Notas iniciais
Aqui gente, mais um capitulo fresquinho para vocês, espero que vocês gostem

—Choi Young Do! — Gritou ela. — Como você pode me fazer esse tipo de proposta? Você está mesmo ficando maluco.

Ele apenas deu seu leve sorriso sarcástico e escorou-se ao balcão.

—Eu não sei o que eu tenho, mas o que me impediria de fazer esse tipo de proposta? Você vai mesmo recusar?

Ela apertou seus lábios um contra o outro, estreitou seu olhar e o encarou. Ele pode sentir que ela estava com raiva daquela situação, e naquele momento, ele se arrependeu do que havia dito, mas não queria esboçar isso a ela.

—Está bem! — Disse ela. — Vamos fazer isso — ele arregalou seus olhos espantados. Ele esperava apenas levar um tapa e que ela fosse embora com raiva. — Você quer namorar comigo, então vamos namorar, mas não me faça esse tipo de proposta maluca. Estamos namorando a partir de hoje, então não olhe para outras garotas. E durante essa semana, nem sequer fale comigo. Estou indo agora, preciso me instalar na minha nova casa antes.

Taila apenas saiu caminhando com passos decididos, parecia saber exatamente onde seria sua nova casa. Ele pensou em impedi-la e seu braço se ergueu para segurá-la enquanto ela estava indo, mas ele não conseguiu fazer isso. Naquele momento, ele percebeu que tudo o que ele precisava fazer era esperar que ela viesse até ele. Decidiu por fim, que não iria atrás dela até o fim daquelas provas e que no fundo, queria ver o nome dela escrito no primeiro lugar da ficha dos cem alunos do segundo ano.

Taila chegou ao seu destino final, ela decidiu que deveria começar a enfrentar os seus problemas ao invés de fugir deles. Ela entrou sem problemas na casa após mostrar a sua identidade. Ela deixou uma de suas malas na sala e caminhou em volta. A casa era enorme, uma mansão. A cor branca era penetrante, as paredes eram brancas e parte da mobília também era. O sofá branco e felpudo chamou sua atenção assim que ela entrou. A cor bege do porcelanato no chão se mesclava com a cor branca dando um equilíbrio natural ao ambiente. As prateleiras de vidro com seus livros e flores enfeitavam o lugar e deixava tudo ainda mais belo e calmo.

Taila se encantava ao ver ambientes planejados e não ia ser diferente naquele lugar. A pessoa que havia pensado em tudo isso estava descendo as escadas usando uma camiseta polo azul e uma calça leve. Ela raramente viu seu pai vestindo algo que não fosse um terno, mesmo em um calor de quarenta graus, que era comum quando estavam no Brasil.

—Gostou? Eu mesmo pensei em tudo.

—É bem o seu estilo mesmo, a casa de um homem solitário e sofisticado, que mistura cores leves com a intenção de dar um sentimento de calma para aqueles que estão no ambiente. Moradores que levam uma vida mais calma ou procuram um ambiente para aliviar as suas mentes costumam procurar casas como essas.

Ele aplaudiu o que ela estava dizendo com um sorriso orgulhoso. Ela não o via sorrir há muito tempo.

—Vejo que você está estudando sobre isso. Acredito que você tenha mais talento que o seu pai na área.

—É o que eu quero fazer da minha vida. Se eu não fosse a sua herdeira, eu já saberia o que eu iria querer fazer pelo resto da minha vida.

—E o que é isso? — Perguntou ele, apontando apenas o seu olhar para a sua mala. Ele estava tão calmo que nem parecia o seu pai que passava horas estressado por causa da empresa, ou que queria desesperadamente controlá-la. Taila até mesmo estava pensando na hipótese de ele ter sido abduzido e trocado por um novo pai.

—Minhas malas.

—E por que estão aqui? Está mesmo pensando em morar aqui?

—Você não vai me mandar para um hotel de novo, não é? E eu não posso mais morar com o Choi Young Do. Ele está começando a confundir os sentimentos dele e de qualquer forma, mesmo que ele não esteja, nós estamos namorando. Seria estranho continuar morando lá.

