Consequências Daquela Noite
17 XVI- Especial Nalu - Lembranças - Parte 1
Notas iniciais
Já fazia algum tempo que Lucy notava o estranho comportamento de Erza e Gray, e ficou mais estranho com a chegada de Jellal. Eles estavam sempre cochichando pelos cantos, e Gray sempre parecia nervoso quando Jellal estava por perto, embora Lucy sempre achasse que poderia estar exagerando quando as reações dos amigos, já que poderia ser apenas um ciúme normal de irmão já que eles se conheciam desde crianças.
Apesar disso Lucy andava preocupada também com o que vinha sentindo. Já gostava de Natsu há algum tempo, mas ele parecia nunca notar, e quando notava e parecia que ia dizer algo sobre, era só mais uma besteira que saia daquela boca. Ela já havia tentado falar com ele, mas faltava a coragem então ela enrolava dando indiretas, que ele nunca compreendia.
Com o passar do tempo a necessidade que tinha de ficar perto de Natsu aumentava e ela já não aguentava guardar isso. Precisava contar para alguém. Pensou em falar para Mira, mas ficava sem jeito de falar isso para a albina. Juvia, sem comentários. Levy estava fora em missão. Lisanna também não seria uma opção, apesar de saber que eles não tinham nada, ela levava o exemplo de Erza e Jellal na cabeça: se conhecem desde pequenos, passaram um tempo separados e voltaram a se reencontrar, e agora estavam namorando, depois, claro, de Jellal ter esclarecido tudo.
Tinha um pouco de receio quanto a Lisanna, mas tinha mais medo ainda de estar julgando mal a garota. Ela saberia se realmente houvesse algo entre os dois, e das poucas vezes que os dois saíram juntos, Lucy percebeu que não fizeram nada além de se divertir. E só. Não que ela tivesse seguido eles para o parque de diversões da cidade ou quando eles foram para a piscina do clube. Não, de fato ela não iria dar uma de Juvia.
Brincadeiras e perseguições a parte, a loira acabou tendo duas opções não tão ruins: Erza e Bisca. Talvez Erza não fosse a pessoa mais indicada, mas talvez pela convivência Lucy se sentia mais a vontade com ela, então acabou deixando Bisca de lado.
Mas todas as vezes que procurava Erza não a achava, ela parecia até que estava se escondendo, e quando a encontrava para lhe falar e ver se ela lhe dava algum conselho, Gray vinha junto e não largava dela. E ele ainda reclama quando as pessoas fazem piadas deles dois, tem motivos.
Novamente sem chances de contar a alguém achou que aquilo talvez devesse ser mantido em segredo, pelo menos por enquanto, afinal, o mundo estava conspirando contra ela.
Em meio a tudo Gray e Erza saíram a uma missão de pouca duração e já demoravam um semana lá. Todos estavam preocupados, até o mestre andava nervoso sem a volta deles e sem notícia alguma. Lucy e Natsu acabaram por fazer uma missão' sozinhos nesse tempo, já que não poderiam ficar sem dinheiro até a volta daqueles dois, e apesar de preocupados acabaram indo sem culpa.
Natsu's Pov
Erza e Gray tinham saído pra uma missão bem fácil, mas não voltaram até agora. Já estava ficando preocupado e pedi ao mestre para ir atrás deles, mas ele não deixou, dizendo que ainda não voltaram por um bom motivo e que ele próprio iria busca-los. Todos na guilda ficaram surpresos, porque o mestre nunca tinha feito aquilo.
Erza e Gray a parte, logo que o mestre partiu resolvi que já era a hora de fazer outra missão, se não eu e Lucy ficaríamos sem dinheiro logo logo. Procurei uma que me agradasse e ao mesmo tempo agradasse a ela, já que não queria brigar com ela por isso. Achei uma que a recompensa era de 100.000, assim daria pra Lucy ficar com a parte do aluguel e sobraria uma parte para mim.
Partimos no dia seguinte, a missão não era tão difícil, mas os moradores da área do reino não eram magos e isso os fez dar uma boa recompensa. Tínhamos que descobrir o porque das ovelhas dos fazendeiros estarem desaparecendo e reaparecendo misteriosamente mortas nos lagos por perto.
Lucy não parava de tagarelar com o Happy. Os dois pareciam estar mais próximos ultimamente. Eu queria fazer parte da conversa, mas acabei deixando os dois e fiquei pensando em algumas probabilidades.
Mas acabei novamente me desconcentrando vendo Lucy dar gargalhadas daquele jeito escandaloso dela. Ela ficava tão bonita assim. Acho que fiquei um bom tempo olhando para ela com cara de bobo alegre, pois ela parou de rir e falou pra mim:
—O que foi Natsu?
—Ã... Nada, é só que eu queria saber do que tanto vocês riem.
