Conspiração
1 “O nosso erro foi o que nos dominou.”
Ninguém sabe realmente como tudo aconteceu, na verdade é que a historia foi reescrita e prescrita, alguns dizem que foi uma guerra, outros um salvador, uns que foram os rebeldes e no fim nossos antepassados, que poluíam, destruíam e extraiam da terra tudo, até que ela resolveu se vingar, resolveu se retrair recusando aos que a matavam de viver deixando aos poucos a chance de sobreviver.
Em seis de fevereiro de 2050, muitos meteoros caiam do céu e aos poucos um grande tsunami engoliu boa parte da terra, deixando ao mar civilizações inteiras. Milhares de mortos, milhares de órfãos, a terra se expandiu em inúmeras crises, falta de petróleo, o acesso à internet ficando quase que escassa e a água se não era suja, era contaminada.
Países inteiros ficaram no escuro, forças militares inteiras eram dizimadas ao conquistar outros países, o Brasil assim como o Canadá estavam na rota de colisão e eram testemunhas de como o pânico se alastrava, sendo golpeados por todos os lados, a amistosidade era apenas com os Estados Unidos da América que para escapar da falência e ruina se juntava aos países de toda a América sendo formado assim um império econômico e glorioso, que começava a ser dominados pelos Bravecons, a família mais poderosa de toda a terra, ela havia surgido do nada e aos poucos trazia ao mundo alento, mas a paz era algo que não iríamos ter por um bom tempo, devido todas as circunstâncias.
Sem fundos, sem moedas o mundo cogitou uma união, e a mesma uma moeda apenas se tornou universal e como maquinas nos tornamos, precisando ser rasteadas para não ter perigo de revoltas sendo nos posto chips, falavam que eram nossas novas moedas e nossas novas formas de segurança já que a insatisfação e a insegurança dominavam, nisso a injustiça entre pobres e ricos, ou melhor, miseráveis e ricos. Formando assim uma onda de sequestros e assassinatos seguidos por roubo, nos chips além do rastreador, havia dados bancários, informações pessoais que só se registravam através de alguns leitores, esses chips estavam em nossas mãos e nossas testas e agora éramos um novo produto da nova era.
Com isso tornava-se quase impossível roubos e sequestros, informações eram bem codificadas e havia raras pessoas que sabiam essas informações, que sabiam registra-las, contata-las, era o que pensavam, a verdade é que por trás de tudo isso havia algo maior, algo indecifrável de fé e de existência, os rebeldes eram adeptos a uma rara religião uma que não era muito bem aceita, uma que não se podiam usar chips e essas pessoas eram contra o sistema, contra o domínio, contra os que governavam ,os Bravecons, ditou uma lei, quem não tinha Chip era criminoso e assim mais centenas eram mortas e outras centenas presos em prisões desumanas cujo seu único crime, o de ir contra os poderosos, contra os que dominava e assim um novo movimento se iniciou chamada de A Conspiração.
Pessoas dentro do sistema eram corrompidas, uns alegando a busca espiritual e outros o paraíso, no fim eles eram mortos e dados de exemplo ao mundo, os que não eram tão poderosos talvez, mas os Bravecons eram inteligentes, os Bravecons possuíam destreza, os Chips eram não só para a segurança da população, eram para a deles, a cada esquina começou a possuir uma câmera, isso era apenas para os que não eram bem vigiados, pois no fim se saíssemos de uma reta que não nos eram comum os policiais nos paravam e ficavam em várias partes, exibindo armas, armas de uma nova fonte de energia com porções nucleares.
O trabalho foi focado em estudos para novas tecnologias e saúde, já que na terra éramos mortos vivos prontos para morte, eram o que diziam as TVs, os panfletos, maquinas de oxigênios estavam em todas as partes e saíamos sempre com máscaras de gás, a terra era tóxica as cidades eram infernos.
Poucos que tinham estudo e se formavam, se tornava governantes, químicos, engenheiros, tecnólogos, bio químicos, Médicos, biólogos e professores e o ensino alienador, aos mais rebaixados, era militar e aos mais abastados tecnológico, os de classe baixa serviam ao estado como policiais e esses eram muitos, morriam sempre e havia sempre os que ocuparem.
Às vezes parecia que havia mundo dentro de mundos e classes de castas, pois nada mudava tudo era o mesmo.
Sobre o passado, sobre a história, todos tinham uma versão, já ouvir até dizer que um dia existiu filosofia, artes e sociologia inúteis talvez, pois agora quem pensava em voz alta algo conspiratório desse gênero era estranho e até perseguido.
Sim, éramos sem liberdade e no fim éramos os mais gratos por isso, pois nos asseguravam que era para o nosso bem.
Noite de 2120.
