Consequências Fatais
5 Capítulo 4
Notas iniciais
Enquanto a festa continuava, que se resumia em pessoas esquisitas falando sobre política e alianças, fomos para nossa nova casa — a que iríamos dividir — a casa tinha uma piscina nos fundos e sua frente tinha canteiros de rosas, a casa era de dois andares e sua cor era branca, cor da qual eu detestava, achava ela uma cor demasiadamente clínica, formal demais; parecia um pequeno hospital do que a casa de jovens recém casados.
Decidimos não ter lua de mel enquanto a guerra continuasse.
Entramos dentro da casa, com ele me segurando no colo, na clássica pose de marido e mulher, seu olhar encontrou o meu, seus olhos estavam com um brilho esquisito, contudo decidi ignorar, achei que o problema era comigo.
O interior da casa, era mais clínico que o exterior. Não havia nada ali, nada de reconfortante; as paredes me deram calafrios, tentei não pensar muito nisso, afinal, a casa era fria como se nunca houvesse riso, amor e felicidade ali, no entanto ninguém havia morado de fato na mansão.
— Vamos para o quarto — foi a única coisa que ele disse, mal pude ver direito o resto do local, que em breve eu chamaria de lar.
— Mas eu ainda nem vi o resto da casa — retruquei indignada.
Ele, ainda me segurando em seus braços, me ignorou e começou a subir as escadas, em espiral. Enquanto eu protestava, senti algo de errado, muito errado; como se eu soubesse o que viria a seguir.
Rapidamente ele chegou em nosso quarto, abriu a porta e a fechou de forma estrondosa.
Não consegui me mover, assim que vi seu olhar predatório, parecia que havia gelo passando pelas minhas veias no lugar de sangue. Seu sorriso malicioso me fez recuar um passo. Me fazendo cair em cima da cama, consequentemente; o medo tomava conta de mim, de um modo inexplicável.
Olhei de relance para a porta, e, sem pensar muito a respeito, se não, eu perderia a coragem, fui em disparada na direção da saída, entretanto ele foi mais rápido, e segurou com força meus braços, deixando marcas vermelhas de dedos.
— Stephen, o que você está fazendo? Está me machucando. — tentei soar o mais calma o possível, mas minha voz saiu em um ganido doloroso, o simples ato de falar já estava me esgotando.
Ele apenas sorriu friamente para mim, mas ele não precisou falar nada. Eu sabia o que ia acontecer, assim como estava bem ciente da minha falta de forças para pará-lo de algum modo.
Então, de alguma forma ele já havia me despido e se deitado por cima de mim, enquanto ele satisfazia suas vontades, encostando suas mãos nojentas em minha pele, sem nenhuma permissão.
Tentei pensar em coisas alegres, arco-íris, unicórnios, sereias, anjos, os Ursinhos Carinhosos, mas nada adiantava, todos ainda me faziam voltar ao pavor e ao nojo.
Virei meu rosto para o lado afim de não encará-lo, incapaz de aturar seu semblante. Decidi encarar as cortinas brancas da enorme janela que se encontrava no lado direiro da cama, a grande janela dava rumo à uma sacada gigante, seria um ótimo lugar para ler, se eu não estivesse passando pelo maior pesadelo que toda mulher já teve.
Mas, em algum momento, eu parei de sentir qualquer coisa, nem raiva, nem nojo, nem pavor, apenas um vazio obscuro. Esse foi meu breve momento de paz que eu encontrei naquele inferno que eu vivia na Terra.
Não sei se, em algum momento eu desmaiei ou apenas peguei no sono em meio àquele pesadelo, mas eu acordei sozinha numa cama macia cheia de travesseiros com os raios de sol batendo no meu rosto, ultrapassando a fina cortina branca.
Estremeci levemente, sem vontade de levantar, mas vi na cabeceira um bilhete, o abri e vi a letra cursiva e meio desajeitada dw Stephen, mas minha raiva foi tão grande que nem li o bilhete apenas o amassei furiosamente e joguei no canto do quarto.
Respirei fundo e fui até o banheiro, optei por um conjunto de moletom, me recusava a fazer qualquer coisa para Stephen, ficaria do meu jeito. Estava tentando esquecer o ato doentio que ele cometou na noite anterior. Com um suspiro de medo e frustração decidi sair do quarto.
Eu sabia que ele estaria fora de casa, então me permiti vagar como uma alma penada por aí sozinha, e tentar não pensar em coisas ruins, apesar do meu conhecimento de sua ausência, ainda tinha receio de andar por qualquer lugar. Todavia ainda assim fui me aventurar e foi uma das minhas melhores decisões que já tomara.
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