Consorte 12/05
2 Prólogo
Todos querem nascer sob o prestigio real, exceto aqueles que o tem. Contrariando opiniões, o destino monárquico é para os fracos. É para aqueles que se submetem ao controle de um Deus sádico – que coloca todo um povo sob a mão e o poder de um rei pecador. Eu nasci com a coroa predestinada, a minha linhagem – os crowleys— governam Caia por mais de dois séculos. Ou seja, há duzentos anos os meus ancestrais trepam para manter a família no poder. Esqueça a coroa, o poder ilimitado e os bailes, foder com quem quiser e onde quiser — o status da nobreza se desmanchando em prazer dentro de uma cortesã a plebeia — esse é o verdadeiro prestigio real. Mas, não para mim. O meu sobrenome é indiferente quando estou em Cancún, vivo como um anônimo, que bebe whisky, aposta alto no cassino e que prova da feminilidade mexicana quando se deita com uma.
O México tem tudo o que Caia não tem: Liberdade, independência e um povo soberano. Caia é um reino entre a Baia de Campeche e a Península de Yucatán, e foi autoproclamado como monarquia absolutista – a única atualmente na América do Norte. Enquanto as demais concorreram para a independência, Caia resistiu – se consagrando como um reino autônomo. Apesar da herança da cultura mexicana mesclada com a espanhola – que somos descendentes – ainda falta muita coisa em Caia.
A exemplo da morena deitada ao meu lado. Caia pecava em não ter uma vista como aquela bunda. As mulheres caianas eram tímidas e reprimidas por uma cultura cristã. As mexicanas não, eram libertinas e selvagens. Dedilho a perna daquela mulher até as suas nádegas. Como um rabo pode me olhar com tanta superioridade? Ele deve ser castigado. Puxo a sua calcinha para cima, de modo que o tecido de renda entre em atrito com a sua intimidade – que eu podia sentir implorar por mim.
— Hum... – resmungou em um gemido, – Sexto round? – Questiona ao se virar. E então, tenho uma visão privilegiada de seus seios despidos. Nem grande e nem pequeno, mas, o tamanho perfeito para o encaixe da minha mão e boca.
— Amarre os tornozelos. – Ordeno. – Você sabe como eu gosto. – Busco a gravata jogada ao chão e lhe entrego. Esse era o único poder que eu gostava de ter. De comandar corpos femininos e guia-los até o êxtase de prazer, para que nunca se esqueçam quem foi George Crowley.
Como uma boa garota, ela obedece as ordens. Checo o nó feito para ter certeza que não vai desatar quando eu estiver dentro. Viro o seu corpo de bruços, sua bunda empinada e suas pernas imóveis para que não se relute contra o prazer, mostra que ela está pronta. Pronta para mim. Avanço sob o seu corpo e abro suas pernas gentilmente com o meu joelho, encaixando-me entre elas. Levo suas mãos até a altura do seu ombro e faço com que fiquem espalmadas ali. Tiro o meu roupão, deixando-o até a metade do meu corpo e em uma onda de prazer aproximo a minha glande do tecido da sua calcinha, afasto-o. Quando estou prestes a entrar e me desmanchar em sua intimidade quente e molhada, o barulho da campainha puxa-me de volta a sanidade.
— Merda. – Rosno. Não se interrompe um homem quando ele está por cima de uma mulher. Jogo o lençol sob seu corpo e me recomponho. Sinto que a minha extremidade ainda está enrijecida e pulsando em êxtase. Entreabro a porta com a expectativa de ser a camareira ou o hospede do lado reclamando, mas, para minha surpresa, era uma visita direto da Corte Real.
Conde Hernadez. Filho ilegítimo do rei, por tanto meu meio irmão. Meu pai lhe concedeu um título de nobreza para que pudesse desfrutar dos privilégios da Corte. Hernandez era mais que um simples conde e bastardo, era oficial do palácio. Meu pai ensinou-lhe tudo o que sabe e tudo aquilo pelo qual não me interessava. Todos sabíamos que se ele tivesse o sangue azul real, seria um sucessor melhor que eu. Entretanto, tanto a elite quanto o Deus cristão jamais permitiriam que o fruto de um adultério se consagrasse como um monarca.
— George! – Dispensávamos os tratamentos formais. – O rei está morrendo. – Pausa e procura vestígios de expressão em meu rosto, mas, eu não a faço. – Você precisa voltar.
A ascensão de um rei era a sua queda como homem.
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