Notas iniciais
Olá, cá estou novamente! Nem demorei tanto dessa vez, não é mesmo? Esse capítulo trará mais algumas informações importantes sobre a Ordem e tudo que a circunda, mas estamos apenas começando. Aproveitem o capítulo!

IV — O que um trevo de quatro folhas é capaz de fazer

Insegurança.

Era exatamente isso que meus olhos apresentavam no reflexo do espelho do meu novo banheiro.

Se eu realmente planejava passar meu primeiro sábado no campus da universidade em uma maldita festa da Ordem? Claro que não! Pela agenda organizada pela minha mãe, exatamente agora, eu já deveria estar dormindo. Dormindo a, pelo menos três horas.

Para criar coragem de vir na maldita Day on, afim de alegrar meu cunhado e provocar a ira da minha irmã, tivemos que esperar pela ligação da mamãe urso, o que aconteceu lá pela nona hora da noite. Eu tive que criar todo que um ambiente, já que, pela tardinha, ela exigiu que nosso primeiro contato a distância fosse por uma vídeo-chamada, como eu previra.

Tris me ajudou com a mentira, já que nós duas começamos a arrumar minhas coisas no quarto e conversamos bastante sobre a história que iriamos contar... ou melhor, omitir.

Depois de quase duas horas contando sobre meus planos na faculdade, mamãe deu-se por satisfeita ao ver quase tudo em seu devido lugar e lembrou-me, mais uma vez, de enviar uma mensagem para minha avó, agradecendo pelo carro que eu ganharia de presente dali há uma semana.

O que vestir para um tipo de evento que eu participaria pela primeira vez na vida era algo meio complicado, então, esperei ouvir Tris e seus conselhos sobre o que fazer, o que não fazer, com quem ficar, com quem nunca ficar, até que entendi sua preocupação real com minha participação nesse evento da Ordem.

Não parecia realmente ser como mais uma rotineira noite na Zoom.

Com suas palavras, eu sentia que... era algo mais obscuro.

No fim das contas, enquanto eu andava pelo quarto, buscando por algo para vestir, eu estava ansiando por uma onda de cansaço que, normalmente, viria, após toda a viagem e as horas de organização do meu quarto. Mas não veio. Na verdade, o que insistia em ficar era aquela sensação estranha no estômago enquanto os minutos caminhavam para a meia-noite. Eu estava ansiosa, muito ansiosa. E a cada vez que eu me deixava pensar na possibilidade de esbarrar em Zeny Barnes, meu estômago dava um triplo mortal e minha vertigem atacava.

Eu não o conhecia, afinal. Não fazia ideia do que ele seria capaz de dizer para se sair bem diante de um encontro com o Don. Será que ele inventaria alguma história humilhante só para sair ganhando? Afinal, ele foi desclassificado naquela noite.

Droga. Essa é uma péssima ideia.

Decidida a dar a minha mente em algo menos turbulento para pensar, optei, então, por escolher logo o que vestir. Por fim, minhas opções para parecer discreta foram uma calça jeans slim escura, uma camiseta preta, discreta, e meu all star antigo. Havia eras desde que eu o usara pela última vez e eu nem fazia ideia do porquê eu o trouxera para Eilish, mas, naquele momento, parecia perfeito.

Para completar o visual discreto, prendi meu cabelo no topo, deixando a ponta cair pelas costas. E, é claro que, decididamente, eu não usaria maquiagem. Deixei meu rosto limpo, impedindo- de chamar qualquer tipo de atenção.

Tudo ali parecia confortável e certo.

Aproveitei para pegar uma bolsa pequena, em que carregaria o tempo todo atravessada no meu peito e esconderia meu dinheiro, junto do meu documento falso e meu celular.

Definitivamente eu parecia pronta.

Terminei de fechar todo o quarto e senti meu celular vibrando na bolsa. Ao pegá-lo rapidamente para visualizá-lo, eu percebi que se tratava de uma mensagem da minha irmã, indicando que já estava no estacionamento mofando enquanto me esperava.

