Conspiracy

10 Chapter 10 - Nothing Ever Dies


Notas iniciais
Bom, aqui termino a primeira parte. A segunda parte vai começar no dia 06 de Junho. Estou fazendo essa pausa para colocar uns projetos em ordem e adiantar algumas coisas, tentar prevenir o máximo de imprevistos.

Mikal entrou em seu apartamento e fechou a porta.

–Filho, desculpa não ter voltado ontem. Eu…

–Tudo bem, pai. — respondeu Josh – Tio Radd ficou comigo.

Alguém bateu à porta.

–Esperando alguém, filho?

–Não. E você?

–Não. Talvez seja o Radd.

–Talvez. Deixa eu atender. — abriu a porta – Quem é você?

–Edward Lowery. — disse, entrando – Olá, Mikal.

–O que quer?

–Não vai me perguntar como te encontrei?

–Se você mandou aquela mulher aqui, você já sabe. Se você demorou tão pouco tempo pra chegar aqui e não mandou ela, você me seguiu.

–Você é esperto. O que aconteceu com seus olhos?

–O que quer? — perguntou novamente.

–Sem estresse, Mick.

–Não me chame de Mick outra vez! Josh, vá comprar alguma coisa. Temos que conversar sozinhos, filho. — tirou algumas notas do bolso e entregou para ele. O garoto fez que sim com a cabeça e saiu. Mikal olhou para Edward, esperando que ele dissesse algo.

–Desculpe. — disse, entre os dentes. Esperou um momento para que o garoto estivesse longe – Vou ser direto. Você sabe que não fui eu, certo?

–Luther te dispensou?

–Pedi para ir para casa.

–Essa não é sua casa.

–E você não respondeu minha pergunta. Você sabe que não fui eu.

–Claro que sei. Eu precisava da confiança do Luther. O Frederick é tão previsível.

–Você sabia da ameaça?

–Quem você acha que mandou?

–Você? Espera, isso estava planejado.

–Tudo.

–O Luther ir até você?

–Sim.

–Eu sugerir o Damon?

–Óbvio. Estudei vocês detalhadamente.

–Eu deveria descobrir?

–Era uma parte fundamental do plano. Só precisava estar preparado para quando você viesse. — ele pegou o canivete que estava no bolso, destravou a lâmina e apontou para a garganta de Edward, que recuou um passo.

–Você fez isso tudo para me matar?

–Claro que não! — e riu – Você vai me ajudar a ter a Stokes Genetical.

–Eu? Eu não posso.

–Mate o Luther.

–Não!

–Eu te dou outra chance. Mate o Luther ou eu mato você.

–Por que está fazendo isso?

–Isso não se trata de ter a empresa, ou ser rico. Se trata de vingança. A HWE tirou a minha esposa, e fez com que meu filho se tornasse um órfão!

–Novamente, qual a minha relação com seu azar? — os dois descreviam um círculo no meio do pequeno apartamento – Não precisa ser assim, Mikal. Matar o Luther não vai te dar a empresa.

–Eu não quero a empresa. — e forçou mais a lâmina contra o pescoço de Edward.

–Não? Como não? — ele estava confuso.

–Não. Quero que ela quebre. Estou trabalhando pra ruir aquela organização desde que minha esposa morreu! Eles estão vulneráveis. Dependentes do medo e da influência. Estão quebrando, Edward. Eu teria uma chance melhor que essa? Basta quebrar um pilar para uma estrutura decadente ruir.

–Não se precipite, Mikal.

–Não estou me precipitando! — Edward recuou um passo até a parede oposta a porta. Mikal manteve a distância entre eles, avançando, trêmulo – Não estou!

–Mikal, por favor. Podemos negociar. — ainda se afastava.

–Não barganhe comigo! — Edward sentiu o parapeito da janela bater em suas costas. Tremeu. Suas mãos tateavam a madeira, medindo a altura. Em um movimento rápido, acertou um tapa no braço de Mikal e ensaiou uma fuga. Uma leve pontada o atingiu no estômago.

–Mikal, desculpa. — a lâmina foi forçada mais profundamente. Logo depois, retirada e o cortou na garganta.

–Deveria saber que sou canhoto. — ele caiu de joelhos e Mikal o levantou – Mande todas as minhas considerações ao Luther no inferno. Ele já vai te encontrar. — e o jogou pela janela. O corpo caiu no chão do beco com um baque surdo.

–Mikal? — Radd estava de pé, ainda com a mão na maçaneta da porta – O que você fez?

–O que você viu? — avançou um passo, com o canivete em punho.

–Mikal, sou eu. O Radd. Mikal, solta isso.