—Não se estivéssemos no Brasil — disse com um tom calmo. Taila notou naquele momento que ele parecia estar cansado. Estava pálido, ela ficou preocupa por ele estar se esforçando demais no trabalho. — Mas fico feliz que você esteja bem, eu sabia que você só ia encontrar alguém legal depois de ter seu coração partido pela primeira vez. Não que o Kim Tan seja uma má pessoa, mas dessa forma você iria amadurecer cada vez mais. Fique se quiser, não irei te impedir — desconfiou. — Tenho que ir a um lugar.

—Pai você se apaixonou por alguém?

Ele sorriu.

—Claro, mas ela nunca ficaria comigo. Quer dizer, talvez hoje ela poderia ficar, mas eu não posso mais ficar com ela depois da decisão que eu tomei.

—Do que você está falando? Você está muito esquisito. Parece até que voltou ao normal.

—Como eu posso estar esquisito se voltei ao normal? — Ele deu um leve peteleco em sua testa. Em seguida ele caminhou em direção a ela e envolveu seus braços em volta do corpo dela e encostou a sua cabeça na dela.

—O que você tem? Parece até que vai embora.

—Eu vou.

—Para onde? — Ela o soltou espantada.

—Para longe.

—Longe onde?

—Vou voltar aos Estados Unidos. Será a primeira vez que eu vou viajar sozinho. Mas não se preocupe, será após a sua viagem escolar.

—Acho que somos mais parecidos que eu pensei — ela sorriu. Ele ficou confuso. — Pedi para o Choi Young Do não me procurar durante essa semana para que ele não distraísse durante os meus estudos.

—É um jeito Monteiro de amar uma pessoa. Amamos quando ela está longe, se ela se aproxima, nós a afastamos. Realmente somos parecidos. Vou indo agora.

Assim que ele bateu a porta da frente, ela se espantou com aquela cena que havia acontecido ali. Deu leves tapas em seu rosto para tentar acordar na casa de Choi Young Do novamente, mas seus tapas apenas estavam machucando seu rosto.

—Ele enlouqueceu, só pode ser isso!

O primeiro dia de provas chegou. Taila estava apreensiva, enquanto Park Soo Yong só estava preocupado com o fato de que havia esquecido suas canetas e que logo as provas iriam começar. Yang Mi estava apenas no mundo da lua, algo deveria ter lhe acontecido de bom no dia anterior. Taila fez as suas provas com bastante atenção. Ela havia estudado tanto, que parecia que já sabia as perguntas de cor.

Após as primeiras provas terminarem, ela estava nervosa. Não por medo de encontrar Choi Young Do, mas com medo de ter errado muitas questões. Estava saindo da sala de aula quando alguém passou o braço em volta do seu pescoço e encostou seu corpo ao dela.

—Então, será que você vai conseguir o primeiro lugar?

—Eu não sei — disse nervosa. De repente tirou a mão dele de cima de seu ombro e disse parecendo estar irritada. — Você está maluco?! Por que está me abraçando assim de repente?

—Que estranha. Pensei que por você ser brasileira você não se importaria.

—Nós nem estamos no Brasil.

Ela saiu pisando firme repetindo frases aleatórias.

—O que foi isso? — Perguntou ele para si mesmo.

Taila estava se sentindo tão nervosa por causa da pressão que estava jogando sobre si mesma, que estava sentindo vontade até mesmo de fugir daquele colégio. Correu em direção a sala do terceiro ano, que os alunos já estavam saindo.

—Kim Tan — Gritou ao vê-lo saindo da sala de aula. Correu em direção a ele e grudou em seu braço. — O que você vai fazer agora?

—Eu ia sair com a Chan Eun Sang...

—Você falou bem você ia.

—O que... — ela começou a arrastá-lo pelo braço. Ele ficou confuso, ela nunca havia agido daquela forma antes e ele estava com medo de que Chan Eun Sang pensasse algo errado.

Assim que Chan Eun Sang saiu da sala, ela procurou por ele, mas não conseguiu o encontrar. Perguntou aos seus colegas e eles disseram que ele havia saído com Taila. Ela ficou confusa, pois ele não costumava fazer aquilo. De repente alguém tocou seu ombro, ela se assustou com aquele toque repentino.

—Está preocupada?

—Claro que não.

—Não precisa se preocupar, querendo ou não, você sabe que eles são amigos. E também, a Taila gosta de mim, por isso mesmo ela está me evitando, como fazia quando.

—Eu já sabia disso — disse ela pensativa, enquanto ele estava surpreso.

—Sabia?