No Lobby do Agatha, havia um espelho enorme, em que pude contemplar a visão do meu corpo completamente. Acenei com a cabeça, em afirmativa para o que eu vestia. Definitivamente eu estava discreta.

Eu tive certeza de que escolhi algo decente para usar, até que saí do Agatha e me deparei com minha irmã, aguardando do lado de fora de seu carro, usando um mini shorts branco, uma camiseta cropped cinza, de alcinha, com vários desenhos de trevos de quatro folhas em sua estampa e um coturno preto, que a deixava bons centímetros mais alta. Seu rosto estava completamente maquiado e seu cabelo totalmente liso, dando-lhe um aspecto mais maduro e ousado.

─ Pra onde você vai com essa roupa, Olivia? Pra um enterro? ─ ela zombou, antes que eu me aproximasse mais do carro.

Eu freei no meio do caminho, horrorizada com a possibilidade de ter optado por algo que definitivamente chamaria ainda mais atenção.

─ Que seja, garota! Agora não dá tempo. Entra logo no carro, porque estamos atrasadas. ─ ela grunhia enquanto abria a porta do motorista e jogava seu corpo para dentro de seu carro.

Precisei de alguns minutos para esfriar a cabeça e ordenar meu corpo a se movimentar.

Talvez, a ideia da roupa ainda seja boa. Talvez, a Tris é que gosta de se vestir demasiadamente para esse tipo de evento, afinal, ela é namorada do Don Cuppertino. Talvez, essa noite não seja um desastre eminente e eu tenha a chance de sair viva, com minha dignidade intacta e sem muitos problemas.

Por que foi, mesmo, que eu decidi aceitar a ir nessa porcaria de Day On?

✢✢✢

Se eu achava que já era ruim o suficiente estar vestida completamente de preto ao lado da minha irmã, a situação só piorou quando eu descobri, de última hora, que nós iríamos no carro do Don.

A porcaria de um conversível vermelho, que ele amava se gabar todo santo dia.

E, claro, ele estava usando um de seus trajes de luta, o que indicava que provavelmente teríamos algum showzinho esta madrugada.

─ Por que mesmo esses eventos precisam acontecer de madrugada? ─ resolvi perguntar, depois de bons minutos em silêncio no carro, enquanto buscava, novamente, por uma posição mais confortável no banco traseiro, enquanto meu cunhado dirigia como se não houvesse limite de velocidade.

Eu estava prensada em uma das laterais do carro, porque outros dois amigos de Don também resolveram pegar uma carona. Eu os conhecia por alto e muito mal sabia o nome de ambos, mas tinha certeza de que os dois também eram lutadores de Ares.

─ Você não precisava ter vindo, Olivia. ─ Tris lembrou-me, mais uma vez ─ Depois da mentirinha que contamos para a mamãe, você definitivamente podia ter ficado no seu quarto, aproveitando suas horas de beleza. Já te disse que a Ordem não é pra qualquer uma. ─ seu enfatizar à palavra final, deixou-me ainda mais desperta.

Alguns flashes da minha noite no Zoom passearam pela minha mente enquanto eu ouvia o motor de Don acelerar ainda mais.

Porcaria. Realmente foi uma péssima ideia concordar com isso, mas agora era tarde demais. Não podia simplesmente pedir para eles voltarem e me deixarem em qualquer ponto de ônibus. Até porque, eu não fazia ideia de que parte de Eilish estávamos.

Os amigos de Don continuaram conversando entre si, sobre algumas coisas banais sobre alguns colegas de Ares, enquanto Don e Tris trocavam carícias perigosas no banco da frente.

Tudo o que eu conseguia pensar era no erro que eu havia cometido ao aceitar vir a essa maldita Day On.

Depois de possivelmente quarenta minutos enfurnada no carro, chegamos em frente a um enorme prédio abandonado, no fim de sabe-se lá onde, próximo ao que parecia ser o fim do mundo.

Aquela parte de Eilish eu nunca havia conhecido.

Quando desci do carro, tudo o que eu tinha para iluminar meu caminho era a enorme lua cheia no céu e as luzes que fugiam das frestas das janelas quase totalmente vedadas com pedaços de madeira do prédio de três andares a nossa frente.

