Conte-me seus segredos

1 Capítulo 1 - Prezado James H.


Notas iniciais
Bem gente, essa é a segunda fic que posto no NYAH. A primeira foi Natural Disaster (Quem se interessar pode me pedir o link ou ver no meu perfil) e essa tem um tema totalmente diferente da primeira. Tem um ar um pouco mais descontraído (bem menos dramático), mas quem me conhece sabe que eu sou uma escritora que curte botar alguns suspenses no meio da trama (tá na minha essência kkkkk). Espero que vocês gostem do capítulo, e por favor (até se não gostarem)...COMENTEM! Sua opinião é de extrema importância! Beijos, beijos, beijos ♥

Sarah Collins.

Manhattan NY, 11 de Julho de 2013.

“Prezado James,

Por favor, não ignore essa carta. Leia até o fim. Sei que chegam milhões na sua caixa de correio, mas estou torcendo que por alguma força do destino você acabe pegando essa. Eu tenho catorze anos, quase quinze, faço aniversário daqui há uma semana.

Era mais ou menos umas nove da noite quando aconteceu. Consegui empurrar minha irmã, mas o carro veio em alta velocidade e me jogou pra longe. Às vezes eu penso que queria ter morrido ali, naquele momento. Talvez fosse melhor.

Há alguns anos atrás eu era um loser. Não fazia parte nem do grupo dos excluídos, não tinha amigo nenhum. Nenhum. Zero mesmo. Tudo que eu tinha era um sonho. O sonho de ser ator. Minha irmã Sarah é a única pessoa que me levava a sério, e foi ela quem resolveu me inscrever no grupo de teatro da escola. Todo mundo ficou chocado quando me viu subir no palco para fazer o teste para o papel de Romeu, e mais ainda por eu ter sido escolhido pelo meu desempenho mesmo tendo como adversários vários garotos populares.

Para melhorar as coisas minha Julieta era Meg Smith. Simplesmente a garota por quem eu sou apaixonado desde que os sete anos. Eu não podia estar mais feliz. Todos na escola e no bairro passaram a me dar ouvidos, queriam estar comigo e eu me tornei mais popular do que pensava que um dia poderia ser. Ensaiei e me dediquei integralmente durante várias semanas, mas o que parecia um sinal divino de que tudo daria certo na verdade foi só uma grande ilusão.

Só faltava um dia para a estreia. Fiquei até mais tarde no teatro para me concentrar e repassar com Meg as cenas mais difíceis. Só faltava um dia. Toda vez que penso nisso sinto vontade de morrer. Toda vez que tento levantar dessa cama e não sinto minhas pernas. Toda vez que percebo que nunca vi um ator paralítico na TV, nem no teatro, nem em lugar nenhum. É, eu ainda sou um loser. Serei pra sempre. E nunca serei um ator.

A peça foi um sucesso sem mim. Meg está namorando meu stand-in e chego até a rir às vezes ao lembrar de que eu planejava me declarar pra ela no dia da estreia. Meu pai perdeu o emprego há seis meses e minha irmã está cada vez mais endividada, tentando se virar como pode para sustentar a casa e pagar a minha fisioterapia, que ela faz questão que eu faça várias vezes na semana.

Fiz essa carta para desabafar, porque senão eu vou enlouquecer. Porque eu não tenho amigo nenhum James, não tenho ninguém pra conversar, mas você é um cara legal. Assistir TV é a única coisa que eu tenho feito desde que parei de andar. Já assisti todos os programas da TV, incluindo os mil canais da TV a cabo e definitivamente o seu é o melhor.

Pra você ter noção, tem dias que eu acordo pensando em enrolar meu pescoço nesses lençóis e acabar com tudo, mas, como não quero perder o The H's Show que passará à noite, eu aguento firme. E vou dormir sem me arrepender, porque sempre me divirto, me emociono ou escuto alguma coisa que me motiva.