Um homem um tanto calvo, mas não tão velho, seu aspecto estava destorcido, pois havia sido agredido, na verdade torturado, de sua boca o sangue jorrava formando líquido espeço, sua camisa que um dia foi branca estava imunda assim como suas roupas, estava de joelhos sobre dois homens que pareciam impacientes com o homem que estava sendo segurado por dois militares.
- Eu já disse que podemos passar a vida inteira lhe torturando até que nos diga o que queremos.
O mais arrumado disse ajeitando seu paletó, seu cabelo estava penteado para trás, seus olhos castanhos estavam em fúria, mas não havia sangue em seu corpo o que indicava que nunca havia nem tocado no pobre homem.
O homem cuspiu e de sua boca saiu mais sangue.
- Vão para o inferno!
O homem bem vestido agora bufava, enquanto o outro se manifestava, ele era mais velho que o anterior também bem vestido, tirou seu paletó e se aproximou mais do homem o socando na barriga. O olhar do outro estava fechado para situação, era neutra impermeável e seu olhar era de fúria, porém não manifestava tal sentimento. Ele falou.
- Não vai mesmo cooperar?
- Não, estou sendo o mais digno possível com isso.
O homem que o socou disse:
- Agora além de traidor é lunático?
O homem sangrando parecia cambalear, preso a duas correntes de ferro, foi puxado por um militar que o bateu gritando para que respondesse seu senhor.
- Eu irei a um novo mundo, melhor que esse, por isso não irei me importar se vou ser morto.
Rindo, o homem mais controlado da situação deu seu ultimo veredito.
- Não antes de sofrer bastante neste.
O homem sangrando foi arrastado da sala deixando o rastro de sangue consigo, as portas se fecharam e ele apenas gritou em seus pensamentos um nome “Safira, me perdoe.”.
Distante dali, em uma casa um pouco distante da cidade, acordava aos prantos Safira Groom, ela havia perdido sua mãe ao nascer e seu pai nunca a via, para sua proteção adotou apenas o sobrenome da mãe, mas suas contas estavam ligadas secretamente ao pai John Thompson. O motivo de acordar aos prantos era seu sonho, ou melhor, seu pesadelo, era que seu pai havia morrido.
Safira era criada pela sua professora e governanta Madame Muller, que sempre a acolhia e era como sua mãe, amenizava a sua dor, amenizava todas as suas dores e sua solidão.
- O que houve senhorita?
- Meu pai, Madame, meu pai, morreu.
Sua voz saia embargada com soluços, deitada sobre o peito da senhora, aquela jovem garota magra de pele branca e cabelos negros, era acalentada, e de seus olhos azuis safira suas lagrimas caiam.
- Isso é apenas um pesadelo, senhorita, vá dormir...
A senhora de cabelos castanhos que se misturavam a suas mechas brancas que formavam ondas, deitava-a na cama e cobria com o cobertor.
- Amanhã você tem um longo dia de aula, as férias estão acabando.
Ela deu um beijo à testa da jovem garota espantada.
- Por favor, antes me conte uma historia.
- Não acha que já esta grandinha para histórias.
- Eu irei completar quinze anos, mas não quer dizer que estou velha para historias.
- Bem... Era uma vez, uma linda garota chamada chapeuzinho vermelho todas as manhãs ela levava doces para sua vovozinha...
Um tempo depois Safira logo pegou no sono, em seguida a senhora se acolheu em seus aposentos.
Na manhã seguinte Safira, se apressou e juntou-se a senhora na mesa de jantar.
- Demorou bastante no banho dessa vez.
- Perdão... Fiquei imaginando aquela historia de piratas no banho.
- Minutos nos são preciosos e a água também.
Ela apenas assentiu com a cabeça e se apressou ao comer, seu motorista já a esperava. A caminho até a cidade central, também conhecida como Forte Branco era tortuosa.
Estava havendo alguns protestos que pediam por comida e segurança, a comida era transgênica, algumas em capsula, e só a elite comia comida de verdade, os pobres serviam dessa, que era mais barata. E a segurança? Já não havia inúmeras câmeras.
- O que houve Sebastian?
- Bem senhorita, houve rumores que rebeldes invadiram as casas nas regiões pobres e usurparam comida deles.
- Não há câmeras lá?
- Sim, há câmeras senhorita, mas também disseram que foram destruídas e até alteradas.
- Por quem?
- E quem sabe? Mas rumores são rumores não se preocupe com isso.
Ela estava sentada no banco de trás, e do carro se podia ver tudo de fora, eles que não podiam os ver, as visões das pessoas magras e sujas eram fortes em sua mente, todo o tumulto sessou quando policiais jogaram bombas de gás entorpecente, que afasta as pessoas que não caem no chão de puro sono, Sebastian parecia ainda mais preocupado, pois estava acelerando e nada de sairmos de lá, pessoas tombavam a nossa frente e éramos impedidas de seguir. Meu grito apenas o deixou mais preocupado.
