Notas iniciais
Oie pessoas deste mundo e de outros! Depois deste capítulo acho que não paro mais de escrever esta história, nunca se sabe, espero que gostem e não se esqueçam de avaliar.

Certa vez, quando eu estava pescando no rio do bosque, escorreguei em uma pedra e caí de cabeça em uma parte funda do rio. Foi como se a água gelada e o susto da queda tivessem feito com que meus membros paralisassem, de modo que eu não pudesse nadar. E eu fiquei lá afundando, tentando economizar o pouco de oxigênio que me restava no peito.


É assim que estou me sentindo, sem saber como respirar, ouvindo suas palavras ecoando em minha cabeça.


Consigo ouvir algumas pessoas murmurando com surpresa. E então eu o vejo, punhos cerrados ao lado do corpo, olhos cravados nos meus, como um último adeus, um último “cuide dela por mim”, um último “vou sentir sua falta", retribuo o olhar com um "eu também" nos meus lábios, enquanto ele volta a olhar para a Sra. Hellen.

Por um momento, vejo os membros do Conselho argumentarem entre si, alguns com o olhar repleto de perguntas, outros olhavam para um ponto fixo sem saber o que fazer, mas a maioria estava lançando olhares uns para os outros, sussurrando e perguntando entre eles sobre o que deveria ser feito. Afinal, não é todo ano que se tem um voluntário na Escolha.


Muito bem — diz Sra. Hellen, isso é uma coisa que eu de certa forma admiro nela, sempre calma, lidando com tudo e todos sem transparecer preocupação, ela lança um breve olhar para uma mulher do Conselho e ela afirma com a cabeça discretamente. — Mas ainda temos que abrir o envelope do escolhido numero um.


Então, o homem que estava ao seu lado — e de quem a existência eu já me esquecia — lhe deu um envelope maior, dourado brilhante, com uma fita vermelha fechando-o.


Fico dizendo para mim mesma que não é Zia, não podem ter escolhido ela em seu primeiro ano, meus olhos estão abertos e atentos, não desvio o olhar de cima do palco, torcendo para que não seja uma criança a ser Escolhida, não é muito comum, mas acontece.


—E o próximo Escolhido de Harmon é... — diz Sra. Hellen enquanto abre o envelope. Ela analisa o papel e lê o nome com uma voz alta e clara. E não é Zia.
É Kylie Carrow.

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Deve ter havido um engano. Isso não pode estar acontecendo.
Vejo que Zia e minha mãe estão olhando para o palco em busca de uma explicação, ou um nome diferente do meu. Ky está com os olhos voltados para um ponto distante, fixo, paralisado, acho que ele também não está acreditando.

—Onde está você querida? — pergunta Sra. Hellen, me trazendo de volta para a realidade — não precisa ter medo.

Começo a andar devagar na direção do palco, mas dois bracinhos agarram minha cintura, olho para Zia que não quer me soltar e começa a chorar.


—Não Kylie, não vai, fica aqui comigo. — Zia começa a choramingar e não me deixa dar mais nenhum passo.


—Tudo bem pequena, solte — a para que vocês possam vir até aqui. — diz Sra. Hellen, com um olhar paciente.


Subimos até o palco, e Zia não solta minha mão, não importa o que eu diga.


—Muito bem pequenina qual é seu nome?


—Zia... Carrow— ela completa rapidamente.


—Muito bem. Parece que este ano nós temos muitos irmãos voluntários.


—Não. — eu digo com firmeza — Zia não vai ser voluntária.


—Tudo bem. Então podemos seguir?


—Sim senhora.


—Caso alguém das suas famílias quiserem se despedir até a festa da despedida oficial, podem subir até aqui agora.
Minha mãe vem correndo para me dar um abraço. Zia também nos abraça pelas costas. Fazia tempo que nós não ficávamos assim, juntas, tristes, a única vez foi quando meu pai e Xander foram contaminados.


A Sra. Hellen diz que temos que ir logo para o trem aéreo, mas nenhuma de nós saiu do lugar. Um guarda nos separa e tirar as duas do palco, Zia está se debatendo feito um esquilinho nervoso. Não posso fazes nem falar nada, ou ele pode acabar machucando uma delas.


Quando a família de Ky desce do palco, Sra. Hellen aparece no meio do palco.


—Senhoras e senhores, eu vos apresento os escolhidos da floresta de Harmon. —diz ela enquanto se vira para nós com um sorriso gigantesco no rosto. — uma salva de palmas para eles.


Nesse momento, pensei que ouviria gritos de alegria e palmas calorosas como assisti em outros anos. Mas foi um som bem diferente que eu ouvi. Primeiro, o final das palmas alegres de Hellen, depois... O silêncio.


Só existe uma maneira pior que as vaias para indicar um ato de revolução, o silêncio.


Nesse momento, todas as armas dos agentes estavam apontadas para a multidão, e algumas palmas foram se iniciando até que eles as guardassem novamente. Sra. Hellen sorriu para nós e disse para nós nos cumprimentarmos.


Segurei a mão direita de Ky com a minha esquerda, e quando nossos olhares se encontraram e finalmente me senti brevemente segura, como se pudéssemos realmente cuidar um do outro, nossos braços se ergueram em conjunto até o alto, em sinal de vitória, mas nossos olhares mostravam o contrário, e mostravam. Algumas pessoas apenas deram leves sorrisos como sinal de aceitação e respeito.
A Sra. Hellen apenas nos lançou um rápido olhar e disse:


—Muito bem, muito bem, vamos logo, temos muito que fazer.

***

Assim que Sra. Hellen termina de nos dar os parabéns, um grupo de agentes nos leva por um caminho por trás do palco.
Entramos em um carro preto que nos leva para a Preparação, um prédio que fica ao lado da Central, e foi construído com o objetivo de treinar os Escolhidos.