Havia uma diversidade enorme de automóveis estacionados ali. Dos mais caros, como os de Don, aos mais simples e miseráveis. Havia até uma espécie de ônibus escolar, totalmente pichado com símbolos desconhecidos entorno de sua lataria.

─ Os caras de Surt também vieram. ─ Jonah ─ ou Caio, não sei bem ─, apontou para o ônibus que eu estava reparando e sorriu, desdenhoso ─ Pelo jeito, eles têm mesmo coragem de aparecer aqui depois de tudo.

─ Vamos ver como eles irão se sair depois de hoje. ─ eu era capaz de ver um sorriso perverso brincar nos lábios de Don enquanto caminhávamos rumo ao prédio.

Entorno do edifício, havia alguns restos de cerca que, possivelmente, antigamente, eram usadas para manter os forasteiros afastados do local. Contudo, hoje, poucas eram as que estavam de pé e, portanto, não pareciam apresentar risco nenhum, para ninguém.

Don e seus amigos seguiram em frente, acompanhados de Tris e andava rebolando dramaticamente, enquanto tinha um dos braços de seu namorado enganchado em sua cintura. Já eu, optei por ficar logo atrás da linha perfeita formada pelos quatro, usando seus corpos como barreiras, imaginando que seria inteligente ficar ali afastada, garantindo que não chamaria muita atenção.

Seguimos nesta mesma posição, até alcançarmos as portas duplas da entrada que nos aguardavam. Quanto mais me aproximava, mais podia sentir as batidas altas da música que soava de dentro do edifício e faziam todo o meu corpo vibrar junto de cada uma delas.

As letras da música eram difíceis de compreender, mas as batidas eram similares a uma espécie de rap pesado, que possivelmente buscava em suas letras interpretar algum tipo de guerra em formação.

Don socou duas vezes uma das portas e a mesma foi aberta, deixando a mostra um homem alto, imponente, moreno, extremamente similar ao Dwayne Johnson. Tive que me segurar para não deixar fugir um sorriso, achando graça da similaridade entre ambos.

Por segundos intermináveis, o segurança ficou nos encarando, parecendo buscar qualquer sinal de problema em cada um de nós. Quando ele parou para me encarar, ficou por um bom tempo avaliando minha roupa, até voltar-se aos meus olhos e franzir o cenho, deixando claro que havia realmente algo de errado.

─ Relaxa, Mackye, a gatinha está com Ares. ─ um dos amigos de Don partiu em minha defesa, usando o apelido nojento que eu ganhara.

─ Certo, Jonah. ─ ele assentiu e deu um passo para o lado, liberando nossa entrada ─ Só não queremos confusão aqui, falou?

Don pareceu sorrir amistoso para o segurança e soltou:

─ Ela é caloura, fica tranquilo. Com o tempo, ela pega o jeito das coisas. ─ bateu a mão no ombro do tal Mackye de forma amistosa e seguiu seu caminho, acompanhado dos outros.

Antes de entrar, pude sentir o olhar enfurecido do segurança cair sobre mim.

─ Cuidado para não deixar acontecer o mesmo que aconteceu no Zoon, gatinha.

Oh, não. Merda! Fui reconhecida.

─ E-eu... ─ as palavras ficaram agarradas na minha garganta, enquanto arregalava meus olhos em direção ao homem que prosseguia me encarando irritado.

─ Por sua culpa, perdi uma aposta das boas. ─ ele resmungou, enquanto terminava de fechar a porta, logo após eu entrar por completo no lugar.

Eu pretendia, de verdade, me desculpar ou algo do tipo, mas Tris pareceu se dar conta de que eu fiquei aprisionada feito estátua no chão e resolveu tirar-me daquele momento de tensão.

─ Olivia, que foi? Passaram alguma super cola no seu tênis e você ficou presa aí no chão feito uma bananeira gótica? ─ ela estava passando a não na franja, na tentativa de arrumar o que já estava perfeitamente arrumado.

Balancei a cabeça, tentando tirar-me daquele aprisionamento e segui meu caminho, sem ousar olhar para trás e deparar-me com a carranca zangada do segurança novamente.

