Conte-me um segredo
6 VI
Notas iniciais
VI — O que as mentiras são capazes de fazer...
Emily tinha um jeito diferente de ver a vida e era aquilo que todos a sua volta mais admiravam nela.
Diferente de todos que se prendiam a certos estereótipos, ela sentia-se livre para aderir ao que bem entendesse, gostar do que lhe chamasse atenção e criticar com louvor aquilo que não considerasse pertinente.
Foi por isso que ela ficou tão apaixonada pela Ordem e tornou-se o que é conhecido no grupo como stalker: alguém que não faz parte de nenhum dos círculos fechados, mas sabe tudo sobre todos os lutadores. Bom, quase, pelo menos.
Desde que nós entramos nesse mundo, ela tem feito de tudo para se encaixar no que entendia como padrão da Ordem. Ela assistia à lutas do UFC, participou de algumas aulas experimentais de Mwai taii, na academia, busca sempre tirar fotos malhando, postar em suas redes sociais e postar alguns dos seus lutadores favoritos ─ como Zeny ─ e dedicar seus dias de treino à eles. Era um pouco fanática com o assunto, então, passei quatro semanas inteiras a ouvindo falar somente sobre isso.
Imaginei que, quando ela viesse para o campus, seria diferente, já que nossa vida de universitária nos proporcionaria um novo mundo de possibilidades, contudo, para minha decepção, ela ainda estava imersa nesse universo.
Por isso eu estava aqui, usando meu melhor par de óculos, com as pernas cruzadas, sentada em uma mesa protegida por um longo guarda-sol branco, tomando um ótimo suco de abacaxi enquanto a ouvia tagarelar sobre as coisas que já havia visto nos últimos dias.
Ela chegara dois dias mais cedo, pois precisou participar da iniciação da sua fraternidade: As Kapa Wi. Esta fora a mesma fraternidade que sua mãe participou e o ciclo também se repetiu com a participação de sua avó, uma das fundadoras. Portanto, era óbvio que sua vaga ali era mais que garantida.
─ Eu juro, Liv. Eu tenho certeza que a Mackenzie tem uma foto íntima do Sebastian. ─ e lá estava a minha doce e meiga amiga, sentada na outra cadeira, a minha frente, e mexendo em seu celular freneticamente enquanto fuxicava a vida de alguns lutadores enquanto conversávamos.
─ Tá, certo, já saquei. Mas porque raios você se importa com isso? ─ indaguei, tentando compreender qual era o problema de uma top model que a Emily idolatrava 3 anos atrás tinha ou não uma nude de um dos caras da Ordem de Ares.
Era um belo dia em Eilish. Extremamente ensolarado, com pouquíssimas nuvens no céu, o que me dava a certeza de que não haveria chuva por aqui. Além disso, a praça que escolhemos para nos encontrar, fora do território da universidade, estava repleta de turistas que aproveitavam o último dia antes do fim das férias de verão. Definitivamente era um dia bom demais para desperdiçar conversando sobre a Ordem.
─ Porque, meu bem, olha só pra essa foto aqui. ─ Ela ergueu o celular em minha direção ─ Consegue perceber os traços? Nós somos idênticas!
Ah, era isso, então.
Emily sabia que para fazer parte de qualquer círculo íntimo de qualquer um dos grupos da Ordem, eram necessárias uma dessas duas coisas: ser um homem e saber lutar ou ser uma garota namorada de um dos lutadores.
Eu não ousei ainda contar sobre a outra possibilidade, pois estava ainda protelando nesse assunto, já que me senti melhor guardando toda aquela história de Ordem no local mais profundo o possível da minha mente.
Ela entendia, então, se que se parecesse o suficiente com qualquer uma das namoradas ou amigas com privilégios dos lutadores, teria a chance com algum deles o suficiente para entrar no círculo, assim como Tris, Mel e Johana.
