Contemporary Dance Academy

1 Capítulo 1 - Quem diabos é Alexander Lipphaus?


Esse era meu mais importante ano na Contemporary Dance Academy. A Companhia faria um festival de apresentações pela Inglaterra e eu, juntamente com outro alguém, que, por alguma razão desconhecida, ninguém ainda o conhecia, faríamos o casal princripal. Eu estava em êxtase.

Sempre fora meu sonho dançar em frente à milhares de pessoas e saber que elas estavam ali por mim. A dança é a minha vida, sempre fora. E agora eu tinha a oportunidade de mostrar tudo aquilo que eu me dedicara e sofrera tanto. Meu momento estava chegando, e isso me deixava no ápice em nervos.

Tentei não pensar mais nisso enquanto caminhava pelos longos corredores da Academia. Algumas pessoas passavam por mim e me cumprimentavam, por estar aqui a muito tempo, conhecia a maioria das pessoas que estudavam ali. Avistei três cabeças loiras em frente ao mural dos dormitórios e sorri ao ver como riam de qualquer estupidez que, provavelmente, havia saído da boca de Louis.


– Clones! — disse assim que estava mais próxima à eles. As três cabeças viraram imediatamente em minha direção e me perguntei se aquilo era natural ou se eles ensaivam contando até três quando eu não estava vendo.

– Mel! — Louis foi o primeiro a se pronunciar enquanto se aproximava mais de mim e me tirava do chão com seu típico abraço de urso.

– Clone número um! — disse enquanto apertava suas bochechas. Ele apenas riu enquanto tentava morder as minhas.

– Tira essas suas mãos imundas do meu doce, Louis! — Travis disse enquanto tomava o lugar que seu irmão se encontrava antes.

– Seu doce? — perguntei com as sobrancelhas arqueadas.

– É claro, Mel. De quem mais seria? — ele disse rindo enquanto dava um beijo estalado em minha bochecha.

– Essa melação de vocês me dá vontade de vomitar. — foi a vez de Anabella se pronunciar. Larguei Travis e corri em direção à loirinha de cabelos artificialmente cacheados e olhos azuis que se encontrava no canto do quadro de avisos com os braços cruzados em sinal de chatiação.

– Loirinha! Você sabe que eu te amo! — disse enquanto a tirava do chão. Anabella era um ano mais velha que eu, assim como seus irmãos, mas parecia ter a metade de sua idade, dito que sua estatura não passava de um metro e meio.

– Me larga Melissa, que nojeira! — ela esperniava.


Anabella nunca fora o tipo de pessoa mais afetiva do mundo. Mas eu havia acostumado com seu jeito rabugento de ser. Chegava a ser fofo seu jeito rebelde mesclado com suas feições angelicais e porte baixo. Ela, Travis e Louis são irmãos gêmeos. A mãe deles tinha problemas para engravidar, então decidiram fazer uma inseminação artificial. Deu certo logo de primeira, fazendo com que essas três pestes nascessem.


– A Anabel fica nessa agora, mas não cansou de ficar reclamando o fato que você não ter ido passar as férias com a gente, Mel.

– Ah, eu sei que essa baixinha me ama! — disse rindo enquanto Anabella revirava os olhos.

– Falou a gigante!

– Pelo menos eu posso ir na montanha russa adulta. — disse dando a língua enquanto Travis e Louis gargalhavam.

– Como se isso fosse grande coisa. — Anabella murmurou fazendo com que os outros rissem ainda mais.

– Mas então... Vamos deixar de atormentar a minha pequena. — Louis disse enquanto fazia um cafuné com mais força que a necessária fazendo com que Anabella pisasse propositalmente nos pés do mesmo. — Au! Anabel! — ele se queixou enquanto largava a baixinha.

– Isso é pra aprender a não mexer no meu cabelo. Fiquei muito tempo com o babyliss nessa droga pra você destruir tudo. — ela dizia enquanto olhava pelo vidro do quadro de avisos o quão deveria torturar seu irmão pelo que ele acabara de fazer com seu cabelo.

– Quanto rancor! — Travis disse e eu apenas ri. — Mas então, docinho.

– Docinho? — olhei incrédula. — Sério mesmo? Parece coisa da época em que minha avó ainda era galanteada.

– Falou quem usa o verbo galantear numa conversa informal. — Louis defendeu o irmão, fazendo com que eu batesse em sua cabeça. — Mel! — queixou-se.

– Isso é por ficar contra mim. — disse rindo e Anabella me acompanhou.

– Isso mesmo garota, mostra quem é que manda! — ela disse enquanto fazíamos um Hi5. Os garotos apenas reviraram os olhos.

– Mas então... Deixando de lado o momento garotas unidas... Já descobriu quem vai contracenar com você durante o festival? — Travis disse enquanto nos conduzia ao pátio lateral da Academia. Lá havia alguns banquinhos com mesas e era tranquilo para conversar, pelo menos essa hora. Nesse momento, a maioria das pessoas já estavam em busca de seus dormitórios e surtando por não conseguir achá-los.

– Não faço a mínima ideia. Isso está me frustrando. — murmurei enquanto apoiava meu rosto em uma de minhas mãos.

– Relaxa Mel, você está fazendo tempestade em copo d'água. Vai por mim. — Anabella disse e logo seus irmãos olharam em sua direção com os olhos arregalados.

– Quem é você e o que fez com a Anabellinha? — Travis e Louis disseram em uníssono, fazendo-me rir, mais do novo apelido que do espanto dos dois.

– Deus... O que eu fiz para merecer isso? — Anabella resmungou enquanto eu não conseguia parar de rir dos três.

– Vai saber queridinha... — Louis disse abraçando sua irmã de lado. A mesma bufou. Ela detestava contado físico excessivo, e, segundo a mesma, já teve contado demais com Louis e Travis durante os sete meses de gestação da mãe.

– Então galera... O papo tá muito bom, tá tudo muito ótimo...

– Desenrola Travis! — a baixinha gritou.

– Grossa. — resmungou ele. — Eu só ia dizer que é melhor a gente ir ver quais dormitórios vão ser os nossos. Daqui a pouco dá dez horas e sabem como a senhora Ramirez é. Com certeza vai querer fazer aquele mesmo discurso de todos os anos sobre o que a Academia propõe e como saíremos dela.

– Será que ela ainda não percebeu que mais da metade dos alunos dorme enquanto ela fala? — perguntei.

– Saber ela até sabe. Mas você acha mesmo que aquela velha vai perder a oportunidade de, nem que hipoteticamente, ser o centro das atenções de jovens desordeiros, como ela mesma diz? — não precisa nem dizer que foi a Anabella quem abriu a boca, não é?

– Que seja... Vamos de uma vez lá no mural. — levantamos dos banquinhos e assim que estávamos próximos do quadro, Louis adiantou-se correndo um pouco a frente.

– Vejamos... — começou ele. — Eu tô com a Anabellinha, o Travis tá com o George e você tá com um tal de Alexander, Mel.

– Como é que é? — eu e Anabella dissemos de uma só vez.

– Deixa eu ver isso direito. — afastei Louis do quadro e constatei perplexa a confirmação do que o mesmo acabara de dizer. — Desde quando os quartos podem ser mistos? Isso não era proibido o ano passado? Eu lembro o escarcéu que a Ramirez fazia só por vocês ficarem com a gente as vezes no quarto! E quem diabos é Alexander Lipphaus?