Se eu nem havia entrado no lugar direito e já fui reconhecida, quanto tempo demoraria para que outras pessoas também me identificassem e toda a minha história de inocência fugisse do controle? Merda. Isso que dá mentir.

Voltei minha atenção para todo o ambiente e fui surpreendida, quando peguei-me em um local extremamente bem conservado. As paredes variavam entre o preto e um verde muito escuro que só era capaz de diferenciar do negro graças às enormes luzes de LED dispostas por todo o teto, em formato de seta, indicando o caminho que deveríamos tomar.

Era um corredor não muito longo, mas não havia nada além das setas de LED e mais uma porta ao término da passarela de piso de mármore branco. Definitivamente não havia nada ali para qual eu estava preparada. Os meus acompanhantes me aguardavam no final do corredor, tirando Jonah, que sequer me encarava, todos os outros lançavam-me olhares transparecendo impaciência por minha demora.

Decidida a não apresentar meu temor e insegurança, caminhei em passos firmes até o fim do corredor e devolvi o olhar.

─ Que é? Vamos todos ficar plantados aqui? ─ cruzei os braços, com medo de que meu coração escapasse da minha caixa torácica de tão forte que batia.

─ Eu disse que ela ia pegar o jeito rápido, Bea. ─ Don sorriu para mim, após relaxar seus músculos empurrou a porta, afim de, finalmente, liberar nosso acesso ao interior do prédio.

Uma selva.

Era isso.

Se eu estava me preparando para um ambiente sujo, repleto de tons escuros na parede, pichações, pessoas irritadas e carrancudas, dois DJs tocando em um case extremamente bem bolado em um palco ao fundo alguma música obscena, mulheres seminuas e caras cheirando a pura testosterona, definitivamente eu acertei.

Independente da direção que eu olhava, era possível ver algum casal de atracando, algum grupo de amigos rindo alto, sentados em um cubículo compostos por mesas e cadeiras bem grunge, garotas bem ousadas passeando entre os grupos, com um visual extravagante e chamativo e, claro, bem centralizado no enorme salão, havia uma jaula extremamente bem iluminada, no que parecia ser um pavimento inferior, que só era possível acessar após descer as escadas bem a frente à porta de entrada a qual eu ainda estava parada enquanto me pegava observando tudo a meu entorno.

Algumas pessoas passavam pelo grupo que me acompanhava e acenava ou cumprimentava Don e os outros. De alguma forma muito milagrosa, eu passei despercebida, enquanto me encolhia a cada olhar que eu recebia. Até então, nenhum outro problema de ser reconhecida.

─ Vamos encontrar os outros agora ou você prefere pegar umas bebidas antes, Bea? ─ a mão do meu cunhado passeava de forma ousada pela bunda da minha irmã e aquilo me deu náuseas.

Não era anormal ver esse tipo de cena entre os dois, mas isso sempre acontecia quando Don estava neste tipo de ambiente. Era como se uma espécie de energia sexual tencionasse no espaço e o induzisse a fazer isso sempre ali. Além disso, ele nunca chamava minha irmã pelo apelido usual, assim como notei que nenhum dos outros também me acompanhava ao chama-la de Tris. O que sempre me fazia pensar se Bea não era tipo um pseudônimo para a personalidade que ela assumia ao estar do lado do Don nos eventos da Ordem.

─ Qual é, Cuppertino! ─ alguém gritou do outro lado da galeria em que nos encontramos e fui forçada a olhar.

Max.

O responsável pela organização das lutas. Pelo menos fora isso que Emily me contou após suas pesquisas.

─ Maxuell! ─ Don gritou de volta com um sorriso desdenhoso nos lábios. Ergueu uma das mãos e apertou a do outro com força e arrogância totalmente evidentes.

─ Hey! Doce Bea. ─ Max sorriu para minha irmã e lançou lhe uma piscadela rápida ─ Vejo que cada dia que passa, a rainha da Ordem está cada vez mais linda.

Don revirou os olhos enquanto minha irmã sorria, convencida. Rainha da Ordem?