─ Fala sério, Emmy! Nós estamos prestes a iniciar nosso primeiro semestre na faculdade! ─ guinchei, tentando chamar sua atenção enquanto estapeava a mão que ainda segurava o celular em minha direção ─ Sabe quantos caras gatos o curso de Medicina deve ter? Pelo menos, uns cem. Você definitivamente não precisa de um membro da Ordem. Você precisa é de um cara que ficará gato em um jaleco branco com as letras D e R costuradas no bolso, seguidos pelo nome e o futuro sobrenome que será seu.
Ela fitou-me por um longo instante, ousando, até mesmo, abaixar o seu óculos de sol, para deixar seus olhos meditarem sobre o assunto por longos segundos.
─ Sabe quanto, em média, um lutador da Ordem ganha por evento? Por participar, trinta mil. Por ficar entre os três finalistas, sessenta. Por ganhar uma luta, chega perto de cento e cinquenta mil, isso porque estou arredondando todos os valores para menos, Olivia. ─ ela colocou o óculos na posição correta novamente e sorriu antes de continuar ─ Um desses caras da medicina precisará, pelo menos, chegar à residência para conseguir dois e quinhentos por mês, isso se for um hospital bacana. Se, eu disse se, der sorte e tiver um pai que já possua um consultório, por mês, ele conseguirá, como clínico geral, entre dez a quinze mil com atendimentos todos os dias, de segunda a sexta, completando todos os horários e sem atender a nenhum tipo de plano de saúde.
Eu já estava farta do seu discurso de dinheiro, então aproveitei seu momento de devaneio para terminar de beber todo o meu suco e bater o copo na madeira da mesa.
─ Sabe o que isso significa, Liv? ─ ela esboçou seu corpo em minha direção, parecendo me encarar ─ Que, hoje, somente homens com coragem o suficiente para empreender o próprio corpo são os que tem vez na rodada.
Soltei um longo bufar e bati a mão na testa, achando tudo aquilo que ela disse um absurdo.
─ Claro. E você não pode trabalhar para ganhar seu próprio dinheiro, sem depender de homem algum, certo? Porque isso seria uma baixaria! ─ resmunguei e voltei minha atenção para meu entorno, na busca de um garçom para pedir algo mais forte para beber do que necessariamente apenas um suco de abacaxi.
─ Olhe só, senhorita Mayer, a feminista. Abordando os conceitos principais da famosíssima Selena Mayer. ─ Emmy apontou para mim enquanto sorria com desdém do estilo de vida escolhido pela minha mãe.
Nada de garçons até agora, mas, pelo menos, eu conseguira mudar de assunto.
─ Minha mãe não é como essas feministas de hoje em dia. ─ garanti, passando a mão pelo meu vestido florido, que escolhi especialmente para usar neste dia de Sol.
─ Não, claro que não! Até porque as feministas de hoje em dia namoram. A sua mãe é quase que um museu malcuidado. Aposto que lá embaixo deve estar cheio de teias de aranha.
Arregalei os olhos pelas palavras obscenas que minha amiga acabara de usar para caracterizar a vida sexual da minha mãe.
─ Emmy! ─ a repreendi, olhando para os lados, buscando por qualquer olhar acusatório das pessoas a nossa volta.
─ Ah, me poupe, Olivia Mayer! Convenhamos que sua mãe precisa mesmo é de um homem para acalmar os nervos. Ela pega no seu pé e da Tris sabe-se lá desde quando. Que mãe, em sã consciência, obriga as filhas a colocarem diu assim que completam 18 anos?
Pressionei minhas coxas, com a lembrança vagando na minha mente da minha última consulta ao ginecologista para verificar se estava tudo certo desde a implantação do método contraceptivo escolhido por minha mãe.
─ É um método seguro e que não prejudica tanto o corpo das mulheres. ─ defendi, tentando parecer sensata.
─ Olivia, nós duas sabemos que sua mãe só sugeriu o diu, porque queria saber se você era, por vias de fato, virgem. ─ Emily abaixou seu óculos novamente e me olhou com um brilho malicioso nos olhos.
─ Se ela pensasse mesmo que nós duas poderíamos ser virgens, ela teria optado por outro método. ─ tornei a defender.
