Contágio - Crise Russa
2 Capítulo 2 - Isso Não é Um Humano!
Notas iniciais
Lila observava a cidade pela janela da sala em que estava refugiada com Nikita, Mischa, Pavla, Kirk — O atleta — e a adolescente que não parava de chorar ao telefone. São Petersburgo havia mudado seu cenário em questão de minutos, havia diversos helicópteros do exército russo sobrevoando a cidade, alguns prédios históricos podiam ser vistos em chamas e barulhos de tiroteio pelas ruas da cidade eram ouvidos constantemente, mas o tumulto na escola estava longe de acabar.
— O que nós vamos fazer? — Pavla perguntou se sentando em cima da mesa de estudo.
— Eu sei que não vou sair daqui sem ter uma arma- Kirk falou — Eu vi meus dois amigos serem atacados por aquelas coisas e depois eles ficaram iguaizinhos! Isso é uma loucura, o governo com certeza tem algo nisso, senão já estariam aqui para fazer alguma coisa.
— Parece que isso não é só aqui — A Adolescente Chorando disse ainda falando ao telefone — Todas as linhas de emergência estão ocupadas, a polícia não responde e até os bombeiros dão caixa postal — Ela falou limpando o rosto com um lenço retirado de seu casaco.
— Quer dizer que isso é um confinamento? — Nikita disse em tom de deboche — Ótimo, vamos ficar aqui e esperar eles derrubarem as portas. Parece que meus video-games viraram realidade.
— A saída é só pelo portão principal, mas não tem como sair por lá — Lila falou vendo o pátio repleto de infectados. Uma líder de torcida passava por lá correndo mas logo foi atacada por uma multidão deles — Se não formos rápido nós seremos os próximos — A loira se virou, olhando para os demais.
— O único jeito de abrir o portão é ter as chaves ou ir para a sala de administração — Mischa falou encostado na parede, abraçado às suas pernas — Mas os corredores devem estar uma loucura — O dono dos cabelos escuros parecia ser o mais assustado, até mesmo que a Adolescente Chorando — Eu quero muito ir embora daqui… — Ele fungou na manga da sua blusa.
— Ei, nós vamos sair — Lila se abaixou, ficando frente a frente para Mischa — Eu não te salvei a toa, todos iremos sair daqui quanto antes — A loira coçou a cabeça, pensando num plano rápido. Ela olhou para a parede e viu uma vassoura encostada e alguns materiais de corte nas estantes — Vamos pegar o cabo da vassoura, as tesouras e estiletes, não vamos sair daqui desarmados.
Nikita foi pegou o cabo da vassoura e viu que a ponta era afiada e útil para enfrentar os infectados, ele entregou para Lila o estilete as tesouras para Pavla e Kirk e as enrolaram com fita adesiva num suporte de madeira, formando uma arma branca personalizada.
— Nós vamos sair e correr o mais rápido possível até a sala da administração — Lila falou — Todos eles devem ter ido para o pátio tentar escapar, é uma vantagem a mais… — Ela olhou mais uma vez a janela — Tentem desviar deles, se forem atacar só se for para se defender, porque é rápido para eles se juntarem — A loira observava todo o comportamento dos infectados para o plano sair perfeito. Mischa se posicionou para empurrar o armário de metal, enquanto todos já estavam prontos para sair — Já! — Lila gritou e Mischa tirou o armário de frente da porta.
Nikita deu um chute na porta, rapidamente revelou que ali havia um casal de estudantes infectados, eles rapidamente foram postos para baixo por Nikita e Kirk, enquanto Lila e Pavla corriam pelo corredor, olhando se as salas de aula tinham infectados, mas apenas havia carteiras e materiais revirados e grandes quantidades de sangue no chão e nas paredes.
— Meu Deus! — A Adolescente Chorando gritou, olhando pela janela uma pessoa tentando se arremessar do outro prédio — Ele vai pular! — Nikita, Kirk e Mischa foram até a moça, ver o que estava acontecendo.