Policiais se aproximaram batendo no vidro, das portas ocultas pegamos as nossas mascaras de oxigênio, para que Sebastian abrisse a porta.
— Identificação. — O policial pediu.
Ele passou a maquina sobre a testa do Sebastian e na minha mão esquerda, que logo identificou quem éramos.
Sebastian soltou sua frustração logo após sair do carro.
- Necessitava de tudo isso senhor, agora como irei conduzir a minha senhorita com milhares de corpos na estrada.
O policial mexeu na arma, não se podia ver sua expressão, o uniforme cobria todo o corpo e seu capacete só deixavam os olhos a vista. Outros se aproximaram um deles era um oficial que olhou para o carro e se dirigiu ao motorista e ao policial.
- Algum problema?
O policial bateu continência e respondeu ao seu oficial.
- O senhor Sebastian Gens que esta transportando Safira Groom, esta reclamando de nossa operação, senhor!
Ele se virou para Sebastian e perguntou.
- Qual o problema Senhor Gens?
- Estou tentando transportar a minha senhorita que está indo a escola, mas que não podemos seguir, pois há pessoas dormindo no caminho.
- Desculpe-me senhor, iram em nosso veiculo então e seu carro irá ser rebocado.
As instruções foram empregadas ao outro soldado, que tratou de trazer um carro de reboque aéreo, sai do carro lentamente, estava assustada com a situação e apenas porque Sebastian me estendeu a mão, havia muitos soldados ali e pessoas deitadas, que mal conseguia focar em algo. Agarrei-me ao braço de Sebastian e seguimos até o aeroplano. Minha saia balançava com a ventania e meu cabelo solto se embaraçava, minha farda já estava sendo um destroço.
Andamos até lá e sentei espremida aos muito soldados ali. Todos pareciam me olhar com curiosidade até que o oficial retirou sua mascara e deixou seu rosto pálido e seu cabelo loiro aparecer.
- Então é do centro de tecnologia para jovens cientistas, senhorita... ?
Sebastian completou. – Groom, Safira Groom.
O homem riu e todos ali pareciam rir também, até que ele continuou:
- Não se preocupe Senhor, não quis desrespeita-la apenas estou curioso para conhecer o nosso futuro da nação.
Safira estava tímida e mal olhava para os homens, contudo o homem continuou e perguntou a sua idade. Sua resposta foi um tímido quatorze e uma nítida expressão de surpresa, seguido de uma brincadeira do oficial.
- Bem pessoal, é menor de idade, então tirem os olhos.
O homem era carismático e os seus soldados riram com seu relato embaralhado, seus passos para cabine de comando eram firmes ao chão de metal, porém era silencioso, tudo aquilo causava uma forte timidez à pacata garota.
Seus cabelos negros desceram desembaraçados do avião, junto ao seu motorista que passará o tempo todo ao seu lado. O trajeto havia se encurtado para poucos minutos, mas isso não ajudou muito, continuava atrasada.
Aos pés do pouso da escola, um homem sinalizava a descida, já haviam noticiado de seu pouso e dos problemas ocorridos. Voar era bom, agora caminhar se tornava ainda melhor, contudo o procedimento de soldados descendo de cordas minutos antes de todos descerem, assustava, e a corrida para analisar o campo, amedrontador, parecia que estávamos constantemente sendo ameaçados, como se a segurança e os protocolos nunca fossem demais, cada passo que dava era um que olhava de canto dos olhos o mundo sobre ataque.
Tão rápido quando desceram e revistaram o perímetro, foi a sua volta ao aeroplano; eu por outro lado fui escoltada pelo meu motorista que ainda se queijava de toda a operação com resmungos baixos, mas plausíveis, me deixando na porta daquelas fachadas imperiais de estatuas de leão e falcão, deu seu ultimo sinal de conforto.
- Sei que eles não foram bem agradáveis, querida, porém chegamos e a “madame” não irá nos torturar com esse problema, então segredo nosso?
Ele era um homem solteiro e nunca teve filhos por isso muitas vezes me tratava como tal, principalmente quando nesses momentos de não conte a governanta, que entramos em uma rebelião, pegamos carona com os militares e pior de tudo atraso.
- Esse vai ser mais um então.
Havia muitos entre nós, ele era uma presença masculina na minha vida, já que o meu pai não era presente, então cabia a ele esse papel o que tratava com mero além de desempenhar a de serviçal, por isso era mais contido, agora com a de mãe exemplar e durona na minha vida estava à governanta, filha e pai eram cumplices.
- Ótimo... Boa aula e de que horas venho busca-la?
- Não precisa, logo após as aulas vou ao Centro Shopping com a turma e pego um táxi.
- Táxi com motorista... Mas está bem apenas se comporte.
Era aquela forma dele me dizer o que não deveria fazer com o olhar.