—Sim. Era um dos segredos que ela havia me contado quando tivemos aquela discussão na sua casa. Mas você gosta dela?

Ele assentiu.

—Eu sei que você está triste por isso, mas eu também preciso encontrar uma pessoa que queira ficar comigo.

Ela sorriu.

—Você vai trabalhar daqui a pouco, não é? — Perguntou olhando para longe, tentando disfarçar qualquer preocupação. — Quer uma carona?

Longe dali Taila arrastou Kim Tan até um parque que ficava perto do colégio. Eles haviam sido liberados após terminar as provas, então eles não foram barrados pelos seguranças do colégio. Ela estava tremendo suas pernas, mesmo enquanto estava sentada. Ele apenas cruzou seus braços e suas pernas, ajeitando-se no banco. Sorriu enquanto a observava.

—Você não muda mesmo. O que você fazia para aliviar o seu estresse pós prova antes de me conhecer?

—Eu tentava prender a minha respiração o máximo de tempo possível — respirou fundo.

—Eu realmente estou com medo dessa vez — disse ele, aplicando a sua técnica para acalmá-la. — Aposto que você terá notas melhores do que as que eu tive ano passado.

—Qualquer um teria...

—O quê? — Se virou surpreso. — Do que você sabe Taila Monteiro? Por acaso alguém te contou que eu fiquei em centésimo lugar?

—Você ficou em centésimo lugar?! Realmente, pensei que a Chan Eun Sang estava era te ajudando a ter notas melhores.

Ele pigarreou tentando disfarçar.

—Você... você...

—Eu?

—Você pode me prometer uma coisa?

—Depende do que é. Diga!

—Você promete que nunca vai deixar de ser meu amigo? Promete que mesmo se você se casar com a Chan Eun Sang e tiverem filhos, vamos continuar sendo amigos?

—Nunca me passou pela cabeça deixar de ser seu amigo. Outras coisas já me passaram pela cabeça, mas isso nunca.

—Outras coisas? Com isso você quer dizer que... você realmente quis ter um relacionamento comigo um dia?

—Eu não posso mentir — disse pensativo enquanto olhava para a rua, observando os carros passarem. — Eu já estava quase decidido, mas você me abandonou depois do que eu fiz.

—Eu fico feliz de saber disso. Você me disse que já havia gostado de mim, mas nunca que já havia pensado nisso.

—Você está namorando com o Choi Young Do? — Ela começou a tossir espantada com a pergunta. Aquela reação de filme aconteceu inesperadamente com ela e ela se sentiu estranha por isso.

—Que pergunta é essa?

—Não é nada. Eu pensei que seria o motivo dessa promessa. Mas mesmo que vocês não estejam juntos, eu ainda sou amigo dele. Você não vai entender como dois amigos podem agir dessa forma, mas nós nos entendemos.

—É um jeito estranho de amar — ela completou sorrindo. Ela havia se distraído tanto conversando com ele, que aos poucos ela nem lembrava mais que havia feito uma prova.

Taila estava a um dia de terminar a sua semana de provas e encontrar Choi Young Do novamente. Que estava fazendo muito bem o seu trabalho de ignorá-la completamente. Nunca imaginou que iria sentir tanto a falta dele, queria ir correndo para a casa dele e abraçá-lo. Ou até mesmo beijá-lo na frente de todo mundo. Sabia que aquilo seria impossível, isso não era comum na Coreia e ela não queria fazê-lo passar por tal coisa.

A empregada veio em direção a Taila, que estava sentada no sofá felpudo lendo um livro para fazer sua última prova. Estava calma. A primeira prova sempre a deixava mais nervosa que a última.

—Senhorita Monteiro, o senhor Roberto pediu para lhe avisar quando as passagens chegassem. Deixei-as no escritório do seu pai, pode pegar lá quando ele chegar.

—Passagem? Para onde?

—Eu não sei, senhorita.

A empregada, que era coreana, se curvou e logo em seguida, a deixou com seus pensamentos. Taila franziu a testa, estava confusa.

—Mas ele disse que não ia me levar para os Estados Unidos.

Pensou por mais alguns instantes, logo depois se levantou determinada. Caminhou em direção ao escritório de seu pai. A porta estava aberta. Ela entrou com passos leves, e fechou a porta em seguida, avaliando a estrutura do escritório. Um envelope estava em cima da mesa, só podia ser aquele envelope, ela logo concluiu.