–O que você viu? — ele gritou, apontando a lâmina para o rosto dele.

–Mikal, solta isso. Sou eu. O Radd, por favor. Solte.

–Radd? Me desculpa. — e soltou o canivete – Eu não sei o que… Deus… Eu matei ele.

–Quem era?

–Edward Lowery… Meu filho… Não, com licença. — e saiu correndo.

–Mikal! Volta aqui! — e correu atrás dele.

***

Desmond e Liam se sentaram na cabeceira da mesa da sala de reuniões. Os executivos, os investidores e os acionistas estavam ali.

–Para que nos chamaram?

–Creio que essa é a melhor hora para mudarmos os rumos dessa empresa. — disse um deles.

–Quem é você? — cortou Liam.

–Lamentamos dizer que temos que colocar alguém com mais conhecimento no lugar de presidente dessa empresa. — continuou o homem, ignorando a pergunta – Infelizmente, mudanças são, muitas vezes, necessárias para que ocorram melhoras.

–Vocês estão me tirando do posto de presidente? — Desmond se levantou, apoiando as mãos na mesa.

–Estamos. — respondeu outro.

–Quem vocês escolheram, então?

–Eu. — James deu um passo para a frente.

–James? — Desmond cerrou os punhos.

–Desmond, não.

–Calado, Liam.

–Senhor Cahill, deixe-me explicar.

–Calado, seu traidor. — e apontou para o rosto do empregado, de forma acusadora – Seu traidor! Meu pai fez você prometer proteger meu lugar.

–Desmond, espere! — um dos executivos se levantou.

–Cale a maldita boca. — ele rosnou, virou as costas e saiu.

–Desmond! — Liam se levantou e foi atrás do irmão – Deve ter uma explicação para isso! — ele só conseguiu alcançar o irmão no elevador. Desceram em silêncio até o estacionamento.

–Ele prometeu ao meu pai, ao nosso pai. Ele prometeu que faria tudo para nos manter no controle da empresa. Manter o legado Cahill.

–Ele nos traiu, mas não sabemos os motivos dele.

–Traição! Qual outro?

–Desmond, você está estressado. — o motorista abriu a porta do carro para eles.

–Local, senhor.

–Para casa. — rosnou Desmond – Eu estou estressado. Você está feliz, não?

–Eu? Por que estaria? Afinal, isso era meu também.

–E você queria aceitar a responsabilidade? Você tem ideia do que é assumir a empresa?

–O que você sabe, Des? — desafiou – Você sentou na cadeira e o James pensava por você!

–Pelo menos tentei aprender.

–Mandando fazerem seu trabalho? Pelo menos eu tive a coragem de dizer que não queria, mesmo querendo. Você só está lá pois é o mais velho!

–Por causa disso? Você acha isso?

–Claro! Eu acompanhava nosso pai sempre! Eu sei mais sobre aquela empresa do que você!

–Então, me responda, por que ele não escolheu você?

–Porque você é o primogênito! O maldito responsável por manter a linhagem Cahill fluindo.

–Por que nunca tentou tomar seu lugar na empresa? — se virou para a porta, encarando a paisagem cinzenta passando tranquilamente pela janela.

–Por que? — Liam soltou uma risada sarcástica.

–É, um motivo. Um motivo pra ter me virado as costas e seguido sua vida.

–Porque você já havia deixado bem claro para mim que não importava o que eu fizesse, eu sempre seria seu irmão mais novo e irresponsável que nunca estaria pronto pra fazer o que você nasceu para fazer: manter o legado da família, manter o nosso nome no topo para sempre. Desculpe, Desmond, eu nunca serei você, certo? Bom, me desculpe. Pare, por favor. — o motorista parou e Liam desceu do veículo. Antes de fechar a porta, apoiou o braço sobre ela e encarou o irmão – Me desculpe, então. Espero que consiga a sua empresa de volta. Estou cansado disso, meu irmão. Sinceramente, Desmond, você não é igual nosso pai. Ele não era assim, e você nunca vai ser ele. Boa sorte e não precisa me esperar acordado. Talvez eu não volte tão cedo, então não precisa fingir que está preocupado comigo, eu sei que não está. E espero que entenda o que o James está fazendo por você, Desmond. Se cuida. — se afastou, fechou a porta e continuou andando pela rua.

***

Lydia estava sentada no sofá e olhava inquieta para Peter.

–Peter, chega. — ela se levantou. Ele estava ao lado dela, assistindo algum programa na televisão.

–Chega? — ele olhou para ela, com uma pontada de curiosidade.

–Sim, chega. Você está fugindo dessa conversa desde ontem.

–Não sei do que está falando. — e deu de ombros, olhando para a tela novamente.