Ao entrar não encarei a diretora que me olhava friamente pelo atraso, mascarado pela rebelião de mais cedo estava isenta dessa vez, porém dessa vez foi isso que ela me disse, eu era uma das melhores alunas e com as melhores medias, mas horário não era meu forte, disciplina na verdade, não era meu forte e aquela escola era uma base da cúpula dos seres que vão estudar para achar mais formas de rastrear a população, sim mudávamos o mundo, porém o mundo estava sendo mudado além de nossas vidas que era apenas seguida com cataratas nos olhos, eu e os outros não sabíamos disso ainda.
Na aula o assunto que o professor dava eu já havia me adiantado, passará as férias estudando e revendo alguns assuntos, enquanto meus amigos viajavam, e os ouvi contar suas aventuras que estava deixando a aula em ecos de vozes.
E Lara Kelsy, a minha colega de turma era a que mais se empolgava, eu era garota de poucos amigos e normalmente se juntavam a mim quando necessitavam de ajuda, Lara não era bem dessas, ela era inteligente e invadia qualquer programa de computador e como seus pais eram políticos e gostava de falar, coisa, acredito que herdada nos genes dela, como eu era calada era perfeita para a amizade dela, sua pele era branca e seus cabelos eram encaracolados e suas recentes mechas douradas a fazia bem jovial, tinha dezesseis anos e uma vida bem agitada, bem diferente da minha.
- E então, não paro de falar sobre os lugares que vi e revi e você ainda não disse nada, então como foram as suas férias?
- Eu estudei, fiz alguns cursos extras e me adiantei no assunto um pouco mais.
- Nossa, que filha exemplar, se fosse um pouco assim juro que meus pais nomeariam uma cidade em meu nome ou um novo parlamento.
Às vezes ela era um pouco, insensível na verdade sem noção, pois ela sabia todos sabiam que meus pais estavam mortos, na verdade a parcela do que necessitavam saber, para meu bem dizia o meu pai e todos na minha casa, acontece que meu pai possuía um romance secreto com a minha mãe a senhora Groom e que eventualmente acabará de ficar viúva antes de meu nascimento, o pobre homem morreu pensando que seria pai e no fundo nunca foi, como se o universo o houvesse vingado, ela morreu no meu parto, me deixando com as propriedades, bens e sobrenome e eu ganhei um pai fantasma secreto, a verdade bem, não sei se é devidamente essa, já que deduzi ao pouco que sabia e as raras fotos de antes de meu nascimento, que demonstra um triangulo amoroso sem muita clareza, mas jamais falaria isso para honrar os nomes de quem morreram e me esconder de quem eu ainda não sabia, porém que podia ser meu fim.
Meus pensamentos foram interrompidos quando Lara me perguntou.
- Por que se atrasou tanto?
- Houve um protesto e ficamos incapacitados de seguir para qualquer lugar, havia corpos sonolentos em todo lado.
- Que horror e como chegou até aqui?
- Um aeroplano militar me deu uma carona.
- Nossa... Você veio à escola com um monte de militares gostosos?
- Bem, eles me deram carona e não prestei atenção se eram ou não “gostosos” a farda cobria tudo e não sou assim, mesmo Lara.
Às vezes ela realmente me irritava e ainda mais quando me criticava.
- Você é muito sem graça, mesmo não saindo de casa consegue ter mais agitação que eu em toda uma vida... Perguntou o nome de alguns deles, pegou um número?
- Não... Não, Lara!
- E é assim que somos amigas, você deveria ser um pouco mais adolescente e paquerar alguns garotos, vai morrer virgem, porque mesmo que militares não sejam bons partidos servem para diversão.
Meu Deus, estávamos em mundos opostos, não que fosse uma adulta, mas ela me parecia muito infantil, porque eu não me importava com isso, eu não me importava em quase nada, além de estudar e chegar em casa.
- Você vai conosco, hoje após as aulas ao Centro Shopping, você não pode ir para casa sempre e é aniversario de Benjamin e ele é muito meu amigo e o seu, além do mais ele pergunta muito sobre você.
Ai, Benjamin, ele estava completando quinze anos, ele era um Nerd convicto e me paquera a um bom tempo mesmo que eu suspeite que ele apenas me admire por ter mais prêmios que ele.
- Claro que vou, pois além do mais ele não parou de me ligar ontem pedindo que saísse com vocês.
- E você vai, não?
- Sim, o que mais é um café, não é como se eu fosse burlar as leis né?
Ela me olhou de soslaio e no shopping, eu percebi que nada se tratava só de um café inocente.
O Centro Shopping parecia uma cidade, era toda vidrada e cheia de cabines de oxigênio, lojas, praças de alimentação, cinema e mais ao topo possuía escritórios modernos de advocacia, medicina e dos administradores desse lugar além de tecnologia, em sua maioria dos Bravecons a família mais poderosa do mundo, possuía influencia em todo lugar, politica principalmente era como uma família real com coroa de chip.