─ Não. Na verdade, ela queria ouvir daquele seu gineco gostoso algo como... ─ ela pigarreou e ergueu uma das mãos, colocando em uma haste lateral do seu óculos enquanto fingia ler algo na palma da sua outra mão ─ Oh, senhora Mayer! Infelizmente, não é possível realizar esta implantação na sua filha, pois a flor da puritanidade ainda está intacta.
─ Puritanidade? ─ franzi o cenho com desprezo total ─ Essa palavra existe?
─ O ponto é, Liv: Sua mãe é uma louca, obcecada por controle.
─ Desde quando entramos em pauta a segurança de natalidade do meu corpo? ─ rolei os olhos dramaticamente, mesmo sabendo que ela não seria capaz de me ver fazendo isso ─ Lembra quando estávamos falando sobre os possíveis residentes gostosos que poderemos encontrar pelo campus?
Emily teve sua atenção voltada ao seu celular, mais uma vez e eu sabia que havia perdido minha amiga novamente para o pior dos assuntos.
─ Tudo o que eu consigo lembrar agora é do formato do maxilar de Mackenzie Fray que é idêntico com o meu.
Deixando de lado seu blá-blá-blá, avistei, finalmente, um garçom que atendeu prontamente ao meu sinal, caminhando em minha direção de forma animada.
─ Já escolheu o que vai pedir? ─ indaguei, enquanto observava o garoto que não aparentava mais que dezesseis anos se aproximar.
─ Vou ficar com uma água com gás e limão por hoje. ─ foi tudo o que ela falou.
Quando o menino aproximou-se, pedi a água para Emmy e um dos coquetéis de morango que eu sabia que havia em seu cardápio.
─ Álcool antes de meio-dia, Olívia? ─ Vi uma das sobrancelhas da minha amiga se erguer.
─ Lembra o que me disse aquela noite, no Zoom? ─ indaguei de volta, deixando um sorriso falso escapar dos lábios ─ Aproveitar a vida universitária sem ser uma chatinha? Pois bem, vou seguir seu conselho.
O queixo da minha amiga só não caiu mais, porque era impossível. No mesmo instante que ela ouviu o que eu disse, retirou definitivamente seu par de óculos gatinho de hastes vermelha para me encarar com mais seriedade.
─ Você jura que está falando sério? ─ perguntou para confirmar.
Deixei o ar de suspense por alguns segundos, mas, depois de algum tempo, ficou impossível de suportar. Soltei a mais alta gargalhada, incapaz de me conter.
─ Argh! Liv, você é terrível. ─ Emmy grunhiu enquanto guardava o seu óculos na bolsa ─ Por um segundo, cheguei mesmo a pensar que havia mais por trás da doce e princesinha Liv Mayer.
─ Pois há sim, minha cara amiga. ─ acompanhei-a, guardando também o meu óculos na bolsa ─ Eu serei uma futura médica. Não tenho tempo a perder com festas, eventos da Ordem e essas coisas idiotas. Eu tenho um futuro brilhante pela frente e só vou parar, quando estiver usando um vestido extremamente sexy, branco, e estiver parada, contemplando a vista da minha cobertura em Paris, depois de um longo dia de cirurgias e, por fim, terei uma noite de descanso ao lado do dr. Sexy que me acompanhará.
─ Ai, fala sério, Liv! Essa é a merda de um sonho de princesa Barbie. Cai na real, por favor. ─ minha amiga revirava os olhos enquanto o garçom chegava por trás, carregando em sua bandeja nossas bebidas.
─ Caso desejem mais alguma coisa, é só chamar. ─ o jovem sorriu, amistoso, dando uma bela olhada no decote exposto do croped marfim de Emily.
─ Valeu, gracinha. Pode deixar que vamos chamar sim. ─ ela bebericou um pouco da sua água e acenou para o menino se afastar, da forma mais gentil que Emily Lacerda era capaz de fazer.
Assim que o menino se afastou, ela voltou sua atenção totalmente para mim.
─ Agora me diz, qual é a dessa taxa de álcool ingerida tão cedo?
