Contaminados-o início. Rece of Survivors
7 Incidente no Treinamento
Notas iniciais
O frio estava cada vez mais notável, as gotas de chuva ardiam em minha pele, algo pulsava em meu peito e jogava a energia para minhas pernas e pés. Estou correndo, a chuva está cada vez mais forte e meus pés descalços sentem cócegas ao bater no asfalto liso e gélido da estrada. Vejo algo em minha frente, mas a neblina desfoca minha visão, acho que é alguém, e está bem rápido, correndo sobre duas rodas para a mesma direção que eu, não, ele está correndo de mim, e eu, tentando alcança-lo.
Já aconteceu de você dormir no sofá quando era criança, e acordar na cama sem entender inicialmente onde você está?
Ou então dormir fora de casa e acordar assustado, pois aquele não era seu quarto?
Pois é, quando acordei na manhã seguinte, me assustei com a maciez da cama e com o fato de não ver Zia ali, só percebi onde eu estava, depois de cair no chão e bater com a cabeça.
Lembrei-me de meu sonho da noite passada, de como eu corria na chuva e tentava alcançar a bicicleta que levava o menino de cabelos amarelos como o sol, o garoto de quem eu não lembrava o rosto, tampouco o nome.
Levantei e vesti um roupão por cima do pijama, percebi que ao lado da cama, em frente do abajur, estava uma bandeja prateada com um comprimido azul e um copo de água, em frente, havia um bilhete de Ky dizendo que eu deveria tomar o comprimido para me sentir melhor. E ele tinha razão, mesmo tendo acabado de acordar, me sentia muito cansada. Tomei o remédio, e fui ao armário para ver se havia algo para eu vestir. Ao abrir as portas, pensei que veria roupas básicas de treinamento, mas aquilo não era nada básico, encontrei quatro vestidos, dois azuis, um branco, e um verde, também varias camisetas coloridas, calças feitas de um tecido justo que eu não conhecia, e algumas jeans também.
Escolhi a camiseta preta mais simples que consegui encontrar, e uma calça feita de um material que eu não conhecia, mas que seria perfeita para fazer qualquer movimento sem me incomodar. Tomei um banho na banheira do closet e vesti as roupas que escolhi.
Quando acabei de me arrumar, fui para a sacada para sentir o ar fresco pela primeira vez desde que cheguei aqui. Fechei os meus olhos e pensei em meus irmãos, Zia e Xander, e pela primeira vez, as lágrimas rolaram sobre minhas bochechas como gotas que escorrem sobre as pétalas de uma flor. Senti-me de uma maneira diferente, olhei para baixo e vi minhas mãos molhadas, eram dessas gotas salgadas que eu me escondia todas as noites, agora não evito que escorram sobre meu rosto.
Olhei para o jardim que estava em frente, pássaros cantando, borboletas voando, e margaridas florescendo. Como é que o tempo poderia estar tão lindo, será que ele não sabia que dia era hoje? Como pode estar tão lindo? Havia muitas roseiras, e como o inverno já tinha acabado, varias flores que já estavam florescendo.
Quando as pessoas ainda não tinham a Contaminação, as estações eram em datas diferentes de hoje, dependendo do lugar. Enquanto observava as pequenas árvores do jardim, ouvi algo diferente do canto dos pássaros. Alguém batia na porta do quarto, e antes que eu fosse até lá, vejo Ky abrindo a porta e enfiando a cabeça para dentro do quarto.
— Posso entrar?
— Claro. — eu disse, enquanto secava as lágrimas sem que ele veja.
— Vim te chamar para ir tomar café.
— Tudo bem, já vou.
— O que aconteceu Kylie?— disse ele com o ar preocupado.
— Como assim? — tentar esconder algo de Ky era quase impossível, mas eu não pretendia dizer a ele que estava chorando.
—Você sabe que não consegue esconder nada de mim.
— E quem foi que disse que eu estou escondendo algo?— perguntei enquanto sentava na beira da cama.
— Eu disse. —falou enquanto abaixava para ficar da minha altura.
Eu sabia que se olhasse em seus olhos, acabaria falando que estava chorando, então virei o rosto para não dizer nada.
—Você sabe que se precisar falar com alguém, pode contar comigo, não sabe?
—Está tudo bem, eu sei disso, não se preocupe comigo.
—Tudo bem, se você diz...não vou obriga-la.
Chegamos um pouco tarde, todos já estavam sentados.
— Pensei que você não iria acordar mais, querida. — disse Cassia.
Sentei-me ao lado direito da mesa, ela passava pelo meio da sala inteira, e as cadeiras estavam dos dois lados, havia tudo que eu poderia imaginar para comer.