Estávamos sentados na praça do lado Oeste, sempre era bom ficar lá, as janelas de vidro eram tão amplas, que fazia o local ficar mais luminoso, a maioria que frequentava, eram empresários, pessoas discretas que falavam baixo ao se tratar de negócios, a vista era linda era um dos poucos lugares que se podia ver uma natureza mesmo que fosse artificial. Sentados lá estavam eu, Lara, Benjamim e Greg que era mais inteligente quando calado, mas era irmão de Benjamim e pertencia a uma boa família de médicos e advogados, não seria cientista como o irmão se tornaria advogado ou politico, por pior que pareça, ele tinha excelentes argumentos e sempre um truque na manga, o que afirmava mais a minha tese de ser algo no DNA deles.
Greg era branco, de cabelos castanhos cor de areia e estudava no San Gerry, uma escola de medicina e advocacia, não era de padrão baixo, mas nada comparado a nossa de tecnologia, quando não passou nas provas, seu pai o inscreveu em sua escola atual, era magro, e o mais velho, com dezessete anos. O irmão Benjamin era gordo, usava óculos, possuía umas sardas e tinha um cabelo meio ruivo, mesmo sendo opaco. Mesmo Benjamim tendo a minha idade, estava em uma turma inferior a minha, pois eu era adiantada.
Eu estava falando um tanto raivosa já sem a minha farda, com minha calça jeans e minha regata de seda rosa e a sapatilha de cetim preta quando me comunicaram de uma festa no parque de diversão, detalhes que esse parque de diversão era muito longe da minha casa e menores legais não podiam sair desacompanhados sem um maior após as oito horas da noite, se fosse seria preso ou coisa pior, a maioridade para ser considerado independente e livre para andar aonde bem entendia era aos 21 e mesmo assim havia limites por onde podíamos andar, e com todas essas regras menores querendo infligir era um absurdo, de dia quando esbarrávamos em um militar sem um maior legal por perto, éramos analisados, olhavam nossas identidades e muitos deles perguntavam se tínhamos permissão de nossos pais, e não adiantava as palavras tinha que haver um documento escrito com assinatura de ambos, uns não se importavam, outros, porém eram severos. Então imagine isso a noite.
- Calma, Safira, um amigo meu tem um dispositivo que engana os aparelhos dos soldados do governo, para nós parecermos maiores de idade.
- Pronto, além de quererem sair sem um adulto, querem burlar a lei, se nos confundirem com rebeldes, vamos para um centro de detenção ou sei lá.
- Calma, nós somos ricos e influentes, ninguém vai mandar uma Groom, uma Kelsy ou dois jovens Lender a prisão, você tipo é um gênio e a garota Kelsy é uma futura Deputada, meu irmão é um excelente programador e o fanfaram que sempre se livra da lei.
Isso fez todos rirem, ele era o mais velho, mas minha nossa era o mais irresponsável.
- Já disse Calma, Safira, tudo vai dar certo, além do mais se a gente não burlar umas leis que injustamente são tão severas não vamos aproveitar nada, o governo nos fode e a gente fode eles.
Queria saber por que Greg era assim, parecia que ele sabia de coisas que não sabíamos, mas era ingênuo e muitas vezes se arriscava como se não tivesse medo, meu Deus, como ele teria um futuro assim? E como ele sobreviveria assim? Não queria participar disso e de um modo que não sabia, me vi aceitando essa loucura, no fim, eu mataria uma curiosidade de ver a cidade naquela área ao qual nunca fui.
A televisão anunciava algumas pequenas revoltas e algumas coisas sobre os rebeldes e informações de que um grande apoiador dos criminosos (era assim como tratavam os rebeldes quando não mencionava o nome.), havia sido descoberto e agora estava detido para investigações.
- Mais um, comandante traidor, agora eu sei por que meus pais pareceram tensos esses dias, pelo menos, mais tensos que o habitual — Disse Lara.
Greg bufava quando falava. — Detido para investigações, mataram o homem sem dúvida, por isso a poucos casos de traidores indo aos tribunais, todos morrem, os casos mais abundantes são posse de terras, militares e menções familiares.
- Mas é isso, eles devem morrer, sabe a ultima notícia que uns montes de rebeldes invadiram o campo agrícola daqueles pobres coitados e saquearam tudo, parece que houve até morte e ainda alguém apoia é um absurdo.
Benjamim dizia convicto e até revirava os olhos, pegou seu celular fino e pareceu bisbilhotar nele.
Já Lara resolveu brincar dando uma relaxada na tensão, mexendo no cabelo, óbvio que queria a atenção de Greg, eles tiveram um namoro rápido no verão passado e parecia não ter acabado para ela. — Absurdo é não pode sair à noite, isso que é um absurdo e na nossa idade.