Mas nos finais de semana não tem The H's Show, e são os dias mais difíceis de enfrentar. Minha irmã não sai muito de casa para não me deixar sozinho e eu me sinto um estorvo. Meu pai sai e volta bêbado, xingando e gritando com nós dois, fazendo dívidas que a Sarah tem que se virar para pagar. Nesses dias eu me pego pensando: Será que ainda vale a pena continuar James? Será que a minha vida ainda tem algum sentido?

Sei que é ocupado demais para responder, também nem sei se seria sincero se achasse que eu deveria me matar. Mas eu não vim aqui te fazer perguntas difíceis e te cobrar respostas. Vim aqui para agradecer. Agradecer por me fazer companhia. Por todas as segundas, terças, quartas, quintas e sextas que eu tenho conseguido enfrentar com a sua ajuda. Muito obrigado. Do seu maior fã,

Ian Collins.”

Eu não fazia a menor ideia do conteúdo dessa carta. Ian não me deixou ler, só fez com que eu fosse ao correio e enviasse para o luxuoso apartamento de James Herrera. Meu irmão, assim como a maioria dos americanos das mais variadas idades, apresentava uma idolatria absurda por aquele rapaz. Pelo menos nos Estados Unidos, era impossível encontrar alguém que nunca tivesse ouvido falar em seu nome. Muitos o amavam, e alguns até podiam odiá-lo, mas James nunca era ignorado.

Sua figura estava sempre nas capas das revistas, e assim como ele, nenhuma edição de seu programa passava despercebida. Namorava há um ano com Anne Lowell, uma loira linda, educada e única herdeira de um dos maiores banqueiros de NY, Howard Lowell. James tinha mais ou menos uns 26 anos, uma personalidade forte, olhos castanhos escuros, um corpo atlético, cabelos negros e lisos e uma pele morena que não deixava em dúvida sua ascendência latina.

Ser descendente direto de mexicanos era o que mais impressionava em relação a ele. Como um povo tão nacionalista e incomodado com a imigração era capaz de babar tanto o ovo de alguém como ele? Essa era uma pergunta que sempre vinha em minha mente quando eu via seus posters e recortes de revista espalhados pelo quarto de meu irmão. Seu carisma era cativante, a maneira como se comunicava com o público era quase que sobrenatural, e por mais que eu não fosse uma fã enlouquecida, precisava admitir isso.

E quem eu sou? Sarah Collins, tenho cabelos ondulados e castanhos, um rosto comum, um corpo magro, sem muitas curvas, olhos castanhos, uma aparência que passa despercebida. Tenho 24 anos, um irmão, um pai, o mesmo namorado há cinco anos e sou a jornalista mais fracassada de todos os tempos. Odeio meu trabalho, e todos os dias acordo pensando o que eu fiz de tão errado na faculdade para só ter arrumado aquilo.

Amo ser jornalista, mas trabalho na redação mais pavorosa, nojenta e sensacionalista da América. Assumo isso com vergonha já que “Daily Magazine” é a revista mais abominável para as celebridades ou qualquer pessoa com algum bom senso. Aquele tipo de revista que não pode faltar nos salões de beleza, tanto os das periferias quanto os dos bairros mais luxuosos. A preferida dos fofoqueiros e pessoas fúteis que preferem passar a vida acusando os outros a olhar para os próprios defeitos.

Estou cercada por pessoas mesquinhas e incompetentes, com exceção dos meus melhores amigos, Brent Evans e Emília Wright, outro bom jornalista como eu e a melhor fotógrafa que eu já conheci em minha vida. Brent tinha a minha idade, também havia acabado de se formar e assim como eu se perguntava o que estava fazendo ali. Já Emília tinha 37 anos, e ao contrário de nós, sabia exatamente o porquê de apesar de ser super competente ainda estar trabalhando ali. Era uma mulher visivelmente transsexual, e infelizmente sem recursos para realizar as cirurgias que desejava e tornar sua aparência mais feminina. Devido ao preconceito, não havia sido aceita em nenhum outro lugar, apenas na revista medíocre para a qual trabalhávamos.