–Do seu surto, Peter! Você estava alucinando que tinha alguém aqui.

–Tinha alguém aqui.

–Como eu não vi.

–Não sei. — e parou por um segundo antes de mudar de assunto – Adoro esse programa.

–Peter! — ela rosnou.

–Ótimo! — ele pegou o controle que estava no braço do sofá e desligou a televisão – Já que é isso que você quer, vamos conversar. Fale.

–Eu quero seu bem. Estava preocupada com você.

–Eu disse que tinha alguém aqui, Lydia. Eu vi!

–Não tinha!

–O que você quer dizer com isso tudo? Que sou ou estou ficando louco?

–Não! Estou dizendo que essa droga que você está usando está te fazendo mal.

–Ela está me deixando tão… Melhor.

–Você está delirando por causa dela.

–Não estou! Então, me diz o porquê de você ter gritado.

–Eu não gritei. Eu respondi você quando você me chamou.

–Eu não tinha te chamado.

–Você berrou o meu nome e depois entrou correndo no quarto, discutindo com alguém. Eu tentei fazer você se acalmar, mas você estava… Descontrolado.

–Não me obrigue a parar.

–Você tem uma escolha. Você sabe que eu deveria ter te entregado aquele papel e ter ido embora. Eu não posso te deixar se você continuar arruinando sua vida.

–Eu não posso te prometer, Lydia.

–Eu não posso continuar vendo você se destruir.

–Eu te amo, Lydia. — um sorriso suave, no canto da boca dela, apareceu – Você sabe que eu nunca diria isso pra ninguém, mas você… Eu te amo.

–Peter, eu também te amo, acho que demais até.

–Então você… — ele soltou um grito agudo.

–O que houve?

–Meu olho! — ele levou a mão até o olho esquerdo.

–O que tem seu olho? — ele se jogou de joelhos no chão, urrando de dor. Quase arrancando a própria órbita. Lydia segurou a mão dele e a afastou. Ele se jogou nos braços dela, pálido.

–Peter! Peter! Fala comigo!

–Dói muito! — ele chorava de dor. Tirou a sua mão da de Lydia e levou ao próprio braço, para evitar arrancar o olho. Cravou as unhas na própria carne com tanta força que o sangue escorreu. Primeiro como uma linha fina e estreita, avermelhada. Posteriormente, o fluxo foi se tornando mais forte e mais vermelho conforme ele forçava as unhas.

–Peter, chega.

–Não! — ele urrou e caiu deitado. Lydia deu um salto para trás. Ele estava muito pálido e suava frio.

–Peter, calma. — ela segurou ele pelo pulso, tentando levantá-lo.

–Não! — ele deu um pulo, se levantando, e a empurrou.

–Peter, volta aqui! — ele estava de pé, com os braços escorrendo sangue.

–Estou bem, Lydia. Me desculpa. — ele ofereceu a mão para ela. Ela segurou e ele a puxou com cuidado, levantando-a.

–Peter. Seu olho.

–O que tem?

–Ele… Seus olhos não são…?

–Pretos?

–Sim. Seu olho. Ele está… — ela puxou o telefone do bolso e mostrou para ele. Ele olhou o próprio reflexo na tela e deu de ombros.

–Não entendi.

–Ligue a câmera frontal. — ele fez. Então conseguiu ver.

–Droga, o que é isso?

–Era o que você estava sentindo dor, não?

–Era, Lydia. Mas passou. Eu…

–Está conseguindo ver direito?

–Sim. — ele cobriu o olho esquerdo e olhou apenas com o direito, estava tudo bem. Cobriu o direito e olhou com o esquerdo – Ele está mais sensível.

–Sensível?

–Sim, sensível a luz, cores… Parece que consigo ver mais cores.

–Como assim?

–Preciso ir ao médico.

–Quer que eu ligue?

–Não, não. Tenho que testar isso.

–Pode ser perigoso!

–Lydia, Wolf me deu tantos poderes…

–Te deu dor. Te deu alucinações.

–E? Lydia, eu posso ser um herói.

–Ainda isso? Você está alucinando.

–Estou? Tem certeza disso? Eu não sou mais aquele cara fraco e idiota.

–Eu nunca disse que era.

–Você não disse, mas já me disseram. Me dá uma chance. — e ele segurou a mão dela.

–Uma. — e ela o fitou. Um dos olhos estava preto, com sua cor normal, e o outro estava verde.

–Obrigado. — e a beijou.

–Você está lindo assim.

–E você é linda de qualquer forma. — e a empurrou no sofá, se aproximando.

Notas finais
Acho que é isso, fim da primeira parte. Espero que tenham gostado
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.