Max era bons centímetros mais baixo que meu cunhado e praticamente todo lutador da Ordem. Além disso, ele não era musculoso, possuía um corpo magro que era quase engolido pela camisa comprida que usava de algum time de basquete. Sua calça de moletom e o boné virado para trás estavam combinando com o tom acinzentado. Seus cachos extremamente definidos fugiam nas laterais do boné e dava uma perspectiva achatada de sua cabeça. Eu nunca havia reparado nos seus olhos castanhos e no seu rosto de bebê, pois antes não havia o encontrado tão de perto como hoje.

─ E você... hm... essa eu não conheço. ─ ele se dirigiu a mim com um olhar totalmente curioso ─ Está com um dos dois grandões? Ou com os dois? ─ ele ergueu uma das sobrancelhas, tentando fazer-se de safo enquanto aproximava-se mais de mim.

─ Ela está comigo, Max. ─ Tris corrigiu-o, um pouco seca. ─ Essa é minha irmã, Ali .

Encarei minha irmã atordoada. Ela havia acabado de inventar um novo apelido pra mim ou eu ouvi errado?

─ Uau. Isso é tudo o que precisamos aqui, no momento. Mais uma das meninas Hope em nosso castelo. ─ Max deu mais alguns passos em minha direção.

Ali? Hope? Do que eles estavam falando afinal?

Estava prestes a perguntar o que aquilo significava para Tris, mas seu olhar de censura fez-me voltar atrás e permanecer calada.

─ Sabe, na verdade, você não é estranha, sabia? ─ Max cruzou os braços, ficando bem na minha frente e me avaliando atentamente ─ É sua primeira vez num evento da Ordem?

─ Sim. ─ Tris resolveu falar, mas eu a cortei no meio do caminho, dizendo:

─ Não. ─ resolvi ser sincera, com medo de que mais mentiras me entregassem no final ─ Eu estive em algumas lutas no Zoon, em Santiago.

─ Ah, claro! ─ ele desfez seus braços cruzados e estralou os dedos em uníssono ─ Caramba, como eu poderia me esquecer de um rostinho tão doce como esse? Claro que no dia você estava mais... hm... ousada.

─ Do que você está falando, Max? ─ Jonah indagou, totalmente curioso.

─ Agora eu quero uma bebida. ─ eu soltei, olhando atordoada para Max, tentando lançar lhe algum sinal desesperado para ele calar a maldita boca. Se ele havia me reconhecido ou não do incidente com Zeny, eu não sabia, mas tinha certeza de que qualquer movimento dele, destruiria a minha vida em segundos.

Max retribuiu, olhando-me meio apático inicialmente, como se tentasse decidir o que fazer naquele momento ou decifrar o motivo pelo qual eu o encarava com os olhos tão arregalados e tão tensa como naquele instante.

─ Ela estava com a Bea por lá, não é mesmo? ─ ele finalmente soltou o verbo, fazendo-me soltar um suspiro de alívio breve ─ Eu lembro vagamente de tê-la visto usando uma jaqueta preta bem chamativa no nosso último encontro na Zoon. ─ ele complementou ─ Naquele que o Barnes fez a merda toda na plateia.

─ Ah, certo. ─ Don assentiu ─ Falando naquele merda, onde está a Máfia? Não vi o carro de ninguém quando dei uma olhada na garagem.

─ A Máfia não vem hoje. ─ Max falou, um pouco aborrecido.

─ Ué, mas por que? Achei que o exílio se limitava somente às lutas. ─ O outro amigo de Don, que eu realmente não sabia o nome, resolveu indagar.

─ Vocês sabem como os caras da Máfia são. Sem lutas, sem aparições. ─ o organizador falou, enquanto dava alguns passos para longe ─ Preciso checar algumas coisas. Fiquem a vontade. Principalmente você, doce Ali. E seja bem-vinda ao nosso mundo. ─ deu uma piscadela antes de virar-se de costas e continuar a andar.

Definitivamente eu estava sentindo alguma coisa ferver nas minhas bochechas e eu não sabia se era nervoso, ansiedade ou alívio.

Zeny Barnes não destruiria minha noite, afinal.