Engana-se quem pensa que por ter aceitado Emília meu chefe seja uma pessoa boa. Aquele homem era um chefe sem escrúpulos, que além de nos pagar um salário de fome, nos coagia para implantar notícias muitas vezes mentirosas em nossas matérias. Havia aceitado minha amiga porque sabia que nunca encontraria alguém tão competente por quem ele pudesse pagar tão barato. Aquele homem era obcecado por lucro, tanto que seu nome deveria se chamar dinheiro ao invés de Anthony Brom.

Era um sábado à noite, e eu estava preparando um café quente para meu irmão Ian, que aguardava ansiosamente para assistir uma entrevista de James Herrera que havia sido anunciada a semana inteira. Já estava até enjoada daquele assunto porque meu irmão só falava disso, de como era incrível aquele tal de James H. , mas não conseguir resistir ao olhar pidão dele, implorando para que eu assistisse com ele.

– Corre Sarah, olha lá! – Berrou Ian girando sua cadeira de rodas de um lado um lado para o outro da sala. – Finalmente vai começar a entrevista!

– Pare de girar essa porcaria de cadeira! – Esbravejou meu pai, sentado no sofá, enquanto tomava mais gole de cerveja. – Esse barulho é irritante!

– Não seja tão rude com ele, pai! – Franzi as sobrancelhas e o encarei para que percebesse o quanto eu estava descontente com aquela atitude. – Ele só está feliz, não estrague tudo sendo estúpido. – Meu pai nada respondeu, só se levantou e foi para o quarto, obviamente carregando sua caneca de estimação.

– Não está sendo fácil para ele Sarah. – Afirmou meu irmão, como se pedisse para que eu desculpasse meu pai por toda aquela grosseria, mas eu realmente não estava afim.

– Nem para mim. – Respondi impaciente. – Mas deixa isso pra lá.

A entrevista finalmente começou. Estava marcada para as 9 e meia da noite, mas só foi de fato começar às 10. A apresentadora o fez perguntas sobre diversas coisas relacionadas à vida do apresentador. Sobre questões de sua vida pessoal, hobbies, seu namoro com Anne, suas opiniões e dali já captei que ele era um homem polido. Ao mesmo tempo em que estava muito exposto na mídia, evitada fazer declarações incisivas, sempre falando o que pensava, mas de forma sutil. Tudo o que dizia parecia muito bem calculado, soando agradável para todos que estivessem ouvindo.

“ – Você é uma celebridade que tem um carisma invejável. Em um dos seus programas você disse aos seus telespectadores que gostava de receber cartas, que tinha alguns ajudantes pra ler essas cartas, mas que todos os dias dedicava um tempo lendo várias. Que tipos de carta você costuma receber? – Perguntou a simpática entrevistadora.

– Cartas de todos os tipos, alguns pedidos, demonstrações de carinho e até mesmo alguns desabafos. – Respondeu James.

– Desabafos? Como assim? – Ela questionou.

– As pessoas as vezes estão deprimidas ou passando por momentos difíceis, não têm com quem conversar e por algum motivo se dirigem a mim. – James continuou relatando e arrancando algumas expressões de admiração da própria entrevistadora.

– Uau! – Exclamou a mulher, demonstrando-se encantada.

– E eu gostaria muito de responder a todos, e isso é humanamente impossível... – Lamentou ele. – Mas se eu pudesse deixar um recado para essas pessoas, seria para que elas não desistissem. Que apesar de todos os problemas podemos sim encontrar uma razão para viver, podemos sim seguir em frente!”

Será que ainda vale a pena continuar James? Será que a minha vida ainda tem algum sentido? Será que James H. havia lido a carta do meu irmão? Acho que era isso que ele se perguntava com os olhos vidrados naquela TV, apertando minha mão com força e sorrindo como eu não o via sorrir há anos.

Notas finais
E aí? O que acharam?? Me saí bem? Me saí mal? Não saiam daqui sem comentar, por favorzinho!!! *-------* Beijões, espero que tenham apreciado a leitura! Volto o mais rápido possível!