—Ahh Natsu, é segredo e eu não posso contar nem pra você.-Happy falou piscando pra Lucy. O que eles andaram aprontando?
—Então quer dizer que você também vai me trair é?- Olhei desconfiado para ele que só fez rir. Ia perguntar se Lucy ia me trair também, mas ela falou:
—Chegamos, olhem os as fazendas, são enormes!
Olhei e de fato era como uma grande cidade só que com várias fazendas rodeando o centro, que tinha algumas lojas que vendiam de tudo.
Fomos andando até o centro, para procurar a igreja, já que lá nos informariam sobre o que está acontecendo detalhadamente. Andaríamos muito ainda, visto que o centro só víamos porque estávamos numa colina, e ele estava bem longe. Mas deixei a preguiça de lado e voltei a empolgação de sempre e novamente me pus a pensar na Lucy.
Sempre me perguntava se um dia eu teria chance de ficar ao lado dela sendo mais que um companheiro de time, de guilda. Mais que uma amigo. E novamente eu negava com a cabeça, sabendo que provavelmente não aconteceria. Por que? Simplesmente porque Lucy não ia querer uma pessoa como eu. O que eu posso dar pra ela? Sei que o que realmente importa é amor de duas pessoas, mas é preciso de outras coisas pra viver também, não se vive só de amor. Não poderia dar uma vida melhor a ela, poderia até trabalhar mais e se juntássemos nosso dinheiro poderíamos ter algo bom e... E olha pra mim! Já estou pensando como se já morasse com ela! As vezes até eu mesmo me surpreendo com as besteiras que eu penso.
Mas se houvesse uma chance... Eu agarraria sem pensar duas vezes.
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Depois de quase uma hora, é uma hora, de caminhada por aquelas ruas conseguimos chegar na tal igreja. Ela não era muito grande e não era muito enfeitada, tinha apenas uma cruz na parede dos fundos, um altar de pedra e bancos de madeira espalhas ao longo da igreja.
Assim que chegamos fomos recebidos por um padre gordinho que não quis dizer seu nome, mas falou que foi ele quem mandou a missão para várias guildas em nome dos fazendeiros e que aumentou a quantia pelo fato do lugar ser longe e os magos não quererem ir por pouco dinheiro.
—Eu mandei o pedido pelos fazendeiros, não foi por mim, e todos estão ajudando a pagar a recompensa. Os rebanhos de ovelhas de cada fazenda estão sendo levados a noite por algo ou alguém, elas simplesmente desaparecem durante a noite e depois aparecem mortas nos lagos, sobrando apenas suas peles. A lã é nosso principal produto de venda por isso não podemos deixar isso acontecer!-Ele parecia aflito.
—Pode deixar! Nós iremos começar a investigar hoje a noite, vamos resolver isso!- Falei sorrindo para dar confiança e fui acompanhado por Lucy e Happy.
—Eu agradeço muito, não sabe o bem que vão nos fazer ao resolver isso. Bom, vocês devem estar cansados não é? Ainda é cedo, vou levar vocês para o quarto e depois almoçaremos.
— Perdão, mas o senhor disse quarto?- Lucy falou, mas nem eu nem o padre entendemos.
—Sim senhorita, algum problema?
—Bom... Nós vamos ter que dividir o quarto?- Será?
—Ah sim, esqueci de falar! Tivemos vários jovens esse ano que se interessaram pela vida sacerdotal, por isso nossos quartos estão cheios, então só pudemos desocupar um, mil perdões, mas não sabia que viria um homem e uma mulher. Eu posso ver um outro...
—Não precisa padre, nós dormimos no mesmo quarto, não é Lucy?- Falei batendo em suas costas de leve.
— O-O O QUÊ?
—Entendo, vocês são namorados?
—NÃO!- Lucy gritou com o padre, que deu uma chegadinha para trás com seu grito.
—Mas então devem dormir separados, posso arranjar um quarto em alguma fazenda.
—Fazenda? Eu.. numa fazenda... e sozinha?
—Não exatamente, você estaria rodeada de gen...
—Não vou ficar sozinha, prefiro ficar no mesmo quarto que o Natsu.
—Mas isso é uma afronta, se não são nada um do outro não deixarei que durmam juntos. — Eu estava calado, apenas olhando, estava na hora de agir.