Respirei fundo, bebi um pouco do coquetel que caiu perfeitamente em temperatura, pois o calor estava cada vez mais intenso ali e firmei meus olhos no copo posicionado na mesa antes de dizer qualquer coisa.
─ Odeio o Agatha. ─ falei, por fim.
─ Há! Fala sério, Liv. Você só está lá a um dia. Não dá pra simplesmente decidir se ama ou odeia o lugar sem, ao menos, ficar uma semana por lá.
─ Sabia que só no meu andar, tem quatro. Eu disse quatro, Emily. Quatro meninas que possuem mordomo em prontidão eu seus quartos? Isso porque eu só realmente pude reparar nessas coisas hoje de manhã, quando fui até a lavanderia. O que raios minha mãe estava pensando quando escolheu o Agatha pra mim?
─ Que você é a princesinha dela. Que você é a mais nova da família e, portanto, merece todo luxo e atenção. Que as outras repúblicas são uma bosta. Além, claro, do fato do Agatha ser bem localizado e você raramente precisará usar a porcaria do carro que a sua avó te dará. Quer dizer, Olivia, do que raios você está reclamando? A sua vida maldita é perfeita.
─ Hey! ─ ergui as mãos em minha defesa ─ Não quero bancar a ingrata aqui, mas qual é, Emmy! É só olhar pra aquelas meninas magricelas e loiras e perceber que eu não em enquadro naquele lugar. Definitivamente, um prédio menos chamativo, até mesmo uma parceira de quarto, tornaria minha experiência universitária mais normal.
─ Eu juro, Olivia, em todos os meus 18 anos de vida, nunca ouvi alguém reclamar de ter luxo e pedir pra trocar pelo lixo.
─ Não é isso, Emily! Não tô falando que topo morar numa daquelas repúblicas em que as meninas roubam até nossas calcinhas. Eu tô dizendo que-
─ Mayer, se toca! Você está bem localizada, mora na merda de um prédio que faz par com um dos melhores condomínios universitários de toda a Eilish, estuda na porcaria da universidade de elite da Península Dezul, vai ser uma ótima médica e, querida, você totalmente faz o tipo daquelas meninas. Olha só você! Loira, olhos claros, magra... bom, tirando os peitos que são necessariamente avantajados, posso até dizer que você se enquadra perfeitamente no grupo de elite das patricinhas de Eilish.
Revirei os olhos com o comentário patético, mas compreendi o que minha amiga queira dizer.
Obviamente eu estava passando vergonha ao reclamar da minha condição favorável.
Emmy tinha razão. Quem, em sã consciência, reclamaria de uma vida boa assim? Eu era mesmo patética.
─ A única coisa que te difere das outras é sua conta bancária que possui numerosos zeros a menos que elas, claro. ─ ela sorriu, marota, com a piada apresentada ─ E o mais próximo que você terá de um mordomo na sua vida será eu e minhas visitas frequentes para aproveitar o ar condicionado do seu quarto e a lavanderia exclusiva que vocês possuem.
Seu comentário me deixou surpresa.
─ Espera! Na fraternidade não tem lavanderia? ─ indaguei, surpresa.
─ Há! Essa história é boa, quer ouvir? Acredita que as garotas trocaram a lavanderia por uma droga de sala de ginástica? Quer dizer, não estou reclamando dos aparelhos nem nada, mas, a conta de luz vem uma fortuna e provavelmente eu gastaria uma grana boa na lavanderia e na gasolina para chegar até a mais próxima.
─ É. Definitivamente eu nunca mais reclamarei do Agatha. ─ murmurei, antes de beber mais um gole do meu coquetel e ganhar um olhar acusatório da minha amiga.
─ Não mesmo, Liv. Nunca mais reclame.
Passamos o restante da manhã conversando sobre as vantagens no Agatha e as desvantagens de ser membro da Kapa Wi. Optamos por almoçar em um restaurante de comida italiana, já que, cinco minutos após bebericar sua água com gás, Emmy desistiu de fazer a dieta que ela se programara e eu sequer sabia.
