Consequências Daquela Noite
5 IV- Confusões e confissões
Notas iniciais
Gray's Pov
Já havia notado que ela estava estranha comigo. Andava me evitando, e quando conversava com ela, ela não me olhava nos olhos e procurava sempre ficar a uma distância razoável de mim. No começo achei que ela estava chateada por eu ter dito algo que não deveria e que nem lembrava mais, mas fui notando que era alguma coisa além disso, ela já não era mais a mesma, andava com aparência de doente e já não tinha mais disposição para pegar uma missão simples. Mas acabei deixando para ela resolver, se ela não me queria por perto é porque não precisava da minha ajuda, e apesar disso me machucar, era melhor que as coisas ficassem assim.
Lembro de ter encontrado com ela na manhã seguinte a noite da festa dada na guilda, ela não parecia legal, embora dissesse o contrário, mas como era teimosa feito uma mula, não me contou o que aconteceu, inventou uma desculpa doida e saiu toda vermelha. Aquele não era comportamento típico dela. Embora eu entendesse que talvez ela tenha me visto com a tal garota e tenha ficado constrangida.
Passei algum tempo tentando desesperadamente lembrar do ocorrido, mas nada estava vindo na minha cabeça, nem de imagens borradas eu lembrava, por acaso eu estava com algum caso sério de amnésia? Depois de muito pensar, vi que a única pessoa que poderia de verdade me ajudar seria Erza. Só ela sabe o que aconteceu naquele dia.
E assim comecei a caminhar até a casa dela, ela teria que me explicar o que havia acontecido naquela noite, bastava pressiona-la um pouco que eu sei que falará, afinal, nem uma criancinha de cinco anos acreditaria naquela desculpa pra lá de esfarrapada.
Criança... Isso me faz pensar de outra forma nessa minha ultima relação, e se isso acabasse tendo resultados? Como eu me desculparia com a moça? E como explicaria para ela que ainda não estou pronto para ser pai, para assumir uma criança e muito menos pretender casar com ela? É, seria complicado.
Chegando a Fairy Hills, tive muito cuidado para ninguém me notar, então fui logo para o quarto de Erza. Quando entrei pela janela, percebi que ela estava chorando. Ela ainda não havia me notado, e só o fez quando a toquei no ombro.Em resposta ela me abraçou fortemente, e cada vez parecia mais e mais desesperada, então só o que fiz foi abraça-la o mais forte que eu podia.
Era doloroso vê-la chorar daquela maneira deplorável, ela parecia tão frágil... Coisa que ela,no fundo, bem lá no fundo mesmo, é. Ela é forte pelos outros e sempre mantém a postura de durona, mas todo mundo desaba uma hora. Esse tipo de pessoa é assim, é forte até dizer basta, e quando digo forte é forte mesmo! Mas tem coisas que os atinge de tal maneira, que eles viram as pessoas mais sensíveis, e frágeis, e desprotegidas do mundo.
Depois de conseguir se acalmar, ela se afastou e perguntou:
– Por que você veio aqui?
– Vim te perguntar uma coisa, mas não importa, quero saber o que houve com você.-Ela era mais importante que qualquer coisa.
– Nós precisamos conversar Gray.-Estranhei, ela geralmente era direta.
– O que houve? Quem fez mau a você?
– Ninguém me fez nada, mas o que você veio me perguntar?-Agora era a hora.
– Lembra daquela noite que você me levou para casa? Eu sei que nós não caímos no rio coisa nenhuma, sei também que eu levei uma garota para minha casa, não sei como, mas eu acabei transando com ela, e queria saber se você lembra quem foi.-Soltei tudo de uma vez. Ela pareceu um pouco surpresa por falar isso e também parece ter ficado mais branca que o normal.
– Eu sei sim quem é essa garota Gray.-Ela falou sem me encarar.
– Nossa sério? Isso é muito bom Erza, eu preciso falar com ela, quem é?
– Sou eu Gray, nós transamos aquele dia, me desculpe, eu sei que eu estava mais lúcida do que você, mas não consegui controlar a situação.-COMO?