—Mas se estivéssemos namorando não teriam problemas não é?- Perguntei. Ele me olhou desconfiado, mas respondeu:
— Problemas teriam, mas levando em conta como os jovens de hoje são... No meu tempo, apenas homens e mulheres casados poderiam dormir no mesmo quarto. Nem quando estavam noivos isso era permitido, e vejam só hoje, até amigos fazem isso, eu realmente não entendo!- Ficamos em silêncio, até que eu me ajoelhei, peguei a mão de Lucy e perguntei:
—Lucy, você quer ser minha namorada?- Ela arregalou os olhos e abriu a boca, mas nada saiu. Pisquei para que ela entendesse o que eu realmente queria dizer, então ela captou e falou:
—Eu aceito Natsu.- Ela sorria um pouco tímida. Então, devagar, me levantei a puxei para um abraço e assim que nos soltamos, a puxei novamente, mas dessa vez para encostar nossos lábios. Minhas mãos automaticamente pousaram em sua cintura, enquanto as mãos dela vieram para o meu pescoço. Quando nos faltou ar eu a abracei de novo e ela encostou seu rosto em meu peito de uma forma que não me dava chance de ver se ela sorria como eu sorria. Mas ao contrário de mim, o padre e Happy nos olhavam abismados.
—Bom, acho que agora que estamos namorando podemos dormir no mesmo quarto não é?
— O quê? Claro que não! Esse teatro todo não vai fazer eu mudar de ideia sobre o quarto. Não adianta começarem a namorar agora e...
—Então nós iremos embora. — Todos, até mesmo Lucy, me olharam espantados.
—Não! Não podem deixar esse caso sem resolver. Nós precisamos das ovelhas!
—E nós do dinheiro Natsu!- Happy falou. Mas eu não pretendia deixar a missão de verdade.
— Ainda mais com o Gray e a Erza fora.-Bufei, mas concordei com Lucy.
—Ficamos então!
—E eu presumo que vão querer ficar no mesmo quarto não é? Pelo visto não tenho escolha! Venham, vou lhes mostrar onde é.
O seguimos por um corredor longo, com paredes de tijolos, como se fosse um castelo medieval. O engraçado é que por fora o prédio que pertencia a igreja parecia ser minúsculo, e por dentro era enorme! De fato parecia mesmo um castelo, tinha tochas espalhadas para todos os lados que você olhasse e estendido no chão tinha um longo tapete vermelho com desenhos de brasões em dourado.
Viramos a esquerda, e nesse corredor havia várias portas marrons e arredondadas nas extremidades, com fechaduras também em dourado. Chegamos no final do corredor, onde na parede tinha um quadro com um pano em cima. Tentei espionar, mas o padre não deixou.
—O que pensa que está fazendo? Só porque está nos ajudando não quer dizer que pode bisbilhotar por ai. Vocês nunca devem olhar esse quadro entenderam? Nunca! Ele está prestes a ser retirado, portanto antes de vocês irem ele já não estará aqui.
—Mas o que tem nele que não podemos olhar?- Perguntei e novamente ele me olhou com cara de raiva.
—Uma lenda antiga, e que ultimamente tem dado o que falar, mas isso não tem nada a ver com vocês.- Ele pegou uma chaveiro grande e começou a procurar a chave certa. Enquanto estava de costas, tentei novamente olhar, e só pude ver patas de cachorro antes de Lucy me bater na cabeça.
—Não faz isso Natsu, se ele disse pra gente não olhar, a gente não olha.
—Mas que besteira.
—Achei.- Ele enfiou a chave e abriu a porta, apontando com o braço para dentro.- Como eu disse, não achamos que mulheres ou mais de uma pessoa viria, mas providenciaremos um colchão, então vocês dormirão bem. O banheiro está funcionando normal e podem colocar suas malas naquele armário.-Apontou para um armário que ficava na parede.- O almoço logo estará pronto e alguém virá chama-los. — Ele se encaminhou até a porta e foi embora.
Observei o quartomais atentamente. Ele não era grande, mas era bonito, pelo menos ao meu ver. Era branco e uma parede era em madeira. A cama ficava no centro e estava bem forrada e provavelmente tira de ser empurrada para que o colchão desse lá. Havia duas mesinhas, uma em cada lado da cama, e em uma delas e havia um vaso com plantas. E por fim, ao fundo do quarto tinha uma estante e um quadro.
—Eu hein! Esse ai é mais louco que a Erza!Lucy?- Falei mas ela não deu ouvidos e a chamei quando percebi que seus olhos estavam fixos na janela do quarto.
—Natsu...
—O que?- Me sentei na cama enquanto ela continuava a observar a janela de perto da porta.
—Por quanto tempo vamos fingir que estamos namorando?- Ela me falou com tom de reprovação. Acho que se eu estivesse em um desenho, eu teria murchado agora igual uma plantinha.
—Ah Lucy, até o final da missão. E eu só fiz aquilo porque você não queria dormir sozinha em outro lugar né?
—É, eu sei mas... Foi estranho, alias é estranho estar nessa situação.- Ela veio até mim e se ajoelhou na minha frente.-Por que... Somos só amigos não é?- Murchei de novo, mas sorri um pouco pra disfarçar.
—Sim Lucy, somos só amigos.- Ela estava séria, mas quando eu terminei de falar isso ela abriu um sorriso, que, eu confesso, me magoou muito.
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