Notas iniciais
Então está aii. Espero que gostem!

Dia primeiro de fevereiro foi a primeira vez em que o vi. Ele estava simplesmente lindo, com seus cabelos escuros e brilhantes levemente emaranhados, sua pele num bronze perfeito e seu fisico aparecendo mesmo ele usando um terno risca de giz feito sob medida. E assim que ele se virou para mim, senti meu coração palpitar e errar uma batida e meu fôlego se perdeu para o espaço.

De repente meu vestido me pareceu muito pesado, senti uma gota de suor escorrer entre o meio de minhas costas, ao menos meu penteado ainda estava parado e não se desfazendo. A esperança de estar apresentável para o rapaz lindo me desapareceu completamente quando me vi no reflexo de um espelho que se encontrava no outro lado da sala. Minha maquiagem estava derretendo, por pouco nao parecia um guaxinim. Dei uma desculpa para as garotas mimadas que se encontravam ao meu redor como abelhas se encontram a redor do mel. E fui ao toalete com minha cabeça abaixada o máximo possível para que ele não notasse a imperfeição de minha maquiagem. Talvez eu fosse narcisista nessa época, no entanto tentava ao máximo ser modesta, mas sabia que não era. Apenas me fazia de garota humilde. Para mim antes, tudo deveria ser luxuoso e também não me importava com a fome e com as pessoas sem teto que se encontravam pelas ruas e cada vez mais morriam com as doenças mais fortes que rodeiam os vulneráveis. E com a guerra o índice de sem tetos crescia cada vez mais, o mundo estava sendo dividido e assim que a guerra terminasse as classes mais poderosas também iriam ruir, e o povo riria das caras de otários de todo o grande capital. Os países estavam dividindo-se em castas e por sorte eu estava presente em uma das castas mais poderosas ja feitas. E isso me fazia sentir-me especial. Única. Como eu era ingênua!

Assim que cheguei ao banheiro notei que a coisa era mesmo crítica. Minha maquiagem começara a escorrer por entre as bochechas. Claro, num lugar quente como aquele, fazia sentido as pessoas soarem com suas roupas de gala. Menos o rapaz moreno com seu olhar penetrante, ele parecia imune àquele calor infernal.

Sorri ao pensar que ele olhara para mim, mas logo o sorriso desapareceu, me dei conta de que ele me vira feito um guaxinim, meu rosto começou a corar rapidamente, fiquei num tom de vermelho vivo, o calor formigava por entre minha pele. Tudo o que queria era colocar minha cabeça para debaixo da terra ou não sair do banheiro. Contudo sabia que deveria encarar aquelas pessoas e ele.

Deveria vencer minha vergonha e sair do toalete, mas não antes de arrumar as imperfeições de minha maquiagem aue anteriormente estava bela. Muito bela.

Após de arrumar-me devidamemente respirei fundo e sai do banheiro; olhei ao redor, ele não se encontrava mais onde estava anteriormente; balancei a cabeça lamentando, claro demorei mais de trinta minutos no banheiro ja era de se esperar. Frustrada andei lentamente até a sacada, meus pés latejavam, joguei meus sapatos para o canto assim que cheguei na sacada, a brisa gelada me envolveu, fazendo o pelo dos meus braços se levantarem. Sempre apreciei momentos como esse, aqueles momentos em que você pára tudo para pensar na vida, e pensar em que tudo pode ser belo se apenas fechar seus olhos. Repito: como era ingênua.

Um leve suspiro saiu de meus lábios. A brisa começara a ficar mais forte e ao encostar em minha pele parecia pequenas agulhas me pinicando.

Abracei a mim mesma com os olhos fechados. Foi aí. Nesse instante em que escutei pela primeira vez a risada maravilhosa que era a dele. Foi nesse momento em que tudo começara. As coisas ruins e as coisas ruins disfarçadas de boas.

Me virei para o dono daquela risada melódica, era ele. O cara charmoso de mais cedo. O cara do qual eu achava que ja havia ido embora com outra garota.

Pisquei confusa, do que aquele cara estava rindo?

— por acaso tenho cara de palhaça? — perguntei estreitando meus olhos.

— não — respondeu apenas, sua risada havia cessado, todavia seus olhos ainda eram risonhos.

Revirei meus olhos, e me voltei para a vista de cidade grande; com todas as luzes, os outdoors, toda a decadência iminente, a poluição, muita poluição, mal se dava de ver as estrelas, ou de respirar ar puro havia muito tempo, o mundo estava ruindo e ninguém fazia nada para mudar. Ao menos era o que aparentava. Respirei fundo novamente, ainda sentia a presença marcante daquele rapaz que não parava de atiçar cada vez mais minha curiosidade.

— o que você quer? — minha voz aparentava estar neutra, no entanto cada palavra que saia da minha boca eu acabava ficando cada vez mais nervosa.

— apenas conversar — respondeu ele, se juntando ao meu lado e olhando para vista afora.

— sobre o que? — perguntei em meio a um suspiro. Aparentando indiferença.

— vamos começar pelo básico: qual seu nome? — o que eu queria! Ele tomar a iniciativa de me conhecer.

— Tessália. E o seu?

— Stephen. Posso te chamar de Tessa?

— não. Você mal me conhece. — respondi logo na defensiva.

— mas pretendo te conhecer melhor. A não ser que você não queira.