Sentou-se na cadeira, ajeitou-se terminando de sentir a força que as cores, os móveis, tudo de uma maneira harmonizada, podia provocar sensações de conforto em uma pessoa. Pegou o envelope depois de contemplar o trabalho de seu pai, abriu-o. Sem sequer se importar se ele gritaria com ela depois. Como ele estava estranho, nem sequer se importaria — pensava o tempo todo.

O telefone do escritório tocou assim que ela tocou nas passagens. Resolveu ignorar, já que a pessoa poderia logo desistir. Mas as ligações pareciam não acabar nunca. Os toques um atrás do outro a incomodaram. Resolveu atender antes que a empregada entrasse ali e atendesse ela mesma. Se ela se fingisse de empregada não teria problemas.

—A...

—Roberto você ficou maluco?! — A pessoa gritou tão alto que ela não pode sequer dizer uma sílaba completa. Aquela voz lhe era familiar e a pessoa estava falando em português. — Você realmente perdeu a cabeça? Quer afundar a sua empresa?!

Deveria ser apenas uma conversa de trabalho — pensou logo. Aquele deveria ser um de seus sócios, por isso ela o reconheceu.

—O que você vai fazer se a Taila descobrir? Venha a minha casa o mais rápido possível! — Gritava o homem. — Alô? — O homem abaixou o tom no mesmo instante. — É a empregada da casa?

—Sim! — Ela respondeu em coreano para que ele não desconfiasse. E ficou ainda mais confusa, pois aquele homem estranho a conhecia.

—Que ótimo — disse com uma ironia evidente, mas continuou falando em português. — Olha fala para o Roberto voltar agora a fazer o tratamento dele, ninguém se importa se ele vai ficar careca ou não, a quimioterapia é importante para pelo menos ele tenha mais tempo de vida — o coração de Taila se acelerou de uma forma que nunca aconteceu antes. Sua mente se esvaziou e tudo começou a girar ao seu redor, enquanto uma lágrima se escorreu em seu rosto. — Diga para ele que se ficarmos juntos, ele não vai morrer cedo... — ele precisou de um tempo para falar novamente, era possível ouvir o barulho dele fungar, ele também parecia estar emocionado com a situação. — Só diga ao meu irmão que eu o amo...

—Tio Ricardo! — Taila disse claramente. Sua respiração começou a oscilar, a fazendo ficar ofegante imediatamente. — Tio Ricardo, isso é mentira, não é?

—Taila?! — Pela voz, dava para ver que ele entrou em desespero. — Do que você está falando? Desde quando? Ele não tem nada, você está mentindo.

—Taila... ah... como eu posso dizer isso a você...

Ela soltou o telefone e o tacou contra a parede com toda a sua força. Seu peito estava doendo e ela não conseguia pensar em mais nada. Tudo o que ela queria saber é desde quando ele estava com aquela doença, e como ele pode nunca dizer nada a ela. Saiu correndo do escritório, desesperada. Atravessou a sala e quase tropeçou em um degrau de elevação.

Correu em direção a porta da frente, tudo o que ela queria naquele momento era ouvir da boca de Roberto que ele estava bem. Queria apenas que ele dissesse que iria embora para os Estados Unidos e que ela não o veria por muito tempo, mas o que ela não queria ouvir, era que ele estava indo embora para sempre, para um lugar que ela nunca mais o poderia encontrar.

Abriu a porta da frente para correr em direção à rua, mas se espantou ao ver que alguém estava preparado para bater à porta.

—Park Soo Yong?!

—Taila?! — Ele arregalou seus olhos espantado. — Eu...

Nem conseguiu terminar de falar, quando se deu conta, os braços de Taila estavam ao redor do seu tórax abraçando-o com força. O rosto dela estava escondido em seu peito e a ouviu gemendo e molhando sua camiseta com suas lágrimas. Passou os seus braços em volta da cintura dela e apoiou seu queixo sobre a cabeça dela. Ele não sabia o que estava acontecendo, mas o que importava era que Taila estava em seus braços.

Notas finais
Espero que vocês tenham gostado do cap e não esqueçam de deixar um comentário para ajudar. Ah, tenho uma novidade para todos os leitores que acompanharam a minha fanfic A volta de Go Mi Nam, o Mi Nam voltou mesmo, estou acabando de postar uma one shot que se passa após a fanfic, se alguém se interessar corram lá!