Conto
1 Apólogo
A historia se passa em um chalé no alto de uma montanha dos Alpes, com clima intensamente frio e como todo chalé, distante de qualquer civilização. Neste chalé trabalhou um, não mais vivo, zelador, pobrezinho, só tinha 26 anos, e só queria um emprego provisório pra as férias com salário garantido, já que não garantira a mesada da mãe... Às vezes penso em ter pena dele, mas não sou dessas de chorar, já que lagrimas não ressuscitam ninguém. Pois bem, certa vez começou um rumor no chalé, que a principio era só uma brincadeira de universitários que foram em viajem para pesquisar pela montanha. Os universitários haviam criado um boato de que um homem todo deformado por causa de um acidente numa fabrica de metais estaria rondando as proximidades do chalé. Logo veio a segunda mentira: que esse homem deformado estaria cortando pulsos de pessoas, depois as decapitava, deferia uma lança em sua barriga, e cortava as pernas do morto e com o sangue dele escrevia na arvore ou pedra mais próxima “Estive aqui”.
Mesmo sendo uma lendinha das mais caseiras e absurdas, o zelador teria de ir verificar para, pelo menos, tranqüilizar os hospedes do chalé. E lá foi ele andando dentre a neve e com o vento forte a bater em seu rosto. O vento ficava cada vez mais forte à medida que ele se afastava do chalé, como se o próprio ar quisesse dizer ‘Regresse’. Não demorou muito e ele estava de volta ao seu posto: não encontrara nada, mas não significava que os boatos haviam cessado... Aquela noite foi tensa, e fria, tempestuosa e apavorante, em suma, tudo o que remetia qualquer um a medo. Por volta das uma da manha a porta de entrada abriu estridente, batendo com toda força na parede, o vento e a neve entraram e o frio percorreu todos os cômodos, uma mulher gritou e o zelador, temendo, mais pelo emprego do que pela mulher, foi ver a porta, era ninguém mais ninguém menos que o Sir. Chevutz, que voltara de uma longa viagem a Pensilvânia, local onde residiam seus filhos. Sabe-se lá porque não morava com eles, muitos já comentavam que certa vez o Sir. Chevutz fizera algo tão monstruoso que a única pena severa o bastante seria a morte, ou talvez esta mesma não fosse inteiramente cruel pra remover a culpa daquele senhor. O homem entrou balançando as botas cheias de neve e se dirigiu ao quarto de costume, que sempre alugava com o Mr. Löguan, dono do chalé, não falou com ninguém enquanto subia as escadas, nem mesmo com seus conhecidos, parecia ter algo muito importante para fazer no quarto. No dia seguinte o zelador acordou às 5h e 50 min, como de costume, foi abrir as portas do chalé e buscar lenha para as lareiras dos quartos, enquanto descia reparou um rastro de sangue que na noite anterior não estava lá, o rastro seguia para o quarto do Sir. Chevutz, mas nada noite anterior não havia sangue e ele não apresentava o menor dos sinais de dor, nem escondia nada, a não ser que tivesse saído novamente àquela noite, impossível, o zelador teria ouvido, com seu sono leve, e ainda mais por seu quarto ser do lado da porta de entrada de onde começavam os rastros. E ninguém mais entrara lá naquela noite e não havia rastros do lado de fora, o que fazia aquilo cada vez mais espantoso. Então, chega à porta um menininho todo esbaforido, que bateu com tanta força que deixou parecer que fazia aquilo por sua vida. Bem na hora que zelador ia sair deu de cara com a figurinha que lhe disse ofegante “Acabaram de matar uma mulher nos arredores do chalé e o representante desta área quer que todos entrem em alerta e tomem o máximo de cuidado!”. O zelador assentiu e o jovem saiu correndo em meio à neve ate desaparecer na paisagem branca. “Tinha de ser comigo...” Pensou ele, mas agora era tarde para reclamar. E se o mal estava solto, não era culpa dele... Foi à floresta buscar lenha mesmo assim achando que a noticia da morte era só mais um boato exagerado para assustar pessoas, porem, ao chegar à clareira onde sempre pegava a lenha lá estava o corpo da mulher, dilacerado, decapitado e nu. Foi uma das cenas mais horríveis que ele já viu, havia sangue por todos os lados, como se o assassino tivesse passeado arrastando o corpo pela neve. Havia um corte em forma de cruz que ia do inicio do pescoço ate o umbigo e parecia ter sido aberto de forma a deixar ver os intestinos da pobre mulher decapitada. Naquela hora ele sentiu uma mescla de medo e nojo, foi ate a arvore mais próxima e vomitou, quando levantou a cabeça, mais aliviado, viu que tocava em uma mensagem escrita com sangue na arvore com os dizeres: “Estive aqui”. Afastou-se andando de costas e tropeçou numa perna que já tinha o sangue enegrecido pela noite passada. Fechou os olhos querendo que fosse um pesadelo, não era! Tentou se acalmar e finalmente se levantou. “Porque ninguém removeu o corpo daqui?” pensou ele pondo a mão no coração tentando conter o batimento acelerado. Caminhou mais um pouco indo sentar numa pedra, onde do lado jazia um dos braços da vitima, coberta de um sangue escuro e rígido...
Notas finais
* Continua...
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