– Porque não me disse nada? Caramba Erza isso é muito grave, quem tem que se desculpar sou eu, por isso você estava com vergonha de mim naquele dia, eu juro que não foi por mau, não foi minha intenção, me perdoe por não lembrar de nada.-Isso não deveria ter acontecido, coitada da Erza!
– Não, está tudo bem, a culpa é tanto minha quanto sua, mas isso não é o nosso maior problema Gray.-Como assim?Ainda tem mais?
– O que foi? Você esta doente por minha causa? O que esta acontecendo?
– Uma coisa que vai mudar nossas vidas para sempre.-Eu to ficando assutado, ela falando parece que é a pior coisa do mundo. Ela respirou fundo e falou:
– Eu estou grávida Gray.
–----
Geralmente quando fico com raiva, costumo tentar me controlar. Bom, não que eu estivesse com raiva, mas desta vez não consegui me controlar e acabei destruindo um pequeno armazém que fica nas montanhas de Magnólia, provavelmente deveria pertencer a alguém que morava perto dali. Ótimo, mais uma dívida.
Acho que nunca fiquei desse jeito confuso que estou agora, talvez quando perdi minha cidade foi destruída...Mas a situação é completamente diferente Gray! Pois é, é diferente mas os sentimentos são semelhantes, confusão, não saber o que fazer a partir de agora...
Sinceramente, Erza me pegou de jeito dessa vez. Grávida! Grávida! Como eu posso lidar com isso? Simples:eu não lido com isso. Apenas saio, como eu fiz. Eu sei, sou um covarde.
Depois de conseguir levar o armazém ao chão, me sentei e chorei. Eu ia ser pai? Sim, e a mãe seria a mulher que eu mais amo. Mas eu me pergunto por que estou assim. Eu devia estar feliz! Mas não consigo. Não consigo me imaginar com um filho, sendo um bom pai. Eu... Eu também tenho medo.
Não sei o que me deu lá na casa da Erza, acho também que a magoei muito, e sinto muito por isso, mas a emoção falou mais alto e acabei aqui.
Eu a deixei, quando ela mais precisou. Eu sempre falei mal de Jellal por ele ter feito isso,e agora isso aconteceu. Como posso ter sido tão estupido com ela? Ela chorou tanto...
Flash-Back
–Eu estou grávida Gray.-Grávida? Quer dizer, está esperando um filho MEU?
–Grávida?-Perguntei aterrorizado. Ela fez uma expressão de tristeza e afirmou com a cabeça.
–Não, eu não posso ser pai! Você...Você está brincando comigo! Isso é brincadeira né? Precisa ser e...
–GRAY!-Grossas lágrimas já escorriam em seu rosto a essa altura.-Você acha que eu não estou assutada com isso tudo? Acha que eu estou bem? Acha que eu tenho condições de criar um bebê? Como eu faria isso? Eu sou uma maga, eu vivo de missões que na maioria das vezes precisam ser feitas longe daqui. -Ela parou um pouco,para logo depois continuar:
–Como eu iria para uma missão com uma criança pequena? E se deixasse ele com alguém, eu ficaria preocupada e provavelmente não faria nada direito. Eu não posso ter esse filho Gray! Eu não sei nada sobre crianças! Minha infância foi arruínada por causa da torre do paraíso, você acha que eu saberia como deixa-lo feliz? Não dá, eu preciso de você para me ajudar!
–Mas, mas eu... Também não sei nada sobre crianças, eu não... Não vou poder te ajudar eu...
–Como é? Foi você que me agarrou na sua casa, e agora não quer assumir suas responsabilidades ? -Sua expressão mudou de triste para zangada.
–Olha, eu estava tão bêbado quanto você, se não queria deveria ter me parado.-Não deveria ter dito isso. Ela ficou corada por um segundo, mas logo avançou para cima de mim com uma de suas espadas e com uma raiva que nunca vi nela antes. Eu não poderia ataca-la, mas também não poderia deixar ela me espancar até a morte. Porque seria isso que ela faria se eu ficasse lá parado. Então fiz a primeira coisa que me veio na mente que não a machucaria.