Bebericando seu café, Greg responde. — Por isso que gosto de você Lara!
Aquela conversa toda me lembrou de meu sonho, meu pai sendo morto, torturado por militares que me deu uma leve indisposição.
- Vou ao banheiro, volto logo!
Na verdade, molhei o meu rosto um pouco, aquelas noticias eram sempre terríveis, nunca havia paz, nunca haveria, e as pessoas ainda vangloriavam as mortes, comentavam sobre isso, não se fazia nada, por que éramos egoístas demais para fazer algo que não fosse para nos, a maioria na praça de alimentação comia como se nada estivesse acontecendo, olhavam a noticia e depois cuidavam de suas vidas, sim, os inimigos eram eles que eram os verdadeiros inimigos ... Pobres tolos, eu falaria no futuro, burros não inocentes, ignorantes e egoístas.
Sai do banheiro e ao cruzar o corredor esbarrei em um homem, usava paletó de modo formal e possuía um cabelo liso penteado para trás de cor preta, uma barba um pouco mal feita e um olhar cansado que era disfarçado pelos óculos, ele se virou como se eu o tivesse despertado e percebe que em sua orelha direita havia um celular, ele estava no comunicador de orelha, um objeto muito caro, olhei e percebi que havia o despertado com o solavanco e também deixado cair a sua pasta.
- Não olha para aonde anda menina?
- Desculpe, deixe-me ajuda-lo.
Ele se apoiou em uma perna só e fez sinal para que não ajudasse, fazendo o serviço sozinho e mesmo assim me ajoelhei e ajudei-o. Um dos papeis havia uns protótipos com padrões complexos, mas facilmente compreensível para mim. Devolve os papeis que apanhei enquanto ele juntava em ordem.
- Deveria por menos, o segredo é que o diâmetro não esta uniforme, deveria estar, se colocasse em um eixo negativo esse protótipo daria certo. — O homem me olhou severo e tinha uma cor verde impactante nelas.
- De onde é?
- Sou do centro de tecnologia para jovens cientistas.
- Bom, é a escola mais disputada do mundo, esta em que período?
- No penúltimo.
- Quantos anos você tem, dezoito?
- Quatorze.
Ele me olhou de novo, agora com uma expressão de surpreendido.
- Acha que iria dar certo?
- Sim, os padrões não são complicados, só depende de uns ajustes... Veja, só aqui!
Apontei para o papel que estava em sua mão, já organizados e ouve uma voz ao longe de homem o chama-lo.
- Obrigado, senhorita, mas nunca mencione o que viu tudo bem?
- Claro.
Ele se levantou devagar e me olhou com uma pena misteriosa.
- Sabe de uma coisa, você tem talento e ainda parece inocente, não termine o seu curso, vão achar alguém brilhante como você logo, vai embora esse mundo é duro, ainda mais para você... Se cuide criança!
Não conseguir dizer nada, somente acompanhei seu trajeto, ele foi a um grupo de homens todos de paletó e com celulares pendurados na orelha e pastas, um parecia com ele, mas não usava óculos e não tinha barba, também tinha outro de cabelo castanho e um que chegou andando um pouco depois com um sobretudo nos ombros e fumando um charuto, a porta do elevador se abriu, esse último havia entrado e fechado às portas, seu cabelo caia na nuca e era escuro e seu olhar negro me deram um medo irracional.
Segui para a mesa ouvindo os protestos de Lara sobre a minha demora e seu logo “venha já aqui”.
Acocorei-me no meio de Lara e Greg, Benjamin estava mostrando um vídeo que ele usurpou de maneira inapropriada da internet, mostrava uma operação gravada, estava atirando numa cabana velha e alguns homens corriam com armas até serem atingidas pela chuva de balas, um lança chama destruía o pouco das construções e pessoas eram ouvidas presas nelas, era uma cena tão deplorável que não resisti ver até o final, sentei na cadeira ao lado, enquanto ouvia os murmúrios deles, isso não era uma guerra, era um massacre e parecia divertido ver aquilo aos olhos deles, pois naquelas pessoas eram a morte que se via.
- Quando conseguiu isso? — Foi à única coisa que pronunciei.
- Há um tempo, nas férias. — Responde Benjamin.
- E ainda assisti essas cenas bárbaras?
Minha voz saia com repudio.
- Isso é duro de ver, Safira, mas essa é a realidade, no fim todos nos fazemos parte dessa guerra, a vida não é um conto de fadas e nós não seremos mais criança daqui a pouco essa será a nossa responsabilidade e nós que ordenaremos a morte deles.
Era o que Benjamin dizia e esse eco, impregnava meus ouvidos “No fim todos nos fazemos parte dessa guerra”, mas não era eu que matava essas pessoas e assistia como se fosse uma ficção cientifica mesmo sendo real. Greg assistia e no fundo algo nele balançava como se aquilo não fosse tão bárbaro como se já visse coisas piores.