Comecei com um pedaço de torta, nunca tinha provado uma massa folhada tão leve e crocante, seria ótimo se minha mãe começasse a vender tortas assim, acabaríamos com metade dos problemas financeiros de casa.
Mal vejo o tempo passar, quando percebo já está na hora do treinamento, Josh nos guia pelo corredor até uma sala com portas enormes, ele as abre e anos deparamos com uma sala gigantesca, tudo organizado e separado em alas diferentes.
— Muito bem, vamos começar com as aulas de defesa contra contaminados.
Josh iria começar a nos dar o treinamento adiantado em defesa já de início, pois nós já tínhamos essa aula na escola, e nossas notas eram excelentes. Depois de pouco tempo ele mostrou como fazer camuflagem e como se deve lutar adequadamente sem deixar que o contaminado te morda. A boca de um contaminado é o lugar onde as bactérias mais simples, podem virar letais para você, caso entre em contato com seu sangue.
A sala de treinamento era gigantesca, e era dividida em estações. A estação de defesa, também era dividida, eram duas partes, camuflagem e luta, Josh nos instruiu como imobilizar alguém e nos pediu para tentar, eu que achava que Ky era bom com as lâminas, me surpreendi ao vê-lo lutar comigo, ele me derrubou em menos de um minuto.
— Nossa! Você é bom. — disse depois de ele me derrubar pela terceira vez.
— Eu sei. — disse ele com um sorriso enorme no rosto.
— Certo, agora será que posso me levantar senhor modesto?
— Claro, eu deixo. — disse ele, enquanto saía de cima das minhas costas.
— Acho que vocês podem treinar na estação de armamentos, para se familiarizarem com as facas.
Eu poderia dizer que me impressionei com essa estação, eu realmente não imaginava a quantidade e variedade de tipos diferentes de facas naquela estação, uma parede inteira cheia de facas das mais variadas formas e tamanhos estava bem na minha frente, o brilho das lâminas era incrível.
— Escolham as mais simples e leves que puderem— orientou Josh.
Escolhi uma faca não tão leve, já sabia como usa-las corretamente, era uma faca prateada levemente curvada para trás, com cabo prateado.
— Tem certeza que quer essa faca?— perguntou Josh.
— Sim. Gostei dela.
— Tudo bem. Mas acho que dourado combina mais com você— disse ele enquanto me dava uma faca idêntica, mas dourada e cintilante.
— Josh! Que incrível. — exclamei enquanto pegava-a com muito cuidado da mão dele. — ela é linda.
— Espero que goste de usa-la. Embora seja muito trabalhada, ela é apenas bonita de se ver, é simples, mas bem útil se souber manejar facas pesadas com cuidado. Verá que também é muito confortável na mão.
— Obrigada.
—Prestem atenção, cada faca tem um protetor, só vamos usar no início dos treinos, aqui estão— ele disse dando uma capa flexível e grossa para cada um encaixar na sua lâmina— Durante o começo dos treinos vocês vão usar os protetores o tempo todo, só irão tirar caso eu permita. Agora eu quero que vocês me mostre o que sabem e depois eu mostro uns truques e técnicas.
Depois de treinar como imobilização e defesa durante uma hora, Josh troca nossas facas e tira os protetores, ele disse que como temos um histórico bom de equilíbrio e controle com as lâminas, não teria problema de treinamos por mais uma hora para acostumar sem aquilo. Treinamos bem, até que Josh disse que já poderíamos parar, pois já acabaram as aulas.
— Só mais um pouco Josh, para desempatar. — disse Ky, mesmo ele sendo ótimo com as facas, ninguém disse que eu não sou também.
— Que bom que gostaram, mas se vocês dois não chegarem na hora, eu é que vou levar a culpa.
— E se nós morrermos na floresta, a culpa também vai ser sua.
— Certo. Que pena não é? Vou arrumar as coisas por aqui, mais minutos e depois vocês vão para o salão de costura, Flavis quer falar com os dois.
— Certo— eu disse com um sorriso no rosto.
Começamos num ritmo mais rápido que antes, percebi que Ky estava se divertindo, enquanto ele bom em manobras, eu era ótima em manejar a faca em ritmo acelerado. Comecei a acelerar e Ky já tinha começado a se cansar, segurei a faca com a mão firme, e com um único e último golpe, bati na lâmina de Ky, e paramos juntos.
Mas algo não estava certo, olhei para o rosto de Ky, que agora não demonstrava divertimento, estava pálido, com a boca aberta, senti que algo quente e molhado escorrendo pelo meu braço, eu sabia que não estava certo. Olhei para ele, o sangue de Ky escorria devagar.
Só então, quando a faca caiu de minha mão que eu percebi o que eu tinha feito.
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