Notas iniciais
E ai galera. Tudo bom com vocês? Enfim, boa leitura!

Sexta-feira – meio dia

Por Jasmine Martinelli Scollari

Quase sempre eu e meus amigos íamos para casa a pé, não só porque morávamos perto, mas curtíamos caminhar e conversar apenas nós quatro. Sem que ninguém tivesse nos ouvindo ou tirando fotos.

Hoje Katt resolveu almoçar no shopping que fica para o lado contrário de onde caminhávamos. Talvez seja uma tentativa de me evitar, mas não estava preocupada com isso. Sabia que cedo ou tarde isso acabaria, só me resta dar seu tempo. Thomy já tinha ficado na sua casa quando Liam me deixou em frente à minha.

—Ei – Liam tocou no meu queixo levantando-o para que eu o olhasse – você está de boa com o que aconteceu com a Katt? –Perguntou passando a outra mão pelas minhas costas me abraçando.

—Sim, você nos conhece. Daqui a pouco nos falamos novamente – falei dando-lhe um sorriso agradecendo pela preocupação – Você não deve ter entendido nada né.

—Você sabe que não entendo suas piadas internas, por mais que eu tente. – falou e eu ri. Era verdade ninguém nos entendia como nós mesmas.

—Katt está gostando do Thomy. – falei direta.

—O que? – Liam riu – Isso é impossível, você vê como eles se brigam toda hora.

—É verdade. To te falando! Basta observar eles se olhando. Seria tão legal se eles namorassem né? –comentei, eu estava animada.

—Jazzy, você sabe que isso não vai acontecer, né? Pelo menos não com o Thomas. Ele não consegue ficar com uma mina só. – meu namorado reafirmou o que eu já sabia.

—Eu tenho que entrar, minha mãe quer conversar. – Disse puxando-o para um beijo e encerrando o assunto.

Ele puxou pra junto de si meu corpo, suas mãos ainda nas minhas costas e as minhas na sua nuca, mexendo em alguns fios do cabelo. Eu o beijada como se fosse a primeira vez, apesar de anos nosso relacionamento não se desgastava. Terminei o beijo com alguns selinhos.

—Eu preciso entrar. – falei entre eles quando o Liam não me deixava ir. Quando consegui me soltar de seus braços ele deu mais um puxão pela mão e roubou outro beijo.

Entrei no prédio e chamei o elevador, que parou exatamente na minha sala de estar. Joguei minha mochila no sofá, porque sabia que Aimee colocaria no meu quarto depois. Fui em direção a sala de jantar e encontrei minha mãe já sentada estalando os dedos.

—Oi, filha. – falou quando passei por ela e lhe dei um beijo na cabeça.

—Então, me conte! O que aconteceu que não poderia ser conversado por mensagem?

—Eu não sei como te dizer isso. – ela comentou e essas palavras me davam medo, porque indicavam que ia ser mais sério do que eu imaginava.

—A gente faliu? – perguntei sabendo da crise financeira no Brasil com os olhos lacrimejados só de imaginar.

—Não. – ela deu uma gargalhada – Isso é impossível. É sobre relacionamentos.

—Mãe, qual é, não me diga que quer conversar sobre sexo comigo. – comentei fazendo uma careta ao imaginar minha mãe transando.

—Não, já te comprei alguns livros para isso. Mas quer saber? Vou ir direto ao ponto. Meumaridovaivirmorarconosco.

—QUE? Fala mais devagar, mulher. – até franzi a testa tentando entender, mas não consegui.

—Meu marido vai vir mor ...

Interrompi antes que terminasse a frase. Acho que dormi alguns anos, porque não lembro de minha mãe casar. Apesar de ela já ter enfiado na nossa casa alguns homens, nunca tinham “oficializado”. E sim, eu ficava muito abalada quando ela aparecia com um namorado novo, até porque minha querida mãe não sabe dividir as atenções nenhum pouco. Então ela começa a viver a vida do cara.

—SEU O QUE? – Gritei arqueando a sobrancelha.

Minha mãe tinha se separado fazia muito tempo. Foi, inclusive, nessa época que eu comecei com terapia. Sueli passou a aproveitar a vida como se cada dia fosse o último, ela tinha umas três amigas viúva/solteirona/separada que a acompanhavam em todas as viagens, também curtia música, mas pelo menos tinha o bom senso de saber que jovens e velhos não se misturavam em baladas.

—Meu marido. Ele é tão querido e tem filhos, nós seremos uma fami ....

Empurrei minha cadeira para trás e me levantei, não adiantaria eu discutir com minha mãe. Porque ela sempre se acha a certa de tudo. Apenas queria sair dali e esquecer essa história.

—A gente pode conversar depois sobre seus irmãos e seu padrasto. –ela falou em um tom que eu ouvisse da escada.

—EU NÃO QUERO CONVERSAR NUNCA SOBRE ELES. – gritei, entrei no quarto peguei minha bolça e desci as escadas rapidinho. Louca para sair daquele lugar.

Notas finais
Comentem. Beijos.