Todos seguiram pela galeria, até encontrarem um amontoado de bancos e almofadas ao fim da galeria, do outro lado da entrada, com um grupo já ali presente.

Alguns dos rostos não eram muito desconhecidos, como os das amigas de Tris, que sorriram para mim, animadas com a minha presença. Alguns dos rapazes eu também já havia esbarrado uma ou duas vezes nas afters na casa de Don, e eu sabia que o padrão entre eles era de me ignorar completamente, como se eu fosse apenas um saco de lixo de enfeite, então, tentei não parecer meio incomodada pelo fato de nem mesmo receber um olá quando cheguei por lá.

─ Nem acredito que sua irmã te convenceu a fazer isso, Ali. ─ Johana, uma das amigas de Tris, comentou assim que tomei um lugar em dos sofás repletos de almofadas alaranjadas e cinzas.

─ Não tenho nada haver com isso. ─ Tris resmungou, enquanto ajeitava a parte interna de seu short antes de se sentar longe o suficiente de mim ─ Ela veio porque quis.

─ Melhor ainda! ─ Mel, a outra amiga, sorria contente.

Quando a peguei passando uma das mãos em sua longa franja dourada, na tentativa de deixa-la parada em um lugar fixo, peguei uma marca surpreendente em seu antebraço. Uma tatuagem de trevo de quatro-folhas. Exatamente como a que Tris tinha, exatamente do mesmo tamanho, exatamente do mesmo formato e cor, exatamente no mesmo lugar.

─ O que há com essas tatuagens? ─ resolvi perguntar, sem filtrar-me direito.

Mel encarou-me sem compreender inicialmente, até que ela seguiu a direção dos meus olhos até a sua e sorriu, um pouco melosa demais para o meu gosto.

─ As namoradas dos lutadores ganham. ─ foi Johana quem respondeu.

─ Tipo... uma aliança de compromisso? ─ indaguei, sem entender muito bem a função.

─ Mais como não mexa com essa garota. ─ Mel explicou, enquanto alisava as folhas desenhadas em sua pele bronzeada.

Johana levantou um pouco a maga de sua camisa dourada, que quase parecia uma segunda pele, para mostrar o seu trevo desenhado em sua pele mulata.

─ Vocês são... hm... obrigadas a fazerem isso? ─ resolvi perguntar, tentando não parecer um pouco surpresa com a ideia.

─ Claro que não! ─ Tris envolveu-se no assunto, tentando soar sua voz calma e baixa o suficiente para nenhum dos rapazes que estavam sentados no outro grupo de sofás, bem próximo ao nosso ─ Faz quem quer, afinal, namorar um lutador é escolha de quem quer também.

─ Mas... por que vocês fazem isso? Quer dizer... por que um trevo?

─ É o símbolo da Ordem, Ali. ─ Johana apontou para algum lugar do outro lado da galeria e segui sua instrução.

Ali, na parede, havia uma versão muito extensa de um trevo de quatro folhas desenhado de ponta a ponta na parede ao final da galeria. Em cada uma das folhas, havia uma letra de madeira centralizada: S. A. M. E.

─ O que significa cada letra?

─ Surt, Ares, Máfia e Etéreos. ─ Mel traduziu, subindo um dedo de cada vez em sua mão erguida, como se fizesse alguma contagem mental.

─ Os principais grupos da Ordem. ─ compreendi, por fim.

─ Exato. ─ ela sorriu ─ Sua irmã pega as coisas fácil, Bea.

Tentei tomar nota daquela informação, além de jurar solenemente não chamar Tris por seu apelido usual, já que, pelo visto, aqui, ninguém a chama assim.

Por fim, elas acabaram começando algum assunto sobre algumas fofocas de algumas meninas da Ordem que se envolveram em alguma confusão por conta do posto de ser namorada de um lutador e eu me desliguei brevemente, para observar, mias uma vez, o local a minha volta.

Definitivamente, eu estava deslocada ali.

Todos pareciam envolvidos com a onda eletrizante que a música tocada pelos DJs proporcionava. Alguns dançavam energizados, cada um em seu canto, enquanto os outros continuavam no que eu já observava antes: agarrando-se, conversando, desfilando, rindo, gritando...