Peguei um taxi, Madame, estava ocupada mais logo veio até mim, me perguntando sobre o meu dia. Mostrei-me cansada não pronunciei muita coisa, ela era como uma mãe, mas era severa demais e eu tinha medo que acabasse falando algo que não devia. Para ela eu era uma criança e gostava disso, e de certo modo não queria crescer, pois quanto mais eu via o que as pessoas se tornavam mais eu desejava ouvir historias com finais felizes e sonhar de olhos abertos com aventuras surreais, o mundo me assustava, e era bom aquele meu casulo e como amava aquele casulo.
A noite começou a surgir no horizonte e Lara ficou online para me lembrar de que eu tinha um compromisso fora da lei depois, mas antes terminei os meus deveres e adiantei alguns, meu coração batia forte, era assim então fazer algo errado.
Abrir a porta do meu quarto e olhei para os corredores, um lado meu dizia e imaginava ela entrando pelo quarto e dizendo milhares de historias sobre pessoas que cometiam erros, ela era dessas coisas, mas no fim era a minha consciência me punindo, fui ao banheiro, escolhi uma calça jeans, uma regata branca, jaqueta de algodão fino preta com capuz e minha jaqueta de couro era meio que do meu pai, eu não lembro bem, já que ele havia deixado comigo há muito tempo e coloquei meu tênis escuro, mas eu precisava de algo firme para me livrar das garras da minha governanta e me veio à ideia, não havia feito hologramas ainda, estudei os métodos, era do ultimo período que não iniciamos, mas já havia estudado, programei uma rotina, minha imagem em 3D, em frente ao computador e deitada na cama com as minhas possíveis respostas se ela aparecesse é claro pus sensores no quarto e a identificação do chip dela no meu celular para que acompanhasse seus passos, se era para burlar as leis deveria fazer direito.
Sai às sete e meia de casa pela janela, nunca pensei que era tão difícil sair pela janela do segundo andar, meu corpo inteiro doía, levei uma bolsa de lado com meu celular, uma máscara de oxigênio, maquiagem e uma arma de choque, era de noite, eu estava meio assustada e não sabia se precisaria e nem como usava, mas me dava segurança por hora.
Cruzei os meus braços e esperei atrás de uma moita, a rua estava vazia, onde eu morava os vizinhos eram discretos e distantes tanto como pessoa quanto ao endereço, eles chegaram de carro, sim Greg estava dirigindo, já se podia dirigir aos dezesseis anos, porém não à noite, mas agora nos éramos maior de idade, de acordo com o aparelho dele que enquanto estivéssemos próximos anunciaria nossas falsas identidades.
Lara estava com um vestido Jeans colado ao corpo e uma jaqueta de mesmo modelo, Greg de calça e camisa polo o irmão dele seguia o mesmo estilo e eu era a única com cara de criminosa tanto que Lara brincou.
- Lembra que não era para levantar suspeita, você esta com cara de que esta fugindo de casa na calada da noite para burlar a lei.
Ela estava no banco do carona ao lado de Greg e eu atrás ao lado de Benjamin, tanto que ela se virou para me olhar e analisar do seu jeito, vista algo menos suspeito, como se fosse fácil fazer isso.
Ficamos lá por mais umas horas e quando nos aproximávamos do parque, uma blitz nos parou dois policiais apareceram e agora se podia ver os rostos deles, duro e frio.
- Aonde vão jovens?
- Ao parque, senhor policial.
- Identificações.
Estendemos as mãos e as testas e meu coração acelerava ainda mais, Greg havia dito para ficarmos calados e quietos, porém meu coração não obedeceu. Depois de nos identificarem, eles nos liberaram juro que senti meu coração pular pela boca e voltar aliviado.
O parque era gigante e brilhava cintilante, a bilheteria o homem que fumava naquele cubículo nos entregou os ingressos e rispidamente disse “divirtam-se”, andamos um pouco, Lara animada como sempre agarrada a Greg e Benjamin ao meu lado num gesto de pegar as minhas mãos a cada instante, e eu de solta-lo, havia muita gente e aquela carga toda de fuga me fez mal comer no jantar, avisei que ia comprar algo e nem me ouviram até mesmo Benjamin do meu lado se afastava para um novo Jogo tridimensional no parque, andei até a lanchonete e pedi um Milk shake de chocolate e um Hambúrguer, comi sentada no banco e ao meu lado um militar se aproximava, falou baixo com o atendente que não escutou até que o militar falou mais alto e eu pude ouvir, perguntava se havia visto alguém estranho por aqui de calça surrada e jaqueta preta de capuz e o atendente disse que não, então o militar saiu, sai de lá depois do militar e fui procura-los até encontrar Greg que estava atirando em latas para conseguir o ursinho rosa para Lara que o animava com gritinhos de apoio.