Arqueei uma sobrancelha, meu coração errou uma batida, ele estava dando aquele sorriso. Seus dentes eram muito brancos. Com certeza clareamento, no entanto eu nao me importava se ele fosse vaidoso ou narcisista, isso são coisas que podem ser controladas ou até mesmo consertadas, no entanto, eu não contava que ele pudesse ser maniulador e isso é algo que não se tem como arrumar, quanto a isso pode-se ter certeza.

O lado podre de alguém facilmente pode ser escondido por charme e um sorriso aparentando sinceridade.

— hum, quanto a isso... Ainda estou me decidindo. Ja que você está se mostrando muito folgado. Vim aqui para ficar sozinha, caso não saiba.

— cheguei primeiro e eu também vim pra cá para ficar sozinho, mas nem por isso estou sendo rude. Ou fingindo estar indiferente.

— Rá, realmente acha que estou fingindo? Senhor sabe tudo — falei sem ao menos tentar esconder minha irritação.

— não. Eu não acho. Eu sei. Entendo o jogo das mulheres e você, Tessa, não é diferente.

— já falei para nao me chamar de Tessa. Não te dei intimidade para isso, Stephen.

— mas fala meu nome com familiaridade.

— se é o que pensa. Não posso mudar seu pensamento.

— sim. É o que eu penso e não, você não tem como mudar meu pensamento.

— ah e a propósito eu não estou fazendo merda nenhuma de joguinho. Eu me garanto se eu quiser alguém. — retruquei ácida.

—certo, se você diz... — sua voz era zombeteira, não olhei para o rosto dele, pois eu sabia que ele estaria com aquele sorriso torto. E me conhecendo bem como conhecia, iria me derreter e deixar toda minha acidez de lado; coisa que eu nao estava a fim de fazer.

Revirei meus olhos e fiz menção de sair dali; comecei a me virar para o lado oposto, indo buscar meus sapatos e voltar para a festa.

Até que o senti segurar meu braço. Puxei de volta com força sem olhar para ele, e assim que pus meus saltos fui pisando duro até o salão onde se encontravam as pessoas maçantes.

— Tess, querida onde você estava? — perguntou minha mãe assim que me viu.

— Respirar ar puro, apenas isso mãe

— Seu cabelo está uma bagunça, querida — ela falou tentando disfarçar o desespero ao me ver com o cabelo desarrumado por conta do vento.

— Já estou indo ao banheiro, mãe. Fique calma, por favor

— então vá de uma vez — respondeu entre dentes tentando esconder sua histeria.

Bufei e fui em direção ao banheiro novamente, antes que minha mãe pirasse.

Me encarei no espelho e ajeitei os fios embaraçados.

Assim que me arrumei novamente decidi ie embora; a festa estava pior que o normal.

Sai de fininho do salão sem me despedir de ninguém.

Depois daria alguma desculpa, que, naquele momento não tinha a minima ideia do que seria. Apenas sabia que não queria encarar ninguém, meu coração ainda batia descompassado.

Quando cheguei em casa, simplesmente me joguei na cama sem tirar a roupa, sapato, ou maquiagem. Encarei o teto até cair gradativamente no sono.

Acordei com uma dor de cabeça enorme; demorou alguns segundos para eu me lembrar do que havia acontecido na noite anterior. Levantei-me da cama com um suspiro dolorido, olhei para mim mesma e fez sentido eu me sentir como se tivesse sido massageada pelo corpo todo com um ralador de queijo, a roupa da festa estava toda amarrotada, me olhei no espelho do outro lado do quarto. E minha maquiagem estava terrível, parecia uma especie de híbrido de guaxinim com panda. Minhas olheiras estavam como bolsas embaixo dos olhos. Meu cabelo cor de caramelo parecia um ninho de pássaros, diferente de como se encontrava anteriormente.

Após tomar um banho; coloquei uma calça de moletom e uma camiseta de basquete que era o dobro de meu tamanho original, já que eu havia roubado do meu ex namorado como meio de vingança após ele ter me traido com uma garota que se dizia minha melhor amiga. Infelizmente eu detestava esportes, mas como era sua camiseta favorita, me vi nessa obrigação de roubá-la para mim, embora não fosse uma vingança muito memorável valeu à pena, pois me servia como lembrete de nunca confiar em alguém.

Me detei no sofá cama e liguei a netflix. Comecei a ver um filme qualquer, quando meu celular tocou. Olhei para a tela e o número era desconhecido. Suspirei e atendi, afundando ainda mais nas almofadas do sofá.

— aloooo?

— oi, acho que você se esqueceu do sapatinho de cristal na festa.

— huum, quem está falando? — perguntei enrolando uma mecha do meu cabelo.

— acho que você sabe.

— não. Na verdade não sei.

— pare com os joguinhos Tessa.

Fechei meus olhos com força. Como ele tinha descoberto meu número? Era tudo que girava na minha cabeça.

— huuuum, o que você quer?

— conversar. — seu tom de voz parecia resignado.

— sobre o que?

— sobre tudo!

E foi assim que eu cai por ele. Quase tão alto, quanto cair de um penhasco.

Notas finais
Sorry my mistakes *mode bilíngue on... Esse já está maior. Pretendo postar sempre que puder, capítulos assim, mas terei que ter bastaaante paciência...