— Porra… — Nikita falou angustiado, vendo o homem pular da janela e logo seu corpo se chocou com o chão do pátio — Isso está ficando macabro, ele era do grupo de basquete… eu o vi faz nem uma hora.
— Está tudo bem?! — Lila gritou perto da escada.
— Já estamos indo! — Nikita falou e os quatro foram até Lila e Pavla — Esse piso parece estar limpo — Ele viu as paredes sujas de sangue — Digo, limpo de infectados — O loiro falou nervoso. Os seis desceram as escadas com cuidado, vendo poucos no piso inferior, alguns andavam ao fundo do corredor ou estavam no chão se arrastando.
— Isso é tão triste… — Pavla falou passando por uma estudante que havia tido uma barra atravessada em seu corpo, provavelmente ela havia sido empurrada por alguém no meio do tumulto — Nunca vamos ter essas pessoas de volta — O mundo de Pavla desmoronou ao ver uma de suas amigas morta no chão do corredor — Ah não… — Pavla se ajoelhou e olhou o corpo de sua amiga Akulina.
— Nós precisamos ir… — Mischa dizia apreensivo, enquanto via alguns infectados ao fundo do corredor.
— Espera um minuto — Pavla queria se despedir de sua amiga.
Akulina parecia que foi morta a mordidas, já que todo o seu pescoço e sua bochecha apresentavam tais marcas, seu cabelo estava todo sujo de sangue e sua pele estava muito branca. Contudo, Akulina não estava cem por cento morta.
— Aaargh! — Akulina reanimou no mesmo instante em que Pavla foi lhe tocar, agarrando o pulso esquerdo da moça, que começou a gritar sem cessar.
— ME AJUDEM! — Pavla gritou desesperada, deixando sua tesoura cair no chão, os infectados ao fundo do corredor foram atraídos pelo som dos gritos da moça — MERDA! — Akulina tentava de todo modo morder Pavla. Lola cortava todo o rosto da infectada com o estilete mas nada resolvia, até que Nikita agiu.
Nikita acertou em cheio a parte afiada do cabo na testa de Akulina, atravessando todo o objeto no crânio da infectada, rapidamente a mesma parou de atacar Pavla e seu cérebro finalmente havia sido destruído. Pavla suspirou devido seu estado de choque, a Adolescente Chorando e Lila ajudaram a mesma a se levantar.
— Chega de parar por coisas inúteis! — Lila falou irritada — Essas coisas não são nossos amigos! Eles viraram monstros que querem nos matar! — A loira parecia irritada, ela foi até um infectado que estava na direção deles — Vejam isso! — Ela segurou um infectado que parecia ser um inspetor de corredor. Deu inúmeros golpes na barriga do mesmo com o estilete, enquanto os cinco observavam tudo — Se fosse um ser humano, já estaria no chão agonizando de dor… mas não, olhem isso! — Acertou em cheio o peito do infectado e em seguida o empurrou, derrubando-o da janela — Agora olhem e vejam se essa coisa está morta! Não está! Isso não é um humano! — Ela cruzou os braços — Agora querem sair daqui? Ou se lamentar para cada coisa dessas que verem?
— Vamos ir logo com isso — Nikita olhou o pátio pela janela — Não vamos sair daqui se eles forem se juntando. É estranho, tem fogo no prédio do primeiro ano... — O rapaz viu a fumaça saindo do andar do prédio no qual uma pessoa havia se jogado minutos atrás.
— Se há fogo, com certeza tem alguém ali… Não podemos largar uma pessoa viva nesse inferno — Kirk falou vendo a forte fumaça acinzentada — Talvez aquilo seja um pedido de ajuda…
E foi justamente o que Kirk falou, um rapaz apareceu na janela, meio as cortinas de fumaça que saíam das aberturas daquele andar, ele acenava para o grupo, pedindo ajuda. Lila não pensou duas vezes, ter mais uma pessoa no grupo podia ajudar a enfrentar os zumbis, e lembrou da única alternativa de ir para aquele prédio: Cruzando a passarela na qual havia estado quando tudo aquilo começou.
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