Entramos na grande construção e uma moça nos guia, entramos no elevador e ela nos leva por um corredor comprido o qual eu tentei não reparar muito nos detalhes, ela nos coloca em uma sala e diz ser a sala de descanso dos escolhidos, logo após dizer isso ela some no corredor.


A sala era grande, com uma mesa de vidro no centro, aonde uma bandeja com alguns pães, frutas e sucos descansavam, percebi também o quão confortáveis pareciam os sofás próximos das paredes. As janelas eram do teto até o chão, e se estendiam da forma de um meio circulo, em uma delas, uma mesinha com alguns livros.

Ando direto para a mesinha para vê-los.

—Sério Kylie? Nós acabamos de ser condenados à morte e a primeira coisa que tu vais fazer é ler?


—Sim. — Respondo com um sorriso, enquanto abro o primeiro livro.


—Ok. Eu vou comer alguma coisa.

No exato segundo que Ky se senta, a porta é escancarada, e três pessoas entram correndo até nós.


—Que bom que vocês já chegaram! — exclamou uma mulher sorridente com cabelos cor de chocolate.


— "Já”? Como assim já? Eles perderam tempo demais com a Hellen, e agora temos que ter pressa. — disse um homem enquanto tirava uma fita métrica de uma bolsa em seu ombro.


—Detesto pressa — resmungou a outra moça.

—Oi — disse Ky, meio confuso — e vocês são...?

—Somos sua equipe de preparação — disse o homem com um sorriso orgulhoso, enquanto arruma sua gravata amarela e seu terno dourado, como se fosse algo muito obvio.

—Meu nome é Cássia, e vou ser responsável por cuidar dessa coisa ai, que você pode chamar de cabelo. — disse a primeira moça, que estava vestida com uma com uma camisa e uma saia estampada.

—Nossa quanta delicadeza — fala o homem, com tom de ironia — meu nome é Flavis, sou o responsável pelos trajes que vocês utilizarão.

—Eu sou Porthya, e estarei encenando como se comportar adequadamente.

Porthya era a mais nova dos três, e estava usando um vestido de renda branca, que ficou combinando perfeitamente com seu cabelo comprido e loiro.

— Aulas de etiqueta? — diz Ky com uma cara de tédio, e Porthya finge que não viu. —Tudo isso vai ser necessário?

—Mas é claro que vai. Agora suba aqui que preciso tirar suas medidas. — Diz Flavis, apontando para um cubo de madeira prateada no chão.

Assim que Flavis termina de tirar todas as medidas para nossas roupas, chega um homem vestindo uma camisa cinza sem mangas, e uma calça preta, também estava com uma bolsa grande e preta no ombro, era o único com roupas normais em minha opinião.

—Oi Flavis, cheguei tarde?

—Como você tem coragem de chegar só agora? — respondeu Flavis, sem paciência.

—Sabe, quando alguém diz oi para alguém, a resposta que se espera é oi.

—Parem vocês dois. — diz Porthya, enquanto entra no meio deles. — Estamos sem tempo, então vamos esquecer as briguinhas idiotas.

Porthya poderia ser a mais nova, mais eu já tinha percebido que era ela que os mantinha na linha.

—Oi crianças, meu nome é Josh, sou o instrutor de vocês dois.

—Instrutor de que? — pergunta Ky, antes de morder uma maçã.

—Vocês vão descobrir logo, quando tiverem o primeiro treinamento.

—E quando vamos começar? — pergunta Ky, vendo que finalmente vamos fazer algo de seu interesse.


—Amanhã de manhã, e se quiserem treinar é melhor irem para suas camas. Agora.

Nós temos dois quartos diferentes. Não estava acostumada com quartos grandes na hora de dormir, e muito menos com o fato de dormir sem Zia por perto.

Nossos quartos são lado a lado, separados por uma parede e unidos por uma porta de madeira, de acordo com Josh, essa porta foi feita para o caso de haver alguma emergência.

Ao abrir a porta para entrar no meu quarto, eu vejo a coisa mais incrível que eu poderia ter visto, minha cama é gigante, com cobertas douradas e almofadas fofas, o chão parece afundar sob meus pés, ao lado da cama, percebi uma porta de vidro que me levava para uma sacada, ao lado da porta, um sofá que eles chamam de divã, e em frente, uma porta, do outro lado, um banheiro. Na parede oposta da cama, uma lareira queimava e trazia o calor para o ambiente novo. Quadros antigos davam vida para as paredes, e o teto ostentava um lustre de cristais que pareciam ser feitos de gelo dourado.

Embora tudo parecesse lindo, após a noite cair eu pude sentir uma frieza exalando do quarto, então era isso que todos sentiam quando se tornavam Escolhidos? Ou era eu mesma criando esse sentimento dentro de mim? Uma mistura de saudade com ansiedade e medo, tudo junto com o receio de ficar tanto tempo sem poder dar o que minha família estaria precisando, um choro ficou preso enroscado em minha garganta, me sufocando e obrigando a derramar algumas lágrimas. Não. Hoje não.

—Ky, você está me ouvindo?

—Sim — ouço uma voz abafada vinda de traz da parede.

—Boa noite.

—Boa noite.

Notas finais
Olá pessoinhas! Como estão? Dessa vez eu não demorei muito para reescrever este capítulo, é agora que toda a história vai começar a ganhar forma, comentem para mim o que acharam neste capítulo para que eu melhore nos próximos, o que acham que vai acontecer? Será que vai dar tudo certo? Quero saber tua opinião ok? ok. Espero que tenham gostado, até a próxima! o/