Continuos
1 Uma parada, um desconhecido, uma mudança.
Notas iniciais
odos os dias, um após o outro, sempre a mesma coisa. Estava em meu assento de sempre, na mesmo janela, olhando as mesmas coisas, a monotonia humana é algo realmente interessantemente chato de ser ver. Eu nunca me senti... em casa, parte de algo. Sempre penso que não estou no local certo, no planeta certo... no universo certo.
Meus pais sempre estiveram ao meu lado em tudo, mas parece que eles são forçados a ficar. Meu pai um simples engenheiro e minha mãe uma artesã famosa no estado, sou filha única, sou A filha única estranha da família, a única de cabelos negros, a única excluída, a única que não gosta de cachorrinhos fofos e peludos. A excluída azarenta que só atraía desastres, as vezes penso que deveria deixar de exis...
— Com licença, posso me sentar? — Fui esvaída de meus pensamentos por um homem estranho, em todos as vezes em que viajo nesse ônibus, nunca, mas nunca mesmo, se sentaram ao meu lado, se bem que seu rosto não me é familiar, nunca o vi nesse coletivo... eu sentia algo errado nele, algo me incomodava de um jeito assombroso... algo ruim iria acontecer.
— S-sim, ahn.. e claro. — falei retirando minha mochila do assento ao meu lado, dando lugar ao homem.
— Sabe — ele começou a falar — você parece ser uma garota muito reservada, nunca a vi sorrir ou demonstrar algum sentimento.- falou com um sorriso
— Não gosto de me demonstrar.- Falei sem dar importância... se bem que, como ele me observava? Eu nunca o vi em local algum onde estava.
— você me lembra uma amiga... — ele falou vagamente. — mas não acho que a conheça, ela era muito azarada, assim como você. — agora sim ele conseguiu minha atenção. O mirei assustada e me virei rapidamente para me afastar dele.
— Ah.. Era assustada e bem cuidadosa assim também.- falou rindo e balançando a casa em sinal de negação.
— Q-quem e você? — o perguntei perplexa, ele riu e apontou pra mim.
— Não, Não querida. A pergunta é Quem e você? — Ele sorriu de canto e olhou para frente- você sabe quem é você Kayt? — falou em um tom sombrio.
Nisso eu senti algo perfurando minha cintura e quando percebi, o ônibus não estava mais em movimento, os olhos do homem a minha frente mudaram de cor, de preto ao roxo violeta, seu rosto se afinou de um jeito que sua boca agora tomada por dentes afiados,seu corpo afinou fazendo que ele aumentasse duas vezes seu tamanho, senti o grito entalado em minha garganta mas por algum motivo eu não me sentia apavorada, eu sabia, não sei como que ele era fraco, porem ele veio para cima de mim em minha distração cortando meu braço provocando um corte profundo, eu me via inundada de sangue e uma dor horrível, seu sorriso me fez senti ódio e com esse sentimento veio outros, como um instinto que foi ativado, eu senti o impulso de pular por cima de sua cintura e arranhar sua cara e foi o que eu fiz, porem não o consegui fazer sangrar, ele me empurrou contra a janela provocando uma rachadura, fazendo que eu sentisse uma dor cruciante em minhas costas, acho que esse impacto me provocou umas costelas quebradas. Com forças, que não sei de onde saia, eu o empurrei ate que batesse com as costas na porta traseira do coletivo, porem quando apoiei meus braços para mobilizá-lo percebi que minhas unhas estavam gigantes e negras como lâminas bem afiadas, meu braço estava negro e eu me sentia poderosa de um jeito que eu pudesse fazer qualquer um se ajoelhar aos meus pés. A dor em minhas costas tinha parado, um sorriso diabólico brotou em meus lábios, essa definitivamente era a melhor sensação que ja havia experimentado. O homem mudou a expressão de divertimento ao espanto e logo após medo. Sim eu o senti com medo de mim.. Acho que se eu me visse, também sentiria.
— O que e você? — perguntei, ele sorriu nervoso e levantou as mãos em rendição.
— Um Mitoriano... Olha me desculpe-me, não me informaram que a senhorita era uma místice, perdoe-me.- Falou, franzi o cenho em duvida, passei minhas unhas por entre seu pescoço e vi linhas de algo branco descer pelo seu tronco e manchando minha blusa, e pela expressão dele doeu e muito. Apertei mais meu braço contra seu pescoço.
— O que é uma Místice?- perguntei com tom de ameaças, ele me deu um olhar de puro medo, e eu senti... Senti fome, seu medo e desespero me deram fome. Uma sensação muito agonizante que me dera vontade de comer algo que estava a minha frente.
— A-acho que es-esta na minha hora!- falou e um feixe de luz encobriu meus olhos, me fazendo os fechar instantaneamente, ao abri-los de novo eu estava em meu normal, no mesmo assento, na mesma janela. Meu corpo estava normal, e não havia ninguém ao meu lado como sempre. Me pergunto se isso foi um sonho, uma mera imaginação de minha cabeça porem a janela ao meu lado estava a rachadura provocada pelo impacto de meu corpo e em minha blusa estava a mancha branca do sangue daquele ser... “Mitoriano”, e agora eu realmente me pergunto... será que realmente faço parte desse mundo continuo?
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