- Pessoal acho melhor sairmos daqui, acho que tem algo ruim acontecendo.
- não seja estraga prazer Safira, vai brincar de se distrair. — Diz Lara.
- É serio, ouvir um militar perguntar de um homem ao atendente da lanchonete e pareceu suspeito.
- Eles sempre procuram por fora da lei, descanse. O tom da voz de Greg sugeria um adeus ao seu tom com um vai embora acentuado.
Sai de lá em meio á multidão e uma casa velha com um palhaço de boca aberta me chamou a atenção entrei na casa de espelhos que estava vazia e ouvi um barulho debaixo do meu pé o chão rangia, os espelhos me refletiam em vários ângulos, algo nesse lugar me era familiar, agora me lembrava, meu pai havia me levado aqui antes e me dava às primeiras aulas de física era o seu assunto mais comum nada tão carinhoso, acho que era o seu melhor gesto de amor, andei até o lado mais escuro e uma mulher estava deitada, me aproximei e então percebi que ela estava baleada, fria e morta e seu sangue já se petrificava no chão, corri o mais rápido que pude, precisava ir embora, tantas pessoas se amontoavam a minha frente e tentei gritar e quando abrir a boca, um grito veio logo atrás de mim, então as pessoas começaram a correr, ouvia vozes em todos os lugares assim como choro.
Onde Lara estava, Greg e Benjamin, corri e então, parei e respirei, pense... Pense... A minha esquerda um brinquedo gigante estava vazio, era alto eu podia subir lá e avistar os outros, dei uns passos e me segurei à barra de ferro, e meu coração me congelou não podia subir meu medo me impedia, eu não era corajosa, eu ainda era uma criança, ai, Deus, sabia que não devia ter aceitado esse absurdo, que merda, eu vou te matar Lara. Então uma voz abaixo de mim me fez abrir os olhos sem perceber havia lagrimas em meus olhos.
- Quer se matar, mulher, porque nessa distancia não vai dá.
Era a voz de Greg, era Greg, nunca fiquei tão feliz por vê-los.
Coloquei o pé no chão, eu havia descido a janela da minha casa no segundo andar, tudo bem, na verdade eu havia projetado um elevador na varanda do meu quarto, eu descer por lá, mas meu corpo doía, já estava apertado lá dentro, eu havia crescido nos últimos anos e o criei há dois anos. A única coisa realmente corajosa foi o holograma e os sensores, mas já estava arrependida de ter saído de casa.
- Vamos embora, a sua praga funcionou, esse lugar esta uma loucura o que houve, que danado você ouviu?
Estávamos um segurando a mão do outro e Lara estava prendendo o choro, enquanto Benjamin pedia pela mãe, e eu me achando medrosa. Chegamos ao estacionamento a policia estava em todo lugar analisando os carros e quando percebemos que o alvo maior era o nosso, demos meia volta, mas já era tarde demais.
Fomos detidos, na delegacia, as perguntas eram simples, mas cansativas principalmente pela repetição, quem éramos, o que fazíamos nós quatro adolescente burlando a lei no parque, como conseguimos aquele dispositivo?
Lara chorava, Benjamin estava soluçando sem parar e eu estava nervosa, depois da delegacia, madame iria me matar, o único mais calmo ou o que aparentava estar calmo era Greg que foi claro em dizer que alugou o carro na área restrita próximo de sua escola, que não sabia o que havia dentro e que não encontrou nenhum policial nas proximidades do parque, estavam lá para comemorar o aniversário do irmão e que todos eles foram vitimas de uma injustiça e que os Lender eram uma família respeitável que foi enganada por pessoas de má fé com certeza. Não sei se essa desculpa satisfez a policia, mas os choros e soluços não deram muita resposta. Greg não era formidavelmente inteligente, mas se livrava de qualquer arriscada, não tivemos o nosso nome fichado, de algum modo a simples menção dos sobrenomes Kelsy e Lender, acalmaram as coisas.
Eu por outro lado fui escoltada para casa pelos policiais, ninguém atendia em casa, e ironicamente o oficial do aeroplano estava na delegacia, não sei de que divisão ele era, todavia realmente algo grave aconteceu, ele riu quando me viu e até brincou com uma “Senhorita Groom acho que esta gostando de ter a companhia de militares.”.
Quando cheguei a casa, Madame, foi rígida fiquei de castigo sem qualquer comunicador e só teria acesso a tecnologia na escola e estava no regime de casa para o colégio em tempo indeterminado, quando perguntada sobre a imagem em meu quarto, responde que era um holograma, sua surpresa foi notada e sua raiva ainda mais com seus gritos de “usando sua inteligência para o mal, ai... ai, mocinha serei mais rígida com a senhorita agora.”.
Deitei-me cambaleante o sono veio logo, e acabei me esquecendo de retirar os sensores apenas desliguei o holograma.
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