As seis da manha já se ouviam bravos rugidos de despertar, não era um leão no parque, longe disso, era só mais um vagabundo marginalizado que acabara de acordar, não voluntariamente, eu garanto, o vento frio que vinha do norte da cidade de Nova Iorque,
varria o jornal para longe do corpo gelado e maltrapilho de Mostarda, deitado no banco.

Mostarda era um homem solitário, porem não era um homem sozinho, ao seu lado caminhava amarguradamente um ser cuja sua lealdade por poucos poderia ser desafiada, suas quatro patas se revezavam a tocar o chão frio, seus pelos curtos e sujos se balançavam num ritmo de marcha, seria poético, se não fosse apenas um pobre cachorro de rua, porem esse cachorro de rua, diferente da maioria dos outros, possuía um dono, um dono de rua, seu dono era um mendigo que morava em uma caixa de papelão no parque Mostarda era o seu apelido pois o seu verdadeiro nome ele já havia esquecido.

Para os que de longe o avistavam, Mostarda poderia parecer mais um louco conversando em alto e bom tom com seu cachorro, porem Mostarda tinha um dom, um dom que poucos mantem apos a idade adulta, Mostarda era uma criança em espirito, Mostarda não agia de forma infantil, porem sua dura realidade lhe proporcionou ao longo dos anos uma forma de se defender da sua situação

Poucos sabiam que Mostarda, na verdade, havia escolhido a vida que levava, Mostarda havia recusado a cruel verdade capitalista, havia aceitado a fome e a sede como uma forma de protesto, uma forma de dizer ao mundo, que a felicidade esta nas coisas simples da vida, coisas que o dinheiro não pode comprar ,Mostarda não possuía nenhum bem material, nenhum feito para se orgulhar, nada para se olhar para trás e falar “valeu a pena” ,exceto seu orgulho, orgulho de viver isento de uma sociedade selvagem, orgulho de em cada gesto expirar rebeldia, mostrar para todos os que o rodeiam ,que o dinheiro não e a fonte da felicidade.

Em um dia de chuva, ouvia-se um súbito e seco som enquanto Mostarda tropeçava ao correr para se abrigar debaixo do banco em que costumava dormir, quebrando assim a esperança e o pescoço de um homem que acreditava em um mundo melhor.

Mas quem se importa? Era so mais um vagabundo marginalizado

Notas finais
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