Eilish era uma cidade universitária e, portanto, o comércio girava entorno deste universo.
Praticamente todas as ruas possuíam alguma referência a universidade central daquelas terras. Havia lojas com materiais personalizados para certos cursos, hospedagem para alunos com desconto, restaurantes self-service com porcentagem de desconto para os alunos universitários, dentre tantas outras coisas que pontualmente surgiam a nossa vista e nos fazia perder tempo comentando sobre.
Eu queria que o dia se firmasse somente naquela experiência. Conhecer a cidade, rir de piadas idiotas, comentar sobre pessoas ou abanar a mão para alguns universitários lindos que passavam diante de nossos olhos. Mas, infelizmente, nem tudo decorre de acordo com o plano. E eu só pude perceber isso, próximo à sexta hora da tarde, quando o celular de Emmy vibrou em sua mão e ela sorriu animada.
─ Ótimo. Acho que conseguiremos chegar a tempo. ─ parecia que ela ditava as palavras que estava escrevendo para alguém.
─ Chegaremos a tempo onde, Emmy?
Ela olhou-me animada.
─ Nós vamos para a Day Off.
Só de ouvir o nome, meu corpo tremeu por completo.
─ Vamos para o que? ─ questionei, apavorada com a ideia.
─ Relaxa! Juro que não é nada demais. É só um encontro dos-
Cortei-a, antes de prosseguir, parando no meio da calçada, incapaz de ir adiante com aquele plano.
─ Não, Emily. Sem essa de ir a eventos da Ordem. Amanhã nós temos aula e-e.
─ O que? Quando foi que eu disse que era um evento da Ordem, Olivia? Day off é um encontro dos veteranos da Medicina. É tipo um lual na praia. ─ ela esclareceu, olhando-me incomodada com minha apreensão ─ Espera! Você... não...
Oh, merda.
─ Olivia Mayer, você vai me garantir agora mesmo que não conseguiu entrar na merda da Day On da Ordem. Porque eu juro que se você fez isso e nem sequer ousou me contar, eu nunca mais vou falar com você, ouviu bem?
Existe um ponto crucial em nossa vida que determina toda uma cadeia de sequência de fatos. Este era um deles.
Eu nunca ─ absolutamente nunca ─ havia mentido para Emily na vida. Pelo menos, não até conhecer a Ordem.
Se eu contasse para ela que eu, de fato, fui até a Day On, que eu vi Zeny Barnes, que eu conversei com ele e, pior, que eu já havia feito isso antes, possivelmente ela se tornaria, naquele instante, minha arqui-inimiga. Ela me odiaria para todo o sempre e jamais, jamais, voltaria a confiar em mim novamente. E, convenhamos, éramos como irmãs. Não seria capaz de passar pelo primeiro semestre sem minha melhor amiga ao meu lado. Portanto, num ato súbito de desespero, afim de continuar com nossa amizade fiel e quase cem por cento verdadeira, eu disse o que ela queria ouvir.
─ Enlouqueceu, Emmy? Esqueceu que eles pensam que eu sou como você, uma stalker? Jamais me deixariam entrar numa festa como essas e, caramba! Você sabe que eu nunca iria a um lugar como esse sem você.
Mentiras, mentiras e mentiras.
Ontem, no momento em que a possibilidade de ir à Day On e encontrar Zeny me ocorreu, eu sequer pensei na existência da minha melhor amiga e isso foi um erro que nunca mais cometeria, já que nunca mais eu voltaria a um evento da Ordem novamente.
Ela levou um tempo para absorver minhas palavras, mas, ao fim, com um sorriso, ela assentiu, acreditando em cada palavra.
─ É, eu sei disso. ─ bufou ─ Não é como se você, de repente, decidisse me excluir da adrenalina toda. Até porque, se me lembro bem, fui eu que praticamente te empurrei para o seu primeiro dia na Ordem.
Outra grande mentira.
Eu já havia ido antes de realmente chama-la para me acompanhar.
Que droga de monstro eu estava me tornando, afinal?
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