–Ice Make...-Transformei Erza em gelo.Quer dizer, deixei ela congelada num grande cubo. Eu jamais faria isso com ela, mas não poderia lutar com ela sério, e ela veio pra cima de mim de um jeito que isso só acabaria com a minha morte. Sai correndo dali, precisava colocar tudo o que estou sentindo para fora. Depois voltaria e descongelaria ela.
Fim do Flash-Back
Pensando bem nos meus atos, eu pareci um idiota irresponsável mesmo. Mas como? Como eu lidaria com tudo isso daqui pra frente? Eu seria um bom pai? Alias, eu seria um pai? E se Erza resolvesse abortar, por todos aqueles motivos que ela me falou? Não, ela não iria fazer isso. Erza é nobre demais para matar um bebê que não tem culpa de nada, ainda mais seu próprio filho.
Me pus de pé e dei uma olhada ao meu redor. Estava tudo destruído. Mas isso não era o pior. O pior seria agora enfrentar Erza novamente, eu... Eu tinha que ajuda-la, era meu dever como seu amigo e agora, como pai de seu filho também.
Já estava escurecendo, ou seja, Erza passou tempo demais congelada, ela poderia passar mal. Precisava voltar o mais rápido possível.
Entrei na Fairy Hills novamente sem ser visto e fui em direção ao quarto de Erza. Adentrei e me deparei com Erza deitada em sua cama, ela aprecia estar dormindo profundamente.
Sentei na sua cama ao seu lado e a vi com o rosto vermelho, sim, ela estava chorando, chorando por minha culpa, passei as costas da minha mão em seu rosto enxugando uma lagrima que ainda estava ali. Ela lentamente começou a abrir os olhos, se assustou quando me viu.
– O que faz aqui?
– Vim me desculpar por ter sido um estúpido, juro que não foi minha intenção, tenho que ser sincero, essa noticia me assustou bastante, eu sinto muito, mais não vou te deixar sozinha, vou assumir essa criança e vamos criá-la juntos.
– Gray, não precisa fazer isso se não estiver pronto.
– Não estou pronto, mais você também não esta, então vamos fazer isso juntos, o que você acha? Não prometo ser o melhor pai do mundo, mais vou fazer o melhor que puder, isso eu te prometo.
– Obrigada Gray!
– Não precisa agradecer, é meu dever cuidar do meu filho e da mulher da minha vida!
– O que quer dizer com isso Gray?
– Sempre fui completamente apaixonado por você Erza! Desde criança, só nunca tive coragem de falar isso para você! Porque acha que nunca dei atenção a Juvia? ( não sei o que deu em mim, mais sinto que tirei um peso das costas por ter finalmente falado a mulher que sempre amei o que sinto por ela).
– Gray, eu não sei o que dizer.
– Não precisa falar nada, sei que não sente o mesmo, só senti a necessidade de te contar, você tem o direito de saber depois de tudo.
Olhei em seu olhos, aqueles olhos cor de chocolate do qual eu tanto amo, ela parecia estar mais calma depois de termos conversado com calma,ainda estávamos confusos e com medo, mais apesar disso, estávamos juntos nessa, não importando o que fosse acontecer, não deixaria que nada de mau acontecesse a ela nem ao nosso filho.
Quando dei por mim Erza começou a se aproximar, achei estranho, queria perguntar a ela o que pretendia mais fiquei imóvel, o poder que ela tinha sobre mim era algo que eu nunca iria conseguir controlar, quando dei por mim ela tocou meus lábios fazendo uma leve pressão, fechei os olhos com força tentando manter a calma, não estava acreditando no que estava acontecendo, tentei manter a calma e aos poucos estava retribuindo, com o tempo aquele beijo se tornou algo profundo, era calmo e transmitia carinho e afeto, sentir aqueles lábios tão quentes e macios de Erza sobre os meus estava fazendo com que eu tivesse arrepios, ficamos um bom tempo nisso, naquele ato de carinho que me acalmava e me dava forças para enfrentar tudo que ainda estava por vir
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