O que eu estava fazendo ali mesmo?

A ideia de irritar Tris, indo até ali, não parecia nem um pouco madura e, sinceramente, preciso admitir que não foi o que me impulsionou de verdade.

Nem mesmo o fato de que Zeny Barnes estaria ali para me desmascarar.

Eu havia ido, porque eu queria vê-lo novamente.

Era duro admitir algo tão errado, mas era a verdade, no fim das contas. Parte de mim ainda não superara o jeito como ele me deixou, plantada, após dizer aquelas palavras grossas e eu ansiava, de alguma maneira, poder confrontá-lo e exigir algum pedido de desculpas... Quem eu estou querendo enganar, no fim das contas? Eu só queria vê-lo. Ponto final. Não teria coragem o suficiente para encará-lo, debater, brigar, nem nada do tipo. Só queria encontra-lo novamente, olhar no fundo daqueles olhos azuis e... o que eu faria, afinal?

Droga.

Estava agindo como uma estúpida stalker, assim como Emily e todas as outras garotas daqui.

Todas elas faziam isso. Se envolviam com os lutadores, sonhavam com eles, os desejavam. Elas os seguiam nas redes sociais, perseguiam suas vidas, suas participações em eventos e imploravam por um pouquinho de atenção. Era isso o que elas eram, no fim das contas. E essas tatuagens ridículas eram a prova exata de que tudo o que buscavam era o status de namoradas de bons lutadores de uma gangue secreta de Universidade.

Lembrando-me da minha postura ao longo dos últimos dias, enquanto eu salvei todas as redes sociais do Zeny em uma das notas no meu celular, peguei-o rápido na bolsa e o desbloqueei, louca para me livrar dessa sensação absurda que aflorava em meu coração. Eu era uma garota ridícula, não é possível! Como eu havia me deixado levar dessa maneira? Ele só salvara minha pele uma vez. Ele acertou só uma vez, quando havia errado muitas outras. Ele me viu trocar de roupa e agiu feito um idiota, ele me humilhou na frente da minha irmã e me xingou antes de me deixar sozinha em um local desconhecido. E como eu retribuía? Isso mesmo! Perseguindo sua vida virtual e vindo parar em um lugar absolutamente fora dos meus padrões só para vê-lo novamente.

Estava prestes a pressionar o “apagar” que surgiu na minha tela, quando ouvi Johana falar:

─ Aquele ali não é o Barnes?

Oh, não.

─ Hm, parece ser ele mesmo. Engraçado, ouvi o Max comentar que a Máfia não viria hoje. ─ dessa vez, foi o comentário de Tris.

─ A Máfia não vem para o Day On se não tiver algo para ganhar com isso.

Ergui meus olhos, um pouco temerosa, e encarei as meninas. Elas olhavam em um espaço acima da minha cabeça, e eu senti uma onda de calor invadir minha nuca, como se eu pudesse sentir os olhos de alguém me examinarem.

Eu sabia que era ele.

Mesmo sem precisar olhar, eu senti a mudança no ar e não acreditei que era possível uma coisa dessas.

Tomando coragem, olhei de relance por cima do meu ombro esquerdo e não tive dificuldades para encontra-lo na multidão.

Zeny Barnes estava de pé, no meio de um dos poucos espaços vazios, na entrada no prédio, olhando diretamente pra mim.

Tentei desviar o olhar, mas parecia impossível. Ele prendeu-me por longos instantes, enquanto me estudava, absorvendo cada mínimo movimento que eu fazia. Foi só quando um cara alto e magro aproximou-se com um cumprimento de mãos, que, finalmente, fui liberta de sua visão.

Voltei-me a minha postura normal e peguei Tris olhando-me com a sobrancelha erguida.

─ É, talvez tenha algo que seja de seu interesse aqui, no fim das contas.

Merda.

Eu estava ferrada.

Notas finais
Desculpem se houver algum erro. Não tive tempo para revisar. Resolvi postar antes que eu fique sem tempo novamente, por conta dessas festividades de fim de ano. Vejo vocês nos reviews? Beijos no coração ♥