Contemporary Dance Academy
2 Capítulo 2 - Um estranho no ninho
- Eu prefiro ser chamado de Alex... — uma voz rouca e extremamente instigante soou atrás de mim interrompendo meu momento de desespero. Virei-me lentamente enquanto engolia em seco. Odiava momentos nos quais desconhecidos interrompiam meus momentos de histeria que eram presenciados apenas pelos meus melhores amigos. Eu deveria estar vermelha que nem um pimentão agora.
- Hm... Oi. — foi a única coisa que consegui dizer ao virar-me completamente e me deparar com aquela visão. Alexander tinha os cabelos negros um pouco compridos e lisos, quase na altura de seus ombros. Seus olhos eram tão ou mais negros que seus cabelos. Seu rosto era afilado, tinha lábios carnudos de um tom que eu não saberia descrever. E sua pele era morena, de um bronzeado invejável, contrastando imensamente com a minha cor desbotada. Sem contar nos seus quase dois metros de altura que me faziam olhar para cima quando ia lhe dirigir a palavra.
- Então você é... Melissa Carter, certo? — ele disse após me afastar um pouco do quadro de avisos e localizar seu nome.
- É. — respondi sem ser muito o que dizer. Alexander olhou novamente para mim e deu um singelo sorriso de canto que me fez o odiar mortalmente pelo simples fato de ter conseguido prender minha atenção ali e me deixar sem palavras.
- Pelo visto você não é uma garota de muitas palavras, não é? — perguntou com as sobrancelhas arqueadas. Ato que o deixava ainda mais instigante.
- A Mel? De poucas palavras? Cara... Você não viu foi nada! Guarda esse momento pra sempre porque nunca mais vai ter tanto tempo sem ouvir a voz dela de novo! — Louis disse rindo, fazendo com que meu estado de transe se perdesse. Estava tão absorta que até mesmo havia me esquecido da presença dos loiros. Anabella olhou pra mim com um sorriso estranho no rosto e fiquei com medo. Nada de muito bom saía quando Anabella sorria. — Eu sou o Louis, cara. E esses são meus irmãos Travis e Anabellinha.
- Louis, seu idiota. Para de me chamar que nem cachorro! — Anabella disse enquanto dava um tapa na cabeça de seu irmão. Alexander apenas riu juntamente com Travis, enquanto eu, permanecia calada.
- Mas Anabellinha... — Louis fazia carinha de cachorro sem dono agora. Anabella o olhou mortalmente. — Ah, tá. Mas que coisa. A gente não pode nem dar apelidos carinhosos para as pessoas que elas já vem com toda essa brutalidade pra cima da gente... — Louis resmungou fazendo com que seus irmãos revirassem os olhos sincronizadamente. Eu apenas observava tudo. Até tentava falar alguma coisa, mas era extremamente difícil dizer algo coerente com aquele novo ser perto de mim.
O mais engraçado é que pessoas nunca me assustavam, para ser sincera, eu e Louis éramos os mais sociáveis do grupo. Era só ver uma carinha nova pelo campus que já íamos puxar conversa. Mas, estranhamente, dessa vez, eu não tinha nada o que dizer, e nem queria tomar atitude alguma para me aproximar daquele garoto.
- Mas então cara, — foi a vez de Travis falar. — de onde é que você veio?
- Alemanha. — ele disse e foi impossível não olhar em sua direção. Ele não me parecia ter um perfil alemão. Mas, se bem que, para mim, alemães eram reduzidos ao Beckenbauer: extremamente branco e de cabelo ondulado.
- O que te fez sair da Alemanha e vir parar na Inglaterra? — Anabella perguntou. Seu sonho sempre fora estudar na Academia Nacional de lá.
- Minha mãe. — todos, inclusive eu, o olharam interrogativamente. — Ela dizia que não se sentia bem morando lá... Que as pessoas a olhavam estranhas por ela estar fora do padrão alemão, que a comida de lá é uma droga, entre outras coisas que não precisam ser nem mencionadas... — ele disse rindo, mas continuávamos com interrogações em nossas feições. — Ela é latina. — um "Ahh" conjunto foi soado e Alexander voltou a rir.
- Galera, já são 9:45. Se não nos apressarmos a Ramirez vai comer o nosso fígado caso nos atrasemos para o empolgante e motivador discurso dela. -Anabella disse revirando os olhos e dando ênfase no empolgante e motivador arrancando risos do pessoal. Será que apenas eu não me sentia confortável com aquele intruso no nosso meio?
- Bom... — Travis começou ao olhar novamente o quadro de avisos. — Pelo menos a Ramirez nos colocou em quartos próximos dessa vez. Estamos todos no mesmo corredor. 603 pra mim, 605 pra Anabel e o Louis, e 610 pra você e pro Alex, Mel.
- Ok... — murmurei baixinho. Aquela tinha sido a única expressão saída da minha boca desde que Alexander se juntara a nós.
Caminhamos todos juntos em direção ao nosso andar. Louis hora ou outra soltava uma de suas piadas sem graça que faziam todos rir ou revirar os olhos, Anabella o batia cada vez que ele a chamava de Anabellinha, pois segundo a mesma, aquilo era apelido de cachorro e Travis ria e incentivava Anabella e ainda dava-lhe dicas de como acertar pontos fracos no Louis, que emburrava a cara a cada comentário.
Aquele poderia ter sido como um início de semestre qualquer, com tudo como sempre acontecia. Claro, apenas poderia, porque, nesse exato momento e em todos os antecedentes, eu permaneci calada enquanto um estranho nos cercava e, ao que parece, já conseguiu conquistar a todos, até mesmo a Anabella! E, de alguma forma... Eu não consigo me sentir a vontade ao seu lado. Não sei se são seus olhos, seus lábios, seu bronzeado invejável... Só sei que não o queria muito tempo perto de mim. Ele me deixava, no mínimo, confusa.
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