenderem nada liberaram a jovem moça da mesa. Em seu quarto, Branca de neve era um mar de tristeza, estava chorosa e melancólica.

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Em um lugar não muito distante uma velha senhora e suas duas filhas estavam tricotando um belo capuz vermelho enquanto uma jovem muito bela estava sentada próxima a lareira cheia de fuligem escrevendo em um pequeno caderno em branco, estava tão distraída que nem viu a senhora se aproximando com agulha na mão.

Senhora: Cinderela minha querida, você pode comprar um pouco de lã, estou sem e preciso terminar esse capuz.

Cinderela: agora estou ocupada, estou a escrever, será que não pode mandar uma de suas filhas?

Senhora: tudo bem, eu só queria saber o que posso fazer para você me considerar da família, não foi culpa minha a morte de seu pai, não sou o monstro que você imagina.

Cinderela abaixou a cabeça e nada disse, pegou o dinheiro na mão da madrasta e foi comprar a lã.

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Branca de neve aproveitou do momento de distração do rei e fugiu pela janela, estava caminhando em direção a floresta quando encontrou Cinderela.

Branca de Neve: Nossa quanto tempo que não te vejo? O que faz aqui?

Cinderela: Estou servindo de criada mais uma vez para ela.

Branca de neve: Pelo menos você não precisa fingir que gosta dela.

Cinderela: Problemas com sua madrasta?

Branca de Neve: O de sempre, meu pai não enxerga a cobra que habita dentro de casa e eu sou obrigada e aceitar tudo e abaixar a cabeça.

Cinderela: Sabe o que nós podíamos fazer?

Branca de neve: O que?

Cinderela: Fugir, poderíamos ir par bem longe.

Branca de Neve: sua ideia é tentadora, mas não posso, não ainda, mas saiba de uma coisa, assim que as coisas se ajeitarem, iremos embora juntas.

Cinderela: Isso é uma promessa?

Branca de neve: Sim, é uma promessa, agora eu tenho que ir até o riacho antes que descubram que eu não estou em meu quarto.

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Cinderela comprou a lã para sua madrasta e voltou para casa, a menina parou para admirar o trabalho da senhora que vinha sendo sua mãe durante alguns anos, o capuz estava ficando lindo e depois de pronto com todo o cuidado ela colocou em uma pequena caixa forrada com veludo e para finalizar fechou-a com um laço vermelho.

Cinderela: Ficou muito bonito.

Madrasta: Obrigada querida, isso é um presente muito especial que darei para uma amiga.

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Branca de neve abriu a sacola que carregava e pegou um cantil e com o mesmo encheu até quase transbordar do riacho que corre ao contrario, a pobre menina estava determinada em acabar com seu sofrimento.

Assim que chegou em casa, voltou para seu quarto e lá ficou sem ser notada até a alegre madrasta anunciar que o jantar seria servido e como sobremesa tinha torta de maçã, sua especialidade.